Encontro de amor.
POV B
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Vamos Alice! – Eu gritei impaciente com a demora da minha irmã para se arrumar. – Mamãe já ligou duas vezes.
- Calma Belinha, já estou pronta! - Ela apareceu do meu lado com seu sorriso e sua cara de cachorrinho pedindo desculpas pela demora. Eu tive que rir. Não conseguia ficar chateada com Alice, ela sempre me dobra, aliás ela dobra qualquer pessoa.
Restavamos nós duas no seu apartamento, que por sinal era de frente ao meu. O seu marido Jasper já tinha descido com as bolsas junto com Carmen e Emma que estava doida para ver os avós.
Meus pais estavam fazendo trinta anos de casados, e estavam oferecendo um almoço para alguns amigos nos jardins da mansão que eles moravam nos arredores de Boston.
Liguei o DVD player do carro no musical da Disney preferido da minha bonequinha e seguimos rumo à festa. Nós morávamos na região central e não demoramos muito para chegar.
- Vovó! Vovô! – Emma gritou assim que Carmen a tirou da cadeirinha.
Meus pais estavam na porta nos esperando. – Oi meu amor! – Minha mãe a pegou no colo.
- Só não chegamos mais cedo porque Alice queria o modelo de roupa perfeita para usar em uma festa na piscina e olha que ela nem vai entrar na água. - Eu me expliquei e todos rimos.
- Muito engraçado Bella! – Falou Alice atrás de mim sem um pingo de humor. Eu revirei os olhos. Nem parecia aquela pessoa animada e bem humorada da manhã. Os hormônios da gravidez estavam fazendo uma bagunça no seu interior.
Após os beijos e abraços habituais todos se dirigiram para a área da piscina. Eu subi para o meu antigo quarto para guardar as bolsas com roupas e brinquedos de Emma que ela insistia em carregar e na verdade nem mexia.
Quando desci, o cheiro da comida me atingiu como um tapa. Depois de 12 horas de plantão na maternidade e poucas horas de sono antes de Emma fazer a minha cama de pula-pula, eu tinha engolido uns biscoitos e café preto antes de sair, e meu estômago resolveu protestar e me cobrar o espaço vazio desde ontem. A decoração estava impecável como sempre, e haviam várias pessoas a quem cumprimentar, mas eu fui direto ao buffet e espreitei Emma já almoçando com Carmen. Quando voltava feliz com meu prato, eis que surge a minha mãe.
- Querida, seu pai quer apresentar a família Cullen. Estampei um sorriso Dra. Isabella Swan e larguei o meu precioso prato suculento.
– Claro mãe, mas você poderia ter um pouco de pena da sua filha que não comeu desde ontem e deixar ela se alimentar antes de desmaiar de fome na frente dos novos colegas de trabalho. Minha mãe riu.
- Deixa de ser dramática Isabella, vamos lá, leve o seu prato e coma conosco baby, você vai adorar a companhia, o filho deles é um pedaço muito bom de se olhar. Ela deu outra risadinha eu revirei os olhos.
Desde muito antes de me descobri grávida da Emma que eu não tenho relacionamento sério com ninguém e nem espírito para pensar nisso. Por enquanto tenho minhas mãos cheias criando a minha filhinha e a minha profissão como Obstetra. Meu devaneio foi interrompido pela voz orgulhosa do meu pai me apresentado às pessoas. Dr. Carlisle Cullen e sua esposa Esme, sua filha mais nova Rosalie e seu marido Emmett.
- Isabella, é um enorme prazer. Carlisle falava.
- O prazer é meu Dr. Cullen. Estou imensamente feliz em trabalhar com o senhor.
- Ah não, nada de senhor. Me chame de Carlisle por favor, senão me sinto um velho. Todos rimos. – Mas você não vai trabalhar comigo e sim com meu filho.
- Tudo bem, me chame de Bella então, por favor.
Esme era muito elegante e simpática, assim como Rosalie. Seu marido Emmett era fisioterapeuta e sócio de uma clínica de reabilitação em Boston, Rose, como gostava de ser chamada trabalhava com ele, administrando o lugar.
Não vendo o outro membro da família eu perguntei: - Então, onde está o meu futuro colega de trabalho?
- Bem aqui.
- Eu parei, forçando a deixar as minhas alucinações de lado quando ouvi aquela voz. Não podia ser, eu definitivamente estava precisando fazer análise. Quando me virei, me deparei com aqueles olhos verdes, tão espantados quanto eu estava no momento, e descobri que a realidade estava bem na minha cara.
- Bella? É você?
- Edward?
- Vocês se conhecem? Meu pai perguntou. Todos a nossa volta nos olhavam curiosos.
Edward piscou e eu entrei no modo disfarce. – Érr, claro que sim, que surpresa Dr. Edward! Eu jorrei muito falsamente. Entendendo o meu jogo ele foi junto. – Dra. Bella, quanto tempo!
- Nos conhecemos em um congresso de medicina em San Francisco há alguns anos, e eu só fiquei muito surpreso de revê-la, é isso. – Edward falou rapidamente.
- É pois é, eu também. Pensei que tinha ido morar na Europa? Eu continuei meio sem ação.
– Eu fui fazer minha especialização em neonatal na Inglaterra, mas estou de volta.
Minha irmã e mãe não engoliram muito bem a história e deixaram passar. Esme dava olhares estranhos para Edward, mas meu pai achou uma ótima coincidência e mudou o assunto para o lado da medicina novamente, dando tempo para eu me recuperar do choque inicial de reencontrar meu antigo caso de um único final de semana. Meu apetite desapareceu e a comida que antes me deu água na boca, ficou remexida no prato.
O restante do almoço passou em um borrão, com conversas aleatórias e olhares de Edward na minha direção. Emma estava correndo pela casa com duas amiguinhas que eram netas de amigos dos meus pais e que estudavam na mesma escolinha, ou seja, não tirou o cochilo da tarde e estava enjoada querendo o colo da mamãe, e foi aí que a coisa ficou pior.
- Mamãe, tô cansada! Ela me surpreendeu chegando de repente me abraçando. – Wow! Você está pingando de suor, mocinha. Ela riu com as bochechas rosadas.
- Menina Bella eu vou levar essa sapeca para um banho. Eu ri e assenti para Carmen.
- Linda a sua filha, mas não se parece muito com você. Esme comentou olhando distante e piscando em seguida para mim. - Desculpe Bella, eu não quis ser rude.
- Está tudo bem. Ela é mesmo a cara do pai.
- Vocês estão juntos? Quer dizer, desculpe a minha intromissão, se você não quiser falar está tudo bem. - Eu dei uma risada sem graça.
- Mãe, você está deixando a Bella desconfortável. Rosalie repreendeu.
- Desculpe Bella , esqueça o que perguntei, não tenho nada com isso. Me perdoe.
- Tudo bem Esme, não tem nenhum segredo obscuro. Emma foi praticamente uma produção independente. O pai dela não soube da minha gravidez, ele partiu antes mesmo de eu descobrir. E depois eu não tinha como procurar uma agulha no palheiro para contar a novidade. - Eu dei um meio sorriso pra ela. – Mas tudo bem, ela é uma garotinha feliz e saudável. Eu tento dar toda atenção e amor, mesmo com os meus horários loucos na clínica, mas também tenho Carmen que foi minha babá e agora me ajuda no dia a dia. Minha família também é maravilhosa e estão sempre por perto.
- Mas, você nunca mais soube dele?
- Ele foi estudar na Europa e eu nem sei em qual País – eu me esquivei – e nunca mais nos vimos.
Eu não percebi que Edward estava escutando toda a nossa conversa. Ele me deu um olhar profundo. Eu pedi licença para checar Emma. Quando subi as escadas e ouvi as risadinhas, um sorriso automático apareceu no meu rosto.
- Conta outa Tio Jazz. O Josh quer ouvir mais.
- Ah então vou contar uma de dragões e guerreiros que...
- Nãaoo, conta de pincesas bonitas.
- Querida, o Josh é menino, ele não vai gostar de princesas.
- Ele vai sim, eu ensiná pra ele que...
- OK, crianças – eu interrompi a discussão- Hora da soneca da tarde dona Emma, a tia Alice tem que descansar, senão o Josh vai nascer antes da hora com tanta história que já ouviu de vocês. - Jasper e Alice riram.
– Ah mamãe. Ela fez bico.
- Ah, nada. Carmen escolheu um filme bem lindo de princesas para vocês verem no quarto de brincar.
– Oba! Ela saiu em disparada.
- Você sabe que ela não incomoda. – minha irmã falou – Eu ri.
– Eu sei, mas você também tem que repousar mocinha, sua pressão estava um pouco alterada depois do almoço.
- Ainda tem muitos convidados no jardim?
- Alguns poucos, mamãe convidou Carlisle e Esme para ficarem para um chá da tarde. Não sabia que eram tão amigos, até a sociedade na clínica acontecer. Eu revirei os olhos e Alice pegou a dica para trazer o assunto à tona. Ela fez um sinal e Jasper levantou.
- Bem senhoras, eu vou assistir um pouco de filme das princesas no quarto ao lado, qualquer coisa é só chamar.
- Muito sutil, cunhado. Ele riu e deu uma piscadela fechando a porta atrás dele.
- Bells – Alice começou com seu tom de psicóloga.
- Eu sei o que você quer saber.
- É ele, não é? Eu olhei nos olhos da minha irmã e acenei.
- Uau! Edward Cullen.
- Pois é, como eu ia saber que ele era o filho do sócio do papai e pediatra que vai trabalhar comigo no consultório? Nós tivemos um louco fim de semana de festa e bebedeira naquele congresso e mantivemos tudo na base do primeiro nome. Eu suspirei.
- E agora?
- Vou ver como vão ficar as coisas e vou conversar com ele.
- Você vai contar sobre Emma?
- Vou sim. Ele tem o direito de saber, agora que eu sei quem ele é e onde vai estar. Se ele não quiser se envolver é outra história. Mas, vai ser decisão dele, a minha parte eu vou fazer. A mãe dele estava me fazendo um monte de perguntas. Acho que ela está procurando alguma ligação depois que soube que já nos conhecíamos.
- Dona Renné também não engoliu aquela cena lá embaixo. Vocês estavam muito espantados um com o outro. Eu mesma comecei a juntar dois e dois.
- Eu sei. Isso é coisa de mãe, a gente sente as coisas. Você vai sentir também, deixa só esse rapazinho sair daí de dentro para você ter todos os seus sentidos aguçados ao extremo. - Nós rimos.
- Sim. - ela suspirou. - Eu não vejo a hora de enxergar os meus pés novamente também. - Nós sorrimos e nos abraçamos.
- Faz parte querida irmã. Vou deixar você descansar. - Saí em direção ao quarto de brincar da Emma e encontrei Jasper saindo de fininho.
- Ela apagou. Eu sorri e acenei pra ele e entrei. Arrumei alguns brinquedos, ajeitei o lençol e dei um beijo em sua testa. Nem sei quanto tempo fiquei ali velando seu soninho e devaneando.
- Ela é uma linda garotinha. - Aquela voz me tirou do meu transe. - Oi? Desculpe, eu não queria te assustar.
- Ah, tudo bem eu estava aqui pensando na vida.
- Bella, podemos conversar?
- Claro, eu... Vamos até a sala de TV.
Fechei a porta atrás de mim e encarei aqueles olhos verdes que me fizeram perder tantas noites de sono, e que eu enxergava sempre no rosto da minha filha. Ficamos em silêncio por uns minutos antes de Edward soltar.
- Bella, eu não vou fazer rodeios. Quantos anos Emma tem?
- Eu... porque está perguntando sobre minha filha? Ele sabe, pensei.
- Bella, por favor.
- 3 anos e meio. Eu suspirei.
- Você descobriu quanto tempo depois, você sabe, depois...?
- Um mês e meio depois daquele fim de semana. Eu achei que estava tudo bem, e a minha injeção ainda estava no prazo, já que nem você ou eu nos lembramos do preservativo, mas eu tinha tomado antibióticos por toda semana anterior e o contraceptivo foi anulado. Eu parei e respirei fundo. – Olha Edward, eu não tinha ideia de como te encontrar, pois mantivemos tudo casual e foi escolha minha prosseguir com a gravidez e não me arrependo de nada. Ser mãe é maravilhoso. Foi um susto encontrar você depois de quatro anos e ainda mais nessas circunstâncias. Eu pretendia te procurar depois de hoje e te contar, mas você foi mais rápido e... bem o que eu quero dizer é que Emma é minha responsabilidade e você não precisa se preocupar com nada e...
- Bella? - Ele me interrompeu o meu discurso.
- Sim?
- Eu vou assumir a minha filha.
- O quê?
- Eu quero fazer parte da vida dela. Caramba! Eu já perdi tanto, eu... Deus, eu tenho uma filha linda, que é a minha cara e...desculpe mas ela não se parece com você. - Ele riu um sorriso genuíno.
- Eu espelhei o seu sorriso.
Ele atravessou a sala e me pegou em um abraço inesperado.
– Você está ainda mais linda do que eu lembrava, e eu senti tanto a sua falta - ele sussurrou no meu ouvido - Deus, como eu fui um idiota por te ido embora sem o seu contato. Todos esses anos eu pensei em você, em como estaria, se você tinha encontrado outra pessoa e se casado. Ele me olhou nos olhos. – Bella?
- Sim.
- Eu...
- Não fala nada Edward. Eu também fui embora, lembra? Nós tínhamos muito em nosso prato naquela época. Eu estava terminando a residência, tinha começado a trabalhar na maternidade e estava fazendo mil coisas e você também ia começar sua especialização. Nós não queríamos compromisso.
- Sim, mas não me impediu de me apaixonar por você mesmo assim. Eu fiquei atônita.
- Desculpe, eu... droga, eu não pretendia dizer assim, eu...
- Shhhii. Eu coloquei um dedo na sua boca. Não fala nada, me abraça mais um pouco. Assim ele fez.
- Eu também me apaixonei por você. - Eu sussurrei - Eu fiquei tão desesperada quando descobri a gravidez e tão perdida. Minha família me deu todo o suporte que precisei, mas eu senti sua falta. Ele me abraçou mais apertado e então me soltou, pegou meu rosto e me beijou. Deus, aqueles lábios macios e quentes, sua língua pedindo passagem e eu me entreguei como na primeira vez. Edward me beijou com todo fervor e nós só nos separamos para buscar ar.
- Do jeito que eu me lembrava, deliciosa. E minha.
- O quê?
- Bella, me dá uma chance? Olha, pode parecer loucura, mas eu acho que estou recebendo dos céus uma segunda chance de fazer certo dessa vez, de ser feliz, já que da outra vez eu te deixei escapar.
- Eu fiquei muda, e ele me beijou mais uma vez.
- Bella?
- Hum?
- Fica comigo? Quer dizer, eu sei que já temos uma filha e... – ele riu e continuou – eu quero fazer as coisas da maneira certa. Eu quero uma chance de te provar que eu estou falando sério, e que não sou aquele babaca que foi embora depois de um fim de semana de sexo. Eu sou mais que isso.
- Ah, eu...desculpe, eu não pensei que você quisesse esse tipo de compromisso e...
- Me dá uma chance? Ele me cortou
- Tudo bem. – Eu sussurrei - Ele voltou a me beijar...
- Bella? Querida, você está... ohh, eu... me desculpem. - Renné olhava a cena com um misto de curiosidade e malícia.
- Mãae, podemos conversar depois? - Eu gemi.
- Claro, eu estava te procurando para oferecer um chá e chamar para conversarmos na sala, mas eu vejo que a conversa aqui está mais interessante.
- Sra. Swan, eu peço desculpas pelo meu comportamento e...
- Que nada Edward, vocês dois são adultos. E eu vou voltar para a sala e deixar vocês terminarem o beij... quero dizer a conversa. – Ela deu uma risadinha e saiu balançando a cabeça.
- Wow, agora eu fiquei sem graça. – Edward riu e sentou no sofá me puxando pela mão para ficar ao seu lado.
- Esse dia está muito doido. – eu suspirei.
- Ei, eu falei sério com você. E eu quero saber o que vamos fazer ao sairmos desta sala?
- Estou pensando, e enquanto isso me fale de você. O que fez depois do congresso? Afinal não posso namorar uma pessoa que não conheço não é?
- Edward riu e me contou que morava em Nova York enquanto fazia a residência médica no hospital universitário de Columbia e depois foi fazer especialização em Oxford, onde passou os últimos quatro anos. Sua família sempre viveu em Boston, e que já conheciam meu pai, pois ele e Carlisle são amigos há algum tempo. Fato que me deixou boquiaberta. Como o mundo é pequeno. Conversamos sobre tudo e nada, nossos gostos e passatempos, sobre medicina e como vai ser trabalhar na mesma clínica. Contei um pouco sobre os últimos anos da minha vida ao lado da linda garotinha ruiva que dormia no quarto ao lado. Os olhos de Edward brilhavam enquanto me ouvia falar. Ele falou da sua paixão pela pediatria. Falamos sobre os procedimentos necessários para o reconhecimento da paternidade e trocamos telefones.
- Toc toc. - Renné entrou pela porta novamente. – Edward, seus pais estão indo embora e querem saber se você vai acompanha-los. Eu disse que vocês estavam aqui em cima conversando.
- Vou sim, Sra. Swan.
- Deixa de bobagens querido, me chame de Renné.
- Renné, é claro. Eles vieram no meu carro, eu vou levá-los. – Renné assentiu e saiu.
- Posso ver Emma, antes de sair? – Ele me perguntou.
- Sim, venha. Ela é uma dorminhoca e já passou da hora de acordar ou vai fazer serenata à noite. Ambos rimos cúmplices. Entramos no quarto com a garotinha adormecida e ficamos a admirando.
- Ela parece uma princesa, não vou poder negar nada do que me pedir. Ele disse numa voz reverente.
- Ei amigo vai com calma, por que essa mocinha sabe ser bem persuasiva na hora que quer. – Rimos novamente. - Edward deu um beijo na testa de Emma e se levantou me puxando no processo.
- Eu vou conversar com os meus pais e te ligo mais tarde, tudo bem? - Balancei a cabeça e ganhei um selinho.
Desceram as escadas e encontraram muitos pares de olhos curiosos. Charlie foi o primeiro a falar.
- Pelo visto se deram bem. Isso é muito bom já que vão trabalhar juntos. Edward assentiu e falou. – Sua filha é encantadora.
Bella corou como uma adolescente e desviou o olhar para ver Esme a encarando com um sorriso maternal. Despediram-se e Renné e Charlie levaram os Cullen até a porta.
...
Alice saía da cozinha com um grande pedaço de bolo e olhava para Bella com expectativa, ao mesmo tempo que seus pais retornavam e Jasper descia as escadas.
- Bella, Emma já acordou. Carmen levou um lanche para ela. Ele informou.
- Obrigada. Eu gostaria de conversar com todos vocês agora, é possível?
- Até eu? – Jasper perguntou divertido.
- Sim, você faz parte dessa família também.
- Aconteceu alguma coisa filha? – Charlie parecia preocupado.
- Eu gostaria... bem... é que eu... – respirei fundo e soltei- Vou dizer de uma vez. O pai de Emma voltou da Europa e já sabe sobre ela. – Todos estavam mudos olhando para Bella. Menos Alice é claro, que já sabia o que se passava, e Renné que matou a charada.
- Eu sabia! – Renné falou.
- O que você sabia que eu não sei? – Um Charlie confuso olhava de mãe para filha.
- Papai, eu conheci o pai de Emma em um congresso de medicina há quatro anos em San Francisco, mas não tivemos qualquer relacionamento. Digamos que... foi uma coisa passageira. Eu estava no fim da residência e iniciando meu trabalho na maternidade e ele iria viajar para fazer especialização na Europa. Nós, é... como posso dizer... mantivemos tudo muito casual e...
- E Emma chegou nove meses depois. – Charlie concluiu. – Bom, pelo menos ele é um médico e não um moleque qualquer como eu pensava.
- Pai!
– Charlie! – falaram mãe e filha ao mesmo tempo.
- O quê? Renné, não se faça de ofendida, que você pensou a mesma coisa. Nós tínhamos medo que Bella tivesse se envolvido com um zé ninguém por aí, já que ela nunca quis contar a verdade sobre o pai de nossa neta.
- Ok, eu confesso que temia realmente que não fosse uma boa pessoa – explicou Renné - mas o Edward é um excelente rapaz e de boa família, e vai poder dar um nome para a nossa Emma, e pelo que eu vi mais cedo na sala de TV, acho que ele tem a intenção de fazer um irmãozinho para ela também.
- Todos a olhavam chocados.
- Você quer dizer que o, que o... – Charlie balbuciava meio tonto.
- Charlie, meu bem, para um homem tão brilhante, você é tão obtuso ás vezes, tsc, tsc.
- Mamãe, eu... eu não disse...
- Bella querida. Que espécie de mãe eu seria se não tivesse entendido tudo nas entrelinhas, hein? Eu comecei a desconfiar quando a mãe dele começou a te questionar sobre a paternidade da Emma tentando fazer as associações, e depois ele saiu de fininho e foi atrás de você. E também vamos combinar que essa menina é a cara do pai. Só não ver quem não quer.
– Os Cullen sabem? – Charlie perguntou
- Não. Eu só reencontrei Edward hoje depois de quatro anos. Ele vai contar a família quando forem para casa. Foi uma surpresa para nós dois. Eu não tinha seus contatos e nem ele os meus, nos despedimos no final do congresso e cada um foi para um lado. Não imaginávamos que nossa vida iria dar uma reviravolta dessas. Mas, para a minha consternação, ele está muito feliz com a descoberta, ele quer assumir Emma e registrá-la e me ajudar com a criação dela e tudo o mais.
- Claro que sim, vai fazer o que um rapaz responsável e de princípios faria. - Renné disse com orgulho. – Nossas famílias agora estão interligadas. Sempre tive muita conexão com Esme mesmo. Eu estou feliz filha, que agora a nossa garotinha vai ter um pai presente como qualquer criança deveria ter. Temos que marcar um almoço para a família se reunir.
- Mamãe, vamos esperar, tudo bem? Emma ainda não sabe, e eu e Edward vamos conversar sobre muita coisa e escolher o melhor momento para contar para ela. Hoje foi um dia de muitas emoções e eu estou exausta e só quero ir pra casa descansar que amanhã eu tenho uma cesariana agendada para fazer no final da manhã.
- Bella? – Renné perguntou em tom malicioso.
- Sim?
- Você não vai nos contar do beijão que Edward deu em você na sala de TV?
- Mamãe!
- O quê? – Ela fingiu inocência.
- OK, vocês querem saber? Edward pediu uma nova chance comigo. Satisfeitos?
Alice e Renné pularam em cima de mim como duas malucas comemorando, enquanto meu pai estava silencioso contemplando todas as informações jogadas nele hoje e Jasper ria da cena que se passava.
- Vocês são rápidos até para resolver as coisas. – Charlie balbuciou – Mas eu gosto do rapaz, boa pessoa e bom profissional, espero que seja um bom pai também.
- Papai, eu não sabia que você conhecia o Edward?
- Nos vimos uma única vez há dois anos atrás em um dos almoços com Carlisle e Richard sobre a sociedade da clínica e fomos apresentados. Na época, ele estava vindo para uma visita rápida de poucos dias para participar do Casamento da irmã e logo depois retornou para a Inglaterra.
- Nós fomos ao casamento de Rosalie, mas eu não me recordo dele, e foi uma festa muito badalada não dava para reconhecer qualquer pessoa naquele mar de gente. – Comentou Renné. – O convite foi estendido para toda família, mas você declinou querida. Talvez se vocês tivessem se encontrado antes, já poderiam estar até casados.
- Mãe, por favor. Vamos com calma. Nós acabamos de nos reencontrar e com muita bagagem para arrumar antes de pensar em algo do tipo. Se é que vamos chegar tão longe.
- Eu sei que vocês vão minha querida, eu sinto. Esse menino é para casar. - Ela retrucou com seu ar de sabe tudo.
Eu ri balando a cabeça e fui atrás da minha bonequinha para voltarmos para casa.
Continua...
