Theon,

Eu nunca fui aquilo que você precisava, entretanto eu gostava de pensar que era.

Você precisava de uma garota de taverna que risse de suas piadas maliciosas, que não oferecesse resistência à suas palavras tão doces e fáceis, que não corasse perante seu sorriso sugestivo. Você não precisava de uma donzela de verão (que tinha aquele toque incontestável de primavera) feito eu, contudo era o que você tinha; uma donzela com a cabeça cheia de canções, histórias de valentia e amor, mas ainda assim uma donzela.

Na verdade, você teve uma donzela naquela noite fria em que nos encontramos na cozinha do castelo. Seus olhos estavam um pouco turvos por causa do vinho, mas nada o impediu de ter uma donzela ali, em cima da mesa onde os criados faziam as refeições. Você queria que eu dissesse "não", mas era tão difícil pensar nisso enquanto seus olhos escuros me devoravam com uma fome selvagem e suas mãos me mantinham firmemente sentada na comprida mesa de madeira, Theon. Tão difícil dizer "não" quando o "sim" parecia terrivelmente certo.

Depois disso você não teve mais uma donzela, mas um divertimento, uma – que os deuses me perdoem – amante, e eu tinha... você, sutis obscenidades sussurradas na calada da noite, beijos quentes, gemidos e algumas falsas promessas que você gostava de dizer no exato momento em que me fazia sua. Você sempre teve esse problema de ser irresistivelmente proibido e errado, e acho que era por isso que eu gostava de estar com você. O clássico episódio da donzela perdendo o controle por meia dúzia de palavras sensuais é sempre bem vindo nas canções.

Quando deixei Winterfell, foi você quem segurou as rédeas de meu cavalo, observando com olhos tristes o seu divertimento ir embora. Você não me pediu para ficar, eu não pedi para você vir comigo, nenhum dos dois cederia; se não cedíamos nem entre os lençóis, quando eu pedia por você e você ria, ou quando você pedia por gemidos e eu me negava a dá-los por pirraça, por que cederíamos numa situação dessas?

Eu nunca fui aquilo que você precisava, entretanto eu gostava de pensar que era. E agora tudo o que fica é a memória agridoce dos seus olhos tristes, dos nossos beijos escondidos, dos gemidos e daquilo que nunca seríamos, mas que pelo menos tentamos ser. Tentamos?

Joffrey bate à minha porta. Vou me casar com ele, mas é você quem estará na cama de núpcias, me sussurrando aquelas obscenidades, sorrindo contra meus lábios e dizendo que tudo ficaria bem; mais uma daquelas suas falsas promessas que eu gostava de acreditar.

Eu nunca fui aquilo que você precisava, entretanto eu gostava de pensar que era, mas no final não faz diferença, Theon, porque você foi exatamente aquilo que eu precisava, então tudo bem... tudo bem.

Sansa.