O céu estava azul naquele dia, e cheio de estrelas brilhantes que pontilhavam o céu, como pequenas luzes, que enfeitavam a paisagem. O vento era leve, a brisa fresca era relaxante para quem havia tido um dia duro de trabalho.

O vento levantava gentilmente os cabelos lisos e brilhantes escarlates da moça mais bela que a noite já viu, como ondas de calmaria. Debruçada na sacada de pedra do hotel onde se encontrava , ninguém menos que Erza Scarlet, a grande Titânia. Observava o mar, tão grande a sua frente. Havia acabado de se banhar, e sua pele exalava um cheiro bom de morango. Seu rosto estava brilhante a luz das estrelas.

Algo em especial chamou sua atenção. Mais uma vez. Um vislumbre de uma garotinha minúscula e brilhante, com cabelos presos e enfeitados num coque, castanhos claros, um vestido delicado que ia até os joelhos e era bem soltinho, rosado. Usava também sapatilhas prateadas e pequeninas para seus pés. Olhos castanhos aconchegantes, reluzentes e infantis. E a parte mais impressionante, Longas asas que brilhavam em várias cores diferentes. Uma fada. Não era a primeira vez que havia uma lhe observando.

Diziam que fadas gostavam de ficar perto de garotas extraordinariamente bonitas e de bom coração, e era muito raro vê-las. Muitos nem acreditavam em sua existência. Mas nesse caso, a pequena parecia maravilhada, mesmo que Erza não ligasse muito para sua beleza física.

Porém logo percebeu que havia sido descoberta e sumiu num piscar de olhos, deixando uma pequena trilha de brilho, que logo despareceu também.

Mas logo a atenção de Erza foi desviada para sua amiga Lucy que a chamava na porta de vidro da sacada de seu quarto, que aliás, tinha uma bela vista.

− Erza!− Disse a loira.

− O que foi Lucy, aconteceu alguma coisa?

−Não, mas pensei que algo havia acontecido a você! Estamos todos lá embaixo, no saguão jantando e nos divertindo. Você não veio, e eu fiquei preocupada. Bati umas mil vezes na porta, mas parecia que não tinha ninguém...

− Entendo...-Disse desinteressada− Espere um minuto, eu já vou descer.

Erza olhou mais uma vez para fora, mas desta vez para o céu. Olhou as estrelas, tão lindas naquela noite...o que a fez lembrar de alguém. Não que essa pessoa tivesse por algum momento deixado seus pensamentos, mas as estrelas em especial a lembravam dele. Jellal.

Corou, e imediatamente abaixou o olhar, tentando afastar os pensamentos. Mas uma vez, mencionado por sua memória, sabia que ele ficaria lá por um tempo. Ofegou quando sua imagem veio a mente. O aperto no peito ficou mais forte e o coração bateu mais rápido. Sabia o que era, mesmo que desde sempre tenha trancafiado esse sentimento dentro de seu coração, mais precisamente, sua armadura. A saudade era muito grande. A sensação de querer alguém perto enquanto a pessoa esta longe, era tão doloroso quanto tentar arrancar uma parte do corpo. Jellal era parte dela. Sempre fora.

E ele estava tão longe...tanto que provavelmente ela nunca mais o veria de novo.

Já absorta em pensamentos, a garota se deu conta que estava pensando demais no que não devia. Logo bloqueou os pensamentos o máximo que conseguia e tentou se distrair escolhendo roupas. Logo se decidiu por um vestido leve, branco frente única, até os joelhos. Usou sua magia para trocar de roupa, como sempre. Deu passos leves até os grande espelho que havia no quarto.

Olhou seu reflexo no espelho, admirando-se. Nunca foi de se gabar, mas reconheceu que mesmo com vestes tão simples, estava bonita. Não apenas bonita, mais ainda do que ela podia enxergar em si.

Abriu a porta, mesmo sem muita vontade, pois estava cansada e sem humor, e finalmente saiu de seu quarto, mais para tranquilizar seus amigos.

Ao chegar, logo avistou Gray, causando escândalos sem nem perceber, pois havia tirado suas roupas ,de novo. Todos olhavam para ele, mas ele parecia ainda não ter percebido o que estava acontecendo, e que ele era o motivo da euforia, principalmente por parte das meninas.

Avistou Natsu no restaurante, é claro comendo como um louco, junto com Happy. E Lucy, é claro ficou junto com eles, já não tão envergonhada pelo modo o qual as demais pessoas olhavam espantadas para ele, já mais acostumada . Quem mandou se apaixonar pelo Natsu.

Como Lucy parecia não ter percebido que Erza desceu, decidiu andar um pouco para conhecer melhor o lugar.

Andou pelo corredor vazio do lugar até encontrar um jardim, com a grama verdinha, flores bem cuidadas, e um chafariz ligado. Havia um pequeno lago com uma ponte . O lugar era lindo.

Sentou-se num banco que havia ali para descansar um pouco naquela brisa e aquele aroma de flores. Tentou concentrar-se em coisas mais importantes. Como o que faria de sua vida, agora que haviam se passado sete anos enquanto ela estava congelada, enquanto ela dormia. Mal havia superado isso ainda, e já havia voltado a trabalhar...Não. Decidiu que também não pensaria nisso agora. Estava cansada, e concluiu que seria melhor esquecer isto e continuar vivendo como se nada tivesse acontecido, guardando toda aquela angústia dentro de sua armadura.

Saindo de seus devaneios, prestou atenção em outra coisa. O chafariz havia parado. A brisa também. Tudo estava calmo, silencioso. Até demais.

A guerreira levantou-se, sentindo-se observada. E não parecia ser coisa boa. Aguçou seus sentidos, e graças a isso, desviou a tempo de um golpe por suas costas. Rolou para o lado e logo avistou uma garota. Ela não parecia ter muita idade. Na verdade, parecia ter pouco menos do que ela. Tinha cabelos castanhos escuros, pele pouco morena e olhos pretos como um breu, opacos. Vestia um sobretudo lilás, com uma fita rosa amarrada em sua cintura. Usava uma sandália rosa e segurava um cajado de madeira, com espinhos de rosa amarrados nele, como se fossem enfeites. No topo dele estava a flor. Era rosa escuro. A garota parecia uma verdadeira patricinha, ainda mais por sua expressão de superioridade marcante. E o mais curioso: Ela segurava uma rosa na boca.

− Finalmente. Você é a grande Titânia? Não parece ser grande coisa−Disse em um tom decepcionado. Erza sentiu o sangue subir, mas apenas disse:
− E você, quem é?

− HAHAHAHA. Eu sou Rosa, a princesa venenosa− Ela disse, virando a cabeça para o alto, como uma forma de superioridade. Ela tinha uma risada ridícula, mas parecia não perceber.

No momento em que Erza iria dizer algo, ela apontou seu cajado diretamente para ela, e dele saiu uma chuva de rosas da mesma cor da que estava no topo. Erza desviou mais uma vez, mas conseguiu por pouco desviar, pois estava cansada. E logo usou sua magia. Seu corpo começou a brilhar, e logo ela já estava usando a armadura que sempre usa.

− O que você quer comigo? Porque está fazendo isso?!− Disse Erza, confusa.

− Eu tenho ordens para acabar com você e o resto de seus amiguinhos HAHAHAHAHA.− Ela ria de tudo.

− Ordens de quem?!−Erza disse.

− AHAHAHA Segredo, Titânia− Rosa disse pouco antes de lançar mais uma rajada de rosas sobre Erza.

Mas era impossível que a garota estivesse usando apenas rosas comuns para ataca-la. Por isso, logo Erza percebeu que eram rosas mágicas, provavelmente envenenadas.

Rebateu tudo com a espada e atacou a garota diretamente. Ela lançou uma cortina de fumaça roxa para cima dela e começou a rir novamente. Erza , obviamente, havia tampado a respiração, mas não aguentaria por muito tempo mais, e além disso, não podia enxergar nada.

Teve a ideia de rodar as espadas em volta de si, para dispersar o ar venenoso. Funcionou depois de um esforço, e Erza finalmente pode respirar, ofegante.

Enquanto isso, Rosa ria muito, e acabou tão ofegante quanto Erza depois de rir tanto.

− AHAHAHA, lutar com você até que é divertido! AHAHAHA− Erza sentiu seu rosto esquentar e a raiva fluir por suas veias, e começou:

− Certo. Se não vai me dizer quem te mandou aqui, ótimo. Mas saiba que sua operação não vai ser bem sucedida!− E logo lançou as espadas em espiral, em direção a garota que havia parado de rir.

− AAAAAAH!− Gritou enquanto era cortada pelos ataques da ruiva. Estava jogada no chão, mas logo se levantou com as roupas um pouco rasgadas.

− Você vai pagar por isso Erza Scarlet! Ninguém mexe comigo assim!AAAAAAAAH!− Agora, ao invés de rir, ela gritava, dando um escândalo de garotinha mimada.

De repente, seus olhos brilharam num cor de rosa escuro e de suas mãos nasceram garras, seu rosto se transformou no de um monstro, e ela olhou com fúria, para Erza.

− EU VOU MATAR VOCÊ!− Disse, com uma voz sinistra, e bem mais grave do que a de antes.

− Veremos!− Erza gritou com a mesma fúria. Começou a girar as espadas numa dança da morte em direção ao monstro, que desviava de tudo, com uma agilidade superior a de sua forma de antes.

A batalha estava ficando difícil, e o monstro continuava lançando fumaças venenosas a todo momento.

Erza já estava mais cansada, e parecia que o monstro crescia a cada golpe deferido. Os rugidos ficaram mais altos e logo Erza ouviu a voz de seus amigos.

− Erza, o que está acontecendo?!− Lucy dizia desesperada.

− Que monstro horroroso é esse?!− Gritou Natsu horrorizado, deixando o monstro ainda mais nervoso com o xingamento.

− Esse é o problema. Eu não sei. Eu estava aqui e de repente esse monstro começou a me atacar na forma de uma garota, mas então se transformou nisso. Disse que foi mandada para nos destruir...

− Ei, eu acho que agora não é um bom momento para conversar!−Gritou Gray, já sem roupas de novo, se agachando para desviar de uma chuva de espinhos venenosos mandados pelo monstro.

Natsu logo se enfureceu e tentou usar seus poderes Dragon Slayer para parar o monstro, mas parecia que ele tinha um estoque infinito de veneno.

Gray e Lucy também lutavam, apesar dos esforços de todos estarem se mostrando inúteis.

Erza parou de lutar e se concentrou em descobrir a fraqueza do inimigo. Rosa só atacava através do cajado, que tinha uma flor na ponta...o que deveria significar que se eles destruíssem o cajado, ou o tirassem dela, ela provavelmente não poderia fazer mais nada.

− Pessoal! Me escutem! Tirem o cajado dela, e o destruam, é o único jeito!−Erza gritou.

Natsu logo se apressou e tentou chegar cada vez mais perto do cajado, sem sucesso. Gray também tentava atacar o cajado, porém o monstro se voltou contra ele e Lucy. Eles estavam encurralados, e Erza estava muito cansada para conseguir usar magia para desviar os espinhos que já voavam em direção a eles. Então, num movimento rápido, a fim de salvar os amigos, pulou na frente do alvo, tomando uma saraivada de espinhos que perfuraram sua pele.

− AAH!−Ele gemeu de dor. Caiu no chão, na frente dos amigos, e só conseguiu ver Natsu com o cajado na mão e uma explosão acontecendo. Depois disso, sua visão ficou escura, e ela finalmente apagou.

Abriu os olhos lentamente, sentindo muitas dores musculares e dor de cabeça. Erza virou a cabeça para o lado, tentando descobrir onde estava.

Ao observar um pouco o ambiente, percebeu ser a casa de Lucy. A CASA DE LUCY?!

− O QUE...Argh!−Sentiu uma pontada na cabeça, ao tentar se levantar.

− Não fique se mexendo Erza−Ela reconheceu a voz infantil de Wendy, preocupada. Encarou a menina de cabelos azuis que estava sentada numa cadeira, ao lado da cama em que ela se encontrava. Trajava um casaco amarelo e seus cabelos estavam soltos. Ao perceber sua confusão, Wendy começou a explicar.

− Você estava voltando de uma missão. Você, Natsu, Lucy e Gray, pararam num Hotel, mas pelo que eu soube, algum monstro atacou vocês lá, e você foi seriamente atingida por espinhos. Já tirei eles de você, o que não foi um grande problema, já que você estava completamente apagada, curei suas feridas físicas, mas...

Ela parou. Parecia apreensiva. Percebendo que ela não queria continuar, Erza perguntou.

− O que? Mas o que?−Disse já um pouco nervosa.

− Ah...É que você parece ter pegado algum tipo de doença...nem Pollyusca conseguiu descobrir o que é ainda.

Erza respirou fundo, sentindo um pouco de dor. Doente. Era só o que lhe faltava. Acabara de dormir por sete anos e agora teria que ficar de cama...Mas o pior ainda estava por vir.

− E...Erza?

− Sim−Voltou sua atenção, para a garotinha.

− Não deve ser algo fraco. Já faz três dias que você estava apagada, e quando você chegou, sua temperatura começou a aumentar muito. E não parece que vai passar tão cedo. Achamos que não vai se curar sozinha, por isso, estamos organizando o pessoal para procurar a cura disto, antes que...

Ela parou de novo. Mas desta vez, Erza não queria que ela continuasse. Sabia o que Wendy queria dizer. Ela corria perigo de vida, e deixara todos os seus amigos preocupados. Bom, pelo menos Lucy e Gray não foram acertados...Seriam dois doentes para curar. Sabia desde o início que aqueles espinhos eram perigosos. Mas agora uma questão martelava sua cabeça. Quem mandou aquele monstro para mata-los? E porque? Pensando numa resposta para sua pergunta, Erza sentiu um calafrio passar por sua espinha, quando uma corrente gelada passou pela porta. Gelada pelo menos para ela, pois Wendy parecia nem tem sentido. Tremeu de frio.

−Erza, o que foi?−Disse a menina, levantando-se.

−N-Não foi nada, e-eu estou bem...− Tentava tranquiliza-la.

−Ah. Eu vou pegar um cobertor− Disse Wendy− Me espere aqui, disse como se ela pudesse realmente sair.

A menina caminhou até a porta e ao sair, fechou-a para que Erza não tomasse mais friagem.

Logo ouviu a menina parar os passos do outro lado. "Já está acordada!" Ouviu-a murmurar para alguém.

Logo a porta se abriu de novo, e Erza logo avistou sua amiga Lucy entrando e fechando a porta sem fazer muito barulho.

− Erza! Como está se sentindo?− Ela perguntou preocupada, com os olhos castanhos arregalados.

− Bem. Eu estou bem.− Mentiu. Mas Lucy pareceu acreditar.

− Kami-sama! Eu fiquei preocupada. Você simplesmente entrou na frente dos espinhos quando eu e o Gray íamos ser atacados...Bem, eu vim para agradecer mesmo e ver como você estava.

Obrigada.

− Não tem de...ATCHIM!−Lucy riu um pouco, e depois voltou a ficar preocupada.

Ficaram ali conversando durante alguns minutos quando ouviram fortes batidas na porta.

− Entr..AAAH!−A porta bateu na cara e Lucy, e logo vi dois marmanjos entrando, e discutindo um com o outro, enquanto pareciam nem ter visto Lucy.

− ERZA!−Natsu gritou, produzindo uma pontada desagradável na cabeça de Erza.

− Oi Erza−Gray disse simplesmente.

− Oi, pessoal−Respondeu, em voz baixa.

− Então você finalmente acordou?! Dormiu por três dias Erza!−Natsu disse.

− Pare de falar alto seu foguinho de merda! Não está vendo que a Erza está doente?!

− Fique quieto, senhor cueca...

Eles começaram de novo. Nada podia descrever o quanto aqueles dois discutindo feito idiotas irritava profundamente Erza. Ela nem precisou dizer nada, já que eles sentiram sua aura de fúria a sua volta.

− E-EH, n-nós já vamos indo E-Erza− Disse Natsu engolindo em seco e Gray concordando com ele, apenas com a cabeça, os dois com os olhos arregalados. E num piscar de olhos já estavam fora de vista. Fecharam a porta com força, revelando Lucy com a cara amassada.

− Esses dois...−Disse ela, resmungando e passando levemente a mão na testa.− Bom Erza, vou deixar você descansar, qualquer coisa é só me chamar.− Disse com um sorriso doce.

− É claro.

Ela não precisou fechar a porta, pois Wendy já havia chagado com um cobertor gigante, cobrindo seu rosto e a deixando desiquilibrada.

−Aqui está...Erza− Ela jogou o cobertor, com esforço na cama.

−Obrigada Wendy.

− Não tem de que.− Ela sorriu ofegante.− Bom, eu vou pedir a Lucy que faça algo para você comer, deve estar com fome não?

−Hm−Respondeu.

Wendy saiu mais uma vez do cômodo, deixando Erza sozinha pela primeira vez. Estava se sentindo fraca. Seu rosto estava corado pela febre alta, sentia dores por todo corpo, e estava cansada.

Já estava fechando os olhos quando ouviu o barulho da porta lá em baixo batendo. Era noite, quem poderia ser a essa hora? Erza perguntou-se.

Não importava. Estava doente agora. Nada poderia fazer.

Apenas olhar para o teto do quarto e esperar.