Disclaimer: Os personagens aqui retratados não me pertencem. São exclusividade da verdadeira assassina de Sirius Black. Peguei emprestado para me divertir, apenas. Se fossem meus, Sirius estaria vivo!

Sinopse: Todos ignoraram os sintomas da depressão. Seria muito tarde para salvá-lo?

Shipper: Harry/Ginny – Ron/Hermione.

Nota: Primeira e provavelmente única H/G. Espero que gostem e sejam bonzinhos. O tema abordado aqui é bastante sério e está sendo feito com base em pesquisa.

A história se passa depois de HP e as Relíquias Mortais. Portanto, contém spoilers. Eu já assisti a muitos filmes de guerra e em muitos deles se aborda o problema da depressão pós-guerra. Nada mais natural que nosso herói enfrente isso também.



Prólogo

I. Os primeiros dias depois.

Harry Potter abriu os olhos devagar. Piscando lentamente, ele tentou alcançar os óculos por cima do criado-mudo. Tateou lentamente a extensão de madeira, sem sucesso. Optou por pegar a varinha – a única coisa que achou ali perto.

"Accio óculos" – ele murmurou. Em segundos, o par de lentes preso em aro de ferro foram pegos pela mão livre.

Ele piscou, ajeitando os óculos no rosto, tentando melhorar a visão ainda embaçada por causa do recente despertamento.

Ainda deitado, ele adaptou a visão a claridade que invadia o quarto. Esticou o pescoço, tentando relaxar o músculo que estava tenso por ter dormido na mesma posição por horas. Harry suspirou quando o pescoço relaxou e encostou novamente a cabeça no travesseiro.

Já devia ser bastante tarde, pois o cheiro da comida da Sra. Weasley invadia o quarto. Ele tentou sorrir, pensando no que haveria para almoçar naquele dia. Mas o sorriso dele se apagou quando sentiu o estomago embrulhar.

Passando uma das pernas por cima do lençol, Harry retirou os óculos. Por mais que soubesse que estava mais do que na hora de se levantar, ele não tinha vontade de fazê-lo. Era tão agradável ficar por ali, deitado, sozinho, em silêncio. Não havia motivos para sair da segurança do pequeno quarto.

O quarto que tinha sido de Fred e George.

Uma pontada de dor e saudade atingiu o coração dele. Ele tentava não pensar nas pessoas que haviam morrido. Mas ele não sabia como fazer isso. Tinha passado a vida se lamentando por aqueles que haviam partido. Não seria diferente agora.

Não era porque tinha vencido a guerra; não era porque Voldemort tinha sido morto para sempre; não era porque o mundo estava em paz e seguro que ele haveria de parar de se lamentar por aqueles que tinham partido.

Ainda porque, ele tinha sido o verdadeiro motivo da partida de muitos deles.

Sele ele não tivesse nascido, seus pais nunca teriam sido mortos. Nem Sirius, nem Fred, Lupin, Tonks e tantos outros colegas de Hogwarts. Porque nunca teria existido um menino-que-sobreviveu por quem aquelas pessoas tinham lutado tão bravamente para proteger.

Discorrendo sobre aqueles fatos, Harry amaldiçoou a própria existência. Deus, seria tão mais fácil nunca ter existido. Seria tão mais fácil se simplesmente parasse de existir. Era a única forma de fazer aquela dor ir embora.

Foi pensando nisso que ele adormeceu novamente. O almoço podia esperar. A vida dele podia esperar.

- -

"Harry não vai descer?" – Ginny olhou para a escada por cima dos ombros.

"Ele ainda estava dormindo quando eu me levantei" – Ron comentou, enchendo o prato dele novamente. Ginny suspirou. Havia quase três dias que Harry não saia do quarto. Se Molly não levasse as refeições para ele, ele provavelmente teria ficado todos aqueles dias sem comer. Embora as refeições tivessem voltado quase intocadas.

Harry se desculpava pelo incomodo e avisava que Molly não devia se preocupar com ele, nem em trazer as refeições ali. Mas Molly apenas sorria de forma triste e o lembrava que ela o considerava como um filho. Talvez, agora mais do que nunca.

"Ele deve estar querendo ficar sozinho" – Molly respondeu – "Vamos deixá-lo em paz por enquanto. Só Deus sabe pelo que ele passou" – os olhos dela encheram-se de lágrimas.

Uma guerra sempre deixa feridas. A da famíla Weasley seria a perda de Fred. Uma ferida que nunca cicatrizaria totalmente.

"Acho que devemos acordá-lo. Está fazendo um dia lindo" – Gina olhou novamente para a escada.

"Eu vou subir" – Ron anunciou, dando um olhar significativo para Ginny. Ele detestava quando ela se enfiava no quarto de Harry.

"Vou com você" – ela ignorou o olhar do irmão e partiu na frente dele, correndo pela escada. Ron foi atrás, aumentando a velocidade dos passos, alcançando a irmã.

"Ele pode não estar decente, Ginny" – Ron ralhou com ela tão logo ela alcançou a maçaneta da porta do quarto de Harry.

Postando-se na frente da porta, Ron girou a maçaneta e entrou com cautela.

"Harry?" – ele chamou baixinho.

De onde estava, podia ver que Harry dormia profundamente.

"Está acordado, cara?" - Ron tentou novamente.

"Ele só faz isso agora" – Ginny entrou atrás do irmão. Olhou com preocupação para o moreno de cabelos bagunçados que respirava pesadamente, evidenciando que estava adormecido.

"Eu sei. Será que tem algo errado com ele?" – Ron inquiriu a irmã, ainda sem tirar os olhos do amigo.

"Mamãe acha que não. Ela acha que ele sofreu muito e só precisa de um tempo para descansar" – Ginny respondeu, puxando o irmão para fora do quarto. Ela já sabia que Harry não iria acordar tão cedo. Talvez, se eles o deixassem dormir, Harry poderia sentir-se melhor e descesse para jantar com toda a família.

Ron fechou a porta atrás de si e segui pelo corredor com Ginny.

Eles fizeram o caminho de volta pela cozinha em silêncio. A voz deles parecia ter sumido depois da morte de Fred. George tinha se recusado a voltar a morar nA'Toca, mas aparecia todos os dias para jantar com a família. Era sempre ruim. Olhar para ele e não ver Fred ao seu lado. Olhar para ele e ver Fred.

Duas semanas. Era muito pouco tempo para superar as perdas da guerra.

Mas era inegável que aquilo tinha unido ainda mais os Weasley. Era como se os momentos passados juntos fossem sempre os últimos.

E Percy demonstrava um esforço sobre-humano para reconquistar a família. Não que precisasse fazer muita coisa. Bastava não ser aquela pessoa intragável que tinha sido logo após se formar em Hogwarts.

Ron e Ginny chegaram a cozinha e retomaram seus lugares a mesa. Ron voltou a comer e Ginny observava a mãe trabalhando.

Perto da pia, Molly empunhava a varinha, fazendo os artefatos da casa trabalharem. Quando um dos pratos caiu e Molly deu um pulo, Ron e Ginny trocaram olhares cúmplices. Sabiam que a mãe deveria estar chorando. Ela sempre deixava alguma coisa cair agora e era sempre porque estava distraída demais, pensando em Fred e chorando. Nenhum deles falou nada. Era difícil para todos lidar com aquela perda.

Ginny se levantou e andou até a mãe, abraçando-a pelos ombros.

Molly soluçou alto. Ron limpou uma lágrima que ia caindo pelo nariz.

"Vão, vão vocês dois" – ela falou depois de algum tempo – "Preciso que limpem a garagem para mim" – Molly sorriu e deu um tapinha nos ombros de Ginny.

Em outros tempos, Ron teria reclamado de ter que fazer o serviço. Mas naquele dia, ele se levantou, deu um beijo na bochecha da mãe e saiu na companhia da irmã, para limpar a garagem.


N/a: E então gente? Devo continuar escrevendo a história? Let me know.

A Hermione vai aparecer viu!

Beijos

Annie