Era um mundo mágico onde os navios se perdiam no fim do mundo e cavaleiros viviam a salvar princesas de torres de castelos e dragões. Em um reino havia um rei, seu nome era Shion. Shion tinha três filhos, todos loiros de olhos azuis: Os gêmeos Saga e Kanon, e o filho mais novo, Milo. Saga, por ter nascido primeiro, é o príncipe herdeiro do trono. Era altivo, bondoso, um verdadeiro líder. Kanon era por vezes invejoso, sentia ódio de si mesmo por não ser o primeiro na sucessão. Milo era 11 anos mais novo que seus irmãos, filho da velhice, e nem chegou a conhecer sua mãe, a rainha Hilda, que morrera no parto. Nunca falara, ninguém soube o motivo, mas expressava seus sentimentos tão bem como qualquer outra pessoa, através de três pássaros canoros que ganhara ainda bebê. Os pássaros se chamavam Shaka, Mu e Camus. O primeiro era um pássaro amarelo, pomposo e adorava ouvir elogios. Às vezes nos dava a impressão que se sentia superior a qualquer outro ser vivo. Mu era um pássaro lilás, calmo, sereno, e suas melodias acalmavam a alma atormentada. O último, seu favorito, era um pássaro vermelho, de certa forma triste. Suas melodias eram tristes, e de uma profundidade tão grande que lágrimas de cristal brotaram dos olhos do mais temido feiticeiro quando ouvira sua melodia.

Milo andava todo o tempo com os três pássaros, que eram itens mágicos que pertenceram ao mago Shura, e tinham a capacidade de ler a alma de Milo e combinar os cantos, transmitindo assim os sentimentos do pequeno príncipe mudo.

Por terem sido presente de um mago poderoso, muitas histórias sobre a origem dos pássaros foram contadas. Existiam três versões que ainda hoje atiçam a imaginação de muitas crianças, que as ouvem na hora de ninar e passam à diante, sempre fantasiando ainda mais a história dos três pássaros canoros.

Uma versão, a preferida das pequenas garotas que sonham em se casar com príncipes em cavalos brancos, dizia que os três pássaros eram três príncipes amaldiçoados, que foram presos por salvarem donzelas do dragão violeta (Shi-Ryu).

A versão preferida dos pequenos aprendizes de cavaleiro afirmava que eram três belas ninfas, que escolhiam o coração de pessoa e dominava seu destino através do seu canto.

A mais bela versão dizia que quando alguém corria perigo de morte, os três pássaros usavam sua magia, e dando sua vida para salvar essa pessoa, tornavam-se estrelas e iam para o céu, tornando-se parte do manto negro cintilado que envolve a lua cheia.

Quando Milo completou 13 anos, todos puderam saber qual era a verdadeira versão da lenda dos três pássaros canoros.

Em um equinócio, dia terceiro do mês em que mar e terra eram atacados pelas bestas mágicas, Milo fora brincar nos jardins do palácio, que ficavam à beira de um bosque em frente ao mar.

Nesse mesmo bosque vivia um homem amaldiçoado, preso em forma de tigre, fadado a matar uma criança todo equinócio, até o total de trezentas, e seu nome era Dohko. Milo sabia que era equinócio e não tinha medo de Dohko, nos seus últimos anos de vida sempre fez questão de sair no bosque nesses dias.

Mal sabia Milo o que o destino guardara.

Neste dia em particular, os pássaros não cantaram. Milo de início ficou preocupado, mas depois que seu irmão Saga lhe falou passoa a relevar esse pequeno fato. Quando passou dos jardins e chegou ao bosque, de súbito fora atacado por um vulto dourado, que fora a última coisa que vira.

O terceiro dia de todos os quinze meses desse mundo se tornaram dias negros. Agora o céu chorava nos terceiros dias, e a cabeça do tigre jazia como um troféu em cima do trono, e quem passava pelo bosque encontrava três pássaros cantando a mais triste das melodias, traduzindo os sentimentos do pequeno anjo loiro de olhos azuis que hoje guarda as florestas.