Situação: 7- Voldie nunca existiu e, de alguma forma, Pansy e Harry cresceram juntos.
Observações:
1. A Narcisa betou o primeiro capítulo e fez a capa, por isso devo agradecê-la eternamente.
2. A narrativa dessa fic não é linear - ou seja, alguns pontos podem se mostrar confusos no início.
3. Essa fic foi escrita para o Desafio de Hogwarts e, principalmente, para o and the sky was all violet...
Disclaimer: Se fossem meus, eu estaria vendendo meus autógrafos no ebay e marcando "reuniões de negócio" com o Rupert Grint.
PARTE I - FALL
A primeira vez que a viu foi no outono.
Era um parque como outro qualquer: gramados bem cuidados, caminhos bem distribuídos, carrinhos de cachorro-quente. Atrativo e aconchegante. Porém, trouxa, e era isso que tanto o incomodava. Não porque não gostasse de trouxas – afinal, seus avós o eram, e sua mãe sempre lhe ensinara a respeitá-los. Não, o real problema é que ele não conseguia se divertir num parque trouxa. Lá não havia o quadribol ou crianças para trocar figurinhas de Sapo de Chocolate. Era apenas um simples parque.
-Não adianta fazer assim, Harry. – James Potter riu da cara emburrada e dos braços cruzados do filho de oito anos. – Você sabe que não nos fará mudar de ideia.
Harry levantou os olhos impressionantemente verdes para o pai.
-Mas não tem nada para fazer aqui, papai! – Olhou em volta. Estavam sentados embaixo de uma árvore completamente sem folhas próxima ao lago. – Eu queria ter ficado com o tio Sirius!
Lily passou as mãos nos cabelos negros e desalinhados do filho com ternura.
-Aproveite um pouco, Harry. Eu adorava vir aqui quando tinha a sua idade.
-Isso porque não sabia que era bruxa. – O garotinho resmungou, afastando a mão da mãe.
James suspirou e Lily balançou a cabeça. Não adiantaria em nada ter aquela discussão novamente.
-Certo. Então, vamos comprar um sorvete? – O pai ofereceu, olhando esperançoso para a esposa.
Ela sorriu.
-Quero menta. E você, Harry?
Entretanto, Harry já não prestava atenção. Olhava para um ponto distante, onde uma garota de sua idade estava parada entre as folhas secas e douradas de outono. A menina parecia concentrada, olhando fixamente para as folhas. Assombrado, Harry percebeu que as mãos dela moviam-se sutilmente, e as folhas moviam-se com elas. Está fazendo magia!, o moreno concluiu, assombrado.
Virou-se para os pais.
-Magia!
James franziu a testa.
-Isso não é um sabor de sorvete, Harry.
O menino ficou confuso.
-Sorvete?
-Você não quer?
-Não, eu... – Procurou novamente a menina com o olhar, observando que ela ainda estava brincando com as folhas. – Ela! Lá! – Apontou com o dedo. – Mamãe, você acha que é magia?
Lily forçou o olhar.
-A menina? – Virou-se para o marido. – James, não é a filhinha dos Parkinson?
-Parece que sim... – James observou, curioso. – Você acha que Anthony e Caroline estão aqui?
Lily percorreu o parque com o olhar.
-Sim, estão ali. - Apontou. - Vamos cumprimetá-los?
Os dois levantaram-se, Lily recolhendo a bolsa e fazendo um movimento discreto com a varinha para limpar as roupas.
-Onde vocês vão?
Harry levantou-se também, correndo atrás dos pais enquanto esses se afastavam.
-Falar com uns amigos, querido. Tente conversar um pouquinho com Pansy. E seja educado, certo?
-Pansy? – O menino indagou. – Não é uma flor?
James riu de novo da inocência do filho.
-É o nome da menina, Harry, Vá falar com ela.
-Mas ela está usando magia!
-Então diga a ela que não pode. – Lily olhou por cima do ombro, piscando para o filho.
Harry parou, ainda confuso, vendo os pais se afastaram em direção a um casal sentado em um banco na margem de um dos caminhos que cortavam o parque. Sem opção, voltou-se para a menina – que agora ele sabia chamar-se Pansy - e observou-a. Ainda brincava com as folhas, fazendo alguns movimentos mais complexos. Uma ou outra folha voavam ao redor da cabeça dela, e Harry não deixou de reparar que seus cabelos tinham quase o mesmo tom da paisagem ao redor. Como se alguém tivesse capturado o outono e colocado-o na cabeça de Pansy.
Curioso.
A última vez que a viu também foi no outono.
-Não dá mais, Harry!
Havia lágrimas em seus olhos e os cabelos, sempre tão bem cuidados, estavam embaraçados de tanto que ela os puxava.
-Por quê, Pansy?
Ele estava cansado. Cansado das brigas e de sempre lhe fazer essa pergunta, e nunca obter resposta. Não esperava, porém, que daquela vez ela já estivesse preparada.
-Porque você não me ama.
-Pansy...
Ele estendeu a mão, tentando tocá-la, mas foi afastado.
-E eu também não te amo.
Harry não esperava ouvir isso dela, e doeu mais do que ele achava ser possível. Seus olhos encontraram os dela, e o silêncio pesou no ar que eles respiravam. Durou poucos segundos, porém, porque Pansy não gostava de enrolar. Ela simplesmente suspirou, jogou os cabelos cor de outono para trás e abriu um sorriso triste.
-Adeus. – Falou, olhando-o pela última vez.
Ela pegou sua bolsa e saiu pela porta, sem mais palavras, sem mais gestos. E, depois de tudo isso, a única coisa que ele pensou em falar foi:
-Você está errada. Eu te amo.
Ela não estava ali para ouvir. Nem nunca mais estaria.
Esse foi o fim deles.
Ainda assim, a primeira vez que a viu foi no outono.
-Não devia fazer isso.
O garotinho moreno desafiou, os braços cruzados e a expressão decidida.
-Isso o quê?
Um sorriso irônico dançou nos lábios daquela que tinha os cabelos do outono. As folhas que voavam à sua volta caíram sem som no chão dourado.
-Magia, Pansy. – Ele respondeu, simplesmente. – É errado usá-la antes da hora.
Pansy olhou-o curiosa, mas deu de ombros.
-É o que veremos.
E voltou a se concentrar nas folhas, ignorando completamente o garoto.
Harry fez uma careta.
-Adeus. – Disse, correndo de volta aos pais.
Ela levantou os olhos quando ele se afastou. Não gostara dele, e sabia que ele também não gostara dela.
