Já tiveram um lugar só seu?
Bem, não só seu exatamente. E nem algo como seu quarto. Apenas um lugar pra onde você foge quando sua cabeça fica turbulenta ou simplesmente escolhe passar por lá, mesmo que tenha que andar um pouco mais para isso. Então. Esse lugar.
Lá tem uns bancos de pedra. Um pouco encardidos pelo tempo e rebiscados com pixações que eu acho até legais. Uma circunferência com arbustos e galhos pouco por crescer no centro. Também é uma espécie de lugar para sentar e deixar sua cabeça divagar.
Escondido por pelas árvores e prédios antigos é onde eu me acomodo - em um dos banquinhos -.
Observo os passarinhos pulando por aí e às vezes disputando por alguma migalha. São bonitos. Tentei os desenhar várias vezes.
Também tem um gato meio cinza, mas ao contrário dos passáros ele nunca se dispôs a se aproximar tanto. Talvez a coisa ruim dentro de mim o afaste.
À esquerda, onde as árvores fazem uma curva, acompanhando o caminho para fora daquele pátio oculto, fica um parquinho cercado. Admito que sempre tive vontade sentar naquele balanço enferrujado, que nem em todas as outras vezes que me dispus a pegar tétano, o que me faz sorrir internamente.
É um bom lugar, os arredores são amigáveis na medida do possível e as contruções decadentes e árvores ao redor trás uma certa sensação de conforto. Principalmente com meu moletom favorito e um cigarro barato.
Você tem ou já teve um lugar assim? Já pensou em andar por aí até encontrar?
Porque eu sim.
Já que esse meu lugar, o que eu descrevi, nunca existiu.
Porque acredito que algo como essa sensação de paz e pertencimento;
nunca estará ao meu alcance.
