Título: Um Lugar Para Recomeçar

Gênero: Padackles / J2

Autora: Mary Spn

Beta: Eu mesma! Os erros são todos meus.

Avisos: Contém cenas de relação homossexual entre dois homens. Não gosta, não leia!

Sinopse: Dois homens feridos pelo passado. Enquanto um deles está disposto a recomeçar, tudo o que o outro quer é fugir. Estariam destinados a curar as feridas um do outro ou a machucarem-se ainda mais?


Um Lugar Para Recomeçar

Capítulo 2

Transportar o barco até a beira da praia não tinha sido tão simples quanto Jensen imaginava. Por sorte ele estava sobre uma carretinha com rodas, o que facilitava um pouco. O loiro engatou a carretinha no seu BMW e manobrou até chegar o mais próximo possível da água. O que não esperava era que as rodas da carretinha fossem encalhar na areia.

Jensen desceu do carro xingando alguns palavrões, mas percebeu que eles não ajudavam em nada. Procurou algumas pedras em volta do chalé, cavou a areia em volta dos pneus e depositou algumas delas para dar mais sustentação. Entrou no carro novamente e arrancou, voltando à areia firme e tentando o mesmo procedimento um pouco mais adiante.

Desta vez deu certo, mas ainda assim teria um trabalhão para tirar o barco de cima da carretinha e colocá-lo no mar.

Nessas horas Jensen percebia que talvez ficar sozinho não fosse tão bom assim. Passou a mão pela testa, limpando o suor, mas não deixou que o desânimo o vencesse. Removeu as amarras e os engates do barco, abaixou a parte frontal da carretinha formando uma rampa e puxou, fazendo-o deslizar sobre a madeira.

Deu graças a Deus pelo fato do barco ser de alumínio e não muito grande, caso contrário não teria condições de movê-lo sozinho.

Cansado e com as mãos doendo, Jensen deixou o barco na areia e voltou para dentro do chalé. Colocou sua mochila - que já estava já preparada com tudo que iria precisar - dentro de um saco plástico para que não molhasse, trancou o chalé e voltou para o local onde o barco estava.

Verificou o combustível e com muito esforço, finalmente conseguiu colocá-lo na água, mas a batalha estava apenas começando. Por sorte o mar estava calmo, então o barco não chegou a virar ao atravessar a arrebentação.

Jensen passou por alguns sustos, mas o resultado foi que apenas se molhou muito mais do que pretendia.

As ondas fazendo o barco subir e descer já estavam lhe causando náuseas, fazia muito tempo que Jensen não navegava em mar aberto. O motor roncava e Jensen acelerou um pouco mais, quanto antes saísse daquela tortura, melhor.

Na metade do caminho a sensação de enjôo já havia passado, então o loiro pôde curtir um pouco o passeio. Só esperava que tudo isso valesse à pena, pois além do frio, Jensen estava com o corpo dolorido, devido à batalha para colocar o barco na água.

Conforme ia se aproximando, tudo o que via eram pedras enormes e o farol. Nem sabia se havia algum lugar onde o pequeno barco pudesse atracar, só sabia que precisava explorar aquela ilha, teria que arranjar um jeito.

Avançou um pouco mais e na parte lateral da ilha avistou um pequeno banco de areia. Ao chegar, arrastou o barco até a areia em um lugar seguro, retirou o saco com sua mochila e trocou suas roupas molhadas antes de começar a caminhar.

O acesso era difícil, havia muitas pedras e pouca vegetação. Algumas árvores, e pelo visto, nenhum habitante. Jensen continuou caminhando e logo achou uma espécie de trilha, e para o seu alívio, ali o caminho era um pouco melhor.

A trilha o levava até o farol. Lá o terreno era mais plano e mais arenoso. Jensen pensou que realmente não deveriam ir muitos turistas ali. A não ser aqueles malucos que gostavam de escalar coisas e se aventurar em lugares perigosos.

- Olá! – Jensen gritou – Tem alguém aí?

Não obteve resposta, o que achou ser meio óbvio. Quem seria louco de viver em um lugar assim?

Pensar que estava ali sozinho de repente se tornou um pouco assustador, mas Jensen decidiu continuar explorando.

Passou pelo farol, que de perto não passava de uma antiga construção de tijolos e caminhou para o outro lado. Depois de andar quase duzentos metros, ficou de boca aberta ao ver que havia uma linda praia. A ilha fazia uma curva, e ali não havia arrebentação, as ondas chegavam bem mansinhas, quase sem fazer barulho.

Jensen tentou se localizar e percebeu que estava na parte de trás da ilha. Por ali seria bem mais fácil chegar com o barco, uma pena não ter dado a volta na ilha e percebido isso antes.

O loiro sentou-se na areia e tirou a camisa, deixando o sol tocar sua pele. Abriu a mochila e pegou uma garrafinha de água, pois já estava com sede.

Olhar para aquele mar azul, aquela paisagem tão linda, sentir o sol aquecer sua pele, aquilo tudo o fazia sentir-se vivo novamente. Era uma sensação deliciosa.

Depois de ficar algum tempo vadiando por ali, Jensen decidiu verificar o farol mais uma vez. Se aproximou e viu que tinha uma escada de madeira em formato espiral que, chegando mais perto, teve certeza de que tinha sido recém pintada.

Jensen subiu, receoso, mas ela não levava a lugar algum, apenas um vão aberto na parte de cima da construção. Dali tinha uma visão privilegiada de toda a ilha e, olhando de cima, era mesmo incrível.

Desceu as escadas e viu que havia uma porta e duas pequenas janelas. Girou a maçaneta da porta, na esperança de que estivesse aberta, mas ela não abriu.

Se sentindo ligeiramente frustrado, forçou mais uma vez, então deu um pulo de susto ao ouvir uma voz atrás de si.

- Você perdeu alguma coisa aí?

Jensen se virou tão rápido pelo susto que sequer conseguiu responder.

Já não sabia mais se estava sonhando ou se era real, mas na sua frente, há pouco mais de um metro de distância, estava parado um homem moreno, alto, com os cabelos esvoaçando ao sabor do vento. Ele estava sem camisa, descalço e vestindo uma calça jeans surrada. Seus olhos foram tão rápidos ao captar a imagem que Jensen nem se deu conta de que estava tempo demais olhando para aquele monumento, sem dizer nada.

- Eu... Só queria ter certeza que estava trancada – Jensen respondeu, completamente sem graça.

- Bom, você já deve ter percebido que está – O homem parecia furioso – O que você faz aqui?

- Eu... Pensei que isso fosse um ponto turístico. Me desculpe, é... Eu sou o Jensen – O loiro se apresentou estendendo a mão.

- Jared – A resposta veio seca – E isso costuma ser um ponto turístico. No verão! – Jared respondeu, cruzando os braços, deixando Jensen com a mão estendida, numa situação desconfortável.

- E você, Jared. O que faz aqui?

Jared deu uma risadinha, sem nenhum humor.

- Eu faço a manutenção e tomo conta do farol.

- Ah, pensei que você fosse me dizer que morava aqui. Ninguém seria louco pra isso! – Jensen deu uma risadinha.

- Eu moro aqui – Jared falou tão sério que Jensen chegou a tremer.

- Mesmo? Quero dizer, você vive aqui sozinho? O tempo todo?

- Graças a Deus, na maior parte do tempo. A não ser quando vêm tipos como você bisbilhotar por aqui.

- Você é sempre tão bem humorado? – Jensen sorriu mas logo voltou a ficar sério, com medo de acabar apanhando do sujeito, que pelo visto não era nem um pouco amigável.

- Você me pegou num dia bom, considere-se com sorte – Jared falou e saiu caminhando até um pouco adiante, onde tinha uma rede e mais alguns objetos de pesca espalhados no chão.

- Dá muito peixe por aqui? – Jensen tentou puxar conversa.

- E você? – Jared se voltou e sorriu de um jeito sarcástico – Não trabalha, ou não tem nada melhor pra fazer do que me aporrinhar?

- Eu... Eu estou de férias. Sou escritor, você já deve ter ouvido falar de mim, Jensen Ross Ackles? Na verdade, nós somos quase vizinhos. Eu aluguei o chalé aqui em frente.

- O que você escreve? História em quadrinhos? – Jared debochou.

- Bom, seria muito esperar que um neandertal como você entendesse de literatura, não é? – Jensen falou por impulso e se arrependeu no instante seguinte – Me desculpe, eu não quis...

Mas Jared já tinha lhe dado as costas e saído em direção ao mar.

Jensen se amaldiçoou por ter sido tão estúpido. Mas também não era para menos, o sujeito o tinha provocado.

- História em quadrinhos... Idiota! – Jensen resmungava sozinho enquanto tirava um bloco e um lápis da sua mochila.

Caminhou até a pedra mais alta e mais segura, percebendo que dali tinha uma boa visão do seu chalé. Rabiscou alguma coisa no bloco e acabou desistindo, precisava mesmo era de uma tela, pincéis e tintas. Seria uma excelente oportunidade para voltar a pintar, pois a paisagem era mesmo linda. O único problema seria lidar com o homem das cavernas – Jensen se arrepiou ao pensar nele – mas decidiu que não iria se deixar intimidar. O máximo que poderia acontecer era o seu corpo aparecer boiando na praia – Jensen riu do próprio pensamento mórbido.

- Hey, Jared! – Jensen caminhou na direção que ele havia desaparecido, então o viu na beira do mar, com a água lhe batendo pela cintura. Estava puxando uma rede e Jensen ficou o observando por algum tempo. O homem era mesmo lindo, tinha um corpo incrivelmente forte e perfeito.

- Pensei que você já tivesse ido embora, mas claro que eu não teria tanta sorte – Jared falou ao largar a rede sobre a areia e se sentar ao lado dela, descansando.

- Eu estava pensando... É que daqui eu tenho uma visão incrível do chalé, e como eu também sou pintor... – Jensen parou diante da expressão de deboche no rosto de Jared – Eu gostaria de saber se posso voltar aqui amanhã ou talvez por mais alguns dias.

O loiro falou com toda educação e apesar do olhar de incredulidade de Jared, ele respondeu também de forma educada.

- Eu só trabalho aqui, não sou o dono da ilha. Você pode fazer o que quiser.

- Ótimo – Jensen sorriu satisfeito - Eu já vou indo. Até amanhã!

- Só me faz um favor? – Jared falou quando Jensen ia saído – Fique o mais longe possível de mim.

Jensen consentiu com a cabeça e foi embora. Seria difícil domar aquele homem, era mesmo melhor manter distância.

Continua...


Respondendo as reviews:

Cleia: Você é uma fofa! Obrigada! E fique tranquila que eu não abandonei as outras fics, só estou fazendo uma experiência com esta, escrevendo caps mais curtinhos...

Iene: Que bom que você gostou! Esta história está sendo divertida de escrever. Pelo menos por enquanto... rsrs. Obrigada por ler e comentar!


Um abração a todos que leram, e um beijo especial para a TaXXti por ser minha conselheira nesta fic!