Have A Little Faith In Me

Você nunca fingiu saber o que era amor, não porque não o achasse digno de ser procurado, mas porque não fingia. Você conhecia o amor de seus pais, pelos seus pais, por seus amigos, mas aquele sentimento que era tanto exaltado, você nunca tinha visto, e admitia sem problemas. Afinal, você admitia qualquer coisa sem problemas.

Este era complicado, doloroso, cheio de reviravoltas sem sentido, e nunca te atraiu. No entanto, você vivia para os amores que conhecia, acreditava neles com todos os seus sentidos, e lutava por eles sob quaisquer adversidades.

Por Harry.

Quanto tempo você demorou a notar?

Foi ele quem acendeu a luz em sua vida, ampliando seus horizontes, levando-te a conhecer mais e novas formas de amar sem sequer te tocar nenhuma vez. Enquanto você, bem, você o lembrou o quanto o amor não era egoísta, o lembrou que tinha algo pelo qual valia a pena viver - valia a pena lutar - que as perdas doiam, sim, mas que elas também te faziam mais forte.

Claro, ele sempre foi apaixonado por outra pessoa, mas Ginny era como a luz do sol, capaz de cegar caso ele olhasse diretamente para ela. Não você, Luna, e seu próprio nome dizia isso. Talvez por isso não tenha se surpreendido em encontrá-lo sozinho, afastado de todos, olhando melancolicamente para o túmulo florido de Dobby.

Você tinha violetas nas mãos e a música das estrelas nos olhos, quando se aproximou.

"É o lugar mais bonito para se deixar um amigo", disse, e ele te olhou, parecendo acordar de um sono distante.

"Nós perdemos tanto..." ele sussurrou, abaixando-se e tocando as flores em torno da pedra talhada. "Ted está órfão e Fred..."

E você concordou com a cabeça, abaixando-se também para colocar as flores ao lado da pequena lápide. "Sim, mas lembre... Do véu."

"Ás vezes eu queria estar do lado de lá dele" falou o rapaz baixinho, em um sussurro de quem mal conseguia confessar. "Não sei como... Como eu posso viver com tudo isso? Como eu posso ter pensado em ter uma vida normal, como alguém pode ter uma vida normal depois..."

Você tocou a mão dele apenas de leve, sorrindo para ele.

"Se alguém pode conseguir isso, é você. Eu acredito que você é capaz."

Ele riu, sentando, e você sorriu também, sentando-se ao lado dele.

"Você acredita em tudo." Ele refrutou, e só então, você entendeu, não foi?

"Não, Harry. Eu acredito em você."

E quando os olhos dele brilharam na direção dos seus, com o primeiro sorriso nascendo por trás da dor sufocante de todo aquele pesadelo, você sentiu, pela primeira vez, a intensidade que o amor que sempre desconhecera poderia trazer.

"Obrigado", ele disse, levantando-se, e você soube que doeria, constantemente, porque ele não repararia em ti.

Mas tudo bem, não é? É uma dor boa, escondida em um sorriso satisfeito, só por vê-lo se levantar, e caminhar de volta. Lutando, pois você o fizera acreditar que ainda sabia lutar.