Estive Procurando Por Você Minha Vida Toda

Capítulo 2: Velas


Kurt desconfiava desse menino. Se ele era tão mau quanto seus amigos, então não havia como dizer o que ele faria com ele.

"Ah, aqui" disse ele, colocando os óculos de sol de volta em seu rosto. Kurt pulou, ainda abalado por antes. "Desculpe!" Blaine disse, castigando-se por esquecer a sua incapacidade de ver.

Havia verdadeira intensidade em sua voz por trás do tom frio inicial que ele emitiu. Sua mão sobre a dele era suave, calejada, mas gentil. Ele podia sentir as bordas dos cortes nos nós de seus dedos, resultado de brigas. Ele tinha certeza que seus olhos eram tão frios quanto à primeira camada de sua voz, e ele se perguntou com o que o resto de seu corpo se parecia.

Ele não sabia o que este menino, Blaine, queria com ele, ou qual era o seu ponto, mas ele queria saber mais.

"Então" ele se aventurou, indo adiante em sua missão. "Você estuda no McKinley?"

"Não. Academia Dalton. Em Westerville" ele disse rispidamente.

Ótimo, eu estou sendo levado para casa por um criminoso, ele pensou. Ele poderia subestimá-lo o quanto ele quisesse, mas... havia uma certeza, alguma coisa neste garoto chamado Blaine, que usava couro, cheirava a chiclete e cigarros o fazia querer ficar com ele e manter sua mão na dele.

Blaine parecia ser algo maravilhoso. Ele balançou a cabeça, percebendo que ele estava falando com ele. "O que?"

"Eu disse, onde você estuda?" disse Blaine. Kurt sentiu um sorriso.

"McKinley" afirmou, antecipando a zombaria que se seguiu.

"Hum, como você-?"

"Só porque eu não posso ver como todo mundo pode não significa que eu não possa manter-me academicamente" ele retrucou agitado e corando. "Mando fazer meus livros em Braille, há um cadeado no meu armário e eu não tenho aulas de ginástica, ok?" Ele rosnou.

"Uau, desculpe" Blaine disse, tentando livrar-se da culpa que sentia por constrangê-lo. Ele manteve isso longe de sua voz. "Só por curiosidade. Não precisa ficar estressadinho¹". A careta de Kurt se aprofundou.

"Se você ouvisse todo professor, colega de classe ou adulto com quem você teve contato sempre dizer exatamente a mesma coisa para você, você estaria um pouco irritado também", ele cuspiu. Ele estava furioso agora, desejando poder ir embora, mas ele não tinha ideia de onde estava, no entanto. "Em que rua estamos?" ele exigiu.

"Hum, Cherry", respondeu ele.

"De frente para onde?"

"Norte".

"De que lado da rua?"

"Esquerdo"

"Tudo bem então, Blaine" ele disse firmemente, com raiva "Eu posso encontrar meu caminho daqui em diante. Obrigada por me humilhar e fingir me ajudar". Ele começou a se afastar. Blaine agarrou sua mão para detê-lo.

"Ei, ei, espere um segundo" ele implorou. Você não pode ir. Ainda não, eu acabei de te conhecer. Eu quero saber mais, quero saber tudo sobre você. Você não pode ir ainda. Ele limpou a garganta, removendo as vulnerabilidades. "Olha, eu não tive a intenção de ofendê-lo, ok? Desculpa eu ter te deixado nervoso, eu realmente sinto muito." Kurt franziu a testa, determinado.

"Eu não acredito em você" ele disse.

"O que eu posso fazer para que você acredite em mim?" ele perguntou exasperado.

De repente, Kurt colocou suas mãos no rosto de Blaine, as pontas dos dedos tocando os cantos da boca, os olhos e as bochechas do garoto. "Diga isso de novo" ele demandou.

"O que você está-?"

"Apenas, me deixe fazer isso, ok?" Ele disse. "Diga novamente, por favor."

"Eu sinto muito se eu deixei você nervoso. Estou muito, muito arrependido. Eu não estava tentando humilhá-lo ou qualquer outra coisa, eu não estava", ele disse.

Kurt podia ver quando ele precisava. Agora ele podia ver um monte de coisas. Ele viu a pele lisa de Blaine e seu cabelo encaracolado e escuro, talvez, mas isso foi apenas um palpite. Ele viu a suavidade de seus lábios e... e a sinceridade de suas palavras. Kurt podia ver Blaine então, ver seu rosto. Havia buracos que ele tinha de preencher, é claro, mas ele podia vê-lo e também a verdade.

"Ok," ele respirou, lentamente tirando as mãos. "Eu acredito em você." Blaine sorriu novamente, surpreendendo a si mesmo. Ele estava tão desacostumado a isso...

"Posso te levar para casa ainda?" Ele perguntou, sua voz travou entre a demanda e a permissão. Kurt acenou com a cabeça, decidindo conceder-lhe isso. "Legal".


Burt franziu a testa, olhando seu filho vir com um rapaz que ele não conhecia... Um menino com um olhar irritado e uma expressão fixa de raiva e arrogância. Sua jaqueta de couro marrom era desgastada, sua camisa branca apertada estava machada com graxa que ele imaginou ser de algum tipo de motocicleta perigosa. Um cigarro pendia em seus lábios, dedos machucados e uma cruz pendurada no pescoço.

Bem, acho que até mesmo sacos de lixo precisão de religião... Ele pensou venenosamente. Seu interesse principal era saber o que este rapaz 'fora da linha' estava fazendo com seu filho.

"Obrigado", Kurt disse suavemente, olhando para ele, bem... em sua direção. Blaine deu de ombros, mantendo a calma.

"Não tem problema." O anjo pálido começou a se afastar. "Ei, espere!" Ele disse, segurando-lhe o braço. "Hum, eu posso te ver de novo algum dia?"

Kurt fez uma pausa, seu coração vacilou, suas bochechas ficaram vermelhas e quentes. Será que... ele só...

Ele só... só me chamou para sair... não foi?

"O quê?" Ele engasgou.

Blaine olhou para ele, sua pele macia, seu cabelo, seus lábios e... e muito mais.

"Hum, é... eu posso ver você de novo?" Ele repetiu, tentando não parecer ansioso ou desesperado.

Então, ele tinha ouvido corretamente. "Hum, eu, uh...".

Blaine balançou a cabeça. Olhe para si mesmo, ele pensou, reabrindo velhas feridas. Por que alguém iria querer você? Especialmente alguém como ele? "Está tudo bem", ele suspirou. "Esta tudo bem. Você não tem que ir se você não quiser. Tá legal." Ele se afastou, virando-se. Kurt pegou sua mão.

"Espere", disse ele, sabendo que seu pai estava provavelmente os observando neste momento. "Eu quero". Os olhos de Blaine se arregalaram.

"Você quer?"

"Uhum", ele murmurou.

"Hum", ele sorriu, jogando o cigarro fora. "Eu vou passar por aqui amanhã... se você quiser sair?" Ele tentou soar legal, tranquilo e distante.

"Você estava indo lá na escola?" perguntou Kurt.

"Uhum".

"Então você pode me encontrar lá fora", ele murmurou. "Se você quiser".

"Kurt!" Seu pai chamou.

"Definitivamente".

"Ok" Blaine estava sorrindo novamente.

"Kurt!"

"Estou indo" Ele disse. Blaine olhou para a porta. "Tchau Blaine" o anjo sorriu. O coração de Blaine saltou no peito.

"Vejo você por aí, Kurt".

Kurt contou o caminho até a porta, ouvindo os passos hesitantes de Blaine na grama enquanto ia embora. Ele passou por seu pai sem parar, sorrindo para si mesmo.

"Quem era?" Burt exigiu, seus instintos para proteger o filho tomando conta dele.

"Um amigo", Kurt disse calmamente, pendurando seu casaco.

"Que tipo de amigo?"

"Não tenho certeza ainda." Ele podia ouvir a euforia em sua voz, o que o preocupava um pouco.

"Kurt", ele suspirou. "Eu não sei se eu quero você perto de alguém assim".

"Assim como?"

"Não se faça de bobo comigo. Você sabe do que eu estou falando", disse ele firmemente. Kurt suspirou.

"Ele é um garoto legal, que me trouxe para casa depois que eu me perdi no parque", explicou. "Eu não vejo porque eu não deveria ter permissão para ficar perto dele." Burt suspirou, de braços cruzados e narinas infladas. Kurt ouviu sua respiração profunda e deu um tapinha no ombro de seu pai.

"Está tudo bem, pai. Estou bem. Não se preocupe", ele sorriu e subiu.


"Eu te disse, eu precisava ir para Lima com os garotos!" Ele se defendeu, incapaz de bloquear os golpes ao lado de seu rosto. Seu pai agarrou o colarinho de sua camisa, batendo-o contra a parede e encarando-o.

"Não minta para mim, seu bastardinho!" Ele gritou, um bafo de álcool o atingiu. "Qual de seus amiguinhos viados² você foi ver, heim? Quem você fudeu, sua bicha?" Blaine empurrou-o para longe.

"Eu não fiz nada!" Ele rosnou, com sangue nos lábios. "Não é da sua merda de conta o que eu fiz!"

"NÃO ME RESPONDA, GAROTO!"


Ele voltou para seu quarto, abatido e trêmulo.

Em um mundo perfeito em algum lugar, hoje à noite teria sido muito diferente. "Eu conheci um cara hoje, papai", ele diria. "Ele é perfeito e lindo e eu nunca vi ninguém como ele antes."

"Isso é ótimo, Blaine," seu pai iria responder. "Estou feliz por você."

Mas não.

Ele abaixou a cabeça, o coração pesado, o corpo dolorido. Ele já esteve pior, sim... mas ele não tinha certeza do quanto ele poderia suportar, antes de desabar.

Ele cobriu o rosto, uma lágrima deslizou por ele.

Ele esperava que fosse melhor amanhã.


Nota da Tradutora:

1- No original "Bitch-mode", é mais ou menos como quando uma menina está naqueles dias e dizemos que ela está de TPM, coloquei "estressadinho" porque é mais cabível na situação.

2- No original "Fuck buddies", é um tipo de amigo com benefícios, com quem se mantem relações sexuais casuais. Não consegui uma tradução apropriada e optei por aquela mesmo.