Capítulo Um

Isabella Swam sonhava com o dia do seu casamento desde que era uma garotinha.

Quando tinha sete anos, colocou uma grande toalha branca na cabeça e desceu pelo corredor nupcial que imaginara no celeiro de seu pai. Cercada por ursinhos de pelúcia como convidados e com a sua babá andando atrás dela, jogava pétalas de flores de uma cesta.

Aos 17 anos, pesada, com seu grosso livro, os óculos grandes e as roupas fora de moda costuradas à mão por sua amorosa mãe, Bella sofreu zombarias e foi ignorada pelos meninos do colégio rural. Ela disse a si mesma que não se importava e foi para um baile com seu melhor amigo, um menino de uma fazenda vizinha. Mas Bella sonhava, um dia, conhecer um homem lindo e moreno que a amasse, e sabia que ele estava em algum lugar do mundo esperando por ela. Seria o homem que a despertaria com o poder sensual de um beijo.

Seu chefe bilionário e implacável a havia beijado e seduzido, além de tirar sua virgindade e roubar seu coração após uma noite perfeita na qual a deixou apaixonada. Quando acordou nos braços dele na manhã de Natal, em um apartamento luxuoso em Nova York, achou que fosse morrer de tanta felicidade. Diante daquela noite perfeita, o mundo dela se transformou em um lugar mágico onde todos os seus sonhos se tornariam realidade, enquanto seu coração fosse puro e ela acreditasse verdadeiramente.

Uma noite mágica e um coração partido.

Agora, oito meses e meio depois, Bella estava sentada na va randa de seu antigo apartamento, numa rua arborizada e calma no West Village. O céu estava escuro, e ameaçava chover. Embora fosse começo de setembro, estava quente e úmido. O apartamento estava tão vazio que parecia fantasmagórico, levando-a a esperar com as malas do lado de fora.

Hoje era o dia do seu casamento, o dia com o qual sempre sonhara, porém nunca havia sonhado com aquilo.

Bella olhou para seu vestido de segunda mão e para o buquê murcho de flores silvestres que colheu em um jardim das redon dezas. Em vez do véu, presilhas de pérolas seguravam seu cabelo castanho-claro.

Em alguns minutos, se casaria com seu melhor amigo. Um homem que nunca havia beijado nem desejado. Um homem que não era o pai da criança que esperava.

Assim que Jacob voltasse da loja de aluguel de carros, se casariam e iriam de Nova York para a fazenda dos pais dela em Dakota do Norte.

Bella fechou os olhos. E melhor para o bebê, disse a si mesma desesperadamente. Seu filho precisava de um pai, e seu ex-chefe era egoísta e um playboy sem coração, cuja relação mais profunda que tinha era com uma conta bancária. Depois de três anos de serviços prestados como secretária, Bella tomou ciência do fato, mas foi estúpida a ponto de descobrir as coisas do modo mais doloroso.

Um carro virou na Avenida Sete em direção à rua residencial do West Village. Ela viu o veículo luxuoso e caro passar e soltou a respiração. Não era o carro que fazia o tipo de Edward, e mes mo assim, enquanto as nuvens cobriam o sol do meio-dia, Bella olhou para o céu e sentiu calafrios. Se seu ex-chefe soubesse que uma única noite de paixão havia gerado um filho...

— Ele não vai saber — sussurrou ela em voz alta. A última coisa que tinha ouvido sobre ele era que estava na Colômbia, explo rando campos de petróleo para a Cullen Oil. Depois que Edward possuía uma mulher na cama, ela morria para ele e nunca era lembrada novamente. E embora Calhe tivesse presenciado estes dados numéricos enquanto foi sua secretária, ainda achou que com ela pudesse ser diferente.

Saia da minha cama, Bella. Ela ainda estava nua, feliz e so nolenta sob a luz rosada da manhã de Natal quando ele a sacudiu até que acordasse. Saia da minha casa, já terminei o que tinha com você.

Oito meses e meio depois, as palavras dele ainda lhe atingiam o coração. Bella colocou as mãos em volta de sua barriga protuberante. Edward nunca saberia da vida que criara dentro dela. Ele havia feito a própria escolha e, por conseguinte, a dela, também. Não haveria batalha judicial nem chances de Edward ser domina dor e tirânico como pai, assim como era enquanto chefe. Seu filho iria nascer em um lar estável com uma família amorosa. Jacob, seu melhor amigo desde as primeiras séries da escola, seria o pai de seu bebê em todos os sentidos, e Bella seria uma esposa dedi cada que retribuiria de todas as maneiras, exceto uma.

Em primeira instância, ela duvidou que um casamento basea do em amizade pudesse funcionar, mas Jacob garantiu que não precisava de romance ou paixão para consolidar uma boa parceria.

— Nós seremos felizes, Bella — prometeu ele. Durante os me ses de gravidez, ele a tratou com generosidade.

Agora, enquanto Bella estava encostada nas malas, ele avis tou a bolsa cara de grife. Jacob sempre disse a ela que a ven desse, já que ficaria ridículo usá-la em uma fazenda. A bolsa tinha sido um presente de Edward no Natal anterior. Totalmente desnecessária Bella lacrimejou, surpresa por ele ter reparado no olhar dela na vitrine da loja meses antes. Eu recompenso aqueles que são leais a mim, Bella, respondera Edward. Uma mulher como você aparece apenas uma vez na vida de um homem.

Bella fechou os olhos e virou o rosto, sentindo os primeiros pingos de chuva em sua pele. Era um troféu ridículo, uma bolsa de três mil dólares, mas representava um símbolo difícil de ser conquistado por horas de dedicação e trabalho. Porém, Jacob estava certo. Ela deveria simplesmente vendê-la. Não havia mais nada entre ela e Edward.

Exceto o bebê.

Uma pequena sequencia de trovões se misturou ao barulho dos táxis, das sirenes de polícia da Avenida Sete à distância e do ruído da entrada do metrô no fim da rua. Ela ouviu outro veículo parar e uma batida de porta. Jacob havia voltado com o carro alugado. Era hora de ela se casar com ele e começar uma viagem de dois dias para Dakota do Norte. Forçando-se a sorrir, Bella abriu os olhos.

Edward Cullen estava de pé ao lado do seu carro de luxo, como sempre poderoso, de ombros largos e dentro de um impecável temo preto.

O sangue se esvaiu do rosto de Bella.

— Edward — disse ela, começando a se levantar, e então pa rou. Talvez ele não conseguisse ver a barriga dela, Bella rezou para que não visse. Envolvendo os joelhos com os braços, ela balbuciou:

— O que você está fazendo aqui?

Silenciosamente, Edward subiu na calçada. Com seu corpo longilíneo, parecia um guerreiro que se movia elegantemente sem fazer esforço, mas ela sentia aquele passo como um ruído sísmico sob ela.

— A questão é... — Os olhos escuros dele brilhavam. — O que você está fazendo, Bella?

A voz do homem era profunda, com apenas um leve sotaque espanhol. Ela pensou que nunca mais fosse vê-lo novamente, a não ser nos sonhos sensuais que a perseguiam.

Bella levantou o queixo.

— O que parece que estou fazendo? — Ela esticou o dedo em direção às malas. — Partindo. A voz dela estava trêmula, mesmo fazendo um grande esforço, e odiava Edward por isto, assim como o odiava por muitas outras coisas. — Você ganhou.

— Ganhei? Esta é uma acusação estranha. Ela ficou paralisada, olhando para ele.

— Como chamaria isto, então? Você me despediu e se certifi cou de que ninguém mais em Nova York me contratasse.

— E? — disse ele friamente. — Deixe Black sustentá-la. Como é sua noiva, então o problema é dele.

Bella sentiu um calafrio na espinha.

— Você sabe sobre Jacob? — sussurrou ela. Já que Edward sabia que ia se casar, será que tinha conhecimento da gravidez? — Quem contou a você?

— Ele mesmo. — Edward deu uma risada irônica. — Eu o conheci.

— Conheceu? Onde? Quando?

— Há alguma importância nisso? Bella mordeu o lábio.

— Foi um encontro casual ou...

— Pode chamar de casual. — Seu sotaque ocasional desmentia a fria acusação em seus olhos. Ele olhou para cima em direção ao prédio caro atrás dela. — Eu dei uma passada em seu apartamento e fiquei surpreso por estar morando com um amante.

— Ele não é meu...

— Não é o quê?

— Não importa — murmurou ela. Edward se aproximou mais.

— Diga-me — disse ele num tom ácido. — Você e Black gos tam de morar aqui? Será que ele saboreou a vida no apartamento que eu aluguei por gratidão para a secretária que eu respeito?

Bella engoliu em seco. Um ano atrás, ela morava num apartamento pequeno e barato na Staten Island, para que pudesse en viar a maior parte do seu salário para a família. Então, Edward a surpreendeu com um lindo apartamento de quarto e sala pago por um ano, situado perto do seu próprio e suntuoso apartamento na Bank Street. Bella quase chorou de felicidade, acreditando que era a prova de que ele realmente se importava com ela. Mais tarde, porém, percebeu que ele queria apenas diminuir o tempo de deslocamento dela para tirar mais horas de trabalho da funcionária.

— O que você, possivelmente, teria a me dizer agora? — Ela ha via ficado em casa a semana toda embalando as caixas, instruin do o pessoal da mudança, informando às companhias aéreas que estava num estágio da gravidez em que não poderia voar, ligando para agências de aluguel de carros.

— Quando mesmo que esteve aqui?

— Quando você estava na cama — afirmou Edward. O coração dela foi até a boca.

— Ah — sussurrou ela. De repente fazia sentido. Ela dormia no quarto, enquanto Jacob ficava com o sofá. — Ele nunca men cionou ter conhecido você. Mas por quê? O que você quer?

Ele estava olhando para ela como se fosse uma estranha.

— Por que nunca me contou sobre o seu amante? Por que mentiu?

— Eu não menti!

— Você o escondeu de mim. No dia seguinte em que se mudou para este apartamento, trouxe-o com você, mas nunca mencio nou nada, porque sabia que eu iria questionar seu compromisso e sua lealdade.

Ela olhou para ele, e então sacudiu os ombros.

— Eu fiquei com medo de contar, pois você não é nada razoá vel quando exige absoluta lealdade.

— Então, você mentiu.

— Eu nunca o convidei para vir morar comigo! Ele chegou de surpresa. — Depois que Bella ligara para Jacob em Dakota do Norte para lhe contar sobre o apartamento que o chefe havia ge nerosamente alugado, ele aparecera em sua porta no dia seguinte, dizendo que estava preocupado com ela, sozinha, em uma cidade grande. — Ele sentiu falta de mim, queria alugar um local para ele, mas não conseguiu arrumar um emprego.

— Certo — disse Edward sarcasticamente. — Um homem de verdade encontra um emprego para sustentar uma mulher. Ele não vive à custa da separação dela.

Bella reagiu ao insulto.

— Jacob não é assim! — Durante toda a gravidez dela, ele cozinhara, limpara, acariciara-lhe o rosto inchado, segurara-lhe a mão no consultório médico. Todas as coisas que gostaria de obter do verdadeiro pai do bebê, se ele fosse alguém além de Edward.

— Caso não tenha notado, não há muitos empregos em Nova York para fazendeiros.

— Por que ficar em Nova York, então?

— Eu queria ficar, tinha esperança de encontrar um emprego.

— Mas encontrou como esposa de um fazendeiro.

— O que você quer de mim? Por que veio até aqui para me insultar?

—Ah, eu não mencionei por quê? — Os olhos dele estavam frios e sombrios. — Sua irmã me ligou hoje de manhã. Bella sentiu um arrepio.

— Leah ligou para você? — A conversa com a irmã na noite an terior havia terminado mal, mas Leah não iria traí-la, ou iria? — E o que ela disse?

— Duas coisas muito interessantes em que eu mal pude acre ditar. — Edward se aproximou ainda mais e disse suavemente:

— Mas, claramente, uma delas é verdade. Você vai se casar hoje.

O corpo dela começou a tremer. — E?

— Você admite?

— Eu estou usando um vestido de casamento, não posso ne gar. Mas como isto afeta você? Está furioso por não ter sido convidado?

— Você parece nervosa. — Ele lentamente fez um semicírculo ao redor dos degraus. — Existe algo que esteja escondendo de mim, Bella? Algum segredo? Alguma mentira?

Ela sentiu uma contração no corpo e a barriga se comprimir. Contrações causadas por estresse, disse a si mesma. Um falso alarme de trabalho de parto, o mesmo que a enviara às pressas para o hospital na semana anterior. Mas estava doendo. Uma das mãos de Bella foi para cima da barriga e a outra, para a parte de baixo das costas.

— O que possivelmente eu teria a esconder?

— Eu já sei que é uma mentirosa. — Um brilho de luz dourada escapou das nuvens cinza, acariciando o rosto lindo do homem, deixando sombras escuras por baixo das bochechas e do maxilar dele, enquanto disse suavemente: — Mas qual é a intensidade das suas mentiras?

O buquê murcho de flores silvestres quase escorregou dos dedos dela. Ela então o segurou com mais força em suas mãos trêmulas.

— Por favor, não estrague nada.

— Estragar o que exatamente?

— Minha... Minha... — Minha vida e a vida do meu filho. — O dia do meu casamento.

— Ah, sim, o dia do seu casamento. Eu sei como costumava sonhar com isto. Então diga se é tudo o que esperava?

Bella, dolorosamente, tomou consciência de que estava usan do um vestido de noiva alguns números acima do seu tamanho, com um laço e um corpete de poliéster que ficavam caindo de um dos seus ombros. Ela olhou para as flores murchas e para as duas malas surradas atrás dela.

— Sim — disse ela baixinho.

— Onde está a sua família? E seus amigos?

— Vamos nos casar na prefeitura. — Bella levantou o queixo de maneira desafiadora, afastando o repentino desejo de chorar. — Estamos fugindo dos padrões. E romântico.

— Ah, claro. — Edward abriu um sorriso. — O casamento não importa tanto para você e Black, desde que tenham uma lua de mel.

Lua de mel? Ela e Jacob planejaram fazer uma parada no meio da viagem para descansar no sofá-cama da casa do primo dele, em Wisconsin. Paixão não era algo que existia entre eles.

Para ela, Jacob era como um irmão. Mas não podia admitir para Edward que só havia um homem na Terra que desejava bei jar, apenas um homem com quem sonhava: aquele que olhava friamente para ela nesse momento.

— Minha lua de mel não é da sua conta. Edward bufou.

— Tudo que envolva Jacob Black é romântico para você. Até um vestido horroroso e um buquê de ervas daninhas. Ele sempre foi aquele que você desejou, mesmo sendo um homem desempregado e incapaz de se sustentar, você o ama. — O tom de voz dele era de zombaria.

Bella ficou de queixo caído. Ela começou a se levantar e en tão se lembrou de que não podia deixar que ele visse sua barriga. Tremendo de raiva, olhou para ele.

— Rico ou pobre Jacob é duas vezes mais homem do que você.

Os olhos de Edward queimaram. Então ele falou friamente:

— Levante-se. Bella piscou.

— O quê?

— Sua irmã me disse duas coisas, e a primeira delas é verdade. Levante-se.

Bella respirou fundo.

— Esqueça! Eu não sou mais sua secretária, não sou sua aman te... Eu não sou nada sua! Você não tem mais poder algum sobre mim. Pare de me assediar ou chamarei a polícia!

Os olhos escuros de Edward brilharam como gotas de chu va espalhadas por cima de árvores. Ele chegou tão perto que suas calças chegaram a roçar no joelho da mulher. Edward se inclinou:

— Você está grávida de um filho meu Bella?

Olhando para ele, Bella prendeu a respiração. Edward sabia. Sua irmã havia traído a confiança dela. Contara tudo a ele.

Ela sabia que Leah estava com raiva, mas nunca achou que faria isto. No dia anterior, a irmã ligou para desejar-lhe boa sorte na viagem. Bella ficou desconfortável e com medo de estar co metendo o pior erro de sua vida. Quando ouviu a voz amorosa de Leah, contou sobre seu plano de fuga com Jacob por estar grávida de seu chefe. A reação da irmã foi de fúria.

Não vou deixar que prenda Jacob, ainda mais com um bebê que não é nem dele.

Leah, você não entende...

Cale a boca! Mesmo se seu antigo chefe for um canalha, o filho é dele, e ele merece saber! Não vou deixar você arruinar tantas vidas com seu egoísmo!

Bella ficou chocada, mas nunca pensou que Leah fosse seguir adiante com sua ameaça. Ela poderia ter ficado com raiva, mas nunca a trairia, ou pelo menos Bella achava que não.

Mas estava errada.

— Está? — Edward exigiu uma resposta.

Bella sentiu outra contração forte. Ela tentou respirar, mas as aulas sobre parto a que assistiu com Jacob pareceram inúteis. As falsas contrações que, supostamente, deveriam preparar-lhe o corpo para o trabalho de parto em algumas semanas estavam ficando mais fortes.

—Muito bem. Não responda. De qualquer maneira, eu não acreditaria em uma palavra vinda da sua boca, mas seu corpo... — Ele acariciou-lhe a bochecha e uma corrente elétrica atravessou o corpo de Bella, então olhou para ele com os lábios partidos. — Seu corpo não vai mentir para mim.

Ele tirou o buquê das mãos dela e jogou-o no chão. Segurou, então, as duas mãos da mulher e a levantou gentilmente.

Bella ficou de pé em frente a ele na calçada, trêmula, vulnerá vel e claramente grávida dentro do seu horroroso vestido branco. Ela fechou os olhos e esperou pela explosão.

Mas quando ele falou, sua voz estava tranqüila.

— Então é verdade. Você está grávida. Quem é o pai? Ela arregalou os olhos.

O quê?

— Sou eu ou Black?

— Como pode me fazer essa pergunta? — Ela hesitou e enrubes ceu. — Você sabe que eu era virgem quando... Quando nós...

— Eu achei que você fosse, porém mais tarde eu me perguntei se rui enganado. Talvez estivesse se guardando para a noite do casamento e no dia depois que fizemos amor você tenha voltado para seu noivo e o atraído para cama. Talvez em um lampejo de remorso ou para esconder o que tinha feito, caso engravidasse.

— Como pode dizer isto? — Ela arfou. — Como pode pensar que eu faria algo tão repugnante, tão baixo?

— A criança é minha ou é de Black? Ou você não sabe? O coração dela ficou em pedaços.

— Por que está tentando me magoar? Jacob é meu amigo, apenas meu amigo.

— Você está morando com ele há um ano. Espera que eu acre dite que ele dormiu no sofá todo este tempo?

— Nós revezávamos.

— Você está mentindo! Ele vai se casar com você.

— Por generosidade, nada mais! Ele deu uma risada ácida.

Por supuesto — zombou Edward, cruzando os braços. — É por isso que os homens se casam, para serem generosos.

Bella se afastou dele, sua garganta palpitava de angústia.

— Meus pais não sabem que estou grávida, acham que larguei o emprego e decidi voltar para casa. — Os olhos dela queimaram quando sacudiu a cabeça ferozmente. — Eu não posso chegar lá como mãe solteira. Meus pais não suportariam, e Jacob é o melhor homem do mundo. Ele...

— Eu não dou a mínima para ele! Ou para você. Só me importo com a seguinte questão: o bebê é meu filho?

Bella respirou fundo.

— Por favor, não faça isso. — Ela sussurrou. Bella desprezava o tom apelativo na sua voz, mas não conseguia evitar. — Não faça com que eu lhe dê uma resposta que não quer ouvir. Deixe que eu dê um lar a ela.

Ele expirou.

— Uma menina.

— Não importa! Você não quer ficar preso a mim, já deixou muito claro. Ela não significa nada para você. Deve esquecer que algum dia me viu...

— Você perdeu a cabeça? — rosnou ele, segurando-lhe os om bros. — Não vou deixar outro homem criar uma criança que pode ser minha! Para quando está previsto o nascimento? Qual é a data exata?

Um trovão rolou pelas nuvens escuras sobre a cidade. Bella sentiu que estava à beira de um precipício, a ponto de fazer uma escolha que mudaria tudo. Se dissesse a verdade a Edward, sua filha nunca iria desfrutar de uma infância idílica igual à dela, cer cada pela pradaria sem fim, brincando no celeiro do pai e conhe cendo todo mundo da pequena cidade que habitava. Em vez de pais amigos, sua infância preciosa seria cercada por pais que se odiavam e por um homem tirano e egoísta.

Se ao menos ela fosse à mentirosa que Edward achava que era, Bella pensou com tristeza. Se conseguisse simplesmente dar a ele uma data falsa e dizer que Jacob era o pai!

Mas não podia mentir. Não na cara dele, especialmente sobre uma questão como esta. A dor retorceu seu coração e, então, ela sussurrou:

— E para o dia 17 de setembro.

Edward olhou fixamente para ela, estreitou os olhos e a segu rou nos ombros com mais força.

— Se há pelo menos a mais remota chance de Black ser o pai, diga-me agora, antes do teste de paternidade. Se estiver mentin do ou estiver simplesmente errada e este filho não for meu, vou destruí-la por ter mentido. Você entendeu? Não apenas você, mas todos que a amam. Especialmente Black.

A garganta dela doía. Bella sabia sobre a implacabilidade do ex-chefe, tinha-o visto usar contra outros durante estes três anos e, no final, inevitavelmente, contra ela.

— Eu não esperaria nada menos.

— Eu vou tomar a fazenda dos seus pais e a de Black. Tudo. Entende? — Os olhos dele brilhavam. — Então, escolha suas pala vras com cuidado. Diga-me a verdade. Eu sou o...

— Claro! — Ela explodiu. — Claro que é o pai! Você é o único homem com o qual eu algum dia dormi!

Dando um passo para trás, Edward olhou para ela.

— Você realmente espera que eu acredite nisto?

— Por que mentiria? Você realmente acha que eu quero que seja o pai dela? — gritou Bella. — Eu desejava do fundo do meu coração que fosse de Jacob, não sua! E ele que eu quero... É ele quem confio... O melhor homem do mundo! E não um workaholic e playboy egoísta que decepciona todos na vida, que não confia em ninguém e que não tem amigos verdadeiros...

A fala de Bella foi interrompida pelos dedos apertando sua pele.

— Você nunca iria me contar sobre o bebê, iria? — A voz dele estava perigosamente suave. Você ia simplesmente roubar minha filha e colocar outro homem em meu lugar. Ia me apagar comple tamente da vida dela.

Um tremor de medo subiu-lhe pelo corpo, mas ela o enfrentou.

— Sim! Ela ficaria muito melhor sem você!

— E esta — disse ele com os olhos cintilando — é a sua maior mentira.

Eles ficaram ali de pé na calçada olhando um para o outro, como inimigos mortais.

Por oito meses, Bella repetiu para si mesma que Edward não iria querer uma criança. Que ele era um solteiro workaholic e que seu estilo de vida seria prejudicado com a presença de um filho. Além disso, dizia que seria um péssimo pai e que ela estava fazendo a coisa certa para todos, porém parte dela sempre soube que isto não era verdade. Depois de ter ficado órfão e ter sido trazido para Nova York, Edward Cullen ia gostar de ser pai. Ele nunca desistiria de um filho ou de uma filha.

Era apenas Bella que queria descartá-lo. E isto a amedronta va. Com a riqueza e o poder que Edward tinha, se a levasse para os tribunais para uma batalha judicial pela custódia, não havia dúvida de que ganharia.

Os olhos escuros do homem a penetraram até os ossos.

— Você deveria ter me contado desde o dia em que percebeu que estava grávida.

— Como poderia? — sussurrou ela. — Depois de você ter me abandonado.

Edward arregalou os olhos e a observou sem piedade.

— Você é esperta e engenhosa, poderia ter encontrado uma ma neira de me contatar. Mas não foi o que fez. Você tentou esconder de mim, assim como esconde todas as coisas.

Ela sentiu outra pontada de dor na barriga.

— E agora que eu contei a verdade, vai tentar tirá-la de mim? - A mandíbula de Edward endureceu, e depois o homem abriu um sorriso, esticou a mão e acariciou-lhe a bochecha. Um choque elétrico percorreu o corpo de Bella e a preencheu de nostalgia e desejo. Tudo que seu corpo traidor queria fazer era se virar para ele como uma flor se vira para o sol.

— Você será punida, querida — disse ele suavemente.

Bella o encarou sem ar, presa pela força daquele olhar escuro, e sentiu um alívio quando viu um carro barato de duas portas subir a rua. O cavaleiro chegara para salvá-la. Jacob!

Edward se virou e uma palavra visceral saiu de sua boca, uma palavra em espanhol que ela só o ouvia usar quando perdia um enorme negócio, ou quando uma estrelinha qualquer de coração partido invadia o quarto dele. Neste instante, ele segurou a bolsa de mão de Bella e, depois, o braço.

— Venha comigo.

Antes de ela ter noção do que estava acontecendo, ele a puxou pela calçada e abriu a porta de trás do carro.

— Ligue os motores — ordenou ele ao motorista.

Ao perceber a intenção do ex-chefe, ela tentou desesperada mente soltar seu braço.

— Deixe-me ir!

Mas as garras de Edward pareciam de metal. Ele a colocou no assento de trás e entrou ao lado dela, aglomerando-se com aquele enorme corpo que parecia grande demais para o espaço.

Edward se debruçou sobre ela com os olhos em fúria, enquan to segurava-lhe os punhos.

— Eu não vou lhe dar outra chance de sumir com meu bebê.

Bella respirou o cheiro exótico do perfume de Edward, opri mida pela proximidade e pela sensação do corpo dele junto ao seu. Era o que sonhara durante os anos que trabalhou para ele e durante todos os outros meses depois de ele tê-la despedido. Os rostos deles estavam separados por poucos centímetros, e o cora ção de Bella estava acelerado.

Então, Edward fechou a porta.

— Dê partida! — disse ele ao chofer.

— Não! — Ela inspirou o ar e olhou para trás. Sua última visão foi a de Jacob de pé ao lado do carro alugado, olhando-a atra vés dos óculos com a expressão de agonia. Ao lado dele, suas duas malas velhas ainda estavam na calçada.

O carro deles virou a esquina, e Jacob desapareceu. O cor po de Bella ficou apertado, e ela, então, virou para Edward com um soluço engasgado.

— Por favor, leve-me de volta. Os olhos dele eram impiedosos. — Não.

— Você me sequestrou!

— Chame como quiser.

— Você não pode me prender contra minha vontade.

— Não posso? — disse ele suavemente.

Ele se virou como se estivesse entediado, mas ela sentiu a ten são na voz dele.

— Você vai ficar comigo até que a questão da criança seja resolvida.

— Então sou sua prisioneira?

— Sim. Até que meus direitos como pai sejam formalizados.

— Então, não acredita que eu seja uma mentirosa — disse Bella, amargamente.

— Quanto ao filho ser meu, não. Mas existem vários tipos de mentiras. Inclusive, você pode mentir em silêncio. Eu me pergun to se há alguma outra coisa que esteja escondendo de mim, minha perfeita e leal secretária.

Ela envolveu a barriga com os braços, apertada dentro do ves tido de poliéster.

— O que você sabe sobre lealdade? Você já foi leal a alguém a não ser você mesmo?

— Eu fui leal a você, Bella — disse ele baixinho. — Uma vez. Encarando os olhos impenetráveis do homem, ela de repente se viu perdida nas lembranças dos dias que passaram juntos no escritório, comendo sushi, viajando pelo mundo no jato particular dele.

— Foi quando eu erroneamente acreditei que você valia à pena. — O tom dele endureceu. — Eu aprendi a minha lição.

— Qual lição? — gritou ela, desconcertada. — No momento em que eu dormi com você, deixei de ser a sua secretária de confian ça e passei a ser uma mulher descartável de uma noite de sexo. Depois de tudo que passamos juntos, como pôde me tratar como todas as outras? Por que dormiu comigo? Será que um dia se importou?

Ele estava com os olhos fixos na mulher.

— Você foi uma conveniência — disse ele, grosseiramente. —Nada mais.

As palavras caíram como um punhal em seu coração, rasgando-lhe a pele. Ela o tinha amado com tanta devoção! E na noite em que lhe entregou sua virgindade, achou que um mila gre havia acontecido: que Edward tinha se apaixonado por ela, também.

— Todas as mulheres na cidade acham que podem domar você. O rico e bonito playboy. A verdade é que você nunca será capaz de confiar em ninguém o tempo suficiente para se apegar. Você se li vra da mulher no instante em que tem seu minuto barato de prazer.

Os olhos de Edward se estreitaram, e ele deslizou o olhar pe los lábios, pelo pescoço e pelos seios de Bella.

— Mais do que um minuto, eu garanto a você. Ou você não lembra?

Os olhos deles se encontraram, e as bochechas dela se encheram de calor. Ela se lembrava de cada detalhe sensual da noite em que fizeram amor.

O olhar dele desceu. Bella respirou fundo quando percebeu que o vestido de noiva tinha deslizado para baixo, revelando demasiadamente seu seio volumoso e o sutiã de algodão branco, e puxou o decote para cima.

— Eu nem acredito que tenha deixado você me seduzir!

— Seduzir? Que descrição charmosa! Eu a seduzi. Você pulou nos meus braços no instante em que a toquei, mas se chamar isto de sedução deixa você mais confortável...

Ela arfou exaltada. — Você é um...

— Eu tenho certeza de que no final das contas você se arrepen deu. Deve ter sido difícil para Black. E impressionante pensar que ele estava disposto a se casar com você, mesmo grávida de outro homem. Ele deve estar loucamente apaixonado.

Bella sentiu uma pontada de angústia.

— Ele não está apaixonado por mim. Só é o meu melhor amigo.

— Você deve ter se sentido tão culpada! — Edward alisou um cacho dos cabelos castanhos da mulher. — Tão cheia de remorso que arruinou seu recatado, leal e chato caso de amor de anos por uma única noite de luxúria comigo.

— Você é tão cheio de si a ponto de pensar...

— Por que eu a trato exatamente como o resto? Vou lhe contar. — Os olhos de Edward encontraram os dela. Porque você não é diferente das outras.

— Eu odeio você!

— Então, finalmente concordamos com algo.

Lágrimas desceram pelo rosto de Bella quando olhou para baixo.

— Tudo o que eu queria era dar a minha filha um bom lar — sus surrou ela. — Mas agora, em vez de ter dois pais amorosos, ela vai ser puxada como se estivesse em um cabo de guerra por uma mãe e um pai que se odeiam. Pais que não são nem casados. O mundo pode ser cruel. Ela vai ser chamada de ilegítima... De bastarda.

Edward arregalou os olhos.

— O quê? — Ele explodiu.

— Ela vai sempre sentir que não é boa o suficiente, como se fosse algum tipo de acidente ou um mero erro. Quando na ver dade você e eu somos os culpados. — Ela olhou para ele soluçan do. — Eu não quero que ela sofra. Por favor, Edward. Você pode simplesmente deixar que eu me case com Jacob? Pelo amor de Deus!

Ele olhou para ela por um longo tempo com a expressão meio intimidadora. Então, abruptamente se inclinou para dizer algo em espanhol para o chofer. Logo depois, digitou um número no te lefone e falou com alguém na mesma língua, rápido demais para ela entender. Rezando para que o tivesse feito enxergar que esta va certa e assim mudasse de idéia, ela o observou, analisando a linda, sensual e cruel silueta da face que um dia amara do fundo do seu coração.

Quando Edward se virou novamente, os olhos do homem brilhavam.

— Tenho boas notícias para você, querida. Vai se casar hoje. Ela suspirou de alegria.

— Você vai me levar de volta para Jacob? Ele deu uma risada austera.

— Você acha que eu permitiria isto? Bella franziu a testa, confusa.

— Mas acabou de dizer...

— Que vai se casar hoje. — Edward abriu um sorriso tão frio que a lembrou do vento do inverno, ricocheteando nas pradarias congeladas. — Comigo.