Meu Paraíso Azul
Um Hawaii 5-0 Fanfic
( Slash – M\M)
Essa é minha primeira fanfic, então perdoe minha falta de habilidade em alguns aspectos, estou acostuma apenas a criar histórias, não reproduzi-las.
Bem isso não é bem uma reprodução, se trata de todo aquele conteúdo que ficou entrelinhas durante toda série. O bromance que quase sempre é contindo em palavras, poderia ser muito bem maior em pensamentos.
E foi pensando nisso, o que eles estariam pensando que senti vontade de fazer essa fanfic, baseada em todos os fatos que ocorram. Claro que para mim seria fácil escrever do ponto de vista do Steve, concordo muito com ele. Mas ai imaginei a mente alvoraçada de Danny, e achei muito mais divertido imaginar e escrever o que faz aquele loiro ferver de raiva de vez em quando.
Também preencherei algumas lacunas que a série deixou, o que ocorreu mais nunca será exibido na tv, daí o Slash, e o m para futuros capitulos.
Me critiquem, falem do que eu esqueci, me sugiram algo melhor, mas por favor não deixei de comentar.
Aloha
Que calor infernal. Eu queria me escorar sobre o volante enquanto esperava, mas a borracha estava tão quente que era capaz de me queimar. Era quase uma da tarde e meu dia estava lento como uma lesma sobre o asfalto dessas ruas.
-Sr. Williams? Poderia confirmar o nome e o pedido, conseguimos o seu para amanhã, está bom?
-Não, está perfeito. – Esperei tanto que esqueci com quem estava falando.
Dei uma olhada nos arquivos para ter certeza.
-Preciso de um mandado para uma escuta de um suspeito, ligado a morte de John McGarret. O nome dele é Doran, Fred Doran- Eu soletrei só para garantir- D – O – R- A – N.
O portão glorioso da mansão da minha ex se abria para o ralé que veio buscar a filha.
-Amanhã as três, está bom Sr. Williams?- A voz do outro lado insistia.
-Sim, está ótimo. Obrigado.
Mas a pequena grande razão da minha vida já estava vindo.
-Papai!
-Macaquinha!
Dei um abraço forte na minha pequena, parecia anos que a não via, mas fazia apenas cinco dias. Ela segurava uma caixa com um coelho dentro, eu não entendi:
-Ah, o que é isto?
-É o Sr. Hoppy, o Stan me deu para apresentação no colégio.
Droga! Era esse o bichinho que ela queria, e eu feito um retardado comprei um bichinho de pelúcia.
-Ah, mas que bom, o padrasto Stan sempre lhe dá presentes legais, não é? Ele é lindo, só não é mais lindo que você.
Ela me deu mais um abraço, e eu comecei a girá-la entorno do carro, iria ter tirar aquele bichinho antes que ela risse da minha cara. Deixei Grace no colégio e fui ao endereço.
Era uma bela casa, pena que o lugar que ela estava era terrível. A sala estava virada num banho de sangue, mas o que revirou meu estomago foi ouvir ruídos sonoros vindos da garagem.
-Você, Abaixe a arma!
Ele se virou. Alto, forte e de olhos azuis. Devia estar fazendo um daqueles comerciais de margarina e não atrapalhando minha vidinha.
-Abaixe você sua arma!
-Quem é você?
-Quem é você?- Ele replicou num tom autoritário.
-Sou o detetive Danny Williams.
Depois disso uma enxurrada de ordens foi despejada de ambos os lados, eu só entendi que ele alegava ser da marinha, que aquela era casa do seu pai, e mandou baixar a arma:
-Logo depois da sua!
-Eu não vou abaixar a arma. - A firmeza na sua voz era perturbadora.
-Nem eu- Tentei fazer seu tom, mas fracassei violentamente.
-Mostre sua ID.
-A sua primeiro.
-Ao mesmo tempo então, use sua mão livre.
-O que, tipo no três?
-No três esta bom.
Ele tava falando sério?
-Um, dois...
O três mal saiu da minha boca quando vi sua identidade.
-Olha, meus pêsames pelo seu pai, mas essa é uma cena de crime ativa, então se você fizer a gentileza de retirar.
Ele foi saindo com uma caixa vermelha que estava sobre a bancada. Senti o sangue fervendo subir pelas minhas costas:
-Mas deixe a caixa.
Sua expressão estéril ao replicar só me deixou mais irritado:
-Eu vim com ela.
-Não, você não veio com ela – Eu lutei para tentar ser educado mas estava começando a erguer meu tom de voz – Você tirou dessa bancada aqui – Eu frisei apontando para ela – E é evidencia.
Ele largou a interpretação e falou como se fosse seu direito natural:
-Mas essa é a casa do meu pai, eu posso pegar o que eu quiser.
-Não você não pode, essa é a minha cena de crime, então se você puder largar essa caixa, mais rápido eu termino a investigação, e mais rápido eu saio da casa do seu pai e da sua vida.
-Eu não vou largar.
-Ou larga, ou vai preso.
-Vai chamar reforço? – A ironia sibilou entre seus lábios, teria de devolver a altura:
-Não, uma ambulância.
Depositando a maleta sobre o porta-malas do carro velho ele não parecia nem um pouco derrotado, o alivio tomou conta de mim:
-Obrigado.
-Não me agradeça ainda.
Azedei no mesmo instante. Ele pegou o celular, discando algum numero.
-O que você esta fazendo?
Ele me mandou esperar, afinal quem ele achava que era?
-Aqui é Steve J. McGarret, a governadora, por favor.
-Tá de sacanagem comigo?
Me vi andando impaciente pela garagem enquanto ele continuava aquela cena:
-Governadora Jameson falando- Ele tinha posto no viva-voz só para eu ouvir, em seguida trocou para a conversa particular.
-Governadora, aqui é McGarret, eu aceito o trabalho, vi algo me fez mudar de ideia. – Ele me olhou de modo inquisidor, ele queria mostrar que o dele era maior. - Não, imediatamente, me transfiro para a reserva e irei comandar sua força tarefa - Em seguida ele se virou desconcertado:
-Como? Agora?- Ele perguntou um pouco incrédulo. Suspirando, fazendo suas enormes costas inflarem, ele trocou o celular de mão, levantou a outra e começou a fazer juramento.
-Isso é sério?
Terminando, ele se virou pegou a maleta e me olhou de forma triunfante enquanto falava:
-Agora é a minha cena de crime.
Eu não consegui reagir até a hora que ele saiu da casa e bateu a porta da frente. O que aquele soldado dos Commandos queria na minha vida? Ela já não estava complicada o suficiente?
Voltei para meu apartamento, mais do que frustrado, prostrado pelo poder do estranho perfeito. Alias, porque eu estava achando que perfeito era o adjetivo certo para aquela forma de vida irritante? O que ele tinha demais? Claro que seu treinamento na marinha era superior ao meu, ele também tinha alguns centímetros de altura acima de mim, ele também tinha traços mais harmoniosos que os meus, aparentemente, ele também tinha mais influencia sobre a governadora do que eu.
Sentei na poltrona, olhando a chuva bater contra o vidro, tentando esquecer o calor. Lentamente o cansaço se abateu sobre mim. A doce sensação de que eu estava em casa, em Nova Jersey tomou conta de mim. Por míseros três segundos eu fui completamente feliz. Lembrando do abraço de Grace, sentindo o cheiro das pedras molhadas, a calmaria que isso produzia. Senti meus lábios se esticando involuntariamente, então percebi que estava sorrindo.
Três batidas rudes estouraram nos meus ouvidos. Estranhamente não me irritei por terem me tirado do meu devaneio, a felicidade em pequenas doses, era o melhor calmante que havia.
Eu abri a porta, sensação que passou por mim foi tão rápida, que nem mesmo há apenas um sentimento para descrevê-la. Surpresa, decepção, curiosidade e cansaço. Tudo misturado convenientemente a ponto de eu não precisar expressar nenhuma delas.
-Eu falei com seu delegado, e soube que você fez um pedido de escuta para Fred Doran. – Ele foi avançando pelo meu apartamento, olhando tudo. – Entre - Pegou o retrato de Grace enquanto me perguntava:
-É sua filha?
-Percepção impressionante. – Me sentei de volta na poltrona, estava cansado demais para qualquer embate desnecessário.
-Me fale o que sabe sobre Doran. – Ele abriu uma pasta e tirou a foto do criminoso, uma espécie de Lenny Kravitz do gueto.
-O que quer que eu diga?- Repliquei, ele suspirou impaciente, o olhar interrogativo, ansioso por respostas.
-Doran trafica armas, ele é o maior contrabandista da área.
-E o que isso tem a ver com o caso do meu pai?
-Quando eu fiz o teste de balística, a bala que matou seu pai, deu de encontro com a ficha dele.
-Então Hess conseguiu a arma com ele?
-É, eu acho que a primeira coisa que ele fez ao chegar à ilha, foi contatar Doran e conseguir uma arma.
-Então vamos para a casa dele.
Ele foi saindo porta a fora, não esperando nenhuma resposta de mim.
-Você sofre de alguma demência?
Ele me olhou surpreso agora. Eu prossegui:
-Esse caso não é mais meu.
-Seu chefe me disse que você foi transferido de Nova Jersey há seis meses.
-É e meu teste psicológico é daqui a seis semanas.
-Cama dobrável, sem aliança no dedo. Você veio para ficar mais perto da sua filha, mas só aos fins de semana, e o que lhe resta é o trabalho, é você quem eu estou procurando.
-Tá legal, mas quem disse que eu quero ir com você?
-A governadora me deu carta branca- Por que ele tinha que encher a boca ao falar isso? – E seu chefe já o liberou, vai ser meu parceiro. Nós vamos nos dar bem.
Ah, a raiva, era como se eu estivesse cheio de gasolina e aquele desgraçado fosse dois cabos de alta tensão soltos e desencapados.
Dirigindo por uma daquelas muitas ruas de nomes esquisitos, tipo Kikika, Mauwhaha, ou algo assim, o telefone tocou. Me senti um pouco envergonhado enquanto a música de terror tocava no silencio de nós dois, ai me lembrei quem era.
Rachel.
Eu não precisava de mais esse tormento. Rejeitei a ligação.
McGarret se ajeitou no banco, ele iria começar a falar:
-Acho que seu casamento não acabou muito bem.
-Não – Senti um gosto amargo quando falei, estava com raiva, ainda. - Senão ela não teria casado com outro cara e trazido minha filha para esse buraco infestado de abacaxi.
-Não gosta de praia?
Err, que pergunta chata. Era tão difícil explicar para as pessoas porque eu não achava graça numa enorme banheira salgada e suja de areia.
-Não, eu não gosto.
-Quem não gosta de praia?
Ele parecia perplexo.
-Eu gosto de arranha-céus, cidades, nada de tsunamis e águas-vivas.
-Me diga que sabe nadar.
Eu ouvi uma entonação comicamente desesperada e tive que olhá-lo. O efeito foi o mesmo de alguns minutos atrás. A primeira vista, seu porte provocava respeito, inveja, admiração. Depois de alguns segundos, eu via algo muito estranho em seus olhos de um azul pálido. Era como se algo que devia ter se perdido nele, se transformou com o tempo e foi incrustado pela sua natureza. Deixando seu olhar menos ameaçador, mais familiar, convidativo.
-Eu sei nadar. – O sentimento de irritação devia tomar o lugar das borboletas no estomago. –Eu só não gosto, eu nado por sobrevivência, não por diversão.
Ele suspirou descontente para o lado.
A música de terror tocou, e desta vez chegou a ser uma espécie de alivio.
Apertei o botão de atender com força.
-Sim, querida – Eu deixei o veneno escorrer pelo telefone.
-Papai, você atendeu!- A vozinha do outro lado instantaneamente me acalmou. Esperava ouvi-la só no fim de semana.
-Oi, macaquinha! Eu achei que fosse sua mãe! – Não pude conter o riso, era tão natural a felicidade, eu me virei mais uma vez constrangido, mas para minha surpresa, ele estava olhando a paisagem correr pelo lado de fora, e sua expressão permanecia inalterada, como se tudo estivesse silêncio.
-Ah, as professoras e meus colegas adoraram o Sr. Hoppy.
-Que bom que todos gostaram do Sr. Hoppy. Nós vamos nos divertir muito no fim de semana, tá?
-Eu vou ter que desligar a profe chamou, tchau papai.
-Hei, Danno te ama.
Desliguei o celular, nem uma bacia de gelo podia refrescar minha cabeça assim.
-Quem é Danno? – O tom de curiosidade era evidente em sua voz, mas eu não queria que ele invadisse um espaço tão pessoal.
-Não...- Eu não tinha nem vontade de replicar.
-O que? – Aparentemente ele não tinha entendido.
-Só...- Eu pensava nas palavras.
-Tá. – Ele disse sem muita vontade.
-Obrigado.
Pelo menos sua percepção era mais aguçada. E devo dizer sua educação também.
As malocas eram circundadas por grades de ferro, a movimentação era relativamente intensa:
-Chegamos.
Ouvi um estalo metálico, e ao me virar ele já estava saindo do carro:
-Hei hei espera, não devíamos chamar reforço, o cara é um pistoleiro.
Ele raciocinou um pouco, parecia que ele tinha esquecido esse detalhe:
-Você é o reforço.
Ele era louco? A sensação de prostração voltava enquanto eu não podia deixar de dizer:
-Eu odeio ele. Eu odeio tanto esse cara.
Isso! Esse era o sentimento certo. Algo intenso o suficiente para ser condizente com tudo que eu senti perto dele, e algo feio o suficiente para eu não achar que estava ficando louco ou desregulado.
Eu segui ele. Suas pernas longas caminhavam mais rápido do que as minhas, mesmo me esforçando era difícil alcançá-lo, o que me irritava profundamente:
-Hei, dá pra ir mais devagar!
Ele mal me ignorou, quando uma discussão vinha de dentro da casa, uma voz feminina gritou:
-Você ferrou com minha vida!
Meu estomago revirou pela segunda vez hoje, quando ele se encostou contra a parede checou a arma, e mandou esperar.
Claro que não ia esperar, corri até o outro lado contra a porta, em dois segundos uma mulher loira de biquíni saiu, apressada e fula da vida. Segurei ela, sobre seus protestos, ela se debatia com força, enquanto Doran gritava para ela voltar.
Numa fração de milésimo eu senti seus dentes cravarem sobre a pele da minha mão, abafei o grito de dor, mas não esperava pelo que vinha em seguida. O barulho das rajadas de tiro procedeu aos segundos mais longos que já experimentei. A ardência no braço esquerdo, a força me jogando para trás. Eu senti cada caco de vidro que se partiu e se separou para me dar passagem, senti também a queda que iria ter, eu sabia que tinha passado só um segundo, mas as coisas se tornam incrivelmente lentas quando você cai. Eu podia perceber tudo a minha volta, mas eu nunca seria rápido o suficiente. Nunca tive a sensação tão nítida de que o corpo era uma unidade e mente outra. As minhas costelas doeram com a pressão da queda.
-Danny!
O tempo voltou ao normal, a adrenalina bombeava nas minhas veias. Era para isso que eu tinha virado policial. Para levar tiro no lugar de soldados.
-Vai, vai. –Eu consegui berrar de volta. Ouvi mais alguns tiros, antes de poder me mexer efetivamente, desci e dei a volta na casa o mais rápido que pude. O som de outra vidraça se estilhaçando confirmou minha teoria. Doran tinha fugido pelos fundos.
Uma buzina e uma freada me indicaram a direção. Cheguei a tempo de ver a cena que diria quem ele era. Steve corria pelo mesmo caminho, e logo outro carro vinha. Rápido demais para qualquer ser humano escapar. Mas ele olhou, e pulou deixando os carros baterem sob seu traseiro de ferro, e assim eu soube que meu novo parceiro era ninguém menos que o super-homem.
Minha cabeça zunia um pouco, mais assim que Doran pegou descontrolado uma mulher que mal saiu do carro, eu sabia o que teria que fazer. Steve ainda tentava arrancar informações dele sobre Hess, mas eu só ouvi a sua ultima frase:
-Eu atiro nela! Eu juro!
Estúpido, McGarret se desarmava deixando Doran no controle. Ele apontou em reta a cabeça da mulher e eu não vi outra opção. Mirei logo acima da cabeça e mais a direita, seu enorme cabelo me confundia.
Eu puxei o gatilho. Não importa quantas vezes você faça isso. O tranco da arma se torna fisicamente familiar. Mas seu estrondo me provocava aquela culpa. Por mais que eu soubesse que ele era só mais um bandido, isso não me dava o direito de tirar sua vida. Mas só porque ele tinha uma arma, ele não tinha esse direito também.
Steve mirou contra mim, e logo depois me reconheceu. Duas emoções percorreram seu rosto naquele instante.
Alivio e...
Alivio e decepção?
O paramédico enrolava uma faixa envolta do meu braço dolorido. Enquanto isso a dama de Doran passava por mim:
-Eu espero que esteja doendo!
-Cuidado, ela morde. – Não se fazia mais aquelas mulheres de mafiosos como antigamente.
Eu caminhei até Steve. Esperava ouvir aquele obrigado, e etc. Mas ele caminhava de um lado para outro enquanto despejava seu raciocínio mental:
-Eu achei a Chen Chi presa na casa. Ela disse que veio num container, ela planejava uma vida nova aqui e trazer os pais. Mas ai drogaram ela e venderam ao Doran. Talvez Hess também tenha vindo num container, assim ele não chamaria atenção. A gente precisa achar quem esta transportando essa gente.
Seu olhar estava compenetrado no ar, as mãos na cintura. Nada na sua atitude me indicava algum tipo de gratidão. E isso me irritou, de novo.
-Escuta, eu não quero ser exigente, mas uma hora dessas, você devia estar me agradecendo.
Ele fez uma cara perplexa, parecia que tinha sofrido um aneurisma.
-Te agradecer? Você atirou na única pista que eu tinha!
Eu tive que me rir.
-Eu levei um tiro, ele ia matar aquela mulher e você!
-A situação estava sobre controle.
-Escuta aqui eu não to nem ai se você quer ir atrás desse Hess. Eu tenho uma filha e eu não vou morrer por sua vingança. Para um cara que acabou de perder o pai, você é muito retardo!
Sua expressão mudou drasticamente. Eu havia sem querer enfiado uma agulha na ferida.
-Só um instante, o que você disse?
Mas isso não mudava a raiva que eu sentia, minha mão estava quase na sua cara:
-Você é louco!
Ele deu um sorriso convencido:
-Tira esse dedo da minha cara.
-O que? – Eu não tirei – Você seu filho da mãe, vai me escutar!
Mais rápido do que as najas que eu via no Discovery Channel com a Grace, ele pegou meu braço e torceu todo ele para trás. Eu ouvi um estalo e a dor que meus músculos sentiam em não estar fazendo um esforço habitual, alias acho que nunca tinha virado meu braço daquela forma.
-Você é o que, um ninja maluco?
Ele segurava minha mão com uma das suas e a outra e fazia pressão logo após o cotovelo. Sabe aquela dor que você sente quando esta fazendo alongamento, essa era um pouquinho pior. Minha cara estava quase no chão, e eu quase de quatro. Alguns policiais se aproximaram:
-Não está tudo bem- Bem para quem?- Viu? – Ele sussurrou de forma irritante – passando vergonha na frente de toda essa gente.
Ele prosseguiu:
-Você não tem que gostar de mim, mas no momento você é o único que esta disponível.
-Tá – Falei sentido o ar entrando com dificuldade – Só me solta.
Ele soltou, o oxigênio entrou pelos meus pulmões, e você sabe, sem oxigênio não há combustão.
Ele continuou a falar alguma coisa, mas a única coisa que eu prestei atenção foi quando sua cara virou quando eu meti um cruzado de direita. Ele caiu sobre o carro e não reagiu, eu sai falando para quem quisesse ouvir:
-É você tem razão, eu não gosto de você.
Desde a casa de Doran até alguma Avenida de O'ahu, o que foram trinta minutos ou mais, eu permaneci no mais absoluto silencio.
Eu podia sentir seu olhar sobre mim esperando alguma reação. Eu o sondava também, mas aparentemente ele não estava irritado.
-Como está o braço? – Sua voz estava baixa, como alguém que sabe que pisou na bola.
-Não tente puxar conversa – As palavras saíram como balas, não que eu realmente não quisesse falar algo, eu só não queria ter que prestar atenção nele.
-Agora ou pra sempre?
-Só ambos, ta bom. – Eu fiquei pensando na sua pergunta. Agora ou pra sempre. Um arrepiou percorreu minha espinha, quanto tempo ele pretendia ficar na minha vida?
-Sabe acho que sei por que sua esposa o largou. Você é muito sensível.
SENSÍVEL?
-Sensível? Quando foi que você chegou a essa conclusão, foi quando a bala dilacerou meu braço? Hein? Sabe eu fico muito feliz que você não tenha medo de nada. E também fico feliz que você tenha esse olhar que é capaz de rastrear assassino a dez quilômetros de distancia de tanto perseguir terrorista. Mas nós vivemos numa sociedade, numa sociedade existem regras, é isso que nos separa dos chacais e das hienas!
-Chacais e hienas?- Ele me olhou de forma imprudente, alias, apesar de estar dirigindo e apenas com um braço, eu simplesmente não pude evitar o contato visual.
-O planeta animal, e isso não é o ponto! A primeira regra é,quando alguém é atingido, você não espera por uma ocasião especial para agradecer ou pedir desculpas! – Ele falava ao mesmo tempo- Sinto muito – Mas eu prossegui mesmo assim – Você não tem que esperar o aniversário – Sinto muito- Ou o maldito dia do presidente... - Ele levantou o tom:
-Sério cara, eu realmente peço desculpas.
-Tá bom.
-Era o que eu estava tentando fazer desde o inicio da conversa.
Ele não sabia. Mas á três segundos atrás eu já tinha perdoado. Não por que ele tinha razão, nem porque a dor no meu braço diminui, mas simplesmente porque eu não consegui odiá-lo. Simples assim.
Quando você esta de mal com alguém, é preciso muito esforço para perdoá-la. Mas ele havia criado uma nova habilidade em mim. A fúria lentamente se esvaia. A analogia mais perfeita era como o céu daquele lugar. Podiam aparecer algumas nuvens, mas eventualmente o vento soprava e o sol voltava a brilhar. Ser azul era a condição natural do céu e nada, absolutamente nada poderia mudar isso.
Então seria assim, não importava quantas vezes ele me irritava, em algum ponto durante a discussão, meus gritos seriam forçados, porque eu já não tinha mais ódio algum para sentir. Era aquela coisa no fundo do seu olhar que danificava meu processo natural de sentir as emoções convenientes.
-Suas desculpas foram recebidas. Mas a aceitação esta pendente.
-Então me avise quando aceitar.
-É. Eu te aviso.
E mais isso. Parecia que eram anos e não minutos que eu o conhecia. A amizade que você faz no colégio com seu melhor amigo, durante no mínimo três anos, estava lá, pronta. Como uma lembrança adormecida. Era quase uma necessidade, era doloroso ficar em silencio quando eu queria lhe dizer tantas coisas. Quando eu queria saber tantas coisas.
O que ele havia passado, porque ele não estava em prantos, ou eventualmente de mal – humor. Será que ele queria falar comigo porque era saudável para parceiros, ou porque ele sentia o mesmo?
-Vire a esquerda.
-Por quê?- Ordens, de novo.
-Conheço alguém que pode nos ajudar
Chegamos numa lojinha, no fundo dela um japonês simpático de olhos miúdos cumprimentou efusivamente Steve. Nós conversamos por um tempo, Steve sabia que ele tinha contatos, mas o cara não tava a fim de liberar.
Então ele disse:
-Você não entende, eu não posso mais ser da policia.
-Por quê?
-Me acusaram de suborno.
Chin Ho Kelly foi saindo quando Steve perguntou em alto e bom tom:
-E você aceitou o dinheiro?
-Desculpa?
Meu Deus, aonde ele ia ele arrumava confusão.
-Eu perguntei, se você aceitou o dinheiro.
Chin parecia um dragão chinês quando respondeu:
-Não.
-Então faça parte da minha equipe.
-Porque vai confiar em mim?
-Porque meu pai confiou.
Percebi, que apesar de apertadinhos, os olhos de Chin estavam mais molhados que o habitual. Ai eu entendi o que Steve fez. Um calor aqueceu meu coração de forma confortável. Ele havia dado uma segunda chance a um homem de bem. Não sabia que eu podia sentir orgulho das coisas que ele fazia. Mas pelo visto muitas coisas iriam ser partilhadas de agora em diante.
Fomos então a um quiosque perto da praia, onde vendiam gelo com cobertura. Atrás do balcão estava um dos maiores caras que eu já tinha vista na vida. Mas algo na sua expressão o tornava amigável.
-Kamekona!
A mão de Chin sumiu na dele. A batida não foi um estalo, foi um tapa numa poltrona de couro.
-E ai bro, vai querer um sorvetinho?
-Eu preciso de um nome.
A cara do gordão azedou.
-Manda os forasteiros saírem. Espera...
Ele esticou a enorme mão para Steve e fez uma cara de quem estava louco para ser subornado.
Steve colocou uma nota e foi saindo quando o Kamekona replicou:
-Ah, essa daqui ta se sentindo tão sozinha...
Descontente ele alcançou outra nota, o gordão agilizou ordens:
-Duas blusas e dois sorvetes de chocolate.
-M – McGarret pediu como se eu fosse usar também.
-Só extra g bro, minha cara não cabe em nada menor.
Ele esticou uma terrível cabana azul com sua cara estampada no meio.
Eu disse que não ia usar? Doce ilusão. Eu me senti uma freira de bata com aquele enorme vestido. O sorvete queimava na minha mão, mas eu não estava a fim de comer nada, nem Steve.
Uma garotinha muito bonitinha se aproximou de nós, ela olhou Steve da cabeça aos pés e largou:
-Você é um tira. – Ela sorriu por ter deixado ele desconcertado.
-Não, eu não sou tira, olha aqui, pega esse sorvete e volta pra sua mãe. – Steve sussurrava ordens como se estivesse falando com um companheiro de batalha.
-Eu não gosto de sorvete. – Ha, bem-vinda a turma. Só me diz agora que você não gosta do Hawaii e te apresento a Grace. Grace! O bichinho de pelúcia!
Larguei o meu sorvete com McGarret enquanto pegava o enorme urso rosa no banco de trás:
-Ah, eu tenho algo que acho que você vai gostar.
Ela abraçou o urso no instante em que o viu e quase sumiu atrás ele de tão pequena que era. Era muita fofura para uma garotinha só.
Steve me olhou estranho:
-O que foi?
Ele ia falar alguma coisa quando uma risada desenfreada veio atrás de nós, Chin com certeza estava se divertindo.
-É melhor você ter um nome.
McGarret, eu e Chin fomos ao endereço indicado. Eu fiquei esbabacado pelo tamanho do prédio que a Governadora tinha alugado para nós. Era uma mistura de Washington com Cuba. Uma estátua tipicamente Havaiana ficava na frente, no centro do gramado circular, e havia um jardim em sua volta.
A estátua particularmente me chamou a atenção. Uma das mãos estava esticada para frente, como se tentasse alcançar algo, a outra segurava um lança. Era feita de alguma pedra negra, e eu gostaria de acreditar que os detalhes douradas, seu tapume, o topete da cabeça e a espécie de manta sobre o seu corpo não utilizavam ouro.
Lá dentro alivio, pelo menos ali eu me sentiria em casa. O piso cinzento e polido, as paredes sem muita cor, nada amarelo e vermelho ou qualquer outra cor que me lembra-se o calor. Divisórias de vidro com armações de madeira escura davam classe ao lugar. As cortinas persianas brancas acentuavam a impressão de que eu estava longe do Hawaii.
Steve me indicou uma sala relativamente grande, uma escrivaninha de madeira nobre já estava lá, e havia também uma estante da mesma linha, muitos equipamentos ainda estavam empacotados e muita movimentação ocorria, acerto de iluminação, ar condicionado. Ser queridinho pela Governadora era outro nível.
-Essa é sua sala. – Ele sorriu, havia uma certa satisfação no seu olhar.
Voltamos para o calor, precisávamos de uma isca para Sao Ming e tinha de ser um rosto desconhecido.
Nas ondas que quebravam, uma surfista bem maronbada desfilava sobre a água. Um típico ulahu, se atravessou no seu caminho. Só deu pra ver as pranchas se chocando no ar e os dois voltando para terra.
-Aquela é sua prima?
-Cuidado com as palavras, vocês dois. -Chin advertiu, ciúmes de primo?
-Ela surfa muito bem.
-Ela esta acima da média, ela era profissional, só que estourou os joelhos, isso acabou com ela, então ela se refez na carreira policial, ela é muito boa também por sinal, pena que é da família, nunca vão levá-la a sério.
Os dois vieram andando pela praia, a prima de Chin chamou a atenção do forasteiro, assim que ele virou o rosto, ela meteu um gancho no seu rosto e completou:
-E pense duas vezes antes de se atravessar na onda de alguém de novo.
Assim que viu Chin ela correu para lhe dar um abraço. Nunca pensei que iria achar uma mulher sem maquiagem bonita, com certeza elas parecem menos fantásticas, mas aquela garota tinha o que se chamava de beleza natural, na realidade seria uma ofensa se ela colocasse um pingo de maquiagem em seu rosto, de traços orientais. Sua pele era de um dourado provocante e seu cabelo estranhamente liso, mas prático, como sua personalidade. Ela tinha um corpo muito angular e firme, não fosse pela magreza quase não haveria feminilidade nele. Aquilo me agradou de uma forma perturbadoramente estranha. Por que estava me interessando por mulheres fortes?
-E esse é o detetive Danny Williams.
Ela me estendeu a mão, eu balancei de forma gentil e permaneci segurando mais tempo que necessário. A verdade é que eu estava sendo um covarde filho da mãe. Meu plano, ou a parte mais ardilosa de mim, havia planejado começar um flerte com ela. Para que eu pudesse me distrair da razão das minhas preocupações. Ela seria a prova dos nove, se eu gostasse do seu toque gentil, então eu continuava sendo eu mesmo. E eu gostei. Chin então interpelou:
-Pode soltar.
Eu olhei para Chin e estaquei por dois segundos.
Eu estaquei pelo que vi atrás de Chin.
Seus dois olhos azuis exibiam a assustadora expressão de...ciúmes!
-Esta interessada em ganhar uns créditos extras?
Seu tom de voz foi, o pelo menos me pareceu exageradamente galante, então eu senti uma absurda vontade de mandá-la comprar créditos se ela quisesse algum, além disso, que ela parasse de sorrir para McGarret daquele jeito, ele não estava disponível.
Esses pensamentos atravessaram rápido demais meu cérebro antes que eu pudesse bani-los. Então eu percebi que talvez, ou com certeza, meu olhar estaria igual ao dele.
Ciúmes.
Ahhhhhhh!
Aquele homem estava desregulando todos os meus sistemas, todas as minhas certezas estavam em reformas, a minha vida já estava um caos, e agora minha mente também.
Dentro da carga do caminhão, repleto de equipamentos moderníssimos de escuta, eu me sentia mais uma sardinha do que um agente especial. Para atrapalhar meus pensamentos, estava muito quente aquela lata gigante, metade dos botões que havia lá eu não sabia usar, e ficar sentado olhando para uma tela não me fazia sentir potente.
E ainda havia ele. Perturbadoramente bem com aquele colete a prova de balas, e aquele rosto a prova de negações.
E era o que eu estava fazendo. Negando. Eu estava me negando a suprimir qualquer pensamento que eu tinha sobre ele. Porque isso me ajudaria a entender o que aquela parte da minha mente tanto se fascinava com ele.
Era só mais um cara.
Não. Replicou a outra parte, definitivamente não era só mais um cara.
Eu resolvi discutir os pontos então. Eu era um homem. Não mais um adolescente.
Gostava das flores, bem desabrochadas. E agora depois de ser um homem feito, um cravo me chamava atenção?
Um cravo não. Pensou a parte desobediente de minha mente, uma enorme escultura de sebe, com os detalhes talhados na medida certa.
Olhei ele mais uma vez antes de prosseguir a escuta. Suas sobrancelhas franzidas sobre seus olhos, de um azul acinzentado, suave como um creme de anis. O nariz fino descendo até quase encostar-se a sua delicada boca, a barba relativamente feita. Seus cabelos castanhos acinzentados pareciam ser extremamente suaves ao toque, e agora que eu havia notado, havia tufos grisalhos espalhados perto das têmporas. Olhei novamente sua pele, era um chocolate com leite muito fraquinho, que possuía um brilho acetinado, era tenaz e marcava seus músculos.
Não, ele não devia ter quarenta anos. Me lembrei da conversa que tivemos na sua praia particular. Ele era da marinha, talvez a preocupação tenha produzido os cabelos grisalhos.
Agora isso era preocupante.
Achar ele bonito e atraente era até certo ponto aceitável. Mas se preocupar com o que passava naquela cabeça desmiolada não era.
Aquilo iria me fazer mal, eu sentia. Seu olhar se tornou maníaco quando descobriram a Kono, ele sentou no banco do motorista com os lábios serrados, e pôs as duas mãos no volante.
Mais tarde eu iria descobrir que aquele era o sinal dele para "perdi a razão, vou fazer merda".
Invadimos o deposito, e McGarret foi até o fim para pegar Sang Ming. Depois disso ele foi para um container, ele, Chin e Sao.
Não sei como ele interrogou o asiático convencido, mas o cara saiu de lá com uma bochecha sobressalente.
Estávamos no meu Camaro, mas quem dirigia era ele, imaginei inocentemente, que não haveria problema ele dirigir meu carro de vez em quando, afinal, era um Camaro V8. Mas, mais tarde também iria descobrir que ele jamais me deixaria dirigir MEU próprio carro de novo, a menos que ele estivesse com todos os dedos engessados.
Tá era um p. de um carro, mas agora tudo que era meu o McGarret iria botar as mãos e não me deixar mais manusear?
Eu tive que suprimir um risinho, quando vi ele trocando de marchar e um pensamento sujo invadiu minha mente.
Steve não me importo se você quer dirigir meu carro, só vai ter que manusear outra coisa por mim também.
Ele estava discutindo com a governadora. Ele queria invadir um cargueiro chinês, porque achava que Hess estava lá. A governadora explicava didaticamente, que se ela impedisse a livre transição de uma propriedade de outro país, aquilo iria causar um atrito diplomático. Mas ele não ouviu.
-O barco ta indo embora, o que vai fazer?
Terceira vez. Ele fez um olhar maníaco versão três e checou a arma, meu estomago deu uma manobra de skate, flip-back-flop, ou algo assim.
Mesmo segurando arma colocou as duas mãos no volante. Eu gemi descontente.
Steve acelerou o carro com a delicadeza de um elefante, teria de comprar pneus novos. Me sentindo no jogo Need for Speed, o som do terror ecoou, eu não tive escolha, poderiam ser minhas ultimas palavras:
-Alô?
-Porque você não foi buscar a Grace, você sabia do horário... - Depois disso eu só ouvi um blá blá agudo.
-Escuta, eu avisei, eu mandei duas mensagens.
-Agora você tem que buscá-la, eu estou no salão.
McGarret fez uma curva, o carro foi para um lado, e meus órgãos internos para outro.
-Eu não posso buscá-la agora, eu estou no meio de uma coisa.
-Como não pode... - Blá, blá seus agudos perfuravam meus ouvidos.
-Cancele isso, ou manda um motorista buscar ela, não vai ser a primeira vez que vai fazer isso.
-Ah, mas que inferno Daniel, nunca dá pra contar... -Blá blá.
-Só faz um favor pra mim – Meu tom de voz se tornou suplicante.
-O que? – Ela replicou impaciente.
-Avisa a Grace que o Danno ama ela.
Eu desliguei o telefone, determinado a me focar na missão. Estávamos quase subindo a rampa, no meio de toda aquela tensão, quando eu olhei para ele.
Cachorro que caiu da mudança, era a frase que eu pensei quando vi seu rosto, era inevitavelmente gracioso como a curiosidade deixava seu rosto ainda mais bonito, me virei com raiva para frente e comecei:
-Ah ta! A Grace tinha só três anos, e eu tentava ensinar ela a falar Danny, mas tudo que saia era Danno, Danno.
-Só isso?- Ele perguntou decepcionado, o que ele esperava? Que Danno fosse o nome da verruga que eu tinha no cotovelo?
-É só isso. – Eu repliquei irritado pela derrota.
Ai eu ouvi sua voz num tom muito, mas muito suave para o GI-Joe que eu conheci a duas ou mais horas atrás.
-Que fofo.
-Fofo?- Aquela palavra saiu da boca do cara durão?
-Qual o problema, não posso achar isso fofo?
-Não não pode, isso é entre mim e minha filha. – Que ele achasse o diabo de salto fofo, mas não expressasse nada mais sobre minha vida. Principalmente se fosse para me assustar e surpreender com uma súbita expressão de agrado. Como se eu fosse um brinquedinho, que cada vez que ele apertasse uma parte salta-se uma surpresa diferente. Se ele continuasse a apertar, de outras formas, ele talvez não gostasse do que fosse saltar.
Uma parte de mim queria acreditar que ele não iria fazer aquilo. Mas ai seu pé de chumbinho já descia no acelerador. Me vi gritando qualquer coisa incoerente enquanto invadíamos o cargueiro e um saraivada de tiros descia no meu carro feito chuva. Ele abriu a porta, mais alguns tiros ricocheteariam quando ele acrescentou:
-Me de cobertura, vou achar Hess.
Eu já disso que eu odeio ele? Talvez eu não diga com freqüência o suficiente, então a primeira coisa que irei fazer amanhã vai ser segurar o seu lindo rostinho com minhas duas mãos e dizer palavra por palavra, Eu te odeio, Steve Filho da Mãe McGarret. Te odeio por que você deu um jeito de entrar na minha vida e mandando em tudo. Te odeio porque a cada cinco minutos você arranja um maneira ainda mais excitante de botar nossas vidas em risco. E te odeio ainda mais, por me fazer amar tudo aquilo que eu odiava ou ignorava. O mar, o perigo, o Hawaii, a vida de detetive ao extremo, e principalmente você.
Essa declaração mental me ajudou muito, os minutos que seguiram foram UM dos mais tensos de minha vida. Estava na mira de duas metralhadoras e mais duas pistolas. Rapidamente reverti o jogo, consegui uma metralhadora e me joguei contra um container para me proteger, meu joelho direito, que já estava ferrado há alguns anos, bateu com tudo, sabia que iria me arrepender, mas só mais tarde. A adrenalina era tanta, ou a morfina do corpo, que só senti o osso bater contra o metal, nada de dor.
Eu prendi um único que escapou com vida, McGarret ainda estava no alto do container, a expressão dura, ele realmente odiava aquele Hess, e queria ter certeza de que ele estava morto.
-O que eu faço com esse aqui?
-Fiche-o Danno – Quarta vez. E a pior de todas. Ouvir o meu apelido, pessoal e carinhoso, saindo de sua boca tinha me dito trezentas e sessenta cinco coisas ao mesmo tempo.
Mas para encurtar vou listar apenas três.
Primeira. Ele era um folgado filho da mãe.
Segunda, ele gostava de mandar em mim.
Terceira, ele queria irresistivelmente, se tornar parte importante da minha vida. O que suprimia minha duvida, se ele se sentia como se me conhecesse anos. Ele estava desesperadamente tentando "re" alcançar esse nível de intimidade rapidamente. E a pior de todas as constatações, eu gostei disso.
- O que eu lhe avisei? – Meu tom não foi ameaçador do jeito que eu queria, porque na metade de minha ameaça eu prestei atenção no seu sorriso e me derreti todo. Ahhh! Que merda. Onde eu estava com a cabeça?
De volta a sede, meu escritório estava mais ajeitado. Colocava uma foto da Grace na escrivaninha, quando ele entrou. Suas escoriações estavam visíveis, ele usava uma tipóia no braço, ainda sim, eu o achava bonito. Eu estava pensando em emoldurar aquela cena e chamá-la de o retrato do herói de verdade. Mas tudo que saiu da minha boca foi um:
-Você esta horrível.
Ele sorriu, eu havia sido estúpido o suficiente pra largar essa. Alguém só pode ficar horrível, se algum dia tinha tenha sido ótimo.
Duas tirinhas de papeis pendiam de sua mão, ele as largou na mesa. Eram dois passaportes para um dos hotéis mais caros da ilha. Quinta e mais louca vez que meu estomago revirou. Eu iria perguntar se ele não iria me levar para jantar primeiro, quando ele cortou a linha que esse pensamento patético me levava:
-Eu sei que você não vai aceitar, mas você vai ficar com a Grace nesse final de semana, imaginei que isso seria melhor do que aquele seu apartamento.
Eu olhei as tirinhas novamente, agora eu estava comovido. Ele tinha uma sensibilidade escondida em alguma parte de seu coração de soldado. E essa parte tinha sido reservada para mim.
-Lá tem um piscina com o mar, dá para nadar com os golfinhos.
-Nadar – Eu acenei enquanto sorria descontente - Golfinhos. – Grace gostava de golfinhos, e aquele lugar, estava cheio deles, tinha medo até de abrir a privada e encontrar um saltando e soltando aquele guincho típico.
McGarret saiu e sentou numa mesa à frente, Kono e Chin estavam lá, dividindo loiras geladas.
Eu me juntei logo em seguida, os primos faziam a conversa fluir, enquanto eu tentava não corar. A impressão que eu tinha, é que havia marcas por todo o meu corpo, marcas com o formato dos olhos de Steve.
Ele me olhava sem nenhuma restrição, como se eu fosse algum tipo de obra de arte, com vários ângulos e interpretações a serem feitas. Havia curiosidade e uma pontada de desejo no seu olhar.
E eu desejei ardentemente que não fosse verdade. Eu me joguei na cama. Os flashes, de tudo que tinha vivido, passavam numa velocidade absurda quando eu fechava os olhos. Mas eles diminuíam quando a lembrança era Steve.
Então o sono venceu, eu me lembrava vagamente da primeira discussão, se eu sabia nadar. Isso deve ter estimulado minha mente, exageradamente.
