I'll Be Here
Nenhum de nós esperava o que estava para acontecer naquela noite. O que parecia ser um fim de dia calmo e comum se tornou no maior pesadelo das nossas vidas.
James chegara em casa com um presente para Harry, uma pequena vassoura, que ficava flutuando a alguns centímetros do chão e que deixara o garotinho encantado. Nosso filho abriu ao pai um sorriso lindo, iluminado, como só ele sabia fazer. Ver aqueles dois juntos me deixava feliz de uma maneira inexplicável.
Harry tinha agora um ano de vida, embora fosse já uma criança inteligente o suficiente para parecer ter mais. Herdara o físico do pai, mas os olhos, verdes, gentis e curiosos, eram idênticos aos meus.
- Ele vai ser uma réplica perfeita de você. – disse a James, certa noite.
Ele riu antes de responder.
- É, não há como negar que é meu filho. – ele falava brincando, mas o orgulho em sua voz era notável. James amava imensamente a nossa criança. – Mas fico muito feliz que ele tenha herdado seus olhos. Me lembrarei de você sempre que olhar para ele.
Eu acho que aquela foi a época mais feliz da minha vida. Eu tinha agora uma família, um marido que eu amava e que me amava e um filho de quem me orgulhar. Mas eu deveria saber que toda aquela felicidade nunca duraria muito tempo.
Tudo o que é bom acaba rápido.
Tinha sido uma tarde quente, a daquele dia. Mas quando a noite chegou, trouxe consigo nuvens de tempestade e uma chuva torrencial.
Fechei todas as portas e janelas da nossa casa, que era também nosso refúgio, nosso esconderijo. Estávamos escondidos há já algum tempo, tendo como único conhecedor do nosso paradeiro Pedro Pettigrew.
Eu tentei convencer James a manter Sirius como fiel do nosso segredo, sem sucesso. Sirius não queria ter esta responsabilidade, pois afirmava que era um provável alvo de Voldemort. Precisávamos zelar pela segurança do padrinho do nosso filho, também.
Mas ainda assim tudo aquilo me dava um mau pressentimento...
- Não se preocupe, - disse James, embora ele mesmo parecesse preocupado. – tudo vai ficar bem.
Eu quis muito acreditar, mas o barulho da porta sendo arrebentada não o permitiu.
- Rápido, pegue o Harry! Mantenha-o seguro! – foi tudo o que James pode me pedir, antes de me dar um último beijo e me fazer subir escada acima. – Eu atraso ele.
Eu sabia que ele não aguentaria durante muito tempo contra o Lorde das Trevas. Mas eu também precisava manter meu filho a salvo.
Corri escada acima com meu filho no colo. Dirigi-me ao seu quarto.
No andar de baixo, gritos. Eu podia escutar James e Voldemort lutando, enquanto Você-Sabe-Quem tentava matar meu marido e este tentava defender-se.
Poderia parecer estranho, talvez até errado, mas tudo o que me preocupava no momento era a proteção de Harry. Ele precisava ficar a salvo, a todo e qualquer custo.
- Vai ficar tudo bem, Harry, vai ficar tudo bem. – repetia eu, embora soubesse perfeitamente que ele não entenderia. Eu estava, na verdade, falando comigo mesma, tentando acreditar no que falava.
Coloquei meu filho no berço e olhei para ele durante instantes. Como ele era uma criança linda! Eu sentia um orgulho tão grande por ser um filho meu...
Amava-o com todas as minhas forças, e, para mim, a vida dele era mais importante do que a minha própria vida. Eu também amava James, claro, mas é impossível comparar o amor de uma mulher para com o seu marido com o amor de uma mãe para um filho. James não ficara nove meses dentro de mim.
Dirigi-me até à secretária e comecei a escrever. Não sabia se algum dia Harry leria o que eu escrevia, mas aquilo me distraía. Em meio à escrita, escutei um grito vindo do andar de baixo. Era a voz de James.
Depois, passos nas escadas. Eu tinha a certeza de que não era o meu marido quem estava vindo para o andar de cima.
Dobrei o pergaminho e coloquei-o de volta na secretária. Fui para perto do berço.
Eu não podia aparatar dentro de casa, tampouco tinha por onde fugir. Tudo o que eu podia fazer era esperar que a sorte estivesse do meu lado.
Infelizmente, ela não estava.
Após uma rápida visita pelo andar de cima da minha casa, Voldemort encontrou o quarto de harry, onde estávamos.
- Ora, ora, ora. – disse ele enquanto entrava no quarto, com um sorriso maldoso no rosto. – Achavam que podiam se esconder de mim?
Harry, que até àquela hora estivera quieto e sentado, começou a chorar ao som da voz do inimigo, como se pressentisse o que estivesse por vir.
Eu fiquei sem fala. O máximo que pude fazer foi pedir que nos deixasse, mas ele insistiu em que mataria o garoto.
Durante todo o tempo, fiquei falando em pensamento, como se Harry estivesse me escutando. Frases como "eu te amo muito, meu filho" e "eu estarei aqui" passavam pela minha mente, enquanto eu tentava evitar que Voldemort chegasse á minha criança.
No momento em que ele levantou a varinha para lançar a maldição da morte, joguei-me na sua frente, fazendo com que o feitiço me atingisse, e não a Harry.
A luz verde tomou conta do local, e a última coisa que eu vi foi o rosto do meu filho, Harry James Potter.
N/A: Vai haver mais um capítulo, com o conteúdo da carta e um pouco de 'Harry após todos aqueles anos' e etc...
