Os primeiros dias não foram fáceis. Havia muito a aprender e pouco tempo. Mas Astória logo se destacou por seu conhecimento em Direito da Magia e logo foi destacada para um posto melhor que fazer cansativos relatórios sobre o andamento da discussão sobre a regulamentação do uso de capas-bruxas perante os trouxas.

Em um mês, Astória aprendeu mais que todos seus anos de estudo em Hogwarts. Já sabia todos os direitos e deveres de bruxos menores de idade, bruxos idosos e bruxos com problemas de saúde especiais. E como vivenciara a última guerra bruxa por estar em Hogwarts, logo passou a analisar os casos de indenização das vítimas e parentes de bruxos mortos e confisco de bens e pagamentos de multas daqueles que apoiaram o Lorde das Trevas.

Eram trabalhos complicados, mas eram os que Astória mais gostava.

Depois de quase dois meses no ministério, seu Chefe, Amos Digory pediu que fosse a sua sala no final do expediente. Aquilo a deixou apreensiva, pois alguns estagiários haviam sido dispensados por não se adaptarem ao trabalho. Mas havia gostado tanto do que fazia, o que dera errado?

Depois de terminar tudo, arrumou suas coisas e rumou para a sala do chefe.

Bateu na porta e esperou que ele a mandasse entrar.

-Entre- Amos Digory falou.

- Com licença senhor. – entrou e sentou na cadeira que ele lhe indicara.

- Senhorita Greengrass, tem feito um ótimo trabalho no setor de direito da magia. Confesso que fiquei apreensivo em colocá-la na seção de pendências da guerra, mas fiquei muito feliz com seus resultados. Aquela pilha de documentos estava muito maior antes da sua chegada. Está satisfeita com seu trabalho?

- Sim senhor Digory, gosto muito do que estou fazendo.

- Ótimo! Pois tenho uma proposta a lhe fazer. Seu estágio durará um ano e meio. Mas estamos precisando de uma atendente no serviço aos bruxos para resolver as pendências da guerra. Não é um trabalho fácil, a senhorita precisará ouvir todos e muitas vezes usar a varinha para se defender dos mais nervosos que ficarem insatisfeitos. Entende o que quero dizer?

- Sim. Mas... E o meu estágio? Eu preciso estar formada para trabalhar não?

- Sim, a senhorita precisará cumprir todo seu tempo de treinamento. Porém, aí está minha proposta. Pela parte da manhã, atenderá os bruxos e a tarde continuará seu estágio. Receberá o mesmo valor do estágio e mais o valor que receberia se fosse uma funcionária normal que trabalha em tempo integral. Aqui está tudo explicado – tirou um pergaminho da gaveta e entregou a Astória – quero que leia com atenção antes de me dar sua resposta e fique ciente que visitas ao St. Mungus serão comuns se virá uma atendente. Preciso que me responda amanhã, pois se não aceitar, preciso procurar outra pessoa o mais rápido possível. Mas, pelo que tenho observado, é a pessoa ideal para este cargo, pense bem, ninguém com sua idade ganhará um salário tão bom no Ministério da Magia.

- Eu vou pensar senhor, muito obrigada.

Astória saiu da sala do chefe mais feliz do que conseguia imaginar. É claro que aceitaria a proposta, correndo o risco de alguns acidentes é claro. Abriu o pergaminho e viu que o salário compensaria. Estava economizando tudo o que podia e agora poderia comprar uma casa ou apartamento seu em menos de um ano se aceitasse o "novo" emprego. Toda a tristeza que vinha sentindo nos últimos dias pela família ainda ignorá-la melhorou muito.

O dia fora muito cansativo e ao chegar em casa todas as colegas de apartamento já haviam chegado. Pelo menos o banheiro estava vago agora e poderia tomar um longo banho quente relaxada.

Menos de uma semana depois de aceitar o novo cargo, Astória já trabalhava a todo vapor. Era atendente na seção especial de pendências da guerra. Como revisava todos os casos, já estava ciente da maioria dos problemas. Bruxos pediam indenizações aos comensais da morte que mataram seus parentes, destruíram suas casas ou roubaram seus pertences. E ainda tinham aqueles que apesar de não serem comensais, apoiaram Voldemort e também foram punidos com o confisco dos bens. Os comensais estavam presos ou foragidos, os presos não podiam comparecer ao Ministério e geralmente mandavam algum representante. O caso do dia era de Sally Red, que pedia restituição de um colar de rubis que segundo ela fora roubado por Lúcio Malfoy. Os bens de Lúcio Malfoy foram confiscados e ele estava em azkaban cumprindo pena. Depois de reler tudo e fazer algumas anotações, Astória chamou Sally e a ouviu e depois chamou Lúcio Malfoy.

Esperou um pouco e quando a porta abriu, não era Lúcio, mas alguém muito parecido com ele. Os mesmos cabelos louros e os olhos cinzentos que Astória conhecia de Draco Malfoy, estavam um rosto um pouco mais velho e com barba. O mesmo jeito arrogante o acompanhava. O queixo levantado que Astória também exibia por ter sido ensinada a vida inteira que era melhor que os outros por ser de família puro sangue. Provavelmente teria problemas com aquele caso.

- Srta. Greengrass – a voz educada de Draco interrompeu o silencio enquanto ele sentava – quanto tempo.

- Senhor Malfoy. Espero que esteja bem. – resolveu manter o mesmo tom formal. Conheciam-se desde pequenos, pois suas famílias freqüentavam os mesmos eventos sociais.

- Mesmo com o Ministério tentando arrancar tudo o que é meu, estou muito bem. Só estou surpreso por encontrá-la a frente disso. Nunca pensei que lhe encontraria aqui.

- Os tempos mudam, crescemos e trabalhamos não?

- Ah sim – falou em tom sarcástico- mas, acho que não entendeu, quis dizer que nunca imaginei que a encontraria trabalhando em lugar nenhum, digo, não é comum senhoritas do seu nível trabalharem no Ministério da Magia.

Astória respirou fundo. Nunca gostou ou desgostou de Draco Malfoy. Sempre o achou arrogante, mas nunca se importou pois não tinha qualquer ligação e mesmo quando se encontravam com suas famílias apenas trocavam cumprimentos e nada mais. Dafne era colega dele em Hogwarts, mas como não era da mesma casa que a irmã, nunca se falaram na escola.

- Senhor Malfoy, estamos aqui para discutir a acusação que a Sra. Red lhe fez. Se quiser discutir minha vida pessoal, sugiro que faça em outro momento, pois tenho coisas muitos importantes para resolver.

- Isso é um convite? Está tentando me convidar para sair depois do expediente? A Sra. River, antiga dona dessa mesa não gostava muito de mim. Mas vou aceitar seu convite como um pedido de desculpas por todas as vezes que já fui chamado de algum nome não muito civilizado por aqui.

Ele estava se divertindo com a irritação dela. Resolveu ignorá-lo.

- A Sra. Red acusa seu pai de roubá-la. O colar que ela se refere não foi encontrado nas coisas confiscadas de sua família. Na última avaliação feita por um duende, o colar valia 20 mil galeões, ela disse que se não devolverem o colar quer o valor que foi estabelecido. De acordo com Gringotes, sua conta bancária continua na casa dos milhões Sr. Malfoy e vem aumentando.

- Astória – ela não soube o porquê na hora, mas gostou de ouvi-lo chamar seu nome. – eu vou explicar de novo, mas só porque você é novata. Nem todos os bens que meu pai possuía, pertenciam a ele. A Herança que meu avô deixou não pode ser confiscada pelo ministério. Os Malfoy eram muito ricos e está tudo comprovado nesses papéis. – entregou-lhe alguns papéis com um grande carimbo do ministério que oscilava entre as palavras "Ministério da Magia" e "autêntico". Leu rapidamente e estava tudo em ordem. Segundo as leis da magia, realmente não podiam confiscar bens adquiridos por herança familiar.

- O colar não está em nenhum lugar em sua casa?

- O próprio Ministério revistou a mansão. Mas acho que tenho alguma pista de onde alguns artefatos podem estar. – tirou do bolso interno da elegante capa preta um pedaço de pergaminho dobrado enrolado por um fio. – Aqui tem os nomes de uns parentes que temos na Bulgária, Egito e Romênia. A maioria são mulheres, que se casaram e não usam mais o sobrenome Malfoy. Elas não passaram pela revista porque não gostam que saibam que são Malfoys também. É tudo o que posso dizer pra ajudar, não vou pagar galeão nenhum, porque não roubei nada de ninguém. Todo o dinheiro que tenho foi herança e do meu próprio trabalho. Mais alguma coisa?

- Vou encaminhar essa lista para a sessão dos aurores para visitarem seus parentes. Assim que a investigação terminar marcaremos outra audiência. O senhor pode ir.

Draco levantou-se, caminhou até a porta e quando ia colocar a mão na maçaneta virou de volta.

- E então, eu aceitei seu convite.

- Não tem convite nenhum senhor Malfoy – Astória disse anotando as novas informações no pergaminho que encaminharia aos aurores.

- Que horas você vai almoçar?

- Não vou almoçar ou sair com você Draco! E por favor, saia que ainda preciso atender várias pessoas antes de pensar em comer.

- Bem, pelo menos já me chamou de Draco. – falou com um sorriso presunçoso – espero encontrá-la em breve, mas me diga, porque eu não a vi no quase casamento de sua irmã?

Dafne não seguira exatamente o conselho da irmã, mas para desgosto da família não aparecera no próprio casamento que Astória foi rudemente impedida de entrar.

- Ora, ela não ia, pra que gastar meu vestido novo? – tentou esconder o fato que estava com todas as relações cortadas com a família.

- Quem sabe eu possa ver seu vestido novo por aí. – Draco disse claramente flertando com ela e finalmente saiu.

- Draco Malfoy! – foi só o que ela conseguiu dizer.