Prólogo
Os olhos.
Eles eram azuis e aquela foi a primeira coisa que eu percebi.
Eram azuis e eram tão intensos que tudo a minha volta parecia desaparecer.
A segunda coisa que eu percebi foram as covinhas.
A terceira, os cachos escuros por baixo da boina.
Não houve uma quarta.
Tudo que eu conseguia pensar era na inocência tão deslocada que aquele rosto de adulto conseguia ter. Naquele ar tão... familiar.
Alguma coisa ali parecia sussurrar insistentemente em meus ouvidos que eu o conhecia.
Mas ao mesmo tempo, era como se eu não devesse – ou não daquele forma, pelo menos.
Eu queria me aproximar, eu precisava chegar perto dele.
Até que ele me olhou.
Foi como se todas as peças perdidas de um quebra cabeças se fundissem em meu cérebro com uma velocidade que chegou a me assustar.
A noite, a floresta, a caçada, o humano assustado.
Era ele.
Era ele o homem que, sem saber, eu havia salvado das garras daquele urso.
