Rouge estava a tomar um delicioso sorvete tropical de coco na praia, com direito a uma ótima vista e um bom sol. A morcega usava uma calcinha e um top brancos, com um único coração vermelho como estampa, e um óculos preto. Estava com as pernas cruzadas, sentada na sua espreguiçadeira, olhando para o mar.
- Hah! Como é ótimo um dia de folga! Nunca achei que poderia aproveitar tanto! Sem as agitações da cidade, sem aquele echidna egoísta e sem o... – Rouge é interrompida pelo tocar de seu celular, que avisava estar recebendo ligações. – Ora! Mas justo agora que eu estava discursando? – a morcega descruza as pernas, pega a bolsa que estava no chão e retira seu celular de dentro dela, atendendo-o.
- Alô? Quem fala?
Do outro lado da linha, alguém responde:
- Senhorita Rouge, aqui é o presidente. Estamos precisando de seus serviços, de imediato! Compareça em no máximo trinta minutos. Muito obrigado pela atenção e até lá. – e desliga.
Rouge olhava para o celular, inconformada.
- Mas que preguiçosos! Até para isso precisam de uma caixa eletrônica. – ela se deita na espreguiçadeira novamente, e continua a tomar seu sorvete. – Mas terão que esperar eu terminar...
Sentado em sua cadeira, o presidente esperava a chegada de uma morcega bem atrasada, que deveria ter aparecido há vinte minutos atrás. Ele confere as horas em seu relógio de pulso.
- Mas ela nunca demorou tanto! O que será que está acontecendo?
- Presidente! – um soldado da GUN entra na sala, com, a mão na testa de forma a estar obedecendo uma ordem. – Ela chegou.
- Já não era sem tempo! Mande-a entrar.
Num singelo rebolar, Rouge senta-se na cadeira em frente à mesa do presidente, cruzando as pernas e estralando os dedos, ato que lhe é correspondido com uma xícara de café.
- Diga, presidente. – ela levava a xícara á boca, tomando seu primeiro gole.
- Posso saber qual a razão de seu atraso, Rouge?
- Humf! Eu sabia que vocês não iriam me contratar para roubar algo, então me achei no direito de terminar meu tropical e apreciar aquele mar. – ela apóia sua cabeça na mão direita, a qual tinha o cotovelo apoiado num dos braços da cadeira. – Algum problema nisso?
- Agora que você está aqui não; mas da próxima vez venha com maior prontidão. Agora vamos logo ao que interessa. – ele ajeita os papéis de sua mesa, e começa a falar:
- Eggman está atacando novamente, e criando robôs de maior tecnologia que os de antes. As únicas informações das quais temos conhecimento é de que muitos animais, em sua maioria domésticos, andam desaparecendo por razões inexplicáveis. Como pode ver, os números são altos! – ele estende um dos papéis a Rouge, que o lê atentamente.
- Nossa! Mas os números são realmente muito altos! Será possível que estejam usando esses animais em experiências para a criação dos robôs?
- Acreditamos que sim, mas de nada temos certeza. É por isso que estou lhe enviando para investigar. Você terá que entrar no sistema do computador dele e retirar de la´o máximo possível de informações. – ele estende outro papel, (desta vez grampeado a outro) à morcega. – Aqui estão algumas perguntas para as quais quero respostas.
- Qual a recompensa?
- Um milhão de dólares e um diamante. – pelo televisor, Rouge pôde contemplar a jóia.
- E quanto tempo eu tenho para descobrir o que querem?
- Tempo suficiente para que os animais da terra não sejam instintos e o mundo dominado por aquele cientista. Acha que consegue?
Ela começa a abanar os papéis. – E com quem o senhor acha que está falando, presidente? – a morcega pisca o olho esquerdo, confiante. "Por um diamante desses, faço qualquer coisa!" – ela pensa.
Sem ser notada, a morcega (vestida à ocasião) passa por todos os eggbots vigias, derrubando os três que guardavam a entrada. Ela digita a senha nos botões, gabando-se para si mesma num gesto com a mão, como um pistoleiro a assoprar sua pistola. Entra no laboratório, meneando os quadris como sempre, atenta a qualquer movimento, o que não demora a chegar. Alguns eggbots começam a "tentar" atacar Rouge, que os destrói com furacões.
- Hum! Acham que esse pouco irá me deter!
Rouge continua a andar pelo corredor, encontrando uma sala e nesta entrando. Estava vazia, exceto por um diamante enorme, preso ao chão. A morcega se aproxima dele, surpreendendo-se com tal beleza.
- É lindo! Mas quem Eggman pensa que é – ela sorria cinicamente, - para deixar isto ao meu alcance?
Quando ela se aproxima e toca na pedra, tem uma grande surpresa: não era um diamante, e sim a cabeça de um eggbot. Rouge se afasta, assustada, mas é pega por um dos braços robóticos. Não conseguindo se soltar, a morcega não tem outra opção se não ouvir o enorme ruído que começava a ser produzido pelo robô. Aquilo lhe lembrava da época em que foi contratada pela GUN; com a diferença de que, desta vez, estava presa e não tinha como se safar, sem contar que suas mãos não podiam tapar seus ouvidos. Rouge gritava, mas o barulho não era a única causa de seu grito.
- O que está acontecendo? – os soldados da GUN estavam ouvindo tudo por meio de um chip posto na roupa da morcega, e não entendiam a razão do barulho.
- Acho que já sei o que é. – Topázio diz, saindo da sala. – Vamos! Temos que ajudá-la!
- Mas... o quê? – o soldado líder indaga, sem compreender muito Topázio.
- Não importa! – um outro soldado segue sua colega, sendo logo seguido por todos os outros.
Ao chegarem no laboratório, encontram a porta aberta, e seguem pelo longo corredor. Quando entram na sala onde Rouge estava, começam logo a atirar no robô. Revoltado, o eggbot abre um compartimento em seu corpo e atira mísseis nos soldados, que se jogam no chão.
- Atirar não vai adiantar! – Topázio gritava, protegendo seu rosto. – Temos que explodi-lo!
A policial joga uma granada tripla para seu líder (por este estar mais perto da máquina). Ele logo encontra um lugar onde depositar a bomba, jogando-a no alto falante do eggbot. Em menos de um minuto ele solta Rouge, tentando retirar a granada. Tonto, o robô tomba para traz, dando à Topázio a chance de ir buscar a morcega. Todos os outros a ajudam a sair, e a parte de baixo da base começa a explodir.
Já fora da base, os soldados "festejam", mas Rouge não reage de nenhuma forma. Fraca, ela desmaia.
- Então você acordou? – dizia o presidente.
- O que aconteceu?
- Você falhou. Falhou na missão que lhe dei.
- Eu não falhei! – a morcega se levanta rapidamente.
- Então me explique você; porque pelo o que entendi, minha melhor investigadora falhou.
- Eu não contava com aquele robô! – ela cruzava os braços.
- Ainda assim, você falhou!
- Vai me desculpar, senhor presidente – a morcega balançava o indicador na direção de seu superior, como lhe apontar um erro. - mas qualquer um falharia no meu lugar!
- Não os investigadores que enviei no seu lugar.
- O QUÊ?!
- Ouviu bem: enviei outros no seu lugar. O que quer dizer que você não está mais na investigação.
- Mas você não pode fazer isso!- ela se levanta por completo, saindo da cama.
- Pois eu já fiz.
- Ora presidente, me deixe tentar novamente!
- Não tenho mais como fazer isso.
- Não vai me dizer que o diamante quebrou, vai?!
- Não. Eu não sou do tipo que "falha".
- Então, por favor, senhor presidente – a voz da morcega se torna triste, e uma lágrima quase rola pelo seu rosto. – Me deixe tentar novamente.
Ele olha para ela, descruza os braços e suspira.
- Não consigo ver uma mulher chorando...
- Então quer dizer que me dará uma segunda chance?
- Está bem!
- Ah, obrigada! Obrigada! – Rouge se contenta em não beijar a mão de seu superior, apenas pulando de alegria e tendo em seus olhos o brilho de um diamante. – Garanto que não irei decepcioná-lo! Não irei falhar!
- Eu sei que não...
- Não mesmo! Pode contar comigo!
- ...Kiandra, entre!
- ??
Uma linda camaleoa verde, vestindo um vestido vermelho e calçando sapatinhos de mesma cor, entra na sala. Tinha uma expressão docilical, cabelos castanhos longos e finos e a cauda enrolada. Seus olhos eram amarelos, e no centro de sua testa havia uma tatuagem tribal.
Com as mãos juntas, diz:
- Sim, senhor presidente?
- Rouge, esta é Kiandra The Chameleon. – ele aproxima as duas. – E Kiandra, esta é Rouge The Bat.
Kiandra aperta a mão de Rouge, cumprimentando-a.
- Prazer. – Rouge diz, um tanto desconcertada.
- É todo meu senhorita!
- É bom saber que vocês gostaram uma da outra...
Kiandra e Rouge se entreolhavam, interrogativamente.
- ...Pois agora irão trabalhar juntas!
- Sério?! – Kiandra pulava de alegria, enquanto Rouge não tinha a mesma reação.Eça cruza os braços e fecha os olhos, metida como uma "patricinha".
- Recuso-me!
A ação de Rouge entristece a camaleoa, que deixa de festejar e encolhe os ombros.
- Não quer que Kiandra trabalhe sozinha e no seu lugar, quer?
- Hah! – Rouge desfaz a pose, inconformada com a forma como ele a "despedia". Assim, ela não tinha outra opção, deixando Kiandra feliz novamente.
- Tenho certeza de que nos daremos muito bem, senhorita Rouge.
- Huh! Então está bem. – Rouge sai da sala. Ainda na porta, diz:
- Mas não me chame de senhorita, apenas Rouge.
Kiandra sorri, olhando contente para o presidente. À distância, eles ouvem o grito de Rouge.
- E nunca demore a me acompanhar!
- Ops! - Kiandra apressava-se para sair. – Acho que terei de ir, senhor presidente.
- Tudo bem, pode ir. E cuide bem dela.
- Pode deixar!
Kiandra sai, seguindo de encontro a Rouge que estava na definitiva saída. Já na rua, Rouge vai por um caminho que Kiandra desconhecia, assim estranhando a ação da morcega.
- Rouge, por que estamos indo por aqui? O laboratório não é pra lá?
- Tenho que parar no meu apartamento para trocar de roupa. Esta aqui está imunda!
- Hã...
- E você também, precisava de uma roupa como a minha. Além de estar fora da moda, esta não é roupa que se use em tal profissão! Aliás, você é "nova", não é?
- Sou sim. Fui contratada ontem. Quanto à roupa, saiba que já fui alertada.
- Não se preocupe com isso! Eu posso lhe ajudar se quiser.
- Sério?!
- Lhe emprestaria uma das minhas, mas acho que seu número é menor. Falando em números, qual a sua idade?
- Quinze anos. E você Rouge?
- Dezoito. Sabe, você é muito nova para terem te contratado...
- Eu sei! – Kiandra tinha um largo sorriso em seu rosto. – E você não é como imaginei que fosse "naquela" hora...
- As pessoas costumam se surpreender comigo, queridinha!
Ocultas, as duas entram no laboratório (era incrível o fato de que ele ainda não havia explodido por completo).
- Que lugar sombrio...
- Acha? Pois eu diria que é melhor você ficar atenta.
- Uhu.
Depois de algum tempo caminhando no longo e tortuoso corredor, elas se encontram com alguns eggbots, que deixam Kiandra "perdida". Rouge, como de costume, luta com os robôs e os destroe rapidamente. Distraída com eles, Rouge não percebe que Kiandra havia desaparecido.
- Kiandra? Onde está você?
- Aqui.
Ela reaparece do nada, mas aparentava não ter nem saído do lugar. Rouge estava pasma, sem entender.
- Mas... Como...?
- Desculpe. É que quando tenho medo, me camuflo sem querer mesmo. Por favor, me perdoe...
- Então quer dizer que você pode ficar invisível?
- É...
- Kiandra, isso é ótimo! Sabe o que podemos faze com essa sua habilidade?
- Ah... O quê?
- Não sei, mas descobriremos. Aliás, nunca lutou com eggbots antes?
A camaleoa balança a cabeça negativamente.
- Então por que te contrataram?
- Sou boa em computação. O "hacker mirim", como costumam me chamar!
- Hum... Bom... – Rouge vira-se de costas para Kiandra, e sorri maldosamente para si mesma. – MUITO bom...
- Decoe! Bocoe! Venham até aqui!
- Sim senhor!
- O que desejar!
- Quero notícias sobre estas intrusas! O que estão fazendo que ainda estão aqui? Vamos! Vamos! Providenciem algo!
Agitados, os dois robôs dão a volta pela sala, tombando um contra o outro, e só então encontrando a saída. Em menos de um minuto eles retornam, mais agitados ainda.
- Mas senhor – o robô cinza é o primeiro a se manifestar, - como faremos isso?
- Não é o senhor quem tem o comando?
- Eu estou lanchando... O que quer dizer que são VOCÊS que estão no comando!
Os dois repetem a cena a pouco vista, mas desta vez terminam de encontro ao computador, cada um em uma parte dele, já que esta ocupava as extremidades da redonda sala.
- Rouge, para onde estamos indo?
- Para as salas onde ficam os computadores, pois neles estão armazenadas todas as informações que temos que entregar ao presidente.
- E onde ela fica? Já andamos tanto e ainda não vi nada...
- Ela fica no topo. Mas não fale muito, ele deve estar nos filmando.
- Eu sei. Essas câmeras dele não conseguem mesmo boa camuflagem.
Impressionada pela precisão de sua "nova colega", Rouge olha para traz, com expressão correspondente.
- Como sabe?
- Perita! – Kiandra sorri e fecha os olhos de forma doce, novamente.
- Eu já volto. É bom que não façam nada de errado e cuidem dessas duas. – Eggman deixa a sala, dirigindo-se ao que seria um banheiro. Engraçado pensar que ele seja higiênico...
- Você ouviu Becoe: nada de errar!
- É por isso que estou mandando muitos! Ah, aquele E-1030 está com defeito, não é?
- É, e não temos nenhum para substituí-lo.
- E o que faremos? Só eggbots não funcionam.
- Manda outro!
- E por que VOCÊ não manda? Já estou fazendo demais!
- Ah, só um pouquinho!
- Não é não!
A briga "boca-a-boca" dos dois robôs continua, e ambos não percebem quando Rouge e Kiandra (esta última camuflada novamente) entram na sala. Rouge derruba os dois facilmente, abrindo espaço para que o computador fosse manuseado. Mas não é só isso: os eggbots enviados por Bocoe entram na sala, e começam a atacá-las (entre aspas, já que apenas Rouge era atingida). Com um pouco mais de esforço do que em todas as outras vezes, a morcega ia destruindo um a um.
- Kiandra, manuseie este computador e encontre o que queremos. Será difícil me livrar destes, estão mais difíceis que os outros!
- Tudo bem Rouge.
Como uma profissional, Kiandra começa a vasculhar os programas de Eggman. Encontra, entre eles, projetos bem antigos, como Metal Sonic, Mecha Knuckles e muitos outros; além dos antigos robôs feitos a partir de animais de Mobius.
- Será que se baseou neste? – a camaleoa pensava. – Hum... É melhor não deixá-lo passar!
Kiandra fuça em alguns objetos de Eggman, encontrando um chip com alta memória para as informações necessárias. Mas o download não era nada rápido...
Rouge já havia derrotado metade dos robôs quando Kiandra terminou de adquirir tais informações, continuando a procurar as que realmente tinha que encontrar.
- Como vai aí, Kiandra?
- Só mais um pouco... Encontrei! Agora é só fazer o download!
- Ande logo! Estou começando a me cansar...
Kiandra mordia a língua, ansiosa, enquanto Rouge terminava com mais três eggbots, agora restando apenas dois.
Eggman entra na sala, não compreendendo o que seu computador estava a fazer "sozinho".
- Mas o que é isso?!!!
- Argh! – Rouge arremessa um eggbot contra Eggman, que acaba por abrir caminho às investigadoras.
- Vamos!
- Mas...
Rouge retira o chip do computador, e tenta encontrar o braço de Kiandra. Quando a camaleoa a auxilia nisso, Rouge a puxa com força e as duas saem correndo da sala, em disparada. Eggman, sem saber o que fazer e não conseguindo se mexer pelo tombo ordena para que o eggbot restante vá atrás delas. Porém, ambas já se encontravam a quilômetros dali naquele momento.
Continua...
