Postei outro dia uma fic de The Mentalist, foi a primeira que escrevi, e acabei me empolgando. rs
Estreio aqui um projeto ambicioso: uma estória que passeia na minha cabeça a um bom tempo e só agora criei coragem pra botar no papel.
Pra isso funcionar, vou precisar pegar algumas licenças poéticas, até mesmo pra ser possível uma equipe do estado da Califórnia fazer parceria com a delegacia da cidade de Nova York.

Espero que gostem da ideia, e me ajudem deixando sua críticas - são muito bem vindas para quem está começando a escrever.
Disclaimer: Embora seja apaixonada pelas duas séries, nem Castle nem The Mentalist me pertencem. :(

Numa manhã de segunda feira, o mundo esboçava ressaca de final de semana, as lojas abriam preguiçosamente, e ás 6 da manhã eles já trabalhavam:

-Bom dia querida!

-Bom dia Lanie.

-Essa gente poderia escolher morrer só em horário comercial. – Boceja o escritor.

-Bom dia pra você também Castle.

-Não dê atenção a ele Lanie, escritores não são pessoas matutinas.

-A culpa não é exatamente minha, são dos meus personagens que não se calam para que eu possa dormir. – Completa o rapaz. Beckett apenas revira os olhos e continua:

-Ok, então o que temos aqui?

-Bem, acho que vocês não vão gostar...

Cena brutal próxima ao porto. Mulher nova, cerca de vinte e cinco anos. No pescoço uma marca que denunciava o estrangulamento...
Por um instante o coração de Beckett acelera, e vem aquela sensação de déjà vu numa conexão automática com eventos anteriores.

-E eis que quem ressurge dos mortos...

-Não podemos afirmar isso Castle. Mesmo que por um milagre ele tenha sobrevivido, olhe para estes cortes, não condiz com seu "modus operandi".

Ela estava certa. A cena de crime desta vez era suja. Bastante sangue. Como gado no abate, a mulher contabilizava cortes profundos, por onde o sangue parecia ter jorrado até se esvair.

-Exatamente Kate, temos uma incoerência aqui. A moça sofreu cortes por todo o corpo, mas a quantidade de sangue não condiz com as feridas. Acredito que tenham sido feitos após a morte, mas só poderei confirmar depois de analisar o corpo no laboratório.

-Ok Lanie... Espô, Ryan, algo que ajude a identificar a vítima?

-Por enquanto não, começaremos a varredura do local do crime, vasculharemos os prédios próximos e as caçambas de lixo na tentativa de encontrar seus pertences.

-Me mantenham informada, por favor. Vamos Castle.

O escritor a acompanha até o carro, sem proferir uma palavra sequer. Aquilo definitivamente era estranho, se havia algo que nunca faltava a Castle, isto eram palavras. Beckett começa a se preocupar com sua reação.

-Castle... Não foi ele. – Diz a detetive para o namorado sentado no carona.

-Sabe da minha opinião, se eu fosse você, não estaria tão certa disso.

-Rick, olhe pra mim. Você atirou nele, várias vezes, e ainda o viu despencar de uma altura superior a 40 metros. A menos que ele tenha sangue felino, não poderia ter feito isso.

Ele a olhou com os olhos tristes e um pouco assustado. Acenou com a cabeça em silêncio, como quem diz "ok". Mas Beckett o conhecia como ninguém, sabia que essas explicações não foram suficientes para espantar os fantasmas que vagavam na mente de Castle. Ele não acreditava na morte do Assassino Triplo, e talvez nunca acreditasse, a menos que pudesse ver seu cadáver inerte, e ainda sim, precisaria tocá-lo para se certificar. Em parte não era capaz de culpá-lo. A mesma criatividade que o tornava cativante e capaz de acreditar em extraterrestres, o impedia dormir a noite, pensando em quando Tyson atacaria novamente.
Kate sentiu pena. Imaginou o tormento que a vida de Castle se tornou desde que este assassino cruzou seu caminho. Quando parecia que tudo estava resolvido, os fantasmas resolvem vir a tona. Sim, os fantasmas retornaram. Embora a competência policial de Beckett a impedisse de utilizar esse tipo de conjectura, não poderia negar que havia algo naquela cena que a fez estremecer. Um calafrio subiu pela nuca, quando se lembrou da garota estirada, o pescoço marcado, os cortes pelo corpo, abandonada em um beco próximo ao píer. Seus vizinhos naquela noite eram apenas os galpões que abrigavam os contêineres do porto. Nada se encaixava: O que ela estaria fazendo ali? Quem seria a garota? O que a fez merecer uma morte tão brutal?
A princípio a possibilidade de um assassinato efetuado por um psicopata treinado parecia perfeitamente cabível, mas ela não se deixaria levar por estes pensamentos, não era o trabalho dela. Seu trabalho consistia em analisar provas, evidências que construiriam como esperado, uma história com sentido, e rechaçaria qualquer possibilidade de um serial killer ressuscitado.
Pararam em uma lanchonete para comprar café e seguiram para a delegacia.

Sem muitas informações, restava a busca pelos desaparecidos. Em vão. Nada constava no sistema. Horas perdidas sem nenhuma pista sobre a identidade da vitima. O telefone toca, ascendendo a esperança de Beckett às informações que os conduziriam a algum lugar.

-Preciso falar com você, já tenho o resultado da hora da morte e algumas observações a fazer.

-Sou toda ouvidos Lanie.

-Não querida, mais que seus ouvidos, preciso de seus olhos.

O pressentimento não era bom, ao chegar ao necrotério, a seriedade no rosto da legista confirmou seus temores.

-Acho que você não vai acreditar no que vou falar. Morte por volta das 22:00h. Causa: Estrangulamento.

-Não sendo a causa da morte, os cortes foram feitos antes ou depois?

-Bem, aí começa a ficar estranho. Embora não seja o que a tenha matado, os cortes foram feitos com ela ainda viva. A quantidade de sangue na cena do crime não bate por uma razão...

-O corpo foi movido?

-Acredito que sim, mas ainda não terminei. Está vendo as marcas no pescoço? – Beckett consentiu e fez sinal para que continuasse. –Causadas por uma corda de nylon. Não lhe parece familiar?

-Não é possível...

-Também não há sinal de impressões digitais.

Castle permanece em silêncio, não havia dito muitas palavras desde que deixaram a cena do crime. Seu silencio era perturbador, e Beckett mais do que nunca, desejava que seu parceiro não estivesse com a razão.

-Antes de considerar estas hipóteses, precisamos achar o local exato do crime.

Mal a detetive termina de falar e o telefone toca. Era Ryan. Dizia ter encontrado algo que parecia o local de um assassinato, provavelmente a cena que estavam buscando.
Deslocaram-se com velocidade, Castle e Beckett, na intenção de matar de uma vez por todas aquelas suposições absurdas. Mas ao chegar à cena do crime, esperando encontrar algumas respostas, tudo o que acharam foram novas perguntas:

Um galpão a uns 2 km do corpo. O chão estava coberto de sangue. Uma fresta de luz do dia entrava pelo telhado desgastado e incidia sobre uma parede, onde caprichosamente pintado com sangue, um rosto sorridente acenava bom dia.

Continua...

Eu sei que Castle é bem mais leve que The Mentalist, por isso escolhi um caso recorrente e perturbador para mesclar, mas não se preocupem, vou voltar com o bom humor do nosso escritor assim que o choque passar, rs. Espero conseguir equilibrar o resultado, trazer um pouco do drama vivido por Jane para Castle, ao mesmo tempo criar situações cômicas com Jane interagindo com Beckett, para diversão (ou não) da Lisbon. No próximo capítulo, introdução da nossa equipe experts em sorrisos vermelhos. :)