Não se contava o tempo na ilha. Só dava para saber se era dia, ou se era noite. Mas Calipso presumia que, a julgar pelas flores, pelos pássaros e pelas vezes que comera, já haviam se passado, pelo menos, dois dias. E era triste pensar que outra visita como aquela só chegaria muito tempo depois...

Sentia falta de Percy. Não podia negar que sentia, mesmo, muito a falta dele. Fora um dos heróis que mais a marcaram, dentre tantos. E, quando ele foi embora, Calipso desejou poder ir com ele.

Seus cabelos cor de mel balançavam com o vento, algumas mechas escapando da trança. A noite em Ogígia sempre fora algo muito belo, as estrelas brilhando, o céu sem nenhuma nuvem. A lua cheia iluminava seus jardins, as flores parecendo até um pouco fluorescentes.

Calipso estava com seus materiais de jardinagem na mão. Uma pá, e um regador pequenino, para cuidar das novas flores. O enlace lunar aberto, captando a luz da lua, chegava a ser até milagroso, de tão bonito. Os olhos da garota se fecharam, seu peito indo para cima e para baixo, devagar, respirando fundo. Precisava se acalmar.

Contrariando as pálpebras que tentavam contê-las, as lágrimas caíram sem devaneios, molhando as bochechas rosadas da garota. Tudo ficou silencioso demais, exceto pelas ondas do mar ali perto, que faziam sons suaves. Calipso precisava de um tempo. Dormir por dias seria ótimo.

Até que, abrindo os olhos, percebeu, com um sorriso de surpresa, que não estava sozinha.

Ela olhou as plantas, os enlace lunar brilhando. Pegou uma pétala nas mãos, sem tirá-la da flor, e suspirou levemente. Percy havia levado um desses com ele. Plantaria um jardim em Manhattan por ela. Sabia que ele faria isso, havia olhando em seus olhos, no fundo deles, quando prometeu. Percy Jackson não mentia.

E, sua mente sabia agora, que não estava sozinha. Nunca esteve. Olhou novamente para o mar, secando as lágrimas com as costas das mãos.

Percy havia levado uma parte dela consigo. Mas Calipso também tinha uma parte dele com ela.