Os dias que se seguiram foram particularmente estranhos para Rin, no que dizia respeito ao seu relacionamento com seu Senhor. Após aquela noite fria de lua cheia em que dormiu em seus braços, ela sentia-se extremamente feliz não parava de cantarolar e seu sorriso fácil estava mais presente do que nunca.

Rin não sabia exatamente o que a fazia sentir-se daquele jeito, sempre se sentiu bem em companhia de seu Senhor mas agora algo estava diferente, havia algo mais quando o via ou ouvia sua voz , alguma coisa acontecia dentro dela, uma coisa diferente de quando era criança. Ela passava muito tempo observando-o, os olhos dourados e enigmáticos como sempre a fascinavam, mas outras coisas chamavam a sua atenção como as linhas perfeitas de seu rosto, dedicava muito tempo aos lábios e cobiçava-os sem perceber. Ela não sabia o que estava havendo e nem tinha idéia do que sentia.

Sesshomaru percebia os olhares da garota para si quando ela se perdia em pensamentos admirando-o, isso o incomodava e por vezes ele a encarava severamente e chamava-a à realidade.

- Rin!?

- Sim Senhor Sesshomaru.

Ela respondia assustada após ser arrancada de seu sonho.

- Vamos logo.

Sesshomaru nunca foi um tolo, era reconhecido entre outras coisas por sua astúcia e também era experiente o suficiente para perceber as mudanças que os anos provocavam em Rin, assim como compreendia o que se passava na cabeça da menina quando o olhava daquela forma.

As mudanças que o tempo infligia a Rin também tinham efeito sobre ele, faziam-no sentir-se diferente perto dela, um certo desconforto, isso fez com que o Senhor das Terras do Oeste voltasse a erguer antigas barreiras que o mantinham afastado de Rin. A garota logo percebeu o afastamento e começou a ficar muito triste com isso, demorara tanto tempo para conquistar sua "confiança", para se aproximar e agora tudo voltara a ser como quando se conheceram com a diferença de que naquela época não sentia a dor de agora. "O que será isso? Por que essa dor tão grande e que não me abandona?" pensava consigo.

Várias semanas se passaram e eles continuavam sua caminhada pela floresta, estavam em um território desconhecido para Rin. Sesshomaru interrompeu seus passos subitamente olhando à sua volta, seu faro apurado havia detectado um cheiro forte e familiar.

"Gatos de fogo". Murmurou.

- Jaken, Rin afastem-se. Ele ordenou.

Logo um grande Yokai com cara de gato parou a sua frente com um olhar desafiador. Sesshomaru levou sua mão até a poderosa espada Toukijin, mas não a desembanhou, olhou seriamente para seu adversário que disse:

- Quem é você Yokai? Sinto o cheiro do clã dos Yokais cachorro.

- Sou Sesshomaru, Senhor das Terras do Oeste. Respondeu Sesshomaru com a calma e a altivez de sempre.

- Humm! Então é você o primogênito de Inu Taisho? Sua fama o precede rapaz, mas mesmo assim...ele faz um ruído chamando outros yokais de seu clã ...não devia ter atravessado meu território. Será um prazer acabar com um yokai de renome como você.

- Imbecil! Você acha que pode dizer a Sesshomaru aonde ele pode ir? Vai se arrepender por ter cruzado o meu caminho.

Sesshomaru desembanha a Toukijin e uma luta sangrenta se trava entre os dois yokais cujos clãs tinham uma rivalidade notória.

Rin e Jaken assistem ao confronto a uma certa distância e a menina não consegue esconder sua aflição, Jaken parecia não se preocupar pois confiava plenamente no poder e nas habilidades excepcionais de seu mestre.

O yokai gato era forte e extremamente ágil, mas ainda assim Sesshomaru não encontrava dificuldades em repelir seus golpes.

- Seu imbecil! Não vê que é inútil, um yokai inferior como você nunca conseguirá derrotar um yokai do nível de Sesshomaru.

O grande Senhor então desferiu um golpe que feriu gravemente seu oponente, seus companheiros ao assistirem tal cena e perceberem que o fim de seu líder estava próximo voltaram sua atenção para Rin e Jaken que estavam a uma distância razoável do local onde o combate acontecia.

Jaken defendeu-se usando o seu bastão de duas cabeças e tentou o máximo possível proteger Rin, mas os inimigos eram muitos, eles estavam cercados e em dado momento os gatos partiram para cima de Rin fazendo-a cair de cima de Ar-hu. No chão eles a atacaram com suas enormes garras afiadas provocando cortes profundos em sua carne, Rin gritava de dor e medo enquanto Jaken tentava se livrar deles, mas parecia que cada vez seu numero aumentava mais.

Na clareira adiante enquanto lutava com o yokai gato, Sesshomaru ouve o grito da menina e sente o cheiro de seu sangue.

"Rin" Ele murmura e olha na direção de onde vem o grito.

Ele então resolve pôr fim de uma vez a luta, quando o yokai se prepara para desferir um golpe, Sesshomaru o agarra ferozmente pelo pescoço fincando suas garras venenosas nele. Normalmente ele ficaria ali vendo a vida se esvair lentamente daquele corpo inerte , mas naquele momento não tinha tempo a perder, apertou com ainda mais força o pescoço do gato quebrando-o como se fosse um graveto, jogou-o longe e partiu em busca de sua protegida. Quando chegou ao local sacou a Toukijin e eliminou rapidamente os yokais que ainda estavam ali.

Rin ainda estava no chão chorando e sendo amparada por Jaken, suas roupas estavam sujas de sangue dos cortes que sofrera. Sesshomaru aproximou-se dela e ajoelhou-se, pegou Jaken pelo pescoço e atirou o corpo miúdo do yokai contra uma árvore dizendo:

- Seu inútil! Não consegue fazer nada direito, eu devia matá-lo.

Aproximou-se ainda mais da menina e sentiu seu coração apertar alterando seus batimentos, não sabia o que aquilo significava nunca se sentiu assim antes, mas nada pode ser notado em sua face impassível. Ele retirou os cabelos da menina que cobriam seu rosto inocente e viu as lágrimas rolarem o que demonstrava a dor que estava sentindo.

- Senhor Se sshoma ru... murmura. Ela tenta falar mas não tem forças ao sentir o toque dele.

- Fique quieta Rin eu vou tirá-la desse lugar.

Ele a pegou no colo e utilizando seus poderes transportou-se rapidamente para as margens de um rio, precisaria de água para lavar e tratar os ferimentos da garota.

Ele a deitou recostada a uma árvore e um corte profundo no pescoço dela chamou sua atenção, muito sangue saía dali. Sesshomaru removeu a parte de cima do kimono branco e o depositou no chão ao lado dela, abriu o kimono secundário que usava por baixo deixando à mostra uma espécie de blusa que ele rasgou arrancando-a do corpo. Ele foi até a margem do rio e molhou um pedaço do pano para limpar o rosto dela e os ferimentos menos profundos. Uma espécie de faixa feita com o tecido foi amarrada ao pescoço de Rin para estancar o sangramento, ela já estava pálida mas deu sinal de vida abrindo um pouco os olhos e chamando quase em sussurro por seu Senhor.. Sesshomaru estava ao lado dela e acariciou seu rosto ao dizer:

- Rin você precisa de um médico ou morrerá aqui.

Minutos depois, Jaken finalmente alcançou seu mestre montado em Ar-hu, logo que chega ele desmonta do animal e ajoelha-se à frente do Senhor pedindo perdão.

- Por fffavor Sssssenhoor Sssseeessssshomaru perdoe-me senhor, este seu servo imprestável não foi capaz de proteger a menina Rin. Eu sinto muito senhor. O pequeno yokai se desmanchava em lágrimas.

Sesshomaru ergueu-se e o olhou de forma ameaçadora, Jaken tremia imaginava que aquele seria seu fim.

- Ouça bem o que vou lhe dizer Jaken.

- Sim Senhor Sssessshomaru...

- Você vai pegar Ar-hu e levar Rin ao vilarejo onde Inuyasha vive com aquela humana. Rin precisa de cuidados que não posso prover, você vai deixá-la aos cuidados deles e não sairá de lá até ter certeza de que ela está bem. O vilarejo não fica longe daqui você deve chegar lá antes do anoitecer.

Jaken não gostou muito da idéia de ir a um vilarejo de humanos, mas jamais desagradaria seu mestre e queria também ajudar a garota. Obedeceu prontamente e como o mestre havia dito os dois chegaram ao vilarejo pouco antes do anoitecer. Foram recebidos com surpresa e desconfiança pelos moradores que gritaram a Senhora Kaede, esta veio apressada saindo de dentro de uma cabana.

- O que está acontecendo aqui? Perguntou a velha senhora.

- É um yokai , querendo entrar em nosso vilarejo. Disse um dos aldeões

Inuyasha e os amigos vieram a seguir.

- Sinto cheiro de sangue humano. Afirmou o hanyo.

- Hey espera aí! Aquele não é o Jaken?

Ai meu Deus aquela é a Rin, ela está ferida. Disse Kagome preocupada e correndo ao encontro deles. A senhora Kaede removeu a barreira que protege o vilarejo permitindo a entrada de Jaken. Ao se aproximar deles Kagome se assustou ao ver o estado da garota...

- Inuyasha! Ela chamou.. Ajude aqui, vamos levá-la para dentro.

O hanyo imediatamente pegou a garota no colo e a levou para dentro da cabana deitando-a no futon. Vovó Kaede a examinou rapidamente e deu instruções para que Inuyasha buscasse água, Sango deveria pegar roupas e panos limpos e Kagome deveria trazer as ervas que seriam usadas como medicamento. O monge Miroku e Shippo faziam companhia a Jaken que estava muito impaciente na sala.

Com a ajuda de Kagome e Sango a vovó Kaede retirou as roupas sujas de Rin e lavou seus ferimentos com todo cuidado para não desencadear mais sangramento, depois fez os curativos usando ervas especiais. A preocupação da velha senhora era com o corte no pescoço, por causa dele Rin perdera muito sangue e isso era muito preocupante.

Mais tarde, com a situação já estabilizada todos se reuniram na sala para ouvir de Jaken o que havia acontecido. Ele contou tudo com riqueza de detalhes e todos ouviram atentamente.

- Então Sesshomaru não conseguiu proteger a Rin. Hufff! Que idiota!

-Inuyasha! Kagome o repreendeu. Não acredito que você foi capaz de dizer isso.

- A culpa foi minha. Jaken concluiu. Eu devia protegê-la como o Ssssenhor Ssssessshomaru ordenou. O pobre servo chorava.

- Não se preocupe Jaken, ela vai se recuperar. Disse o monge Miroku tentando consolá-lo.

- Onde está Sesshomaru agora? Indagou Inuyasha.

- Eu não sei. Ele me mandou trazer Rin para cá, disse que ela precisava de cuidados que só aqui poderia obter...

Eles continuaram conversando...

A noite passou lentamente e todos revezaram-se para cuidar de Rin, pela manhã ela permanecia desacordada e continuava sob o olhar atento da vovó Kaede ou de Kagome.

Lá fora o sol brilhava intensamente e os rapazes conversavam sobre o ocorrido.

- Escuta Inuyasha, você não acha estranho o seu irmão ter mandado Jaken pra cá?

Perguntou Shippo.

- Meu meio-irmão você quer dizer.

Eu acho estranho sim, mas não dá pra saber o se passa na cabeça daquele imbecil arrogante.

Jaken fez menção em protestar ao ouvir isso mas desistiu ao ver o olhar de Inuyasha.

- O que eu acho é que o Sesshomaru se importa mais com essa garota do que ele imagina ou se permite admitir, ele sabia que não teria como cuidar dela na floresta então de certa forma ele passou por cima de seu orgulho para pedir nossa ajuda. Ponderou o monge.

Inuyasha retrucou:

- Aquele lá, abandonar o orgulho?...

- É sim Inuyasha, pensa bem ele nos pediu ajuda, não diretamente mas pediu. Eu imagino o quanto isso deve ter custado à ele.

- Talvez você possa estar certo Miroku... uma pausa... eu queria saber onde ele está agora... Divagou Inuyasha.

Horas mais tarde naquele dia houve uma alteração no estado de Rin, ela piorara, agora tinha uma febre muito alta que a fazia tremer e suar muito suas roupas estavam molhadas por causa do suor. Durante a febre ela delirava e o tempo todo só chamava por um nome com a voz fraca... Sesshomaru.

Kagome e Sango que estavam no quarto se entre olharam, a primeira colocou um pano com água fria na testa da garota e afagou seus cabelos dizendo:

- Calma Rin- chan, vai ficar tudo bem.