4 de Dezembro de 2012
Londres, Inglaterra - 17h15min
Eu estava a observar o por do sol por detrás daquelas grandes janelas de vidro da minha sala. Uma pausa do trabalho é tudo o que eu preciso, afinal, o dia já se foi... E conforme eu observava os raios de sol se esvaindo e ficando cada vez mais fracos, mais eu me perdia imerso em meus pensamentos. Isso até ser despertado daquele transe pelo barulho estridente do meu celular tocando, bom, eu tenho que me lembrar de mudar isso quando chegar em casa. Peguei o celular e atendi, nem prestei atenção em quem estava me ligando, para falar a verdade.
- Oi...
- Irmãozinho tolo, aonde você está? Vai demorar a chegar em casa?
- Itachi, seu imprestável, já falei pra não me chamar assim! Eu estou no trabalho, o que você quer? – perguntei um tanto irritado.
- Ah... bem... Sasuke, o nosso pai quer ter uma pequena "reunião de família", comigo e com você é claro. Para isso ele quer você aqui em casa nos próximos 15 minutos no máximo. - Itachi respondeu um pouco entediado, pelo visto é o que deu a entender pelo tom de voz que ele usou.
- E você tem alguma ideia do que ele quer conversar?
- Nenhuma.
- Ótimo.
Desliguei o celular igualmente entediado. Suspense era a arma favorita do nosso pai para dar início àquelas reuniões de família tediosas. O que será dessa vez hein, Sr. Fugaku Uchiha?
Levantei da minha cadeira afim de organizar algumas coisas em minha mesa, pronto para sair da minha sala. Ser presidente de uma empresa multinacional de tecnologia da mais trabalho do que parece, e não é nada glamoroso, para falar a verdade, é complicado, como diz o nosso diretor do departamento de marketing, Shikamaru Nara. Tudo o que eu faço é ser escravo do meu pai nessa empresa, toda a responsabilidade é minha, fazer boas vendas em anos de crise, cuidar dos mínimos detalhes para que as ações da myCherry estejam sempre em alta na bolsa de valores... Cara isso da muito trabalho, é muita pressão para alguém que só tem 24 anos.
Antes de sair, deixei algumas instruções e relatórios para a minha secretária organizar, bem como coisas do dia de amanhã que pelo visto vai ser longo, reunião com os investidores e acionistas logo de manhã, que droga! Parece que alguém vai ter que acordar cedo, de novo só pra variar.
Peguei o elevador e desci direto até o estacionamento e fui andando em direção ao meu carro, assim que entrei no mesmo arranquei do estacionamento com uma certa velocidade um tanto exagerada. Pensamentos monótonos me vem a cabeça, o dia de amanhã, meu cachorro em casa, meu pai e suas reuniões de família, as 30 mensagens da minha namorada psicopata na minha caixa postal. Sério, eu to precisando mudar de vida! Quem disse que pessoas ricas não podem ser infelizes? Com a animação que eu to, não me surpreenderia se eu me jogasse de um precipício alegre por ser meu fim. Dizem que o mundo vai acabar no próximo dia 21 desse mês de acordo com um tal calendário Maia.
Deus, por favor, que seja verdade dessa vez! Eu já sobrevive a todos os "fins do mundo" desde 23 de Julho de 1988. Bem que dessa vez podia ser verdade.
Cheguei em casa e estacionei meu carro de um jeito qualquer e dei a chave para o nosso empregado Izuna guardar o carro direito, no entanto ele estava um pouco ocupado com a neve. Pois é, esqueci de mencionar, estamos no inverno, o gracioso inverno, e eu to morrendo de frio. Basicamente, desde que minha mãe morreu eu venho sendo constantemente comparado com o iceberg que afundou o Titanic. Será possível alguém ser tão frio assim? Tanto faz, não dou a mínima.
Parei em frente a porta de casa e enrolei o máximo possível para entrar, não estou nem um pouco afim de ouvir sugestões de casamento ou que preciso ter um pouco mais de afeto pelo próximo.
Abri a porta e finalmente entrei, tirei meu casaco e coloquei no armário dos casacos. Então saí do hall de entrada (que não é tão grande quanto vocês imaginam) e fui direto para a sala de estar, lá estavam meu pai, Itachi, a esposa dele, Izumi e uma garota estranha de cabelo rosa.
- Sasuke! Finalmente chegou. – indagou o meu pai ao me ver entrando na sala de estar.
Parei em pé por alguns segundos buscando entender o que diabos estava acontecendo ali. Olhei para o meu pai e ele rapidamente se apressou em me apresentar a garota desconhecida quebrando o silêncio que havia se instalado entre nós.
- Sasuke, esta é Sakura Haruno, ela veio da Rússia, e Sakura, este é meu filho Sasuke.
- Olá. – eu a cumprimentei cordialmente, ela apenas assentiu com um leve sorriso. Será que ela fala inglês?
- Ele parece um pouco desprezível agora, mas depois você se acostuma. – ironizou Itachi.
A garota me encarou assustada por uns instantes enquanto Itachi apenas ria da minha cara. É... Parece que ela entende inglês... Aquele filho da.. ah... esquece! É nessas horas que eu odeio ter a mesma mãe que ele.
- Seu bastardo! – retruquei.
- Muito bem vocês dois, agora chega! – advertiu Izumi, e com isso nós paramos de nos insultar.
- Obrigado, Izumi. – agradeceu meu pai.
- Afinal de contas, pai, o que você queria conversar conosco? – eu perguntei um tanto curioso, seria algo em relação àquela garotinha?
- Ah sim claro, vamos até o meu escritório vocês dois, esse assunto é um tanto pesado. – Ele respondeu.
Itachi e eu nos entreolhamos e então nós o seguimos até o escritório na biblioteca. Algo é certo aqui, isso tem alguma coisa a ver com aquela garota, agora o que é eu não sei. Quando chegamos ao escritório ele sentou-se na poltrona atrás da mesa enquanto eu e Itachi nos sentamos nas poltronas de frente para ele, então ele começou a falar.
- Bem... não sei como dizer isso de outra forma, mas vou dizer assim mesmo, Sakura Haruno é minha filha.
- O que? – perguntei incrédulo.
- Como assim? Quer dizer... Quando isso aconteceu? – Itachi estava igualmente incrédulo e chocado com tal informação.
- Foi há 12 anos atrás, mas eu só fiquei sabendo recentemente há 4 meses porque a mãe dela me contatou pedindo ajuda.
- Que tipo de ajuda? – eu o interroguei.
- Orochimaru vem recentemente ameaçando matar Sakura como punição por alguma coisa que ele acredita que Anastasiya fez com a própria mãe, o que não faz o menor sentido. Ele almeja mais do que tudo a fortuna dos Haruno como um prêmio.
- Como assim ele a ameaça de morte? Não tem polícia na Rússia? – questionou Itachi.
- Não é essa a questão, Orochimaru é uma figura política e de grande importância, não é fácil assim acusa-lo de algo tão grave.
- Anastasiya é a mãe da Sakura? E esse tal de Orochimaru é o grande vilão da história, certo? – perguntei.
- Exato. De qualquer modo eu estarei retornando a Moscow ainda hoje para dar apoio a Anastasiya. Por isso, Sasuke, Itachi, conto com vocês para cuidarem da minha filha por mim. Principalmente você Sasuke já que ela vai ficar aqui em casa.
- Espera aí! Eu vou virar babá de uma pré-adolescente?
- Sasuke cala a boca! Tudo bem pai, eu apoio você, vou fazer o meu melhor por ela.
- Eu não levo o menor jeito com crianças. Eu sou péssimo.
- Sasuke, ela não é bem uma criança, é uma pré-adolescente por isso você precisa saber lhe dar com ela. Ela está passando por um momento difícil, vai ser normal que ela queria ficar sozinha ou que se descontrole algumas vezes. – explicou Itachi.
- Exato. – concordou meu pai.
- Ok, eu desisto. Não prometo nada, mas vou tentar.
- Nesse caso, eu dou por encerrada a nossa pequena reunião. – concluiu meu pai.
E assim começa mais um capítulo absurdo da minha vida. Sério mesmo? A essa altura do campeonato ou vou virar babá? Talvez eu esteja sendo um pouco egoísta, de fato, ela está passando por um momento horrível.
Assim que saímos do escritório, Izumi avisou Itachi que já era hora de ir porque parece que o meu sobrinho Ben estava dando trabalho para a babá. Ah que ótimo, que belo incentivo você me dá falando assim. Não demorou muito também para que meu pai subisse e levasse Sakura para conhecer a casa, tal como seu próprio quarto.
Então eu fiquei ali, sentado no sofá da sala de estar, pensando na minha vida. Provavelmente terei muitos problemas de agora em diante. Ah Sasuke, quem disse que a vida ia ser fácil? Acho que vou visitar o meu cachorro na casinha dele, depois disso responder as 30 mensagens da minha namorada, quem sabe...
9 horas depois...
Acordei um pouco atordoado e cambaleante, não sei dizer, mas acho que tudo isso me afetou mais do que eu gostaria. Levantei da cama parecendo um zombie do The Walking Dead em busca de sangue/cérebros! Mentira, na verdade eu só queria um pouco de água mesmo. Saí do meu quarto e fui em direção às escadas, desci e fui para a cozinha, quando eu estava próximo a porta eu avistei um amontoado de cabelos róseos em cima da mesa e um barulho de choro. Ah e agora o que eu faço? Ela estava com o rosto apoiado na mesa virado para baixo, por isso ainda não tinha me visto.
Mas para o sim do que para o não eu decidi entrar e perguntar a ela se estava tudo bem, enquanto pegava um copo e ia até a geladeira pegar um pouco de água. Ela se assustou com a minha presença e rapidamente se levantou e apressou-se em responder.
- Está sim.
- Você tem certeza? – questionei, ela parecia um pouco atordoada, sem contar que tinha um pouco de sangue escorrendo do nariz dela. Será que ela tropeçou e caiu em algum lugar da casa ou algo do tipo?
- Eu tenho.
- Mas e esse sangue no seu nariz? Você caiu em algum lugar da casa ou algo do tipo?
- Sangue? – ela levou a mão ao rosto virando de costas para mim. – Ah sangue... Não é nada, é que... Eu já vou indo, tchau!
Ela saiu me deixando um tanto assustado e curioso, mas o que será que ela está escondendo? Que tipo de ferimento era aquele que ela nem mesma sequer percebeu? Corri meus olhos rapidamente aonde ela estava e tinha outras gotas de sangue também, tal como algumas no chão por onde ela tinha passado minutos atrás. Isso é realmente muito estranho, essa garota é muito estranha.
Apesar da situação perturbadora eu decidi sair dali e ir dormir o resto da madrugada que me sobrou, afinal já deve ser umas 3h ou 4h da manhã, e hoje tenho reunião. Uma daquelas bem longas e cansativas.
To be continued...
