Naruto não me pertence, nem o Gaara (infelizmente). Fic baseada no episódio 58 do anime

Grão de Areia - a Naruto fanfiction

Diga suas preces pequenino
Não esqueça, meu filho
De incluir todo mundo

"Preciso me sentir vivo. Que razão há nisso tudo?" O hospital aparentemente vazio, era perfeito. Seus passos friamente calmos invadiam a sala de espera, invadiam a lista dos quartos... invadiam o silêncio.

"Rock Lee" – suas palavras pareciam um suspiro, misturadas a areia que acompanhava-o intermitente. Caminhava seguro, solitário, objetivo. "Sangue..." a palavra definia o cheiro em suas roupas. Não lembrava se tinha tomado banho naquele dia, na verdade nem, lembrava do último banho desde a chuva de sangue que fizera jorrar em sua cabeça na primeira fase do exame chuunin.

"Minha existência... precisa..." – ele não falou mais nada. Estava diante do quarto que procurava. "Aqui".

Cubra-se, mantenha-se aquecido
Mantenha-se livre do pecado
Até que o Sandman venha

Rock Lee dormia, alheio ao que acontecia ao seu lado. A cama de hospital, tão pequena e fria, limitava-o ao espaço que lhe colocaram, embora ele não pudesse se mover.

Gaara o olhou, extasiado. – "Que razão te mantém vivo? Aquele homem... por que razão atrapalhou nossa luta?" – seus olhos frios tomavam um brilho ameaçador – "Eu ia te matar! Mas voce está aqui. Inseto... inútil. Sequer uma dor... sequer um arranhão me causou. Fraco." – tirou a rolha do jarro de areia e observou o garoto deitado na cama, imóvel, pálido, semi-morto.

"Quero seu sangue. Vou alimentá-la com ele." – seus lábios adquiriram um sorriso macabro, insano. Sua face contraía-se, num desejo incontrolável por sangue. Uma fina camada de areia saiu do jarro...

Durma com um olho aberto
Apertando seu travesseiro com força

Rock Lee estava adormecido, frágil. Não ia conseguir fugir, nem sequer ver a própria morte que se desenhava nos lençóis brancos... a tinta era a areia.

"Morte monocromática." – seus lábios pronunciaram isso com desdém, com impaciência. "Não... quero ver o sangue! Quero ver a cor da morte... bem viva... feroz contradição" – A areia invadia a cama, abraçando o corpo adormecido, anestesiado.

"Por que ele não queria que voce morresse? Aquele idiota! Aquele seu mestre... Mestre? É... tão parecidos... eu ia destruir voce... num segundo e tudo estaria acabado. Como num sonho ruim. Mas ele me impediu! É isso que chamam de amor? Aquela... proteção?" – fitou a areia, com um ódio crescente – "Isso é amor? Mamãe? Seu amor... serei um bom menino... prove esse sangue..."

Sai a luz
Entra a noite
Pegue minha mão
Vamos para a terra do nunca

A areia tocou o rosto do menino adormecido, numa tentativa lenta de sufocar seus poros, um por um. O sorriso malicioso do garoto ruivo e pálido era assustador. Seus olhos verdes quase apagados pelo contorno da insônia que manchava de negro o redor deles. "Sangue..." – repetia numa voz mórbida, vazia. Sua areia perdeu a vida. O menino, continuou respirando. "O quê?" – mesmo sem sentir vontade, virou-se. Algo o puxava para o outro lado...

Algo está errado, apague a luz
Pensamentos pesados esta noite
E eles não são com a neve branca

"Dois insetos. Sangue ruim... sangue sem gosto" – seus pensamentos eram quase tão violentos quanto a areia imóvel. Todo seu corpo endurecido, como numa cãimbra total dos nervos. Sua sombra parecia maior, esticada... traidora.

"O que pensa que está fazendo?" – o loiro era tão barulhento, sua voz estridente, gritante, irritante... Gaara pestanejou, calmo.

"Verificando minha existência" – frio.

Sonhos com guerras, sonhos com mentirosos
Sonhos com o fogo do dragão
E com coisas que mordem

A besta assassina dentro de seu jarro etava inquieta, furiosa. "Sangue..." repetia. "Não esse sangue... é ruim... aquele sangue" – seus olhos procuravam o corpo imóvel sobre a cama. Sua conversa com aqueles dois que lhe prendiam a atenção foi cansativa, chata. Contar seu desejo... contar seu objetivo "Matar. Me sentir vivo", dizer o que eles eram... "Carne humana. Objetos para meu divertimento... minha existência não vai ser esquecida... mato, para me sentir vivo" – olhar aqueles olhos assombrados, sentir raiva por ter sido atrapalhado... "De novo."

Aquele homem... ele entrou no quarto, sua areia voltou sorrateira para dentro do jarro. A dupla que o segurava estava pálida, com medo. Gaara saiu do quarto, encarou o homem que antes o impedira de sentir... "Aquele sangue..." – ele odiava aquele homem. "Odeio essa coisa chamada amor". Odiava essas pessoas. "Vou matar todos vocês."

Agora eu me deito para dormir
Peço ao senhor para guardar minha alma
Se eu morrer antes de acordar
Peço ao senhor que leve minha alma

Rock Lee estava vivo. Apenas vivo. Talvez sobrevivesse, talvez... "Não." Gaara continuava caminhando pelos corredores ecoantes. Pelo frio das paredes mortas. Ele era um bom menino... "Vou lhe dar sangue bom... fique calma..." Seu jarro lhe dava medo, e proteção. Seus olhos pesavam, um sono intenso, um sono inútil... incontrolável, insaciável. Impossível. "Não posso dormir. Nunca. Não posso morrer num sono. Que inútil seria dormir... que inútil seria sonhar." – subiu num telhado qualquer. Estava seguro. A lua o acompanhava na melodia de seus pensamentos vazios. "Sangue" – repetia.

Silêncio, bebezinho, não diga uma palavra
E não se incomode com o barulho que ouviu
São apenas os demônios embaixo de sua cama
No seu armário, na sua cabeça

"Pare!" – ele segurou as têmporas, assustado. "Vou trazer ele pra você! Não brigue comigo! Não fique com raiva!" sua respiração ofegante tornava seus olhos ainda mais pesados, a cor negra do cansaso que os envolvia, ainda mais intenso... olheiras de mais um dia. "Faço o que voce quiser..." – o silêncio. A lua brilhava fria, como seus olhos verdes. A areia aquietou-se, dormindo em seu jarro. Fazendo dele seu vigia. "Não posso dormir" e seu pensamento gritava, sem que ele ouvisse "eu tenho medo".

Sai a luz
Entra a noite
Grão de areia
Sai a luz
Entra a noite
Pegue minha mão
Vamos para a terra do nunca

"Enquanto houverem outros a quem eu possa matar... Minha existencia irá permanecer". Gaara ficou mais uma noite acordado, sozinho, um escuro na sua mente. Um vazio no coração, uma dor que não doía... raiva, frustração. "Sangue..." – repetia, ele cheirava a sangue.

xxx


POR QUÊ O GAARA MAU, É O GAARA BOM!

Ai gente, romance de Gaara é bom, mas um Gaara maluquinho metido a shukaku... é ÓTIMO!!