DDT5: NOSSAS VIDAS NA OUTRA VIDA
Capítulo 1
AUTORAS: Lady K & TowandaBR
DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Sir Arthur Conan Doyle's The Lost World" são propriedade de John Landis, Telescene, Coote/Hayes, DirecTV, New Line Television, Space, Action Adventure Network, Goodman/Rosen Productions, e Richmel Productions (não venham nos pentelhar).
GÊNERO: Aventura, romance, mistério, terror, intrigas, comédia, drama e umas cenas calientes (quem sabe?). Eu sei q ninguém liga p/ esses avisos, MAS, fiquem fora desta fic, crianças! Não nos responsabilizamos por qqr dano psicológico ou moral. lol.
AVISO IMPORTATÍSSIMO: Esa fic é parte da série Depois da Tempestade, composta de DDT1: Páginas Perdidas, DDT2: Desvendando o Passado, DDT3: O Retorno de um Velho Amigo e DDT4: Segredos e Verdades.
COMMENTS: Eis que estamos de volta! Agradecemos a todas as reviews recebidas no último capítulo de DDT4 e as opiniões de vocês.
TowandaBR, devido ao surto na última DDT, está proibida de chegar perto dos capítulos no momento de publicação. Ela disse que eu a censuro "só" porque ela quer matar R&M. Disse que só teve uma fic onde ela pôde ser livre, a Primordium nulla retrorsum (é muito boa).
Rox Bjos, amadas, deixem review!
Após sair do quarto de Marguerite, Ned correu até a sala onde encontrou Summerlee, que descansava de sua aventura.
"O senhor sabe onde está Verônica, professor?"
"Saiu com Chalenger. Estão trabalhando na estufa."
"Obrigado." – Malone voou para o elevador, não dando tempo para que Arthur falasse mais alguma coisa.
Há meses o cientista trabalhava na construção de uma estufa para cultivar algumas plantas mais sensíveis ao clima e aos insetos. Haviam feito uma estrutura de madeira e a revestiram com uma rede fina, especialmente confeccionada pelos Tintas, o grupo de pescadores que, anos antes, aprendeu a lutar contra seus inimigos graças a ajuda dos moradores da casa da árvore. Agora, Challenger terminava de fazer a instalação de uma cerca elétrica, garantindo proteção contra algum visitante indesejado.
Verônica ficara junto à nova cerca enquanto Challenger fazia alguns ajustes no moinho. Deveria gritar assim que percebesse a passagem da corrente elétrica pelos fios. Ned se aproximou de onde ela estava.
"O que está fazendo aqui?" – perguntou Verônica.
Ele respirou fundo, tomando coragem.
"Verônica, precisamos conversar."
Sem qualquer movimento que indicasse interesse, ela continuou arrancando algumas ervas daninhas que insistiam em crescer ao redor da estufa.
"Verônica, você ouviu o que eu disse?" - perguntou inseguro. Incrível como bastava qualquer atitude da loira para abalá-lo.
"Ouço perfeitamente. E tudo o que tínhamos para conversar já foi dito."
"Entendo o que está sentindo... Isso também não é fácil para mim."
Finalmente ela o encarou e Ned temeu ao ver a mágoa estampada nos olhos de Verônica, antes tão felizes e receptivos a ele.
"Se tem algo a dizer, diga de uma vez."
Cada palavra da loira o deixava mais inseguro, sem saber o que esperar dela. E o pior de tudo é que sabia que merecia tudo que Verônica lhe dizia. Já devia ter imaginado que, depois de tudo, ela não o receberia de braços abertos.
"Eu tive meus motivos para dizer todas aquelas idiotices, e chegou o momento de dizer por quê. Tudo que eu sempre evitei foi magoar você, mas não adiantou."
"Qual é o problema, Malone? Sentindo falta do calor de uma mulher na sua cama? Está arrependido porque vocês ainda não acharam a saída do platô e agora, depois de você ter se acostumado, não tem ninguém para aquecê-lo à noite?" - sua voz soou extremamente irônica. Internamente, conteve-se ao máximo para não deixar as lágrimas escaparem ou parecer fraca diante dele.
"Apenas escute, por favor." – o jornalista falou em um tom mais alto. Verônica respirou fundo, assentindo. Agora sua atenção estava toda voltada para ele, esperando o restante da explicação que, sinceramente, não desejava.
"Dias atrás um objeto de grande valor me foi confiado: o oroborus."
"O que?" – Verônica ameaçou interromper diante do fato inacreditável, mas ele a deteve, fazendo sinal com a mão para que esperasse. Ned continuou.
"Eu me tornei o guardião da metade do oroborus e, por segurança, não poderia dizer a ninguém que estava comigo e, principalmente, quem me deu essa tarefa. Sempre fui péssimo com segredos e nunca havia lhe mentido. Ninguém me conhece melhor do que você. Jamais conseguiria ocultar isso. Se eu olhasse em seus olhos, acabaria percebendo que algo estava errado... Então tudo o que me ocorreu foi afastá-la, dizendo coisas que nunca foram verdade e que a deixariam atordoada a ponto de não questionar se eram reais ou não. Tudo o que eu disse, Verônica, era mentira. Eu a amo, sempre amei, e não existe outra mulher com quem eu queira construir uma família. Tanto faz se aqui no platô ou no meu mundo."
Verônica escutava estática, enquanto as lágrimas, agora inevitáveis, escorriam pela face. Malone aproximou-se devagar, tocando-a no ombro. Seu desejo era tomá-la nos braços, beijá-la, dizer-lhe o quanto sentira sua falta e como se sentia um estúpido por ter agido daquela forma. Deu-se conta que isso seria impossível quando ela afastou o ombro, impedindo que a tocasse.
"Está me falando que disse tudo aquilo, que acabou com nosso relacionamento, por causa do pedaço de um medalhão? Esperaria isso de qualquer um, menos de você. Marguerite tem um motivo bastante humano para lutar por essa coisa, mas e você? O que poderia ser mais importante do que... nós?"
"Acalme-se, deixe-me terminar..."
"O que? Tem mais?" - a voz de Verônica era irreconhecível.
"Como eu lhe disse alguém me incumbiu dessa missão. Ela pediu e eu concordei em fazê-lo."
"Ela?"
"Que me pediu isso foi... sua mãe."
As palavras caíram pesadas sobre a loira. Já não sabia mais o que pensar ou dizer. Chegou a questionar a veracidade do que ouvia, talvez fosse algum recurso desesperado do jornalista... mas com que propósito?
"Sua mãe me procurou. Disse que precisava proteger o oroborus, mas que, se ficasse com ela, não poderia voltar a Avalon, onde era necessária. Foi quando deixou o medalhão comigo."
A loira o olhava tentando entender. Tudo estava acontecendo rápido demais. Ele continuou.
"Então ela me procurou novamente e disse que eu estava livre dessa missão e que deveria entregar o oroborus a sua verdadeira dona. Será que pode compreender por que eu disse tudo aquilo? Perdoe-me, Verônica. Não existem palavras para dizer o quanto me arrependo."
"Não me interessam suas mentiras. Deus, você sabe muito bem o quanto eu espero por isso! Foi uma grande falta de lealdade sua esconder ter estado com minha mãe... E, no entanto, você a viu mais de uma vez e não me contou! Como pôde?"
"Verônica, por favor..."
Agora, algumas coisas faziam sentido para Verônica. Um sentido nada bom.
"Quer dizer que esse tempo todo ela poderia ter me procurado... Não, isso ela não pôde fazer... Nem ao menos um sinal quando a tempestade aconteceu e ficamos todos desorientados, correndo perigo. Eu chamei por ela pedindo ajuda e não recebi nenhuma resposta. Mas para se preocupar com essa coisa..."
O jornalista ainda fez uma última tentativa de explicar-se, mas foi rechaçado pela loira. Ela procurou recompor-se como pôde, secando as lágrimas e tentando aparentar calma. Ned desejava sofrer mil vezes o que ela sofria, somente para tirar as nuvens que nublavam aqueles olhos da cor do céu.
"Quanto a nós, não há mais nada a dizer. O que você fez, a maneira desleal como agiu comigo, não tem perdão. Nada mais que venha de você me importa."
Ela abaixou pegando suas coisas antes de continuar.
"Grite para Challenger assim que perceber a passagem da corrente elétrica pelos fios. Estou voltando para a casa."
O sentimento de traição corroia o coração de Verônica, como uma queimadura sem perspectiva de cicatrização. Talvez, em outro momento, viesse a entender a posição de Malone. Mas não nesse instante. Afinal, a mágoa que dirigia a ele, era realmente para ele ou para sua mãe? Não se permitiu pensar nisso, era muito doloroso. E na dor, parece que nada faz sentido.
Os dias, cada vez mais longos, passavam de maneira muito lenta na casa da árvore. Challenger e Summerlee, atentos, porém decididos a deixar que os casais resolvessem seus próprios conflitos, começavam a questionar se essa posição de observadores estava realmente sendo útil. Também já era do conhecimento de todos que Marguerite recebera o oroborus e que Malone o guardou por um tempo, entretanto, ambos receavam dizer algo e piorar a situação já tão delicada. Ao menos nesse momento, preferiram contentar-se com o que lhes foi informado, nada mais.
Enquanto Marguerite e Roxton tratavam-se como estranhos, Verônica tinha aberta hostilidade contra a presença de Malone. E o jornalista, por sua, vez andava cabisbaixo e distraído, geralmente calado.
Roxton terminava de preparar o café da manhã, uma de suas tarefas daquele dia, quando Challenger sentou-se à mesa. Ainda que não fosse um grande consumidor da bebida negra e fumegante, estranhou sua ausência naquela manhã.
"Roxton, não temos café hoje?"
"Aparentemente não, Challenger. Eu estou tomando chá. Posso pegar para você."
"Não, obrigado. Vou pegar uma fruta e sair. Quero ver se a estufa resistiu à chuva da noite." – o cientista levantou-se passando pela herdeira que chegava para o café, ao sair.
"Bom dia, Marguerite!" – cumprimentou.
"Bom dia, Challenger! Bom dia, Roxton!"
"Bom dia." – sem se levantar, o caçador continuou sua refeição.
A herdeira foi até o fogão pegando o bule vazio.
"Não tem café?" – reclamou.
"Eu fiz chá. Tem bastante para todo mundo."
"Sabe que não consigo acordar sem tomar o meu café."
Ele levantou levando sua xícara para a pia.
"Não temos mais café moído. Se bem me lembro, isto era tarefa sua. Até mais tarde." – disse ele se retirando.
A herdeira ficou parada atônita enquanto ele a deixava sozinha.
"Que tal este, senhorita Mayfair? É da mesma linha que comprou da outra vez" - uma jovenzinha borrifou um pouco do suave perfume na pele de Hellen, que balançou a mão, esperando que o álcool evaporasse. Em seguida, inspirou o aroma adocicado.
"Muito bom. Embale um desses junto com minhas outras encomendas e mande entregar ainda hoje."
Já havia passado do horário de fechar e a vendedora suspirou discretamente, olhando para o patrão, no caixa. A entrega deveria ser feita no dia seguinte, mas em se tratando de uma cliente como Hellen Mayfair, o melhor era atender-lhe o desejo.
Ao sair da loja, a rua já vazia, procurou pelo cocheiro e sua carruagem.
"Idiota, eu mandei que esperasse aqui."
Supondo que seu funcionário estivesse no bar próximo dali, cansado de esperá-la fazer suas compras, foi ao seu encontro.
"Já avisei que não fizesse isso! Mas não haverá uma próxima vez, pode ter certeza." - ela reclamava mentalmente.
Ao virar a esquina, teve uma sensação estranha. Olhou a sua volta, verificando que dois homens vinham em sua direção, cochichando algo. Caminhou mais rápido, confirmando suas suspeitas quando eles também aceleraram o passo. Ao entrar em outra rua, encontrou mais três homens, todos mal vestidos, fechando-lhe o caminho. Se voltasse atrás, encontraria os outros dois.
Aos poucos, Hellen foi conduzida para as ruas mais estreitas, até dar num beco sem saída. Todos os 5 homens estavam, agora, reunidos, indo em sua direção.
"O que querem? Aviso que não sabem com quem estão se metendo." - ela adotou uma posição defensiva, tentando manter calma, preparando-se para tirar a arma da pequena bolsa de mão.
De trás do grupo de homens mal encarados, surgiu um homem elegante, usando um terno escuro. Os cabelos eram negros e lisos, penteados para trás. Os olhos, grandes e azuis, analisavam a elegante mulher, enquanto os lábios se moviam, soltando a fumaça de um charuto.
"Já que tem andado muito ocupada para visitar os amigos, precisei armar esta pequena surpresinha. Supondo que ainda somos amigos, não é mesmo?"
Ainda que isso fosse inevitável, Hellen ainda não esperava por esse momento: contar a Andrew os acontecimentos de sua viagem ao platô e sobre a morte de seu pai, Mordred.
Marguerite dormia calmamente. Os cabelos escuros caíam gentilmente, emoldurando o rosto de pele clara e feições intrigantes. Assim, até parecia alguém frágil, bastante diferente da mulher forte que na verdade era.
Virou-se para o lado, abraçando o travesseiro que Roxton costumava usar. Seu sono começava a agitar-se e ela, a murmurar baixinho.
"Há algo que possa fazer por ele? Já viu algo assim?" - perguntava uma garota, por volta de seus 12 anos de idade.
"Verônica?!" – murmurou a morena adormecida.
A outra que falava tinha a mesma idade.
"Conheço essa doença... é mortal se não for tratada a tempo." respondeu após sentar-se ao lado do homem de meia idade e colocar a mão em seu rosto, verificando-lhe a temperatura. Seu corpo estava tomado por várias feridas.
Não foi sem espanto que Marguerite reconheceu, no homem moribundo e de cabelos e barba ruivos, a figura de Challenger. Seria possível? Tinha certeza de tratar-se de outra época, de outras pessoas... ainda assim, eram ela, Verônica e Challenger.
"Preciso de algumas ervas. Preste muita atenção, o tempo é nosso maior inimigo agora..." - continuou a jovem que se parecia com a herdeira, enumerando uma série de ervas.
As palavras já não eram ouvidas por Marguerite, sua voz tornou-se mais e mais distante, até que o sonho se perdeu...
"Marguerite, acorde!" – a herdeira sentiu alguém cutucá-la.
"Verônica? Que horas são?"
"Não sei. Talvez uma ou duas da manhã."
"O que você quer?" – estranhamente a morena se sentia alerta.
"Eu tive um sonho ontem... e hoje aconteceu exatamente a mesma coisa, o mesmo sonho. Sem mudar nada."
"Estranho... Mas não podia esperar até de manhã para me falar?"
"Por favor, apenas escute. Tenho medo de esquecer alguma coisa... Estávamos você e eu, ainda crianças. Nunca vi nenhuma foto sua naquela idade, mas tenho certeza de que era você e Challenger... e ele..."
"...estava doente... Eu pedi algumas ervas para serem usadas no tratamento dele." – Marguerite completou automaticamente – "Nós sonhamos a mesma coisa."
"Isto é impossível." – Verônica assustou-se sentando na cama.
"Deveria ser, mas não é. Você pode achar que estou louca. Eu me vi no espelho, mas não era realmente eu. Vi aquela que Fausto disse ser Morrighan."
"Tenho tido uns sonhos estranhos e, como você, não apenas sonhos. E nós duas e os homens sempre estamos neles. Vejo nossos rostos, mas é como se, ao mesmo tempo, não fôssemos nós. E tem ficado mais constantes."
"Você tem a sensação de que as pontas não ligam? Eu gostaria que os sonhos e visões pudessem se juntar para sabermos o que realmente são."
As mulheres pensaram um pouco até que Verônica finalmente quebrou o silêncio.
"Marguerite, lembra quando Malone foi até o feiticeiro Zanga e bebeu o chá que o fez imaginar que havia voltado a Londres?"
"Sim. Mas não tenho certeza de que seja só imaginação."
"Nem eu. Você tem outra idéia melhor?"
"Não. E francamente já estou começando a ficar cansada disso." – a herdeira pensou mais um pouco – "Só não acho que devamos ir sozinhas. Lembra que Malone e você quase ficaram presos no sonho dele?"
"Sim. Acha que Challenger aceitaria ir conosco? Poderíamos sair bem cedo."
Marguerite assentiu.
"É a escolha mais lógica. Certamente ficará curioso como cientista e, como amigo, fará o possível para nos livrar de encrenca."
"Acordamos ele agora e contamos ou esperamos até o amanhecer?" – perguntou Verônica ansiosa.
"Bem, eu não acho que vá conseguir dormir novamente, então..."
As duas sorriram animadas, levantando ao mesmo tempo. Com Marguerite ainda vestindo o roupão, atravessaram rápido e em silêncio a sala indo em direção aos aposentos do cientista que dormia virado para a parede.
"Challenger... acorde, Challenger." – a herdeira cutucou o ombro do homem.
"Han?! O que?!"
"Precisamos de você."
CONTINUA!!!
REVIEW OU NÃO TEM CAPÍTULO 2!!!! he!!!!
