Cap. 2

Tea Of Lemon

Seguiu até a cozinha determinado. Dessa vez não se daria por vencido! Abriu a grande porta de madeira abruptamente.

- Sebastian! –

Encontrou-o de costas, concentrado cortando uma cenoura no balcão num canto da cozinha. A parte de cima do terno substituída por um avental branco. Ele parou o que estava fazendo e virou-se parecendo um pouco surpreso.

- My Lord? –

Ciel adentrou a cozinha, sentindo o frio do chão de mármore em seus pés descalços e o tecido do seu pijama roçar suavemente.

- Quero doces! – Exigiu autoritário.

Sebastian suspirou cansado fechando os olhos e seguidamente franzindo o cenho.

- Boochan, sabe que não posso te dar doces de madrugada, se não terás carie, E – Impôs sua voz na última palavra para que Ciel, que já se preparava para contestar, ficasse em silencio. – o senhor, com todo o respeito, não deveria estar acordado a esta hora da noite! Desse jeito, pela manhã estarás tão esgotado que não conseguirá cumprir seus deveres. –

Ciel não quis se dar por vencido e bufou de desgosto ao sermão do mordomo.

- Escovarei meus dentes ao terminar e não conseguirei dormir até comer uma bela torta! –

Os dois se encararam, Sebastian desgostoso e Ciel emburrado. Lindamente emburrado, reparou Sebastian.

Logo uma idéia lhe veio à mente e falou com um sorriso meigo no rosto.

- Yes, My Lord. Se não conseguiras dormir até ter teus desejos satisfeitos, posso apenas fazer o que me pedes. –

Dito isso, pegou ingredientes na dispensa e começou a preparar itens que seriam do gosto de seu mestre.

- Me espere no quarto Boochan, logo chegarei com seu lanche. –

Ciel ficou vendo a cena estagnado, sem saber o que fazer. Nunca antes Sebastian atendera a um pedido desses! (E olhe que já tentara diversas vezes) E ele nunquinha tinha-o dado doces de madrugada, sempre se negando veementemente.

Andou pela mansão adormecida de volta a seu quarto, assim como Sebastian pedira. Foi até sua gigantesca cama e sentou na beirada, sentindo os lençóis vermelhos lhe aquecerem a pele exposta.

Sentiu-se tremer. Esta noite estava particularmente fria, mas não era isso que fazia Ciel tremer... Era um nervosismo que crescia dentro de si. Não havia ficado a sós com Sebastian desde aquele dia... O que ele viera lhe servir o costumeiro café da tarde e... Bem, tentara se esquecer do que se passou, porém nem seus sonhos nem seu corpo o deixavam. Pegou-se acordando de madrugada, ofegante e... Com um "probleminha" lá em baixo.

Ah! E como isso o irritava... E muito! Não compreendia como pôde corresponder tão fácil aos toques daquelas... Daquelas... Hábeis mãos. É, tinha de admitir – a contragosto – que Sebastian sabia o que fazia. Claro, não duvidava que Sebastian, tão belo e sedutor, não fosse mais... Err... Virgem.

Corou com o rumo que seus pensamentos tomavam. Mas não pode evitar se questionar: "Por que ele fez o que fez? E por que, acima de tudo, ele não cumpriu o final do contrato?". A vingança já estava completa! Já havia vingado sua família e recuperado a honra dos Phantomhive. Estava decidido a perguntá-lo assim que ele trouxesse seus doces. Mas perguntaria com cuidado, afinal, nunca demonstraria sentimentos àquele demônio além do de ódio, vingança e determinação.

Ficou por um longo tempo pensando em como abordar o demônio quando ouviu três batidas na porta. Era ele. Suspirou, se preparando para a abordagem que viria a seguir, e disse com a voz neutra:

- Entre. –

A porta se abriu com um longo ranger e Sebastian adentrou a porta com o carrinho de lanches. No carrinho se encontravam vários doces e no centro de tudo, uma belíssima torta branca enfeitada com cobertura verde.

- Aqui estão Boochan, assim como queria – Disse o mordomo fazendo uma mesura com seu sorriso torto típico.

Ciel ficou impressionado com o trabalho do demônio e não pode evitar ficar com água na boca, lambendo o lábio inferior rapidamente.

Sebastian sorriu e disse com a voz divertida:

- preparei estes damascos com chocolate, devidamente recheado com doce de leite e com meio banho de chocolate. Também fiz um típico doce americano, o marshmallow. Também preparei esta calda de chocolate, assim como esta torta de limão que aprendi com um grande Chef italiano, espero que seja de seu agrado. -

Terminou de falar enquanto empurrava o carrinho em volta da cama, indo para o outro lado. Ciel o acompanhou confuso com o olhar. O mordomo se sentou do outro lado da gigantesca cama, retirando suas luvas.

- O que irá querer primeiro, Jovem Mestre? - Perguntou com uma voz, que para Ciel, soou sedutora, fazendo com que ele se arrepiasse.

- Hm... A-Acho que... A torta. - Respondi tentando manter a voz firme. Sebastian pegou um garfo prata de sobremesa e tirando um pedaço da torta, o segurou a sua frente, esperando a um Ciel que observava ingênuo. Depois de algum tempo Ciel finalmente se mexeu, engatinhou lentamente pela cama sentindo que morreria de vergonha e agradeceu aos céus quando finalmente atravessou a cama, chegando ao seu destino... Ele.

Aproximou a cabeça lentamente e ao chegar ao garfo - Que Sebastian não fazia esforço algum para aproximá-lo - abriu a boca minimamente, o bastante apenas para a passagem da comida. O mordomo observava a tudo com seu belo sorriso torto, fazendo Ciel tremer sob aqueles olhos carmesins.

Assim que estava com a torta na boca se endireitou e sentou-se em frente a Sebastian com as pernas cruzadas. O demônio sorriu e perguntou:

- Quer mais? -

-... Quero. - Respondeu Ciel, sem encará-lo.

Sebastian tirou outro pedaço da torta. Ciel já se inclinava para abocanhá-lo quando de súbito, Sebastian levou o garfo até a própria boca! Ciel ficou espantado vendo Sebastian espalhar de forma Sexy o que deveria ser seu pedaço de torta pelos próprios lábios.

- O que está fazendo Sebastian? - Perguntei irritado. - Pensei que a torta fosse pra mim! -

Sebastian apenas se limitou a responder:

- E ainda é! O Jovem Mestre não o quer? Então... Venha pegar! -

Ciel arregalou os olhos de surpresa, sentindo toda sua face corar. O que aquele maldito demônio achava que estava fazendo?

- Ou será que... - Continuou ele, com um sorriso de deboche. - O Bocchan está com medo de algo?

Ciel quase que de imediato esqueceu-se da vergonha e retrucou irritado:

- Ora! Como se eu estivesse com medo de algo! Pois bem, se acha que me assusta com seu "joguinho" idiota está deveras enganado Sebastian! -

E tendo dito isso se apoiou nos dois joelhos e, segurando delicada e tremulamente a face de Sebastian com ambas as mãos, lhe deu um suave beijo.

Seus lábios ficaram ligados por um longo tempo. Ciel sentiu sua mente ficar confusa e logo não conseguiu pensar direto, se perdia cada vez mais nos lábios literalmente doces do demônio. O que ia perguntar mesmo? Não se lembrava mais. Afastou um pouco os lábios a fim de sentir melhor o sabor da torta e, timidamente, encostou a ponta da língua no lábio inferior de Sebastian.

Para a surpresa de Ciel - que ficou ainda mais confuso - Sebastian não ficou passivo ao que estava acontecendo e, assim que o tocou com a língua, sentiu sua boca ser invadida pelo mais velho. O mordomo ia descobrindo todo o interior do garoto ávidamente. Segurou Ciel pela fina cintura, trazendo-o mais para perto de si. A mente de Ciel trouxe de volta a lembrança daquela tarde, e não pôde evitar sentir todo seu corpo aquecer, e lentamente passou os braços em volta do pescoço de Sebastian, aprofundando ele mesmo o beijo, surpreendendo o outro.

- Bo... Bocchan? -

Ciel afastou-se lentamente, ofegante e completamente corado.

- Se-Sebastian... - Falou num tom lânguido, que até ele mesmo se envergonhou. - Eu... Não entendo... -

Teria continuado se não tivesse sua boca novamente invadida pelo demônio que só se separou quando ambos pediam por ar.

- Ah... Bocchan... Como você pode me seduzir tão inadvertidamente? - Sussurrou ao ouvido de Ciel, deixando que seu hálito quente o arrepiasse por completo, fazendo o mordomo sorrir de satisfação.

Sebastian, num rápido movimento, suspendeu Ciel e o deitou no centro da cama, deixando-o estirado com os braços acima da cabeça. Foi se aproximando vagarosamente, ficando por cima dele, que corou violentamente.

- Se-Sebastian! Eu preciso saber! - Finalmente se pronunciou, tomando a coragem que antes lhe faltara.

Sebastian colocou os braços nos lados do rosto de Ciel, deixando seu rosto a centímetros de distância.

- Sobre o que... My Lord?-

Ciel sentiu sua voz falhar. Aqueles olhos vermelhos... Aqueles lábios... Sua respiração... Tão perto. Mas se concentrou no que queria saber, agora que tinha começado tinha de terminar.

- Eu... Fiquei pensando no que aconteceu... - Desviou o olhar envergonhado. -Naquele dia... Eu quero entender... Por que você fez aquilo? E por que está fazendo isso agora? -

Sebastian o encarou por longos minutos sem nenhuma expressão. Chegou ainda mais juntou de Ciel, sem em momento algum parar de olhá-lo nos olhos. Parou quando seus lábios já iam se tocar, fazendo com que os olhos de Ciel se estreitassem em antecipação.

- Por que achas que estou fazendo isso? - Sussurrou antes de finalmente beijá-lo.

Suas línguas se tocavam com desejo, fazendo Ciel notar que já ansiava por esse momento a muito. Sentiu a mão de Sebastian subir atrevida pelo seu corpo, começando pela perna e adentrando o pijama, chegando até seu mamilo. Entre os beijos Ciel soltou uma suspiro ante ao toque. Sebastian parecia gostar de suas reações e continuou tocando-o enquanto alternava lambidas e mordidas no pescoço do jovem.

Com um dedo, Sebastian foi traçando um vagaroso caminho até o membro, coberto pela cueca, de Ciel que soltou um gemido contido ao sentir aquele toque atrevido.

- Se-Sebastian! -

O mordomo apenas se limitou a sorrir e, descendo a cabeça até essa região, retirou a cueca do outro com a boca, deixando um rastro de saliva. Ciel se contorcia e mordia o lábio inferior a fim de abafar um longo gemido. Sebastian sorriu ainda mais.

- Bocchan, farei com que não aguente segurar sua voz por mais tempo. -

Tendo dito isso, pegou o pote que continha calda de chocolate e derramou o líquido morno no pênis de Ciel, fazendo-o arfar. Deu uma longa lambida no membro do garoto, percorrendo toda sua extensão.

- Hm... Delicioso - Falou o demônio maliciosamente.

Logo após, deu leves lambidas na glande e de súbito abocanhou-o por inteiro. Com isso Ciel não pode se conter e deixou escapar um alto gemido de pura luxúria. Sebastian continuou a chupá-lo e ao mesmo tempo, percorreu a mão até as nádegas de seu mestre, acariciando sua entrada.

Ciel sentiu uma ardência ao ter sua entrada invadida, mas a dor logo foi substituída novamente por prazer. Sentia o dedo do demônio lhe estocando e ficou surpreso quando percebeu que queria mais. Sebastian, parecia que havia lido sua mente e logo introduziu o segundo dedo, fazendo o garoto soltar um gemido de dor.

- Dentro do bocchan... É apertado. - Falou o demônio entre os beijos que distribuía naquela região rígida, fazendo Ciel agarrar-se ao lençol da cama.

- Ahhh... An...! - Ciel não conseguia mais se conter e nem toda a vergonha que sentia o impedia de sentir todo aquele prazer proporcionado pelo (seu) Sebatian.

A dor e o prazer se misturaram quando Ciel sentiu o terceiro dedo entrando em si. Soltou um baixo grito de dor, mas logo Sebastian, que agora apenas assistia o prazer de seu mestre, tratou de acalmá-lo.

- Relaxe Jovem Mestre, não se retraia e logo passará. -

De alguma forma aquilo conseguiu acalmá-lo. Talvez fosse a voz de Sebastian que fazia com que Ciel entrasse em deleite. Com o tempo tudo o que escapava daqueles pequenos lábios eram gemidos de prazer, que hora ou outra eram abafados por um longo beijo roubado pelo demônio que, enquanto penetrava Ciel com os três dedos, se tocava.

Os espasmos foram ficando mais fortes, e Ciel sentia que logo enlouqueceria de tanto prazer. Mais algumas estocadas e Ciel chegou ao ápice, melando os dedos de Sebastian e sua própria barriga com seu sêmen. Com a voz ainda arfante Ciel disse:

- Sebastian... Eu... Estou todo melado... -

Por um momento Sebastian não acreditou no que viu e ouviu. Seu mestre, a pessoa mais orgulhosa e egocêntrica que conhecera nos seus séculos de vida, o olhando com aqueles olhos nublados de luxúria, aquela boca entreaberta implorando por ar e tentando-o com aquele belo e frágil corpo nu... Ainda por cima fala - com a voz mais sedutora que alguém poderia ter - que ficou todo melado? Ah... Aquilo foi demais para o pobre mordomo, que quase que imediatamente chegou ao ápice e espalhou se sêmen por sua mão e pelos lençóis.

Os dois ficaram por um tempo apenas se recuperando dos espasmos do recente orgasmo, e após alguns minutos Sebastian se arrastou por cima de Ciel e disse, sorrindo meigamente:

- Então tomaremos banho e escovarei seus dentes para dormir, Bocchan. -

E logo após dizer isto deu um suave selinho nos lábios de seu mestre que apenas se limitou a responder:

- Tudo bem, tomaremos banho juntos... Mas não tente nada de engraçadinho! Isso é uma ordem! -

Após dizer isto, Ciel se calou e achou que se perderia no olhar do demônio, sentindo algo estranho em seu peito... Um sentimento caloroso que ele, como não o sentia há muito tempo, não o reconheceu.

Sebastian que já havia se levantado colocou a mão em seu peito nu e respondeu com um sorriso genuíno:

- Yes, My Lord. –