Bem, essa fanfic é um presente para você, Letícia... Desculpe-me, amiga, acho que não era exatamente algo assim que você queria, mas foi a única coisa que consegui escrever. Espero que mesmo assim goste e vou tentar escrever algo mais agradável da próxima vez, ok? Beijos, gosto muito de você.
Por você
By Palas Lis
For Letícia
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Início
O dia amanhecera mais uma vez, e o Sol parecia brilhar mais radiante do que nunca. Um jovem guerreiro abriu os olhos lentamente ao sentir a incômoda luz passar pelas frestas da janela de madeira e entrar no quarto, o despertando do sono afável que estava tendo. O rapaz levou a mão ao rosto, esperando os olhos se acostumarem com a claridade. Levantou um pouco a cabeça do travesseiro e olhou pela janela, vendo pela pequena fissura o sol escaldante do verão grego e suspirou desanimado.
– Já clareou... – ele murmurou, voltando a pousar a cabeça em seu travesseiro confortável, colocando o braço na testa e fechando os olhos, esperando criar coragem a sair daquela cama, mas sua vontade era passar o dia todo deitado, não tinha ânimo para fazer absolutamente nada.
– Não vai levantar, Seiya? – ele nem se mexeu quando escutou a porta ser aberta de um vez e a voz feminina o chamar. – Está ficando tarde para você estar deitado.
– Não quero levantar, Marin – ele resmungou olhando para a porta e vendo a mestra com a mão na cintura, parecendo brava por ele ainda estar deitado depois que o Sol nascera. – Deixe-me em paz.
– Seiya... – Marin entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, caminhando até a cama do pupilo e sentando-se ao lado dele. Ela o fitou por alguns segundos cuidadosamente. O rapaz estava de causar pena em qualquer um. Sua pele morena, estava em uma tonalidade mais clara por ficar somente naquele cubículo. – Não quero que você fique deitado o dia todo!
– Marin...
– Não me interrompa quando eu estiver falando – ela falou severamente, suavizando a expressão somente ao ouvir Seiya bufar e tirar o braço da testa para olhá-la, mostrando por fim, os olhos castanhos que há dias estavam sem vida. – Vamos, Seiya, não vale a pena ficar deprimido desse jeito.
– Como não, Marin! – ele quase gritou, levantando-se e ficando sentando frente à mestra. – Como você quer que eu não fique triste!
– Seiya...
– Esqueça, Marin, esqueça – ele falou, saindo da cama e caminhando para o banheiro, mas antes de entrar, parou por um instante e fitou o rosto da mulher. Ela não entenderia seus sentimentos. Então resolveu mudar de assunto. – Onde Seika está?
– Foi dar uma volta com Shina – ela respondeu.
Seiya acenou, entrou no banheiro e fechou a porta, querendo apenas tomar um bom banho, o que fez Marin balançar a cabeça negativamente. Fazia dias que o moço estava dessa mesma rotina. Acordava, tomava banho, comia – quando fazia isso – e voltava a deitar depois. E isso já estava começando a preocupar Seika e Marin. Se continuasse daquela maneira certamente ficaria doente.
– Seiya? – Marin levantou da cama, e bateu levemente na porta, falando antes mesmo de esperar por uma resposta dele: – Seika e eu queremos conversar com você, tudo bem?
Ela ouviu um som que pareceu um 'sim' distorcido, que saiu dos lábios do cavaleiro quase como um rosnado. Não queria conversar com ninguém, mas elas duas eram tão insistentes que não havia como fugir. Ela sorriu e saiu do quarto, deixando-o sozinho e caminhando até os seus cômodos, pensando em como contaria para ele uma coisa tão desagradável como a que estava prestes a contar.
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Seiya andou em direção ao Coliseu com as mãos nos bolsos na calça jeans que vestia. Olhando para o chão, ele chutava algumas pedrinhas que estavam em seu caminho, querendo assim, ocupar os pensamentos, e talvez brincar com as pedras poderia ajudá-lo a manter a mente vazia.
– Ela vai casar... – aquela frase que não parava de ecoar em sua mente há dias, foi dita com pesar pelo rapaz, sentindo o coração apertar no peito. – Saori vai casar...
Havia se passado exato dois anos desde que todas as terríveis batalhas tiveram fim. Tudo acabara com a vitória sofrida sobre Apolo. Foi uma luta que durou longos dias, mas em que os santos guerreiros de Athena saíram triunfantes. Quando voltaram para o santuário grego, ele reencontrou Seika, que foi localizada por Marin, na data que estavam lutando com Hades no mundo subterrâneo. Nessa época não queria mais nada. O planeta Terra estava livre de deuses malignos e estava com sua irmã mais velha. Seiya então deixou os amigos e Athena para morar no Japão com Seika.
– Eu nunca devia tê-la deixado... – murmurou, chutando outra pedra, passando pela entrada do Coliseu, e avistando os amigos que não via há alguns dias.
Estava tão feliz na época que não se importou de abandonar tudo para ficar no Japão. Era como se pudesse voltar a sua infância. Estava sempre na companhia de Seika e Minu, como era quando criança, até que recebeu uma ligação de Grécia, onde Shun estava avisando que era para ele ir para Atenas, pois Saori estava prestes a se casar e ele precisava ir para a festa de noivado.
– Maldição! – Seiya quase gritou, chutando uma pedra maior e vendo-a colidir com uma árvore, lembrando que até mesmo Shun estava feliz com a novidade.
Foi a pior notícia que poderia receber. Naquele momento finalmente percebeu o quanto gostava da garota de olhos verdes e do quanto a queria perto de si. Seiya pegou o primeiro avião para a Grécia junto com Seika., pois sabia que apesar de estar parecendo um pesadelo, era real. Saori estava muito contente na festa de noivado no santuário e Julian Solo estava exultante. Solo sempre fora apaixonado pela jovem deusa da justiça e quase não conseguia se conter de tamanha alegria.
– Resolveu sair de casa, Seiya?
Seiya levantou os olhos e pôde ver Ikki com um sorriso irônico nos lábios. Bravo, o rapaz moreno estreitou os olhos para o cavaleiro de Fênix, ignorando-o.– Seiya continuou a andar e sentou-se ao lado de Shun na arquibancada, emburrado. Não adiantava xingá-lo, sabia que todas as piadas sem graça de Ikki tinham um fundo de verdade.
– Bom dia, Seiya – Shun cumprimentou educadamente.
– Bom dia – o amigo deu uma resposta desanimada.
– Você ainda está triste, Seiya? – Hyoga perguntou, aproximando-se dele.
– E quem disse que eu estou triste?
– Eu acho que essa sua cara de defunto já nos diz tudo – Hyoga sorriu ao vê-lo fungar. – É por causa da Saori, não é?
Seiya não disse nada, desviou os olhos de Hyoga e olhou para o céu límpido de Atenas, passando a mão pelo cabelo desalinhado. Sua vontade era gritar com todas as forças que seus pulmões possuíam que a amava e queria ficar com ela, mas se resignou a ficar calado. O que adiantava gritar que a amava, se ela não gostava dele e ainda estava prestes a se casar com outro?
– O que você queria, Seiya? – Shiryu falou, sentado ao lado de Shun, que olhava para o centro do Coliseu onde Ikki treinava sozinho. – Que ela fosse celibatária?
– Não! Eu queria que ela se casasse! – Seiya falou, desabafando todo o sentimento que estava guardando somente para ele e que estava começando a sufocá-lo. – Mas comigo e não com o Julian!
– Seiya, você foi embora e a deixou sozinha aqui no santuário...
– E na primeira oportunidade que ela tem aceita se casar com o Julian!
– Mas Seiya...
– Deixe para lá – ele falou se levantando e caminhando até Ikki, disposto a treinar com o cavaleiro de Fênix.
– Seiya... – Shun se levantou, querendo a ir até o amigo, mas Hyoga colocou a mão no ombro dele, fazendo o rapaz de olhos verdes olhar para ele.
– Seiya precisa apenas se distrair, Shun – Hyoga falou, vendo Shun olhar para Seiya preocupado. – Ainda tem tempo para ele conversar com Saori e os dois se acertarem. – Hyoga viu Shun suspirar. – O casamento ainda é amanhã.
O cavaleiro de Andrômeda acenou com a cabeça e voltou a se sentar, conversando com Shiryu. Seiya andou até Ikki, iniciando uma luta com ele. Lutar era uma forma de ocupar a mente com alguma coisa além de Saori. Era uma forma, ainda que subjetiva, de lembrar de quando lutava por ela e para ela...
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Seiya entrou na pequena casa que agora era dividida por ele, Marin e Seika. Seu corpo estava machucado, com a calça jeans ralada e suja, a camiseta vermelha era a única peça de roupa que se salvava, pois estava em melhor estado, apesar do corte que tinha no ombro. Seiya esfregou o braço esquerdo, doía da queda que tivera na luta com Ikki. Treinara com o cavaleiro de Fênix a tarde toda e sua mente estava tão dispersa que fora acertado várias vezes.
– Que bom que chegou, Seiya – ele olhou para o pequeno sofá e viu a irmã mais velha sentada. Seika arqueou uma sobrancelha ao ver o irmão fechar a porta trás de si e reparou no estado que ele estava. – O que aconteceu com você?
– Estava treinando com o Ikki – ele deu um meio sorriso, aproximando-se do sofá e se sentando ao lado da irmã, enquanto deitava as costas no encosto do móvel. Sentia uma dor muito forte, que até o fazia franzir o cenho e fechar os olhos, querendo relaxar o corpo.
– Então você estava muito fora de forma para estar nesse estado, não? – Seika disse, divertida, rindo quando o irmão sorriu.
– Digamos que eu... – ele falou, alisando o braço que estava machucado e abriu os olhos, vendo a irmã ainda rindo. – Deixei o Ikki me bater.
– Sim, claro – Seika falou irônica, levando a mão à boca e rindo. Era bom saber que o irmão apesar de tudo o que estava acontecendo, ainda tinha senso de humor.
– Vou tomar banho e comer alguma coisa – ele se levantou e alisou o estômago que estava vazio, não tinha nem tomado café da manhã naquele dia. – Estou com fome.
– Seiya – Marin chamou com uma expressão muito séria por baixo da máscara de amazona que usava, enquanto entrava na sala, fazendo Seiya olhar para ela. – Precisamos conversar.
– Podemos fazer isso depois que eu tomar banho e comer – Seiya falou, voltando a andar em direção ao quarto que estava dormindo na casa de sua antiga mestra.
– Não, Seiya, não podemos não.
Seiya parou e virou o rosto para Marin ao ouvir o tom sério que ela usou. Olhou para Seika e a viu parar de rir. Marin não costumava ser tão firme quando não estavam treinando. Devia estar acontecendo alguma coisa, mas o que seria?
– Aconteceu algo? – ele perguntou, aflito. – Saori está bem?
– Ela está ótima e muito feliz com o noivo – Marin falou, fazendo Seiya desviar os olhos dela ao ouvir a última palavra, tristemente.
– Então me diga o que está acontecendo? – ele tornou a perguntar, ainda sem olhar para ela, apertando a mão em punho.
– Shina terá que se suicidar – Marin foi direta, fazendo Seiya olhar para ela rapidamente com os olhos arregalados, não conseguindo esconder a surpresa. – Ela vai se matar... – Marin tomou fôlego para falar. – Ela vai se matar... Por você.
N.A – Olá... Bem, minha amiga Letícia me fez um desafio de escrever algo que tenha a Shina. Apesar dela não ser um dos meus personagens favoritos, não ia recusar um desafiou.
Essa história era um oneshot, mas dividi em três partes e logo estarei publicando as outras. Espero que gostem e digam o que acharam, certo?
Agradeço a Priscila Gilmore que gentilmente revisou a fanfic para mim. Muito obrigada, amiguinha!
Beijinhos,
Lis
