Autora: Blanxe
Beta: Illy-Chan H. Wakai
Casais: 5x2 1x2 3x4 1xR e por aí vai...
Gênero: Universo Alternativo, Yaoi, Romance, Violência, Angst, Drama, Tragédia.
Aviso: Todas as partes em itálico significam lembranças.
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Blanxe e Niu orgulhosamente apresentam: A semana da tragédia! Sim, as fics dessa semana, tanto a minha quanto a dela, terão como tema central uma tragédia. Então, aproveitem... -
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Until Only Faith Remains
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Sobressaltou-se com a luz forte que, repentinamente, surgiu do nada e desapareceu com a mesma rapidez. Olhou para o lado, frustrado, escutando a familiar risada do homem que parecia se divertir com sua expressão de censura.
Não era para menos; estava terminando de digitar um relatório em seu computador no pequeno escritório em sua casa, quando, do nada, vinha aquele louco com uma câmera fotográfica na mão, decidido a aproveitar-se de sua concentração para tirar uma foto e… mais outra.
- Estou tentando trabalhar aqui. – resmungou, levantando os óculos e esfregando os olhos com uma das mãos para afastar o efeito que o flash deixara em suas vistas.
- Ah, Fei! Não resisti. – o outro homem se aproximou com aquele sorriso largo, segurando a câmera contra o peito como se fosse um grande tesouro. - Você estava tão bonito parado aí com essa expressão séria e concentrada… e ainda tinha essas mechas de cabelo soltas e caindo pra frente do seu rosto. – continuou com um jeito sonhador, até que finalmente perguntou: - Como você queria que eu não imortalizasse uma imagem dessas?
O chinês suspirou.
Deveria estar acostumado, mas ele sempre o pegava de surpresa. Com o passar dos anos, o americano não perdera aquele jeito infantil e sempre que podia atormentá-lo com suas obsessões – como aquela câmera fotográfica – ele assim o fazia.
- Você me vê a hora que quer e do jeito que quer, pra que fica tirando essas fotos idiotas?
O moreno pendeu a cabeça para o lado, levou uma das mãos ao queixo e, fazendo-se de pensativo, começou a enumerar como se contasse nos dedos:
- Bem… tem as horas em que você está trabalhando. E tem as horas em que você está fora. E tem as horas que me dá vontade…
Sabendo que aquilo iria longe se permitisse, o oriental o cortou:
- Maxwell…
O outro parou imediatamente, demonstrando em seu semblante toda a insatisfação que sentia ante à citação de seu sobrenome.
- Ah, Maxwell não! – reclamou, fazendo uma careta e se sentando pesadamente na pequena poltrona que havia no escritório. – Odeio Maxwell.
Wufei segurou o riso. Os anos faziam com que soubesse exatamente como o marido odiava ser chamado pelo último nome. Em parte a culpa era sua, já que, como era sempre muito formal com as pessoas ao seu redor – algo que herdara da educação tradicional de sua família chinesa –, à partir do momento em que o conhecera na escola passara a chamá-lo assim. Demorara muito tempo até que Maxwell se tornasse Duo para si. Um tempo imenso, na verdade: desde que descobrira sua paixão pelo americano ainda no colégio, até ter coragem de confessar o que sentia já na faculdade, quando estavam dormindo juntos apenas como alívio e diversão.
- É mesmo? – indagou, virando-se com a cadeira giratória para encarar a forma amuada do outro homem na poltrona. - Acostume-se, porque eu amo Maxwell.
O sorriso brotou no canto de seus lábios quando o rosto do americano se ergueu com os olhos violetas brilhando num misto de satisfação e felicidade pela declaração fora de hora.
- Ama? – Duo quis certificar-se de um modo irônico, enquanto se levantava, indo até o chinês.
- Eu disse, não disse? – confirmou, elevando uma das sobrancelhas e mantendo o mesmo sorriso quando o peso do corpo do amante se fez presente em seu colo e este lhe envolveu pescoço com os braços.
- Maxwell é um cara de sorte. – o outro contemplou, com certo humor embutido em sua voz.
Wufei balançou a cabeça lentamente, concordando com aquela afirmação.
- Eu tenho certeza que é.
- Convencido! – Duo acusou, sua risada sendo abafada pelos lábios do chinês, que enlaçou com os braços sua cintura e o beijou.
oOo
Pelo menos uma vez por ano eles marcavam de se reencontrarem, tanto para manter o contato, quanto para matar saudades dos velhos tempos. Quinze anos de uma amizade que passara por provações, alegrias e tristezas, e que nunca deixaram morrer com o passar do tempo. Não moravam perto, na realidade, seguiram por caminhos tão opostos que nem mesmo se identificavam mais tanto assim uns com os outros, porém, faziam questão de não esquecer o que os unira em primeiro lugar e, por isso, recusavam-se a permitir que o contato morresse, mesmo que não fosse algo constante.
- Às vezes nem dá pra acreditar que vocês dois estão juntos há tanto tempo. – Heero comentou, sentado ao seu lado à mesa do parque, enquanto observavam Duo disparar correndo atrás de Quatre gritando obscenidades, enquanto o loiro ria e tentava evitar ser pego pelo americano.
Sentiu um certo incômodo. O passado ficara realmente para trás, mas os olhos azuis do outro oriental demonstravam uma nostalgia que Wufei tinha problemas em lidar. Eram amigos, nunca tinham deixado de ser por qualquer motivo que fosse, entretanto, fora a Heero que Duo se entregara quando adolescente; era a ele que o americano chamava de seu primeiro amor. Agradecia ao fato do japonês tê-lo decepcionado tanto a ponto de Duo simplesmente não se importar mais. Fora uma época conturbada emocionalmente, principalmente para o moreno de trança. Ele realmente amara aquele homem e, se não houvesse acontecido tantas coisas, provavelmente ainda estariam juntos, o que faria de Wufei uma pessoa frustrada em sua vida amorosa, porque em toda ela, basicamente, sua única razão fora Duo Maxwell.
- Por que não? – perguntou, sem saber ao certo se queria receber uma resposta.
Heero deu de ombros e virou o rosto para olhar o chinês diretamente, com toda a seriedade que sempre fora uma marca registrada sua.
- Vocês não têm nada em comum. – ele disse, sem qualquer emoção em sua voz, como se atestasse a anormalidade da situação e como se realmente apenas o acaso estivesse contribuindo para que aquela união durasse tanto.
Essa era uma das coisas que não gostava em Heero Yui. Sua sinceridade crua, completamente imparcial em tudo o que julgava ser certo ou errado, sem medo de expor o que realmente pensava, não importando se magoava ou não a quem dirigia suas palavras. Elas não magoavam Wufei, mas certamente o faziam refletir.
Olhou para Duo divertindo-se à distância, sentindo um pouco do peso que o comentário de Heero gerara em si. O americano tinha conseguido capturar Quatre que pedia, entre gargalhadas constantes, que o amante fosse ao seu socorro, mas este apenas sorria de longe, admirando o loiro ficar vermelho de tanto rir, enquanto Duo o prendia com o corpo no chão gramado e fazia cócegas em sua cintura, ao mesmo tempo em que atacava seu pescoço com mordidas, causando-lhe risadas mais altas.
- É, nós somos diferentes. – Wufei considerou e, sem dispensar outro olhar para o japonês, afirmou: – Mas isso nunca vai nos separar.
Heero o fitou analiticamente, enquanto o outro oriental sorria levemente e seus olhos negros apreciavam o americano, até que finalmente voltou a olhar na mesma direção que o chinês e concluiu:
- Realmente.
Foi uma das poucas vezes em que Wufei apreciou a sinceridade de Heero.
oOo
Para Wufei, era quase um ritual acordar antes do marido. Despertava quando o dia estava para nascer e ficava ali, apenas deitado na cama por um longo tempo, admirando o rosto do outro homem adormecido, enquanto a claridade do dia pouco a pouco preenchia o quarto. Durante muito tempo, rezara pedindo por uma chance de poder tê-lo para si e viver um único momento que fosse como aquele. Ganhara muito mais do que barganhara e, por esse motivo, desde que começaram a passar as noites juntos, vinha mantendo aquela rotina sempre que podia, agradecendo todos os dias por ter sido lhe dada a oportunidade de amá-lo como queria e por ser correspondido da mesma maneira.
Quando os primeiros raios de sol começaram a tocar a cama e o corpo do amante, olhou mesmerizado a claridade lentamente iluminar parte das nádegas nuas que o lençol deixara descoberta, assim como as costas e o rosto adormecido, dando uma coloração mais clara aos cabelos castanhos cuja trança - quase totalmente desfeita – se encontrava atravessada no travesseiro, enquanto a franja pesava para o lado, permitindo que nada na expressão tranqüila fosse mascarado.
Para ele, Wufei, aquela era uma visão que praticamente lhe tirava o fôlego, principalmente quando o calor ameno era percebido e aos poucos o moreno despertava com o olhar perdido e sonolento, sem se mover da posição em que estava, mesmo ao perceber que era observado diretamente.
- Eu já não disse pra não ficar me olhando assim? – resmungou, com a voz rouca de sono.
- Eu não vou me desculpar. – Wufei avisou, com um sorriso.
Duo grunhiu, fazendo com que o oriental risse baixo
- Eu não pedi pra se desculpar, só me dá nervoso ver você aí parado me encarando. – reclamou, enfiando a cabeça embaixo do próprio travesseiro.
- Gostaria de saber o motivo dessa sua neura. – o chinês falou, querendo mesmo que Duo contasse, afinal, sempre que o americano o pegava admirando-o durante o sono, brigava consigo porque não queria que o fizesse. Era uma atitude estranha, mas nem depois de estarem casados, ele lhe revelara o motivo.
- Eu só não gosto. – disse, ainda com o rosto escondido. - E não tem nada pra admirar aqui.
- Pode apostar que tem. – Wufei riu, levantando o travesseiro e vendo Duo afundar a cara no colchão. A situação então lhe trouxe uma idéia e logo a expôs: - Deveríamos fazer um acordo, então. Você pára de tirar aquelas fotografias estúpidas e inconvenientes, que eu paro de acordar mais cedo pra ficar te admirando.
No mesmo instante Duo virou o rosto, lançando um olhar mais desperto e totalmente indignado para Wufei.
- Isso sim é uma injustiça!
- Não mesmo. – negou, achando até então, muito divertida a situação. - Um acordo muito justo, a meu ver.
- Eu não vou parar com as minhas fotos. – Duo prontamente se recusou e Wufei sabia que ele falava sério. Era como um maldito passa-tempo que o marido não se cansava nunca, por isso, o outro teria que se conformar com o seu próprio hobby.
- E eu não vou parar de te admirar.
- Fala sério, Fei. – Duo novamente reclamou, dessa vez virando o rosto na direção contrária e finalmente resmungando: - Às vezes eu me pergunto o que você viu em mim.
Wufei franziu o cenho, querendo ter certeza de que ouvira direito e, um pouco incomodado com aquilo vindo de Duo, ergueu-se, se colocando sentando na cama, e puxou o corpo do outro para que se virasse totalmente para si, vendo em seu olhar que não havia mesmo escutado nada errado. Duo estava com aquele olhar incerto e contrariado.
- Como você tem coragem de ficar pensando coisas assim?
- É a verdade. – falou, como se não tivesse importância, enquanto dava de ombros. - Heero tem razão… Somos muito diferentes… Opostos. Você é um cara decente, inteligente, importante, enquanto eu… não mudei muito daquela pessoa…
Wufei debruçou-se sobre ele e o calou com um beijo.
Ao que parecia, não havia sido apenas com ele que Heero conversara e, mais uma vez, teve que amaldiçoar aquela péssima mania que o japonês tinha de expor o que pensava, principalmente - e justamente - para Duo.
- Eu te amo por tudo o que você não é. - Wufei sussurrou, olhando nos olhos violetas quando enfim apartou o beijo. – Isso é o bastante.
Sentiu Duo respirar fundo e desviar o olhar para que não notasse o quão envergonhado estava, sem saber que o carmim em suas faces o denunciava.
- Assim você acaba comigo. – o americano murmurou, fazendo bico.
- Era exatamente essa a intenção. – Wufei novamente pode sorrir, sabendo que Duo absorvera suas palavras. Aproveitou-se então do acesso livre que havia para a junção do pescoço alvo do marido e beijou o local levemente, sentindo o corpo abaixo do seu se arrepiar. - Nada de acordo. – sussurrou, mordendo e, em seguida, chupando a pele, fazendo o outro gemer e arquear a pélvis excitada.
- Fei… - o chamado por seu nome fez com que ele parasse com a provocação e erguesse um pouco o corpo para encarar novamente o rosto do marido. Duo continuava olhando para o lado, incapaz em sua timidez de falar fitando-o diretamente nos olhos, mas mesmo assim havia uma seriedade em seu semblante que confirmava que nada do que dissera era mentira ou havia sido dito apenas para agradar e Wufei teve certeza disso quando o americano enfim confessou: - Você diz que me ama por tudo o que eu não sou, mas eu continuo te amando por tudo o que você é.
Wufei sentiu seu coração se aquecer ainda mais e levou uma das mãos ao rosto do moreno abaixo de si, fazendo com que este se virasse para encará-lo. Fez um leve carinho e, com ternura, disse de forma a não deixar qualquer dúvida:
- E eu nunca pedirei para que você mude.
oOo
Deixou a casa para seguir para o trabalho, completamente satisfeito por ter conseguido tirar aquelas coisas que Heero acabara criando na cabeça do marido, porém, era em situações assim que via o quanto do antigo Duo Maxwell ainda existia e permanecia apenas escondido, à espreita de momentos como aquele para poder ressurgir. Pensando no passado, nem parecia que quinze anos haviam decorrido desde que tinha visto Duo pela primeira vez.
oOo
- Ei, Wufei. Já viu o aluno novo?
- Que aluno novo?
- Sala 802. Transferido de outro Estado.
- Nem.
- Ele causa uma impressão.
Wufei ergueu uma sobrancelha, ficando curioso sobre o comentário de Quatre. Sabia que o árabe, assim como ele próprio, tinha costumes rígidos impostos por sua família, mas que também não conseguia esconder sua inclinação para atrair-se por pessoas do mesmo sexo e, se ele dizia que esse novo aluno era cativante, certamente deveria acreditar em sua opinião.
- Quer ir à minha casa depois da aula? – o loiro lhe perguntou. - Meus pais não vão voltar até a noite.
Wufei não precisava pensar muito para responder ao outro. Não teria nada para fazer depois do colégio e, se sua família perguntasse, sempre tinha a desculpa de estar estudando com o colega. Era um esquema bem vantajoso para ambos, já que o resultado final permitia que aproveitassem de algo que abertamente não poderiam.
- Pode ser. – concordou.
Quatre sorriu e voltou a se concentrar no exercício passado pelo professor de matemática.
Mas foi no intervalo para o almoço, quando se reuniu com o outro garoto no refeitório, que teve sua primeira visão do que exatamente o loiro se referira mais cedo.
- Olha lá ele, Wufei.
- Quem?
- O garoto novo da sala 802.
Wufei procurou com o olhar na mesma direção em que Quatre fitava e não foi difícil localizar o novo estudante entre os rostos já familiares daquele horário. O garoto por si só chamava a atenção dos demais graças ao longo cabelo castanho que pendia por suas costas, preso por uma trança. Além de tudo, ele era muito bonito e, sem sombra de dúvidas, atraente. Algumas garotas de sua sala tentavam puxar conversa, enquanto ele parecia agradá-las o suficiente com seus sorrisos e atitude amistosa.
- Eu não disse que ele impressionava?
- É bonito. – concordou, desviando o olhar para encarar novamente o almoço.
Não era hábito seu ficar encarando as pessoas, principalmente alguém que possivelmente poderia despertar seu interesse e certamente não queria desenvolver nenhum por outro garoto que aparentemente não poderia corresponder qualquer uma de suas expectativas.
-
Estava na biblioteca. Os óculos lhe davam um aspecto mais sério e intelectual, ainda mais quando se afundava nos livros de química, entretanto, seu estudo foi interrompido quando alguém se aproximou e chamou de forma hesitante por seu nome.
- Wufei Chang?
Ele levantou os olhos e se deparou com os violetas do não mais novato Duo Maxwell. Já haviam se passado um ano desde que o rapaz entrara no colégio e, apesar de continuarem sendo dois completos estranhos, o chinês sabia muito bem quem ele era. No primeiro ano letivo em Epyon, Duo se destacara por ser um cara popular entre os outros alunos, principalmente entre as garotas. Existiam rumores que ele namorara Hilde, uma colega da mesma turma, mas agora era visto sozinho.
- Sim, sou eu. – respondeu, olhando para o outro adolescente a sua frente com um pouco de curiosidade por saber o que ele poderia querer consigo.
- Bem… é que… uma amiga, Dorothy… ela me indicou o seu nome.
- Para? – quis saber.
- Trabalho de química. - o americano respondeu, com um sorriso tímido, apontando para o livro que o aluno oriental tinha nas mãos. – Ela falou que não teria problemas se pagasse.
Wufei ficou olhando para o garoto. Em qualquer outra ocasião perguntaria sobre o que teria que fazer, dado seu preço e ponto final, porém, com Duo algo parecia diferente. Não queria acreditar que o moreno era como aqueles retardados populares dentro do colégio, que não tinham capacidade mental para sequer fazer o dever de casa.
- Qual o problema em fazer o trabalho sozinho? – o chinês pegou-se perguntando.
Admirou-se por Duo expressar confusão em seus brilhantes olhos violetas e mostrar-se desconsertado. Por um segundo, acreditou que ele evadiria a resposta, mas acabou o surpreendendo quando admitiu, com a vergonha nítida no leve rubor de suas faces:
- Não sou muito bom com essa matéria. Na verdade, sou péssimo e preciso de nota pra manter a média.
Wufei notou que apesar de sua dita popularidade, Duo não parecia em nada com os idiotas que vez por outra vinham requisitar trabalhos. Ele aparentava estar desconfortável com a situação e pensou que talvez o tivesse procurado instigado pela influência de Dorothy e seus outros amigos.
- Se estudasse pouparia seu dinheiro. – resmungou, pensando em se oferecer para ajudá-lo com a matéria, porém, refreou-se, afinal, não tinha motivos para prestar ajuda a alguém como ele. – Cinqüenta, pagos no dia em que te entregar.
Duo respirou levemente, aparentando estar aliviado e com um sorriso concordou, passando tudo o que precisava para o trabalho e, quando deu as costas para ir embora, não percebeu que os olhos negros o seguiram até que deixasse a biblioteca.
oOo
Wufei sorriu ante a lembrança. Naquele dia, nunca poderia sequer imaginar aonde chegaria, muito menos que aquele outro garoto se tornaria a pessoa mais importante de sua vida.
oOo
Duo chegou um pouco adiantado no colégio, mas isso não era de fato algo anormal. O que poderia ser considerado fora do comum era deparar-se com Heero esperando, encostado no muro junto ao portão principal de entrada. O japonês, como sempre, estava muito bem vestido, trajando uma camisa branca por baixo do blazer preto e óculos escuros que escondiam o azul de seus olhos.
Aproximou-se com o sorriso cordial característico e abordou o outro homem que se mantinha sério, como o usual.
- Madrugou e decidiu matar saudades do antigo colégio? – perguntou, num tom divertido.
- Pode-se dizer que sim. – foi a resposta que recebeu do oriental, que levantou os óculos para a cabeça. – Vou ter que viajar para Londres daqui há dois dias.
Era de se estranhar Heero Yui vindo procurá-lo em seu local de trabalho e aparentemente lhe dando satisfações sobre o que iria fazer futuramente. Não eram distantes um do outro, como a amizade que mantinham atestava, mas certamente o japonês sendo uma pessoa mais introvertida, só procurava a ele ou a algum dos demais quando tinha realmente algo para dizer ou fazer.
- Vai passar férias com Relena? – palpitou a primeira coisa que lhe veio na cabeça. Apesar de saber que o amigo poderia estar viajando por causa do serviço, lembrou-se que a esposa deste havia comentado, em ocasião anterior, que gostaria de uma segunda lua-de-mel, então Duo apenas assimilou a informação mais rapidamente. Só não estava preparado para a resposta que abrupta que o outro lhe deu, de forma simples e direta.
- Ela está grávida.
Duo arregalou os olhos, assustado com a notícia informada de modo repentino, mas, em seguida, a surpresa ganhou um brilho contente em seu olhar e ele sorriu.
- Até que enfim! Resolveu ceder aos instintos de ser pai?
Mesmo estando verdadeiramente feliz pelo acontecimento, não conseguia, bem no fundo, deixar de achar estranho. Relena e Heero estavam casados há quase tanto tempo quanto ele e Wufei, só que, durante todos aqueles anos, nunca o assunto 'filhos' havia sido trazido à tona e Duo sabia o por quê. No entanto, não era crime algum se Heero tivesse mudado de idéia e Relena, por estar avançando na idade, quisesse aproveitar e ter uma gravidez sem riscos e tranqüila.
- Você sabe que eu nunca quis filhos. – rebateu, com seu rosto tomando uma expressão aborrecida.
- Mas ela está…
- Não por minha vontade. – o oriental esclareceu.
Agora Duo entendia o motivo da visita: Heero precisava conversar. Não era por menos que estava ali e, por mais incrível que pudesse parecer, apesar dos pesares de tudo o que haviam vivido, ainda mantinham uma ligação muito maior do que a existente com os outros. Sempre que o japonês estava com a mente perturbada, ou acontecia algo importante em sua vida, a primeira pessoa a quem ele procurava era Duo e, com aquela situação, não poderia ter sido diferente.
- Venha. – Duo chamou, fazendo um meneio com a cabeça. - Vamos entrar e você vai me contando como foi que isso aconteceu.
- Isso é uma coisa bem cretina. – replicou, caminhando ao lado do americano, enquanto entravam no colégio.
Duo rodou os olhos e rebateu:
- Tá, eu sei como isso acontece. Eu quero saber como ela engravidou depois de tanto tempo se você não queria.
Essa era a grande questão realmente e Duo estava mais do que curioso para entender o que se passava; só que, mesmo estando acostumado com a sinceridade sem meias palavras do amigo, ficou chocado quando este acusou:
- Ela armou.
- Que coisa horrível de se dizer, Heero! – o recriminou, ambos adentrando pelos corredores da escola, escutando o primeiro sinal tocar. - Ela é sua esposa.
- Estou falando a verdade, só isso. – o japonês deu de ombros.
- Ela não faria nada para desagradá-lo assim, pelo menos eu acho. – Duo comentou, pensando um pouco sobre a personalidade de Relena. - Ela te ama.
- É, por isso há alguns meses vinha com essa idéia de querer ter filhos. – Heero elucidou, vendo o americano franzir o cenho para em seguida querer amenizar a situação como se estivesse falando com uma criança e esta não entendesse nada sobre maturidade:
- É normal querer ter filhos com a pessoa que se ama, Heero.
- Eu não quero filhos. – repetiu-se, querendo deixar claro o ponto onde ele acreditava existir uma armação.
Duo finalmente pareceu se deixar vencer por sua lógica e ponderou, querendo ganhar mais informação sobre o acontecimento:
- Então ela te driblou pra engravidar?
O outro homem assentiu com a cabeça e revelou:
- A desculpa foi que se esqueceu de tomar pílula.
- Que desculpa… – Duo resmungou, parando próximo à sala dos professores, não se preocupando com o horário, já que sua primeira aula naquela manhã seria apenas no segundo período. Reparando que os corredores já estavam quase totalmente vazios, questionou: – E o que você pretende fazer?
Heero olhou de uma forma enigmática para o americano e levou só um segundo para que este entendesse a mensagem que aqueles olhos transmitiam.
- Ah, não! – balançou a cabeça negativamente, indo se sentar num extenso banco de madeira que ficava junto à parede da sala naquele corredor. - Eu não vou conversar com ela sobre isso!
- Se eu for falar - Heero ponderou, sentando-se ao lado do outro. - ...o drama vai ser maior.
Duo suspirou. Sabia exatamente como a mente do amigo funcionava, sempre soubera. Ele não queria filhos, isso era fato; Relena engravidara sem seu consentimento para tentar de alguma forma quebrar aquela decisão, acreditando que o marido ficaria sensibilizado e mudaria de idéia, só que Heero não gostava de ser contrariado, bem como detestava lidar com questões emocionais. Não seria a primeira vez que serviria de intermediário para o japonês, porém, naquele caso em especial, estava completamente avesso à idéia de ajudá-lo.
- Já pensou na possibilidade de não pedir o aborto? – Duo quis saber, antes de mais nada.
Heero grunhiu em resposta.
- Tá, entendi a mensagem. – falou, tentando aplacar o humor do outro. Heero definitivamente não queria filhos. Suspirou, se vendo incapaz de contornar a situação. - Cara, isso é papo de mulher! Como eu vou chegar pra ela e dizer que você está chateado e não quer essa criança?
- Você é gay, tem mais tato com mulheres. Eu não tenho tato, muito menos saco pra isso. – Heero rebateu, com ironia embutida em sua voz séria. – Além do mais, você tem diploma.
- Tenho pra lidar com crianças e adolescentes! – replicou, quase indignado.
- É exatamente por isso. Relena não é muito diferente de uma criança, nesse caso.
Aquilo fez Duo rir.
- Cara, não a deixe escutar você falando isso. Não sabe como elas ficam perigosas quando estão nesse estado?
Heero ignorou o comentário e, sem precisar da resposta do americano, informou:
- Ficarei três dias fora. Ela fica em casa na parte da tarde.
- Quem disse que eu vou? – Duo questionou, erguendo uma de suas sobrancelhas.
Heero lançou um olhar desdenhoso que parecia dizer claramente "eu sei que você vai", e que fez Duo suspirar de forma mais audível, dando-se por vencido:
- Não sei por que ainda me deixo convencer desse jeito.
- Sempre foi assim. – Heero constatou, vendo o semblante do americano ganhar um sorriso ameno ao suavemente concordar:
- É verdade.
oOo
Quando o vira na aula de Educação Física, ele chamara de imediato a sua atenção. Era a primeira vez que se juntavam com aquela turma naquele horário e, até então, nunca o vira ou reparara no colégio. Mas ali, em meio aos outros garotos vestidos para um treinamento de basquete, não notá-lo seria impossível, pelo menos para si.
- Quem é aquele cara? – perguntou a outro colega de classe.
O garoto procurou com o olhar a direção em que apontava com o olhar e respondeu:
- Ah, aquele é o Yui.
- Yui?
- É. Heero Yui. Ele é meio grosso, por isso, tome cuidado se pegar o time adversário.
Duo assentiu apenas para disfarçar, pois na verdade não fora por aquele motivo que quisera saber a identidade do outro. Sua sexualidade não era algo que exporia tão facilmente. Seu interesse por garotas não existia e os rumores que corriam pelo colégio sobre ele sair com algumas não passavam disso: rumores. A realidade dos fatos era que parecia ser mais fácil se tornar amigo de algumas das meninas do que dos rapazes, quando sua natureza fazia com que tivesse forte atração por estes.
E definitivamente sentira algo assim por aquele garoto sério e inexpressivo ali na quadra.
O alerta do colega de classe foi entendido muito bem quando começaram a disputa regida pelo professor e acabara caindo no time adversário do oriental. Poderia chamar do azar de sua vida quando, em meio a um lance, foi bruscamente atingido pelo outro rapaz numa tentativa de lhe tomar a bola e acabou indo violentamente de encontro ao chão da quadra.
O apito do professor foi ouvido, interrompendo o jogo.
- Yui, você está fora. Chris entra no lugar dele. – escutou a ordem e, ao tentar se levantar, sentiu uma forte fisgada em seu ombro, fazendo com que gemesse de dor e chamasse a atenção dos demais. – Está tudo bem, Maxwell?
Conseguiu com algum esforço se sentar, porém, apoiou protetoramente o local dolorido com uma das mãos.
- Eu não sei. – respondeu.
- Vá ver isso na enfermaria, está dispensado. – ordenou o professor. – Yui, já que a obra é sua, acompanhe seu colega.
Duo surpreendeu-se quando uma mão foi estendida em sua frente e, ao olhar para cima, encarou diretamente o rosto do japonês, admirando os olhos azuis inexpressivos. Não se permitindo ficar muito tempo embasbacado, aceitou a ajuda e assim se levantou.
Heero o acompanhou até a enfermaria como fora ordenado e fizeram todo o caminho em silêncio. Duo se sentia intimidado pela seriedade do outro rapaz, por isso, temia acabar falando alguma piadinha sem graça, fazendo com que o outro achasse que era um idiota. Queria passar uma boa impressão para talvez conseguir fazer alguma amizade, mas assim que chegaram à sala e a enfermeira o recebeu, Heero simplesmente virou as costas e foi embora.
Não tinha motivos, mas ficou decepcionado por não ter conseguido sequer trocar uma palavra com o oriental e, para sua total desolação, demorou para que tivesse novamente uma aula de Educação Física com a turma de Heero. Porém, nesse meio tempo, passara a notar a presença dele nos corredores durante o intervalo de aulas e na hora do almoço. Observava-o discretamente e notara que ele parecia ser bem solitário, pois se sentava isolado em uma das mesas quando ia comer e, na maioria das vezes, estava desacompanhado.
Quando novamente teve aula com a classe de Heero, dessa vez ficara no mesmo time que ele e o professor gostou da forma como interagiram durante o treino de basquete, sendo assim, depois que dispensou as turmas, pediu para que ambos ficassem para uma conversa. Fora um convite para fazerem parte do time principal do colégio; convite que Heero de imediato negou, causando um pouco de curiosidade e espanto em Duo, afinal, o oriental era sem dúvidas um ótimo jogador, mas este não deu qualquer explicação, indo para o vestiário deixando-o para trás com o professor. No seu caso, Duo também teve que recusar. Apesar de ter ficado contente pelo convite, basquete não era algo que queria ou poderia priorizar.
Escutou a água do chuveiro correndo assim que entrou no vestiário, mas os últimos alunos já saiam do local. Ia buscar uma toalha quando antes de chegar em seu armário passou pela entrada para os chuveiros e viu o corpo nu que se banhava embaixo da ducha forte. Enrubesceu quando seus olhos vagaram pelas formas bem definidas e masculinas de Heero e, sentindo seu coração se acelerar, assim como um calor tomar conta de seu baixo ventre, engoliu em seco e retomou rapidamente seus passos até os armários, decidindo que poderia deixar para tomar banho quando chegasse em casa.
-
Duo tinha certeza que estava se apaixonando pelo japonês de olhos azuis. Pensava nele mais do que deveria, em momentos e situações que realmente indicavam o quanto o outro ocupava sua mente. Por isso, achou muito estranho Heero não aparecer na hora do almoço para sentar-se em seu lugar costumeiro aquele dia. Ele não havia faltado, disso tinha certeza, pois o vira transitando pelos corredores pouco depois do sinal ter tocado e ir para o refeitório.
Preocupou-se, mas quando estava a caminho de sua sala, enquanto seu olhar vagava procurando algum sinal de Heero, estranhou quando viu uma das garotas saindo de uma sala restrita com rosto levemente corado, os lábios avermelhados e inchados, enquanto ainda procurava ajeitar o uniforme.
Curioso, aproximou-se da sala, lendo na placa de metal que se tratava de uma sala usada como dispensa para os materiais de limpeza. Franziu o cenho e abriu a porta, entrando para verificar o lugar. Não era um quarto grande, pelo contrário, haviam prateleiras repletas de produtos, assim como vassouras e outros utensílios jogados num dos cantos mais ao fundo. Seus olhos violetas se arregalaram ao constatarem a presença de outra pessoa ali.
- Heero?
O garoto não expressou coisa alguma ao vê-lo, continuando a colocar a blusa do uniforme para dentro da calça, fazendo com que Duo ficasse ainda mais sem graça.
- Eu vi uma garota saindo e… o que estavam fazendo aqui?
Os olhos azuis lhe encararam com distinto aborrecimento e ele respondeu, fechando a calça:
- Não parece óbvio?
Era a primeira vez que trocavam palavras um com o outro e Duo achou por demais irônico e decepcionante ser numa situação como aquela, afinal, se Heero e a garota estavam mesmo fazendo o que pensava, isso descartava qualquer possibilidade do oriental vê-lo de outra forma.
- Sinto muito. – pediu, sentindo-se muito deslocado. Quando estava prestes a sair, foi detido pela voz neutra do japonês.
- Você é gay?
Os olhos violetas se arregalaram e, vendo que os olhos azuis não se denunciavam no motivo daquela pergunta, Duo tentou fazer-se de desentendido.
- Como?
- É surdo, além de idiota? – o outro moreno rebateu.
Duo arqueou uma das sobrancelhas achando as palavras de Heero ofensiva demais.
- Olha, eu realmente não estou te entendendo, mas se for pra me…
- Você passa o tempo que pode me olhando. – evidenciou, cortando qualquer que fosse a intenção do americano em tomar a conversa para si.
- Isso não quer dizer… - tentou rebater, porém, foi novamente interrompido.
- Eu te atraio?
Duo sentiu a garganta ressequida sem saber o que responder, temendo dizer a verdade e gerar um grande problema para si mesmo, mas também incapaz de negar de imediato algo que era tão evidente.
- Quer ir até a minha casa depois das aulas? – Heero perguntou, fazendo com que Duo ficasse ainda mais desorientado com a situação, mas mesmo assim, a resposta positiva veio com um aceno de cabeça. – Me espere depois do último sinal.
Foi tudo o que Heero disse antes de deixá-lo ali sozinho.
-
Ele sentia-se estranho. Acompanhara Heero depois do colégio até a sua casa e descobrira que o oriental morava um pouco distante de onde residia, entretanto, o que mais o fazia se sentir incomodado era o fato de, do nada, o garoto tê-lo convidado a ir até sua moradia depois daquelas perguntas estranhas. De fato, temia que ele pudesse querer lhe agredir, afinal, agora sabia que Heero era hetero, só que não entendia ao certo porque ele faria isso dentro de sua própria casa.
Pelo silêncio do ambiente, parecia que não havia ninguém mais ali além dos dois. Seguiu-o até um quarto que, pela cama de solteiro e as coisas de adolescente que existiam no cômodo, julgou ser o do japonês.
- Quer beber algo? – Heero perguntou por educação, mas Duo estava intrigado demais para ficar confortável com aquela situação esquisita.
- Por que me trouxe até aqui?
Heero não se deteve em responder a verdade.
- Porque me deu vontade de saber como é.
Duo franziu o cenho.
- Saber como é o quê?
- Como é ficar com outro cara. – esclareceu, sem qualquer vergonha.
Duo sentiu seu rosto queimar e ficou estático ante a revelação.
- Você está brincando? – perguntou incerto, vendo que o outro se aproximava.
- Não. – foi a resposta curta que recebeu antes de sentir os lábios de Heero tocarem os seus sem qualquer constrangimento e, nesse momento, pensou que seu coração iria sair do peito.
Incapaz de corresponder de imediato, permitiu que o japonês continuasse a provar de sua boca, explorando a sensação de enfim ter acesso tão íntimo com outro rapaz.
- Não é tão diferente de uma garota. – Heero constatou, afastando os lábios brevemente ao falar e, por um segundo, Duo sentiu-se indignado com a forma que ele o estava comparando, mas isso passou logo que teve a boca dele de volta na sua, mais exigente e firme.
Dessa vez, Duo correspondeu, perdendo um pouco do senso e da timidez, envolvendo o pescoço do oriental com os braços quando quase perdeu o equilíbrio ao ter seu corpo puxado mais contra o do outro.
Instintivamente começou a impor sua pélvis para frente, esfregando sua ereção confinada pela calça do uniforme escolar contra a de Heero, ganhando um grunhido abafado pelo beijo, e ficou feliz por se sentir desejado daquele jeito pelo outro adolescente.
Heero o pressionou contra a parede do quarto e continuou a beijá-lo, dessa vez foi ele quem repetiu o gesto do americano, continuando a comprimir e esfregar suas necessidades separadas apenas pelo tecido das calças, até que separou seus lábios e Duo só conseguiu arfar.
- Pára, Heero.
- Agora não. - o outro lhe respondeu com a voz ofegante, apenas aumentando a intensidade dos movimentos.
Reprimindo sua voz de se exaltar, Duo sentiu seu sexo ficar quente demais, a excitação passando dos limites, e chegou ao orgasmo gemendo o nome do oriental, que gozou ao mesmo tempo, grunhindo junto a sua orelha.
Duo sentia as pernas trêmulas demais para continuar se mantendo de pé e escorregou, encostado a parede para sentar-se no chão, sentindo a viscosidade dentro de sua calça. Ainda não acreditava que tinha feito aquilo, que tinha beijado e se aliviado com Heero daquela forma, mas era real, principalmente porque o outro confirmara isso ao se abaixar, ficando ajoelhado à sua frente, e tomar sua boca num novo beijo, desta vez gentil e afetuoso.
oOo
- Você foi o meu primeiro e pior amor. – Duo constatou, sorrindo de forma saudosa, saindo de suas recordações.
Ele não gostaria de ser lembrado como o pior amor da vida do outro homem, porém, sabia que tinha todos os méritos por isso. Duo tinha razão no que falava e, no fundo, o que Heero sentia era um pouco de recalque por Wufei ter conseguido lhe provar o contrário de tudo o que sempre afirmara, por estar fazendo o americano feliz durante tantos anos, tão feliz que sentimentos outrora tão intensos, hoje já não significassem praticamente nada.
- Poderia ter sido diferente.
- É, mas outra pessoa roubou meu coração e aquela loira prendeu o seu.
Contra fatos não existiam argumentos e isso fez com que Heero ficasse em silêncio, virando o rosto para fitar o nada a sua frente, até que ouviu Duo falar:
- Mas isso não significa que eu não pense em você.
Heero voltou rapidamente a fitar o americano, vendo que era este quem agora mantinha seus olhos voltados em outra direção - mais especificamente para o chão. Apesar de não mudar nada, aquelas palavras faziam toda uma diferença e Heero acalentava-se por elas.
oOo
Heero olhava para o garoto ajoelhado no chão entre suas pernas com intensidade, admirando seu sexo sumir e reaparecer na boca úmida com os movimentos que este fazia. Sentado em sua cama com a calça escolar aberta, segurava com uma das mãos os fios castanhos, guiando – de certa forma – o ritmo do vai e vem, enquanto pensava no que realmente estava fazendo ali.
Certamente deveria ter parado com aquilo há algum tempo, mas era divertido ficar com Duo, mesmo que ele fosse um garoto. As garotas do colégio com quem transava sempre estavam exigindo algo mais, um envolvimento emocional que ainda não estava nem um pouco preparado para dar. Gostava de acreditar que não havia encontrado a pessoa certa ainda, que era muito novo para esse tipo de enlace, por isso que via vantagem em às vezes chamar Duo até sua casa.
O americano sempre estava à disposição, nunca lhe negava nada, bem como não lhe exigia também. Só que, ainda assim, continuava sendo um garoto. A princípio, se atrevera a assediá-lo por curiosidade, queria experimentar estar com Duo por ter visto a forma como este lhe observava e também por sua beleza. As garotas do colégio que morriam de amores pelo americano, certamente ficariam decepcionadas se soubessem que, o que este realmente gostava, elas não poderiam dar.
Puxou-o cuidadosamente pelo cabelo, detendo os movimentos e encarando os olhos violetas confusos.
- O que foi?
- Eu quero que fique nu.
Viu uma leve surpresa nos orbes ametistas e pronta hesitação. Ele sabia exatamente o que queria com aquele pedido e esta seria a última barreira que quebrariam um com o outro.
- Não quer? – perguntou, ao ver que o americano sequer se movera.
- Não sei. – ouviu-o confessar, com a voz baixa.
Não ia forçar Duo a fazer nada que não quisesse, por isso, o dispensou:
- Então vá pra casa.
Viu uma certa mágoa aparecer no semblante do outro rapaz, mas não se sensibilizou. Se não poderiam sair daquela enrolação, não estava com humor para mais nada.
- Heero… Eu gosto de você. – escutou Duo confessar, fazendo com que o oriental franzisse o cenho. O que aquilo tinha a ver com a situação? Não havia nada demais ele gostar de si, por isso, replicou sincero:
- Eu também gosto de você.
- Mas pra mim é diferente. – Duo falou, pedindo compreensão com os olhos. - Eu realmente gosto de você.
Heero ficou em silêncio, enquanto o sentido daquelas palavras chegava ao seu entendimento. Se fosse o que ele estava pensando… Não poderia ser… De jeito nenhum.
Duo ergueu-se e o beijou, invadindo sua boca com a língua, fazendo com que tudo se perdesse quando ele começou a abrir os botões da camisa azul de seu uniforme e uma de suas mãos começou a passear por seu tórax nu até parar em um de seus mamilos e acariciá-lo com os dedos. Um arrepio correu por seu corpo e seu sexo latejou, excitando-se ainda mais com aquele carinho.
Permitiu que Duo o despisse por completo e, em seguida, viu o outro garoto se afastar e tirar cada peça de roupa que lhe cobria o corpo esbelto.
Foi a primeira vez que sentira seu coração bater de um jeito diferente e não gostou nada daquilo.
oOo
- Foi realmente só um sonho bobo? – Duo perguntou, encarando Heero novamente, vendo em seu olhar o pouco de emoção contida que seus olhos azuis permitiam transparecer.
- Talvez. – o oriental falou e, quando diria mais alguma coisa, um estampido inesperado fez com que se sobressaltasse, assim como a Duo.
Ambos se levantaram, enquanto um novo ruído ecoou, juntamente com gritos de desespero.
oOo
Continua…
Notas da Blanxe: Esta fic, a princípio, era para ser uma simples one-shot de poucas páginas, mas como algumas pessoas já estão sabendo, a danada criou pernas e ficou muito grande para ser postada em uma só tacada. Por isso, não se preocupem que esta não é mais uma fic de capítulos pra enrolar em postagem e tals... A história está concluída, então, estarei atualizando assim que as betagens forem entregues...
Só gostaria de avisar também que estou fazendo uma enquete sobre a atualização das fics e quem quiser votar, é só acessar o meu profile... Infelizmente, apenas pessoas com conta no site podem votar, então, quem não tiver e, mesmo assim, estiver a fim de expor opinião, é só criar uma conta... É rápido e não é cobrado nada... Os votos são completamente secretos pra mim e pros demais, por isso, não precisam se preocupar... A votação é essencial pra decidir o que vocês estarão lendo daqui por diante...
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Notas da Beta:
Meu Deus do Céu.
Tenho pena do coração de todas vocês.
Porque o meu já foi destruído.
Preparem-se.
Illy-chan.
