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Capítulo I
A sala estava escura como um breu. À fraca luz do luar infiltrando-se pela janela não ajudava muito. Entretan to a escuridão era crucial para a armadilha.
Edward encolheu-se atrás da arca que havia sido posi cionada para que ninguém o visse quando entrasse na sala. Com a mão firme no cabo da espada e os músculos tensos, tinha a atenção voltada para a fresta de luz que vinha de baixo da porta do quarto.
Um ruído chegou-lhe aos ouvidos quando o pai se me xeu no esconderijo do lado oposto do quarto, e ele voltou o olhar para aquela direção sem nada enxergar.
Mais um ruído. Uma série deles. Sons de um velho guer reiro impaciente, na certa. Não se encontravam escondidos havia muito tempo, porém estavam ansiosos por vingar a morte do restante da família.
Em silêncio, Edward blasfemou pela teimosia do pai em não querer ficar a seu lado. Depois de perder a mãe e a irmã em um curto espaço de tempo, desejava mantê-lo bem próximo, principalmente porque estavam à espreita para evitar que a fera atacasse de novo naquela noite.
Ainda se encontrava de luto pela mãe e irmã, e a tristeza o enfraquecia. Contudo ele lutou para recobrar as forças e procurou transformar a raiva em mais poder para vencer a batalha que estava por vir.
Não fazia muito, havia voltado de uma guerra apenas para encontrar o Castelo Cullen em polvorosa e a mãe morta. Fora o pai quem lhe contara o que tinha acontecido:
Poucas semanas antes, moças e rapazes tinham começa do a morrer. Seus corpos tinham sido encontrados vazios de sangue, com duas pequenas marcas paralelas no pescoço acusando uma mordida, e o pânico logo se instalara no clã Cullen. Como os ataques ocorriam à noite, os pais tinham começado a trancar seus filhos assim que o sol se punha.
Entretanto, nem assim as mortes diminuíram. Duas garotas tinham sido encontradas mortas em suas camas, a poucos metros de onde os familiares dormiam.
Como chefe do clã, o pai de Edward tinha a responsa bilidade de impedir que o massacre continuasse, além de vingar os entes perdidos. Imediatamente, montara uma patrulha para vigiar a cidade durante a noite, e um grupo de homens saíra à caça do assassino. Depois de três noites de buscas, ele surpreendera um ser semelhante a um homem sugando o pescoço de um dos patrulheiros da cidade. Ficara petrificado ao confirmar com os próprios olhos um mito centenário: uma besta vagando pela noite para se alimen tar de sangue humano. A revolta, entretanto, o fizera atacar a criatura de surpresa, decapitando-a antes que a fera matasse sua vítima.
As notícias tinham se espalhado pela cidade como o vento. Todo o clã havia se reunido para aclamar a volta do grupo, e o corpo do vampiro viera para a cidade de bruçado em um cavalo. Carlisle Cullen tinha entrado no vilarejo segurando a cabeça do assassino, cuja bocarra en contrava-se aberta e com os longos caninos evidentes. Uma enorme fogueira fora montada para que o corpo e a cabeça da criatura fossem queimados. Por fim, tinha havido uma celebração pelo final do terror e pela volta em segurança do líder do clã.
Edward respirou fundo. O pai tivera a ilusão de que os problemas haviam terminado, de que o vampiro que assom brava a cidade estava morto e todos se encontravam em segurança.
Entretanto, na noite seguinte, sua mãe fora vítima de um ataque. Quando o pai tinha acordado, encontrara a esposa exangue, deitada a seu lado na cama.
Ficara claro, então, que havia mais de um vampiro nas redondezas. E que esse último era ainda mais atrevido, pois tirara a vida de lady Cullen.
Edward se recostou na parede, cansado. Chegara em casa no dia em que a mãe fora encontrada morta e, naquela mesma noite, unira-se ao pai na caçada ao monstro; mas as duas primeiras buscas tinham sido em vão. E quando eles haviam retornado, depois de três dias, ficaram sabendo que a irmã dele estava morta. O novo vampiro tinha sido ágil o suficiente para driblar a guarda montada em toda a cidade.
Ficara evidente, dessa forma, que aquela segunda cria tura sabia que seu pai havia liquidado o outro vampiro e queria vingança. Sendo assim, a provável vítima seguinte seria ele mesmo.
Inconformados, ele e o pai tinham resolvido montar uma armadilha. O plano era bem simples: um monte de feno fora colocado sob seus lençóis para enganar a criatura. Os dois montariam guarda, um de cada lado da cama. Assim, se o monstro entrasse, seria atacado por trás.
Em princípio a estratégia lhe parecera boa, mas, depois de terem extinguido o fogo da lareira e apagado as velas, ficaram sem qualquer visão. Como poderiam enxergar o vampiro naquele breu?...
O pai o acalmara, dizendo que o quarto se iluminaria com a luz da tocha do corredor quando a porta fosse aberta. Porém, ele ainda não estava convencido de sua segurança, pois havia a janela.
Concordou em seguir com o plano, contudo, esconden do-se atrás do baú; e ficou mais tranqüilo quando, depois de alguns minutos, sua visão se adaptou ao escuro e a fraca luz do luar lhe permitiu ver ao menos o contorno da cama.
De repente, Edward teve a impressão que estava mais escuro do que antes e relanceou os olhos para a janela. Na certa a lua havia sido coberta por uma nuvem que impedia a passagem de seus raios.
Estava prestes a relaxar quando ouviu outra seqüência de ruídos estranhos. Contraindo-se inteiro, olhou para o canto onde o pai se encontrava. Teria sido um gemido?
Com a respiração suspensa, aguçou os sentidos, gelan do até a alma. Era como se houvesse passado de caçador a presa.
— Pai? — chamou em um sussurro.
Silêncio absoluto. Edward ficou em alerta, desconfiado de que o monstro já estava dentro do quarto.
Não. A luz da tocha teria se espalhado para dentro do aposento ou algum barulho se faria escutar se houvesse ali algum intruso.
Assim mesmo, a sensação de perigo o deixou tenso.
— Pai! — chamou de novo, em voz alta.
Sem obter resposta alguma, ele engatinhou até a porta. Toda a mobília, com exceção do baú, havia sido tirada do quarto, deixando o espaço livre. Edward chegou até a porta sem fazer barulho algum. Suspirando de alívio, espalmou as mãos na madeira, certificou-se de que não escutava nenhum ruído suspeito e abriu a porta de supetão.
A luz alaranjada da tocha invadiu o aposento no mesmo instante.
Piscando para se acostumar com a claridade, ele estava prestes a se desculpar pelo falso alarme quando deparou com o pai acocorado no chão, com sangue jorrando de duas pequenas perfurações no pescoço. Carlisle vestia a máscara pálida da morte e respirava com dificuldade.
Alarmado, Edward atravessou o quarto. Ao capturar um movimento com o canto dos olhos, virou-se e puxou a espada ao mesmo tempo que a figura frágil de uma mulher surgia das sombras, paralisando-o. Ela era magra, pálida, miúda e dona de uma beleza rara. Ele jamais havia visto um conjunto tão perfeito. Seu rosto era oval, emoldurado por cabelos escuros que caíam em cascata sobre os ombros, chegando até a cintura.
Edward estudou as linhas perfeitas, perplexo com a be leza dos olhos grandes e expressivos. Mas encantou-se mesmo foi com a boca vermelha e bem desenhada. Teria passado a noite a fitá-la se uma voz grave não tivesse quebrado o silêncio:
— É ela, filho! — Carlisle conseguiu falar. — Ela é a vampira! Mate-a!
Edward sentiu como se tivesse levado um golpe no estô mago. Olhou de um para o outro, esperando que ela negas se. Estava fora de sua concepção que uma criatura tão linda fosse o monstro que caçavam.
No entanto, o sorriso malévolo e cínico a denunciou, Quando a estrige lambeu os lábios, ele percebeu: o verme lho sedutor era o sangue de seu pai.
Um frio percorreu-lhe a espinha. Aquela era a vampira que havia matado sua mãe e sua irmã!
O ódio substituiu o encanto, impulsionando-o a atacá-la com a espada. No entanto ela foi mais rápida, segurando a lâmina com uma força descomunal. Edward ficou sem poder levantar ou abaixar a arma, mas empurrou o punhal, enter rando a espada na mão dela.
A vampira não demonstrou dor, tampouco sangrou.
Ele estremeceu. Só os mortos não sangravam.
Antes que pudesse fazer uma nota tentativa de atingi-la, a besta avançou. Edward mal teve tempo de antecipar o movimento, quanto menos de impedi-lo. De repente, a mão gelada da estrige contornou seu pescoço, e ela elevou a perna, atingindo-o no peito. Ele caiu de joelhos, quase sem ar.
A vampira ficou a seu lado, de frente para Carlisle. Desarmado, pois a espada havia caído, Edward grudou as mãos na dela, tentando desesperadamente afastá-la.
Sua impotência o deixou de olhos arregalados e com dificuldade para respirar. Afinal, era um guerreiro, forte, implacável, com o dobro do tamanho daquela criatura. Mesmo assim, estava sendo sufocado, sem que ela demons trasse o esforço para tanto.
— Criatura dos infernos! — gemeu Carlisle.
A mulher que mantinha o filho dele preso como se fosse um boneco de pano soltou uma gargalhada horripilante.
— Pode estar certo disso — concordou em tom de ironia, e sua voz se tornou ainda mais fria ao completar: — Ninguém mandou que causasse a morte do meu companheiro.
Edward viu o pai se esforçar para ajudá-lo enquanto ele continuava lutando para não ser enforcado, mas nenhum dos dois obteve sucesso. Carlisle mal se mexeu e caiu em seguida, soltando um lamento de desespero ao ver a mulher cravar os dentes no pescoço do filho.
A primeira mordida fez Edward sentir a dor da morte. Depois, um estranho êxtase partiu da perfuração em sua pele. Contrariado, ele percebeu o corpo reagindo como se estivesse com uma amante. Logo em seguida, foi envolvido por um manto frio e sua vista se tornou mais turva.
A última visão antes de cair na escuridão foram as lágri mas brotando dos olhos do pai.
Quando recuperou a consciência, Edward se viu deita do na cama, sem ter noção de como havia chegado àquela posição. Com dificuldade, rolou para o lado e ficou imó vel diante da visão do corpo do pai estirado e sem vida no chão.
— Ele está morto — disse a vampira, parada na frente da janela, a luz do começo do dia sombreando-lhe o cor po miúdo —. Você permanecerá aqui. A alma de seu pai sofrerá muito mais se souber que seu querido filho sobrevi verá da mesma maneira que eu.
— Nunca! — gritou Edward.
— Veremos — retrucou ela com um sorriso cruel. — Fique tranqüilo. Vai descobrir o que precisará fazer para amenizar a dor da fome.
Entendendo que a vida não lhe seria tirada por mise ricórdia, Edward virou o rosto; Mesmo não vendo aquele rosto diabólico e lindo, porém, não pôde impedi-la de continuar falando.
— Está amanhecendo. É melhor procurar abrigo quan do o sol surgir, caso contrário experimentará as brasas do inferno na própria pele. Garanto que não é uma experiência das mais agradáveis.
Ele virou a cabeça, pronto a praguejar que preferia a morte do que se transformar em um morto-vivo, mas teve tempo apenas de vê-la, passar através da parede, sumindo de vista.
Só então entendeu como a estrige havia entrado no quar to. Ele e o pai não teriam chance alguma. Nenhum deles tinha considerado que ela poderia atravessar paredes.
Ao menos, por hora, ela havia ido embora.
Edward continuou deitado na cama, disposto a permitir que o sol o abençoasse com a morte que a vampira tinha lhe negado. Entretanto, quando os primeiros raios se infil traram pela janela, tocando-o nos pés, teve a sensação de que alguém havia ateado fogo em suas botas. Nem o couro, ou as roupas foram capazes de protegê-lo.
Blasfemando por mal suportar a dor, rolou para fora da cama, caindo ruidosamente sobre o chão de madeira. Ao menos ali estaria protegido por mais algum tempo. Ainda estava fraco demais para ficar de pé e se recusava a gritar por ajuda. Não queria que sua gente o visse naquele es tado. A única notícia que chegaria à aldeia era a de que o chefe, Carlisle Cullen, e seu filho e único herdeiro, Edward Cullen, tinham sido mortos naquela noite.
Usando o pouco de força que ainda restava, Edward abriu o baú atrás do qual estivera escondido e se jogou para dentro. Foi com grande alívio que fechou a tampa, acomodando-se na escuridão.
N/A: E então, vocês gostaram?
Aguardando muitas reviews! (*olhinhos brilhando*)
Em breve capa no meu perfil!
Até o próximo capítulo,
Beijinhos!
SrtaSwanCullen
