O som das ondas, chocando contra al rochas, era bem relaxante.E nesses momentos, o que mais necessitava era relaxar. Ele, que sempre soube manter a calma, até nos momentos mais difícies, estava a ponto de ter um colapso nervoso. Era isso que, simplesmente, não compreendia. Ele, Yamato Ishida, com vinte e oito anos, estava novamente caindo em sua própria escuridão, em sua própria miséria. Ele um homem com êxitos, casado há seis anos com uma mulher maravilhosa, com a qual tinha uma menina adorável de quatro anos e que em alguns dias cumpriria cinco, com excelentes amigos...E a um pequeno passo de divorciarse.

Virou para sua esquerda, observando a pasta que continha os documentos do divorcio. Tudo que tinha que fazer era assiná-los, enviá-los a sua mulher, esperar que ela os assinasse, enviá-los ao advogado e pronto; estariam divorciados, pelo menos aos olhos da lei, e ainda que eles se casaram na igreja também, não existia nenhum registro de que alguma vez alguém tenha se divorciado diante a igreja, por tanto era muito relevante...So teria que assinar, não podia ser mais simples, so colocar sua assinatura nesses papéis...Então...Por que isso lhe era tão difícil?Suspirou e olhou para o céu escuro. Sabia que era sua culpa, sempre soube. Ele e seu trabalho, ele e sua falta de coragem para enfrentar os problemas. Teve a oportunidade de evitar tudo isso, quando os problemas começaram, quando começou a por seu trabalho antes da sua família; mas no lugar de enfrentar a situação, de dizer a seu chefe que não podia estar em órbita por mais de três meses, porque tinha uma família para cuidar, decidiu ir, aceitando todas as viajens que lhe propunham, utilizando seu trabalho como uma saída. Sabia que o que fazia era ruim, mas não quiz admitir quando pôde, em vez disso colocou a culpa nela, dizendo que não o apoiava suficientemente...Quando o certo era que sempre o apoiava em tudo, sem protestar.

Mas as coisas saíram de controle depois da sua última viajem ao espaço, há dois anos, e que durou dezoito longos e agonizantes meses.Quando o avisatam desse lançamento, sua mulher o havia dito que não fosse, que era muito tempo, mas ele disse que iria sem se importar com o que disse, que precisavam do dinheiro, ainda que esso não era verdade, nunca lhes havia faltado dinheiro, mas nesse momento não le ocorreu nada a dizer. E alí começou a discussão. Ja nem se lembrava o que tinha dito. No dia seguinte, foi viajar. Esteve um ano e seis meses pensando o fazer pra concertar as coisas e tomou uma decisão. Ao chegar na Terra, foi falar com seu chefe e lhe esplicou a situação, mas ao contrário do que esperava, seu chefe o compreendeu, dizendo que não se preocupasse, que ele também tinha uma família, que sabia o que estava lhe passando. Seu chefe lhe disse que veria uma forma de tranferí-lo para a sede central da NASA em Tókio, mas ainda assim teria que realizar algumas viagens, ainda que estas se reduziriam ao mínimo.

Logo depois disso, fue direto para casa, para dar a boa notícia a sua adorada esposa. Mas nessa noite, em chegar ali, a realidade que havia fugindo...O golpeoufortemente no rosto...

"Sora..."- susurrou.

bFlash Back.../b

Entrou em seu quarto, encontrando com Sora, que estava arrumando umas malas. Yamato sabia que ela havia notado sua presença, já que não havia sido silencioso ao entrar.

"Sora?" - a chamou.

Não recebeu resposta alguma, então soube que estava realmente chateada.

"O que está fazendo?" - tentou novamente

"Estou fazendo as malas. Não vê?" - lhe disse friamente.

Seu tom o tomou de surpresa. Ela jamais havia falado assim, por mais chateada que se encontrasse. Então começou a se chatear. Ele havia chegado com todas as intenções de solucionar os problemas e recebe sua frieza em troca?

"Aonde vai?" - perguntou.

"Eu não irei a lugar nenhum"

"Então o que significa isso?"

Sora se voltou para responde, mas uma voz a interrompeu.

"Papai..."

Ambos voltaram-se para a porta, para ver sua pequena filha parada junto a porta do quarto, com uma expressão de sono no rosto.

"Chegou..."- disse a menina, o sono presente em sua voz.

Sora caminhou até ela, agachando-se a sua altura. "Haruko, linda, vai dormir que é muito tarde para que esteja acordada..."- disse ternamente.

A pequena bocejou. "Quero que o papai me leve para dormir..."

Sora mirou Yamato de lado. O loiro se aproximou e pegou a menina em seus braços, levando-a para seu quarto.Sora observou até que se perdeu em lágrimas, levando suas mãos ao rosto.

"Deus...Não quero fazer isso, mas já não tenho outra opção...Por favor, dê-me forças para suportar." - susurrou.

Enquanto isso, Yamato estava cobrindo sua filha.

"Papai.."disse a pequena, mirando-o com seus lindos olhinhos azuis.

"Sim?"

"Você vai embora?

"Mas se acabei de chegar."- disse rindo.

"Não dizia isso."

"Então o que?"

Haruko o mirou um momento. "Não vai nos deixar...a mamãe e a mim?" - perguntou.

Yamato a mirou supreendido. "Claro que não.O que te faz pensar isso?"

A menina sorriu. "Nada. Me promete que nunca nos deixará?

"Te prometo."

"Boa noite, papai..."- susurrou, fechando seus olhinhos azuis.

Yamato beijou sua testa. "Boa noite, cielito..."- murmurou.

Saiu cuidadosamente do quarto de sua filha, dirigindo-se ao seu. Ali viu Sora, sentada na cama, cubrindo o rosto com as mãos, Se aproximou preocupado, tinha o leve pressentimento de que o que veria não o agradaria em nada. E não se equivocou.

"Sora..."

A ruiva respirou profundamente, não queria fazer o que ia fazer, mas já não havia outra alternativa, Yamato a tinha obrigado a tomar essa decisão e agora não voltaria atráz.

"Quero o divorcio, Yamato."- disse sem olhar-lo, sabia que se o visse, não poderia seguir adiante.

Essas palavras, derrubaram seu mundo, essas simples palavras, as que sempre temeu, se convertiam em sua cruel realidade.

"Por que...?"- susurrou. "Já não me ama?"

Teve que fazer um grande esforço para não chorar, ele estava tão...destroçado."Não...Não é isso."- disse.

Yamato ocultou seu sofrimento mostrando sua raiva. "Então o que é?... Por acaso tem alguém mais?"- disse, começando a se desperar.

"Não há ninguém."- disse, levantando-se

"Então por quê?"- gritou.

"Porque estou cansada, Yamato, cansada!"- gritou encarando-o

O loiro permaneceu em silêncio.

"Estou cansada de que deixe sua família de lado por causa do seu trabalho, estou cansada de que fuja cada vez que há problemas entre nós, estou cansada que se comporte como uma criança mimada...Estou cansada de que não cumpras com o que disse..."- disse, sussurando a última parte.

Yamato permanecia em silêncio, sem se atrever a mirá-la. Sora continuou.

"Me prometeu...Prometeu que jamais deixaria de lado a nossa família, passasse o que passasse...Mas ao meu ver, para você as promessas não valem nada..."

"Por favor, Sora..."- tratou de suplicar, mas não houve efeito.

"Pegue suas coisas e vai embora."- disse, dando-o as costas.

Yamato não queria acreditar no que estava acontecendo. Ia suplicar que não fizesse isso, que lhe desse outra oportunidade. Mas seu orgulho foi mais forte que ele.

"É isso que você quer?"- perguntou, mas não obteve resposta. "Muito bem, então. Será como você quizer."- disse, pegando suas coisas, para ir embora.

Sora, ao escutá-lo disser isso, perdeu essa pequena esperança que guardava, por se Yamato disse que não queria chegar a esses extremos.

Soltou um soluço abafado. "Meu advogado te chamará dentro de uns dias, para começar com os preparativos do divorcio."- disse.

Yamato emitiu um suspiro. "Como queira."- se dirigiu a porta.

"Fizeste com que a história se repetisse..."- susurrou Sora, fazendo com que o loiro parasse. "Me fez exatamente o mesmo que seu pai fez a sua mãe."

Isso doeu muito, mas não disse nada, só saiu da casa o mais rápido possível

Fim Flash Back.

Já havia passado seis meses desde então. E ainda le custava acreditar que estava vivendo seu pior pesadelo. Alugou um apartamento na cidade, onde passava a maior parte do dia. Não tinha que trabalhar, pois seu chefe lhe havia dado um merecido descanso.

Yamato sabia que Sora tinha razão no que disse. Mas ele não quiz aceitar até então. Não queria aceitar que estava sendo igual a seu pai. Não queria admitir, até essa manhã, mas já era tarde demais.

Esses seis meses haviam sido um agonia para os dois, mas nenhum foi coragem o suficiente para admitir. Ao principio dos meses, só se viram em duas ocasiões, para discutir uns assuntos sobre o divórcio; o ao menos isso diziam, querendo acreditar que não havia outra razão, mas o certo era que havia outra razão e era simples: desejavam se ver. Mas depois do que passou no seu terceiro encontro, há dois meses, deixaram de falar-se, sendo controlado por sua própria dor, permitindo que seus advogados terminassem de preparar os assuntos do divórcio.

Voltou a olhar a pasta com os documentos, desta vez com desprezo.'Necessito de ar...' pensou e saiu na sacada.

Estava curioso em saber que estava na praia, em pleno inverno, na casa que havia comprado no ano em que nasceu sua filha, que estava de frente para o mar. Mas não le ocorreu outro lugar onde poderia acalmar sua mente, limpá-la de todos os seus problemas por alguns momentos e assim poder pensar com claridade. Além do mais, a brisa marinha sempre o relaxava. Havia chegado ao meio dia, e desde então, estava trancado dentro do quarto. Mas ao estar ali, só se recordava todos esses momentos, em que havia escapado junto com Sora para esse lugar, só para passar um tempo a sós, longe do mundo, longe da realidade. Ou as férias que passaram ali, junto com sua filha, em família. E essas recordações não o ajudavam em nada.

"Por que tinha que terminar assim?"- susurrou.

Olhou sua mão esquerda, onde tinha a única prova de que ainda estava casado: sua aliança...Mas logo, já não estaria ali...

"Pude ter lhe dito a verdade naquele dia, mas não disse...Fui em covarde e fui para longe de você..."- disse.

Em seu último encontro, há dois meses, haviam decidido jantar; melhor, ele havia insistido nisso. Durante o jantar, ele começou a beber de pouco algumas taças de vinho e, sem se dar conta, bebeu mais do que o necessário. Ao terminar o jantar, era mais que obvio que ele não estava em condições de dirigir, por isso Sora dirigiu. Ela o levou para sua casa, que ainda era do dois. Mas ao chegar ali, aconteceu algo que nenhum deles esperava, mas que ambos desejavam com todo seu coração. Era certo que ele estava bêbado, mas não o suficiente para esquecer o que aconteceu. Recordava tudo, tudo o que fizeram, tudo o que disseram, todos os Te amo que Sora lhe susurrou ao ouvido e todos os que ele respondeu. Recordava tudo, e era precisamente por isso, que ainda lhe doía tanto seu coração destrosado.

Na manhã seguinte ele havia acordado com a esperança de que tudo entre eles havia mudado. Mas não encontrou Sora ao seu lado. Logo depois de se vertir, saiu a procurá-la e a encontrou na sala. Estava chorando. Então se preocupou e a chamou, duvidoso; mas sua dúvida era o porquê do choro. Mas o que escutou depois, foi o que partiu profundamente seu coração."Não, Yamato...Ontem anoite, aquilo nunca deveria ter ocorrido, nós não deviamos ter feito isso, foi um erro...Um terrível erro...Agora vai, por favor, não quero te ver..."- foi o que Sora lhe disse, enquanto chorava sem descanso.

Não foram as palavras que realmente o feriram. Foi o arrependimento que havia em sua voz que o machucou no mais profundo de si, como jamais imaginou. Mas quando estava indo, quiz dizer a verdade, quiz dizer o quanto a amava. Mas uma palavra desses lábios que adorava o deteve. Um Adeus o fez ir embora como um covarde.

Desde então, esse recordação dela o atormenta. Ainda assim, seu machucado coração, se recusava a compreender que já não havia volta, pois ainda conservava essa pequena esperança, segurava-se nela para não desejar acreditar que tudo estava perdido. Inclusive depois de receber os documentos do divórcio essa manhã.

Começou a perceber que não conseguia relaxar sua mente, pelo menos não por essa noite, assim que decidiu que o melhor era dormir. De manhã assinaria os papéis, já que nesse momento, não se sentia preparado para isso. Tirou seu suéter e se deixou cair na cama pesadamente. Estava esgotado, necessitava dorir em paz. Fechou seus olhos, esperando poder reconciliar o sono e desejando, ao menos nessa noite, não sonhar com ela. E lentamente foi entrando nas terras de Morféu.

--

Estava triste, desesperada e muito confusa. Não sabia o que fazer. Havia passado quase todo o dia chorando desconsoladamente e ainda assim, não podia deter as lágrimas que seguiam caindo sem descanso. Tinha vinte e oito anos de vida e se sentia mais fraca do que um ancião a ponto de morer. Agradecia a sua mãe, que há uns meses decidiu levar Haruko para morar com ela por um tempo, até que tudo se acalmasse, e há um mês aproximadamente tinham ido de férias para as montanhas. Estava realmente agradecida, já que, nesses instantes, não queria que sua filha a visse nesse estado, não queria que a visse como algo que não era: Uma mulher fraca.

Voltou a tratar de deter as lágrimas. Seis meses de sofrimento, estavam a um passo de terminar, e da única forma que não queria que terminasse: o divórcio. Desde o momento em que Yamto saiu de casa (há cinco meses), havia estado lamentando-se em haver tomado essa estúpida decisão. Mas ela não havia encontrado outra solução; e ainda, não a encontrou. Mais de uma vez teve vontade de ir pedir desculpas, pedir que a perdoasse e que voltasse com ela, que esqueceriam tudo e que seguiriam com sua vida juntos; mas tinha medo...tinha medo de fazer isso e que Yamto lhe dissesse que ele já não a queria, tinha medo dele a rejeitar. E esse medo a impedia de ouvir seu coração. E as três vezes que se viram para falar sobre o assunto, o medo se fazia maior. Mas foi depois de seu último encontro, onde as coisas sairam de controle, escapando de suas mãos...Essa noite, Yamato a seduziu, e ela não fez nada para detê-lo, ao contrário, se deixou seduzir...

Flash Back…

Depois de jantar, Sora, a duras penas, colocou Yamato dentro do carro. Logo, ela se sentou não lugar do motorista. Saiu do estacionamento e se encaminharam a sua casa.

"Onde... está me levando?" - perguntou o loiro, seguido de um bocejo.

"Para casa."- lhe responde.

"Nossa casa."- susurrou, para logo depois adormecer.

Sora o viu de relance, sorrindo. Sempre a encantou vê-lo dormir, já que nesses momenteos, Yamato parecia um pequeno menino indefeso, tão lindo e terno. Agitou sua cabeça e se concentrou na direção, deixando de lado esses pensamentos, não queria ter um acidente por se distrair com essas recordações. En alguns minutos, chegaram em casa. Sora despertou Yamato e o ajudou a sair, afortunadamente, o loira, apesar de estar meio adormecido, podia caminhar quase sozinho. Ao entrar, tiraram os sapatos, ainda que Yamato demoraou mais. Se dirigiram ao segundo andar.

"Yamato, dormirás no quarto de hospédes."

"Mm..."

Sora voltou a olhá-lo e por um momento acreditou que Yamato estava dormindo, mas não era assim. Ao passar pela entrada do quarto do casal, Yamato se deteve. Sora não soube o porquê, mas pôde ver que o homem já estava acordado. E antes de poder articular alguma palavra, Yamato a colocou contra a parede, abraçando-a fortemente. Rapidamente o nervosismo se fez presente nela.

"Ya...Yamato?"

Buscou seus olhos e ao encontrá-los, se surpreendeu. Não necessitava que Yamato falasse, esses olhos azuis, tão profundos como o oceano, le disseram o que era que ele queria dela nesses momentos e lhe asseguram, também, que não aceitaria um não. Mas Sora, não sabia que fazer, ela estava consciente do que passaria e o desejava tanto como ele, mas sua razão não a permitia. Ia falar, ia pedir que se detivera, mas Yamato a deteve com um beijo.

"Só...se deixe levar...e me deixe...te amar...novamente..."- susurrou sobre seus lábios.

Yamato a estava seduzindo, ela sabia, mas não importava, já não, assim que deixou ser seduzida.. Sucumbiu ao seu próprio desejo, deixando-se levar por seu coração. Yamato a beijou novamente, guiando-a para o interior do quarto. E ali, depois de quase dez meses de estarem distantes, despois de toda essa agonia e esse sofrimento por qual passaram, depois de toda essa solidão e dor que sintiram; voltaram a se amar...

… E se amaram como nunca antes tivessem feito, se amaram com carinho, com paixão, com loucura, dando assas a todas essas emoções, liberando todos esses sentimentos que por meses haviam reprimido, jurando amor eterno uma vez ou outra, susurrando um Te amo a cada instante, entre cada suspiro, entre cada gemido... Se amaram a noite toda, sem pensar no amanhã...

Mas, lamentavelmente, nada dura para sempre.

Na manhã seguinte, Sora despertou nos braços de Yamato, permaneceu vários minutos ali, nesse refugio, desfrutando do calor que aquele corpo viril. Quiz voltar a dormir, mas não pôde, o sono a havia abandonado por completo. Não queria levantar, não pretendia fazer isso, mas precisava pensar, e estando ali, dessa maneira entre os braços de Yamato, dificultava as coisas. Sorriu e dando um terno beijo na bochecha, decidiu levantar. Se levantou cuidadosamente para não o acordar, e colocando seu robe, saiu do quarto, indo para a sala, Ali se pôs a pensar. Sabia que depois dessa noite, as coisas entre eles havia mudado e esperava de todo coração que a mudança fosse para melhor.Mas ainda havia algo que não a deixava em paz, o motivo pelo qual se havia levantado.

Tratou de acalmar as sensações que aglomeravam em seu interior, em seu coração, devido a noite anterior, acalmando-se pouco a pouco. Começou a perceber que algo havia mudado dentro dela, se sentia estranha, diferente, como si algo dessa noite havia devolvido o que sentia que havia perdido no dia em que lhe pediu o divórcio...Se sentia viva, agora, depois de tanto tempo, voltou a se sentir viva e completamente feliz...Mas esses sentimentos não duraram muito, já que, ao acalmar completamente seu feliz e louco coração, seu cérebro começou a processar todo o ocorrido durante o jantar até esse instante e, novamente, sua razão voltou a estar presente, fazendo ver a cruel realidade e recordando-se o motivo pelo qual Yamato estava ali, em sua casa, que também resultava ser o motivo pelo qual, o ocorrido da noite anterior, havia sido possível. E então, começou a cair em abismo de escuridão, do qual temia não sair jamais...

"Oh Deus...Ele estava bêbado..."- susurrou temerosa, levando as mãos à boca.

E isso era o que a estava irritando. Na noite anterior Yamato havia bebido mais do que o necessário. O que significava que o acontecido só aconteceu por culpa do álcool, ele não sabia o que fazia, ela pôde ter sido qualquer uma...Então nada do que ele lhe disse era verdade, tudo foi produto do licor e da emoção do momento. E seguramente, quando acordasse, ele não recordaria de nada. Mas ainda assim, seu obstinado coração matinha uma esperança...Uma esperança, de que talvez, Yamato não estava tão bêbado, de que estava consciente do que fez,e que se recordaria tudo ao despertar...Sem certeza, nada era seguro; se aquele homem que ainda dormia no quarto recordaria de algo, era tão provável como se ele não se recordasse. Só ficou a espera de que ele despertasse, para ver sua reação. Porque não deixaria que o medo a invadisse de novo, não sem um motivo concreto.

Sentiu que a observavam e seu coração começou a bater violentamente. Só então, percebeu que estava chorando, mas já não importava, só queria escutar o que Yamto lhe diria. E esperava que fosse o que ela queria ouvir.

"Sora?"

Essa palavra, por si só não lhe dizia muito. Sá a havia chamado. Mas foi a dúvida que havia em sua voz, que a machucou profundamente, rompendo pedaços de seu delicado coração. A dúvida. Por que duvidava?...Do que duvidadva?... Por acaso duvidava do que havia acontecido na noite anterior?...Ou duvidava si realmente havia aconticido isso...Não deveria duvidar...Não podia duvidar!...As lágrimas começaram a cair com maior intensidade...Yamato tinha que recordar, tinha que...! Mas ao que parecia, não era assim...Chorou com amargura... Só de pensar que Yamato não recordava de nada, provocou um sentimento de arrependimento nela. 'Uma vez mais...entreguei tudo o que tenho...e ele não se lembra.' pensou.

A dor e o arrependimento que estava sentindo, a motivaram a falar, sem pensar no que diria. E, novamente, lhe disse coisas que não sentia, disse palavras que o feriram, mas nesse momento, ela estava cega pela sua própria dor e amargura, para notar. Escutou subindo ao quarto, seguramente, para pegar as suas coisas, e logo desceu, parando no corredor que levava até a porta de entranda. Ela sabia que se ele ficasse ali por mais tempo, não poderia se conter e iria correndo para seus braços, sem se importar que não se lembrasse da noite em que se amaram, depois de tanto tempo.Mas seu orgulho falou por ela.

"Adeus..."- susurrou e em seguida, o escutou ir embora

Fim Flash Back.

Depois disso, os dias seguintes se converteram em um verdadeiro tormento, que continuou durante esses dois meses. Então começou a decair rapidamente. Ela admitia que nos primeiros quatro meses não cuidou muito de sua saúde, mas nesses últimos dois meses se sentiu muito mal. Decidiu que o melhor seria ir ao médico e fazer uns exámes, um checape geral. Não no Joe, que era o médico de todos os digiescolhidos, já que não queria que seus amigos se preocupassem, assim foi em outro médico. Essa manhã lhe entregaram os resultados, mas o que o médico lhe disse que tinha, jamais havia esperado. E menos nessas circunstâncias. O médico lhe disse que o mais recomendável seria que fosse a sua casa descançar e que passasse uns dias de cama, em completo repouso. Não podia correr o risco de agravar sua saúde, não agora.

Quando chegou a sua casa, recebeu uma ligação de seu advogado e este lhe disse que já havia enviado os documentos a Yamato, e só faltava que ele os assinasse, para que ela pudesse fazer o mesmo e assim estaria tudo terminado. Logo depois de receber a notícia, começou a chorar, quiz evitar, mas já não tinha forças para reprimir mais as lágrimas, não depois do que o médico lhe disse. Sabia que, se não quissesse ter problemas com sua atual situação, devia começar a se cuidar e se alimentar bem; e chorar não lhe faria nada bem, mas não podia evitar. Precisava de Yamato, precisava muito. Mas, provavelmente, ele já tinha assinado esses papéis, o que significava que queria o divórcio.

"Já está tudo perdido..."- susurrou.

A essas alturas, já não podia deter as lágrimas, que pelo menos já não caiam como antes, mas de certo modo, não queria detê-las, sentia que talvez, desse modo, aliviaria a dor pela qual passava. Leu, uma vez mais, os resultados dos exámes. Sabia que devia ter ánimo, para seguir adiante com sua vida; devia fazer, pelo seu bem, pelo bem de sua filha e pelo bem de...Deixou os papéis sobre a mesa de centro e, lentamente, começou a se render diante o cansaço, até finalmente dormir, no sofá da sala.