Boa Noite! A música que minha adorada caçadora canta é Hurt - Jonnhy Cash. Se gostam de ler com trilha sonora, vou deixar aqui as músicas que eu ouvi pra escrever esse capítulo.

P.s.: Toda a fanfic é baseada em eventos seguintes da libertação de Lúcifer. As criaturas aqui envolvidas foram pesquisadas e nenhuma foi maltrada nos bastidores.

Renegade - Styx

Arabbella - Artictic Monkeys.

Hurt - Jonnhy Cash

No One Like You - Scorpions


- Dean. - reconheceu a voz instantaneamente. Se levantou para encará-lo de frente. - Eu preciso de vocês. Uma garota está sendo procurada pelos anjos e pelos demônios.

Ele não respondeu e Castiel prosseguiu.

- Dean, ela vai estar na cidade. Vocês vão esbarrar com ela onde menos esperam. Logo eu estarei lá. Corram.


Acordou de sobressalto, quase caindo da poltrona onde adormecera. Sabia que era um sonho, Castiel não estava ali de verdade. Mas precisava de ajuda de verdade.

- Sam? Sam! - jogou uma almofada no irmão para que ele acordasse o quanto antes - Temos trabalho. - o caçula abriu os olhos lentamente e tampou o bocejo com a mão - Cara, você ta horrível.

- Se você não dissesse eu não acreditaria. - caçoou enquanto levantava para lavar o rosto amaçado. Olhou seu reflexo no espelho e observou as olheiras que se destacavam com a pele pálida do rosto cansado. Não dormia bem desde a última caçada. - O que você tem pra mim?

- Cas fez uma visitinha. - Sam virou para trás e arqueou uma sobrancelha, com todos os problemas causados pelo início do apocalipse não esperava que o anjo fosse dar as caras por um tempo, eles sabiam que as coisas estavam muito bagunçadas por todo lado - Ele disse que vamos encontrar uma garota. Que ela precisa de proteção.

- Mas nós estamos no meio de um caso.

- Eu sei. Não disse que temos que largar. Só precisamos terminar ele logo.

Sam assentiu, jogando a chave do carro para o irmão. Durante o caminho não conseguia parar de imaginar o que poderia ser tão importante nessa garota para que Castiel quisesse ajuda para protegê-la, afinal ele era um anjo.


Pegaram as armas no porta-malas, duas lanternas e dois galões com água benta. Caminharam até a porta da frente da casa vazia. Haviam tido sorte com essa família. Não tiveram grandes problemas para interditar a casa por conta de alguns "ratos". Em um movimento automático Dean girou a maçaneta e a porta simplesmente abriu, rápido demais. Alguém já havia destrancado. Olhou para o irmão confuso, mas só recebeu um olhar interrogativo como resposta. Quando pisaram na grande sala de estar ouviram a porta dos fundos ser bruscamente aberta.

Havia um homem amarrado em uma cadeira de madeira, estava no centro de uma armadilha para o diabo. Sam correu até ele e checou se ainda estava vivo, sentindo o pulso muito lento. Quando os olhos assustados e confusos do homem encontraram os dele percebeu que o exorcismo já havia sido feito.

Ouviram o barulho de um motor ser ligado. Tiraram o homem, pelo que se lembravam, dono da casa, e o deitaram rapidamente no sofá, Sam já habia feito o telefonema e o socorro chegaria logo. Não poderiam perder a pista de quem estava na casa e precisavam sair de lá o quanto antes se não queriam virar suspeitos.

Saíram correndo sem fechar a porta pela qual haviam entrado a tempo de ver uma moto virar a esquina. Entraram às pressas no Impala prontos pra seguir o rastro de quem quer que fosse. Alguma coisa não estava certa. Mesmo que a pessoa tivesse resolvido as coisas pra eles não significava boa coisa ter fugido tão rápido.

Não foi difícil alcançar quem dirigia a moto, mas decidiram manter uma distância segura. Só quando a moto virou numa estrada de terra notaram que estavam indo na direção de um bar. Um bar bem escondido e pelo que parecia, com um público específico. Caçadores.


Estacionaram longe para que não pudessem ser notados, mas perto o suficiente para que enxergassem quem descia da moto. Usava uma jaqueta larga assim como a calça. Estavam prontos para descobrir quem era, mas ainda assim se surpreenderam quando tiveram sua resposta.

A jaqueta foi aberta e colocada por cima do acento da moto. Logo depois as calças largas que escondiam um corpo feminino. Por baixo das roupas uma calça jeans escura, uma regata preta e, quando ela se virou para tirar o capacete, a mesma tatuagem que os dois carregavam no peito se encontrava em seu ombro. O capacete foi tirado e os dois puderam dar uma boa olhada na garota.

Ela segurou as roupas em um dos braços e o capacete na mão, andando até o que parecia ser a porta dos fundos do lugar.

- Valeu Luke. Sua moto esta inteira e devolvida, assim como suas roupas - piscou para o brutamontes; as roupas não serem dela era uma boa explicação.

Os dois saíram do carro e foram até a porta por onde ela já havia passado. O guarda costas parou em frente a porta, impedindo a passagem deles.

- Ahn... Nós precisamos conversar com.. Aquela moça. - Dean tropeçou nas palavras, ainda pensando na garota, devia ter menos de 25 anos.

- Aqui só passa pessoal autorizado, se querem falar com ela entrem pela entrada, logo ela deve subir no palco. - o guarda-costas negro que deveria ser mais alto que Sam cruzou os braços e encarou os dois por cima do óculos.

Dean sorriu sarcasticamente - Nós precisamos mesmo...

- Entrar pela entrada. - Sam puxou o ombro do irmão para trás. Não estava muito animado para arranjar outra briga quando a solução era tão simples, não havia real motivos para insistir a entrada por ali se a garota já ia estar do lado de dentro.

Deram a volta pelo lugar até encontrarem a porta de madeira. O lugar era pouco iluminado; cheio de homens, o bar era bem abastecido e Dean agradeceu internamente por não ter sido notado. Todos continuavam bebendo e berrando uns com os outros.

Ouviram o som de um violão vindo de trás e se viraram para encarar o suposto palco. E lá estava ela. O cabelo colocado de lado para que não atrapalhasse sua visão. Pigarreou, limpando a garganta e começou a tocar as notas de uma melodia triste. Logo o som da sua voz encheu o lugar e até os berros do homens bêbados pareciam mais baixos.

Uma música de Johnny Cash foi cantarolada perfeitamente e no final foram ouvidos assovios e alguns elogios guturais, nada que parecia incomodar a garota. Os dois apenas observaram a maneira como ela parecia confortável perto de todos aqueles homens, mesmo sendo uma das únicas mulheres dentro do lugar e toda aquela brutalidade não parecer se encaixar á ela.

Se levantou e andou calmamente para fora do centro das atenções se preparando para se retirar mais uma vez; Sam a seguiu discretamente sendo seguido pelo irmão.

- Então, você e o seu parceiro cansaram de me seguir e decidiram perguntar algo? - se virou tão bruscamente que os dois quase se trombaram ao parar abruptamente. Ela parecia irritada. Uma das mãos estava apoiada na cintura, próximo o suficiente do que parecia um cabo de uma faca que deveria estar escondida por dentro da calça; talvez não tivesse sido um ato involuntário.

- Aceita uma bebida?

- Talvez depois, Grandão. - Ela piscou e se virou saindo por uma pequena porta ao lado do palco.


Os dois esperavam no bar por algum sinal dela. Dean já havia explicado sobre o sonho/visita que havia tido ao irmão. Acreditavam que aquela era a garota que Castiel queria que os dois protegessem. Só não entendiam ainda o por quê, até então ela tinha se virado muito bem por conta própria.

- Me sigam. - Castiel estava atrás dos dois e se virava esperando que eles o seguissem e assim fizeram. Ele os guiou até a porta por onde a garota havia passado a pouco tempo. Andaram por uns corredores estreitos até chegarem a uma porta de ferro com detalhes de madeira, proteções de todos os tipos e até marcas que eles mesmos nunca tinham visto

Ele não bateu na porta, simplesmente a abriu e a garota estava ali, de pé na frente de um espelho pequeno, costurava um pequeno corte em sua barriga.

- Fiquem a vontade! - ela não se virou para que vissem sua expressão, mas a voz não parecia muito contente. Estava concentrada na tarefa de fechar o ferimento.

Quando ela terminou, cortou o fio e jogou um pouco do liquido da garrafa de bebida que estava em cima de uma mesa. Só então os encarou, cobrindo o corte com alguns curativos. Cobriu o machucado com a regata torcendo mentalmente para que o sangramento parece o quanto antes. Os dois ainda estavam parados perto da porta á alguns passos de distância de Castiel.

- Essa é Aurora Burns. Aurora, esses são Dean e Sam Winchester.

- Prazer - Dean deu um de seus sorrisos mais galanteadores. Que sumiu rapidamente ao receber o olhar de desprezo e irritação de Aurora.

- Não é exatamente a palavra que eu pensei. - pegou a garrafa de uísque e tomou dois goles, a colocando em cima da mesa logo depois. - Então esses são os babacas Winchester?

Sam e Dean se encararam confusos e surpresos. Ela havia feito a pergunta ao anjo, como se já esperasse que eles fossem apresentados um dia. Castiel estava com o olhar distante, como se enquanto estivesse com eles estivesse, ao mesmo tempo, recebendo algum tipo de mensagem da rádio dos anjos.

- Talvez. - ele caminhou até a garota do outro lado da sala, mas Aurora encarava os dois fixamente por cima dos ombros de Castiel. Os olhos castanhos demonstravam sua desconfiança enquanto ouvia o que Castiel estava lhe dizendo.

O anjo cochichou algo rapidamente, seus semblantes eram sérios e tensos, principalmente o rosto de Aurora; ela suspirou, como se tivesse perdido uma discussão e a expressão relaxou, sorriu para os dois, mesmo que ainda não parecesse confortável com a presença deles ali.

- Aceitam uma bebida por minha conta? Mas lá no bar, não gosto de estranhos na minha casa. - disse antes que os dois se acomodassem no sofá.

- É claro que não - Dean sorriu, agora mais irônico do que nunca.


- Então Grandão, o que acha daquela bebida agora? - a voz dela quebrou o silêncio assim que passaram pela porta em direção ao bar.

Sam concordou, no entanto a mão de Dean o segurou, o impedindo de seguir em frente.

- Fique aonde eu possa te ver.

- Dean.. - Castiel e Sam disseram ao mesmo tempo, tentando mostrar o quão patético aquilo parecia, enquanto Aurora se aproximava.

- Ah qual é? Acha que eu vou sequestrar seu irmão? Olha o tamanho desse cara. Tenha dó. Eu não mordo... - Sam olhou para o irmão quase pedindo que parece com a superproteção. Até porque ela estava certa, as chances de ela fazer algo com ele num bar cheio e um anjo ao lado deles eram bem baixas.

- Deixe os dois. Preciso falar com você. - Cas puxou seu braço, o tirando do caminho dos dois.

Os grupos se separam, cada um caminhando em uma direção; Castiel e Dean para uma das mesas e Aurora e Sam para o bar.

- Então? Porque ela é tão importante? - Dean não perdeu tempo, não tinha tido uma boa impressão.

- Hoje ela faz 22 anos. Os anjos ainda não sabem dela, mas a partir do momento em que o dia virar, eles vão encontrá-la e fazer de tudo pra que ela morra. - o anjo olhava distraidamente para as pessoas ao redor, às vezes olhando para o bar, sem perder Aurora de vista.

- Bom, se eles a querem morta ela não deve ser boa coisa.

- Dean, deixe de ser tão teimoso. Não posso explicar agora, mas temos que tirá-la daqui logo - ele ainda não parecia convencido de que era a coisa certa. - Confie em mim. - e permaneceu com seu olhar vazio.

Dean observou os dois no bar logo a frente tentando encontrar um argumento para cair fora dali. Os dois não precisavam de mais problemas do que eles já tinham e se tornar babá não era seu plano preferido para a noite.


- E aí, Grandão? - tomou um gole da cerveja na caneca. - Como se sentem sendo celebridades? - houve um momento de silêncio em que Sam claramente não tinha entendido o comentário - Você sabe.. Abrir o Portal do Inferno... Iniciarem a abertura dos selos... libertar Lúcifer... essas coisas.

- Você não gosta muito da gente. - ele riu, tentando levar o assunto como uma brincadeira.

- Você acha isso? - o rosto gentil se fechou em uma carranca séria e Sam sentiu seus ombros tensos, sentindo todo o peso do fim do mundo. Literalmente.

Aurora tomou mais um gole e os dois permaneceram em silêncio.

Ela pigarreou - Desculpe, não quis dizer isso, tenho certeza que vocês não fizeram de propósito. Só me irrita esse monte de coisas aumentando cada vez mais.

- Tudo bem. Você tem ótimos motivos pra ter raiva.

Mais uma vez ela quebrou o clima desconfortável dando uma cotovelada na costela dele. Sam riu, arrumando sua postura.

- O que vocês dois fazem aqui afinal?

- Castiel nos pediu pra te encontrar.

Aurora pareceu preocupada e não disse mais nada. Apoiou os cotovelos na bancada e segurou a cabeça com as mãos, como se estivesse com dor, sua visão estava turva. Quando ela curvou o corpo Sam entendeu que havia algo errado com ela.

- Aurora? - ele segurou seu ombro tentando virá-la e quando o fez ela tombou para seu lado, a testa brilhante pelo suor e os olhos fechados com força.

De repente seu rosto e corpo relaxaram e seus olhos abriram lentamente, mas o tom castanho tinha sumido, dando lugar a olhos azuis claros; todo o lugar parecia ter silenciado e as pessoas desaparecido. Todo o foco dele estava nos olhos dela, de alguma maneira ele soube que não era ela ali.

- Não deixe que nenhum mal a alcance. Proteja ela como se a vida dela fosse a sua. Ela pode salvar você e seu irmão, Sam Winchester. Cuide da minha filha!

Os olhos se fecharam novamente o corpo ficou tenso outra vez. Os olhos se abriram assustados e eram castanhos novamente.

- O que aconteceu? - Aurora ainda piscava atordoada. Castiel andou rápido até eles com Dean em seus calcanhares.

- Aurora, precisamos sair agora. Pela porta dos fundos, eles estão chegando e vão tentar pegá-la.

Demorou um tempo para que ela entendesse, mas assentiu e foi à frente. Quando alcançaram a porta onde Luke deveria estar o encontraram desmaiado e um grupo de demônios estavam os aguardando do lado de fora, alinhados para bloquear a passagem até o carro.

- Eles chegaram. - Castiel afirmou o que já era óbvio.

Pelo canto do olho Dean viu a garota se preparar para a luta, porém a postura correta foi interrompida quando ela cambaleou para o lado e se apoiou em uma das paredes, sem soltar a arma que já carregava na mão, suas pernas não pareciam firmes e o rosto suado estava pálido.

- Nós cuidamos disso. Cas, segure ela. - Castiel pegou a mão livre de Aurora e passou pelo seu pescoço, apoiando o peso do corpo dela no seu, para que ela pudesse ficar de pé. Ela ainda apontava a arma para o grupo inimigo com a outra mão. O primeiro tiro veio de sua arma, acertou o demônio do lado direito que caiu imediatamente, Sam e Dean a olharam assustados enquanto o peito do demônio espumava e seu corpo debatia-se.

- Balas de ferro. Vão... Agora! - ela gritou pra que eles continuassem e o anjo a tirasse dali.

Sam já estava com a faca na mão e atingiu o segundo demônio da direita que vinha na direção da garota, conseguindo passagem para ela até o carro. Dean puxou a espada dos anjos e a arremessou acertando em cheio o peito de um dos demônios e correu até ele, arrancando a espada do peito e correndo para o carro, girando a chave, pronto para partir, agora restavam apenas dois. O do centro foi o mais difícil de ser acertado. Sam estava ocupado com um deles e não percebeu que seria atacado por trás, até ouvir o disparo de uma arma e o inimigo atrás de si cair aos seus pés. Aurora estava de pé atrás dele, apontando a arma para onde deveria estar as costas do demônio.

- De nada. - disse ofegante, com o rosto ainda reluzindo de suor, um sorriso fraco brotava em seu rosto.

Sam não respondeu, só correu até ela e a pegou no colo antes que ela desmaiasse.

Castiel não estava ali, mas enquanto eles corriam até o carro, o viram sair pela porta da frente andando o mais rápido que podia, sangue escorria de seu nariz. Dean o alcançou o ajudando antes que mais demônios aparecessem.

Sam estava no banco de trás ainda com a garota desmaiada em seu colo. Castiel e Dean na frente.

- Quantos demônios tinham lá dentro? Quantos vão vir atrás de nós?

- Eram anjos. Precisamos sair daqui. Tem uma cabana protegida não muito longe. Rápido! - o anjo respondeu e Dean pisou fundo no acelerador