Shipper: Edward/Winry
Gênero: Romance
Fiction Rated: K+
DISCLAIMER FMA não é meu, mas se a Hiromu Arakawa quiser minha opinião, lá vai ela: case logo esse povo!
Valentine's Day
Winry estava passeando pela cidade, distraída com as lojas e com as pessoas, quando viu, do outro lado da rua, um certo garoto loiro de sobretudo vermelho saindo apressado de uma joalheria com uma caixinha de presente com um laço rosa na mão. Instintivamente ela se escondeu atrás da caixa de correios que estava na sua frente para não ser vista e estragar a "surpresa", já que Edward deu a entender que queria lhe dar um presente antes que ela fosse embora no dia seguinte para Rizembool.
E que surpresa seria, já que nunca havia passado pela cabeça da menina que ela ganharia uma jóia do baixinho encrenqueiro que ela conhecia desde... desde sempre, já que eles eram vizinhos e, por terem nascido na mesma época, já brincavam juntos muito antes de terem idade para se lembrar.
Só depois que o susto inicial de encontrar o que não procurava passou e ela se contentou com a idéia de não ganhar nada envolvido com máquinas e rodas dentadas e começou a imaginar o que ganharia no lugar é que o óbvio apareceu e lhe deu uma sacolejada. Edward entrar em uma joalheria e sair de lá com um embrulho só poderia significar uma coisa: ele iria se declarar e ela era a única menina na vida do geniozinho tarado por alquimia... ou pelo menos pensava que era... Não! Com certeza ela era a única ou Alphonse teria falado alguma coisa.
Então Edward iria se declarar... para ela!
Ela não saberia explicar se teve uma síncope a mais ou uma diástole a menos, mas a impressão que a garota teve foi de que seu coração parou de bater por um instante, tamanho o impacto da reflexão e o não saber o que fazer com ela.
A talentosa mecânica se apoiou na caixa de correio com uma das mãos e levou a outra ao peito. Seu coração agora batia apertado, mas ela ainda não tinha entendido o porquê. Será que... não. Não podia ser.
Ela fechou os punhos, indignada. Era muita cara de pau daquele tampinha achar que tinha alguma chance com ela, uma garota linda e loira, além de extremante inteligente e de personalidade cativante. Ela era o sonho de consumo de qualquer garoto, não havia nada demais em ter uma lista de pretendentes... mas Edward Elric não era só mais um garoto. Aliás, ela nem sabia se pensava nele como menino, já que ele estava mais para criatura assexuada como todo amigo é... ou pelo menos ela pensou que sim, mas uma dúvida incômoda a invadiu quando começou a analisar mais profundamente seus sentimentos e separar o que realmente sentia do que pensava que sentia e do que havia se convencido a sentir por mera conveniência.
Quando eles eram pequenos, os dois irmãos chegaram a disputar quem se casaria com ela. Al venceu, mas ela se recusou a casar com ele, porque os dois era muito baixinhos. Não era um argumento dos mais adultos, tinha que admitir. Aquilo havia sido brincadeira de criança... Só que agora eles não eram mais tão crianças e parecia que Edward sentia algo a mais por ela, mas como ela se sentia?
A menina loira chegou ao hotel e subiu para o quarto, jogou-se na cama e agarrou-se ao travesseiro.
O que ela sentia? Era difícil definir qual o significado do mais velhos dos Elric tinha para ela. Os irmãos tinham um lugar especial em seu coração, mas ela não se sentia da mesma forma com relação aos dois, já que eles eram tão diferentes. Alphonse era adorável, bonzinho e sensato enquanto Edward era agitado, arrogante e irritante... Seria injusto comparar os dois. Entretanto... Ela gostava de estar na companhia do garoto... Se preocupava até demais com ele... E, o divisor de águas, não gostou nem um pouco da possibilidade de haver outra menina na área. Não dava para racionalizar o sentimento, mas ela se pegou sorrindo ao pensar nos olhos dourados e decididos do amigo de infância e entrou em pânico. Ela estava apaixonada por ele e nem havia se dado conta.
Tudo estava a um passo de mudar para sempre e isso assustava Winry, pois a amizade com Ed era algo muito importante para ela e mudanças sempre assustam em um primeiro momento, até se concretizarem como algo bom... ou ruim, mas de algum modo tranqüilizante, já que sem o elementos surpresa.
Edward... O que mudaria depois que ele se declarasse? Eles começariam a namorar? Se casariam ? Qual seria o nome do primeiro filho? Foi quando uma pedra, literalmente, apareceu no caminho... E a Pedra Filosofal? A garota loira não sabia se havia espaço para ela no meio da busca dos irmãos. Seu lugar sempre foi de bastidores... servindo de time de apoio... esperando que eles voltassem para casa para consertar os estragos.
Depois de perder o apetite, o sono e a noite com toda sorte de reflexões, Winry só havia chegado a uma conclusão: não estava pronta para dar o próximo passo. Estava acontecendo rápido demais... Eles se conheciam há anos, mas até aquele momento eram apenas amigos. Ela não podia aceitar o anel de Ed, mas também não sabia como rejeitá-lo sem que ambos saíssem magoados e uma barreira inconveniente se colocasse entre eles.
Ao despertar na manhã seguinte o plano de Winry foi não desgrudar de Al por nada. A presença do caçula serviria de inibidor e se Ed estivesse minimamente confuso, como ela estava, aquela cena constrangedora poderia ser adiada até... até qualquer outra hora em que ela não estivesse tão nervosa.
Ela fez de tudo e chegou a desconfiar que estava beirando o cômico em vários momentos, mas o importante é que estava dando certo. Eles estavam esperando sozinhos em uma fila de bancos do outro lado da bilheteria. O trem chegaria dentro de alguns minutos e ela poderia voltar a respirar com tranqüilidade de novo... o estranho foi que tal idéia, que antes a deixou inquieta e a ponto de ter uma crise nervosa, agora tomava traços de tristeza que não deixaram de se refletir no semblante da garota.
- Winry... – chamou Ed e depois prosseguiu - Eu queria dar uma coisa para você... – parando com a mão encima do bolso esquerdo do sobretudo – Feliz dia de São Valentim.
Era agora... A garota olhou envolta em busca de socorro, mas Alphonse havia desaparecido em um instante de desatenção e agora ela não tinha onde se esconder.
Edward tirou a caixinha com o laço rosa e a estendeu para Winry que não tinha coragem nem para olhar nos olhos de Ed e tratou de começar suas desculpas... Ela se sentia a pior das covardes por estar fugindo desse jeito, mas não se importava de comprometer um pouco sua auto-imagem.
- Não precisa. Vocês já me deram vários presentes... – empurrando a caixinha de volta para Edward, sentindo seu rosto corar furiosamente.
- Pega logo. Você não é de cerimônia.
Winry pegou o embrulho e sua aflição parecia não conhecer limites.
- Eu vou abrir quando chegar em casa... – ela ainda tentou um último recurso, mas Edward parecia impaciente e não deixou que ela continuasse com o jogo de gato e rato.
- Abre logo!
- Está bem, seu mal educado. – disse ela com má vontade.
Ela encheu os pulmões de ar, se concentrou e abriu a tampa da caixa, mas só depois teve coragem para abrir os olhos para ver que lá dentro estava depositado um relógio de bolso prateado parecido com o de Ed, mas sem a tampa com o brasão de Estado.
Pegou o objeto tentando forçar um sorriso. Aquilo não era um anel... nem um par de brincos ou um pingente. Mal era um presente que se dá para uma menina... Então ela era só uma amiga. Quase uma irmã... Aquilo ficou entalado em sua garganta. Não podia negar que não estava decepcionada, mesmo sem saber qual resposta daria se o presente fosse outro.
- É bem... legal. - era difícil achar uma palavra especifica para descrever o relógio. Então era aquilo que ele havia comprado na joalheria...
- Ele foi feito com o mesmo projeto que o relógio dos alquimistas nacionais. – disse ele satisfeito, sabendo o quanto Winry havia ficado encantada com as engenhocas de seu relógio e que queria a todo custo desmontá-lo.
- Super... - murmurou Winry, baixando a cabeça e deixando a franja cair sobre os olhos. Ela achou que se falasse mais alguma coisa... qualquer coisa, começaria a chorar.
- Está tudo bem? – insistiu Ed. Suas intenções eram boas, mas o momento completamente inadequado vez que aquela pequena provocação era exatamente o que faltava para que a mistura de emoções contraditórias de Winry se fundissem em uma sustância explosiva que foi toda liberada encima do desavisado adolescente.
- EU ODEIO VOCÊ! SEU... SEU... IDIOTA. – as falas, além da caixa alta, vieram acompanhadas da chave-inglesa que Winry usou para golpear a cabeça de Ed com toda sua força.
Por sorte, o trem já havia chegado e ela saiu enfezada carregando suas malas e entrou no vagão depois de se despedir de Alphonse, que ficou com medo de que algo sobrasse pra ele daquela vez e quase nem desejou boa viagem.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Os irmãos ficaram observando o trem enquanto ele começava a se movimentar e ir para longe. Edward segurando um lenço dobrado contra o rombo que a pancada havia feito em sua cabeça para impedir que o sangue jorrasse:
- A Winry bateu em você com força desta vez...
- Essa menina é maluca. – desenhando espirais ao lado de sua cabeça com o dedo indicador.
- Você não deu aquilo para ela, não é?
- Não. – respondeu Edward. Instintivamente ele levou a mão ou outro bolso do sobretudo onde o verdadeiro presente de dia dos namorados estava guardado em uma caixinha aveludada.
- Você é muito covarde, nii-san.
- A sua idéia que foi muito ruim. Eu não podia dar aquilo pra ela! – devolveu Edward com mau humor.
- Mas nii-san...
- Cala a boca e vamos embora. Você pode dar um anel pra Winry da próxima se quiser.
Alphonse olhou desanimado para o irmão, imaginando o quão cabeça-dura ele conseguia ser, não que a garota loira ficasse muito atrás. Era angustiante assistir os encontros e desencontros dos dois, mas com certeza era mais fácil para ele, como terceiro não envolvido, dar qualquer opinião... e completamente inútil já que nem Edward nem Winry estavam dispostos a confrontar o óbvio.
- Está esperando o que, Al? Nós temos mais o que fazer. – gritou Edward, vendo que o irmão estava parado no mesmo lugar.
- Já estou indo. – respondeu a armadura e correu até o outro menino.
- - - - - - - - - -
O trem sacolejava...
Winry ainda estava furiosa por ter feito papel de boba. E é claro que toda a culpa era de Edward. Ela pegou o relógio e o segurou pela correntinha, querendo atirá-lo pela janela, mas seria um desperdício jogar fora uma peça tão bem trabalhada.
Ela ainda estava resistente ao presente, mas percebeu que havia algo gravado nas costas do relógio e o segurou ao contrário para ver o que era. Primeiro havia seu nome, Winry Rockbell, em letras desenhadas, mas não havia nenhuma data como no relógio do Edward. Em seu lugar, havia uma figura matemática de dois círculos unidos, semelhante a um oito e na horizontal.
O símbolo do infinito.
Nada poderia representar melhor o que um sentia pelo outro.
A garota fechou o presente na palma da mão, o segurou junto ao peito e sorriu encantada e permaneceu assim por muito tempo pensando que não havia se enganado tanto quanto imaginava.
- - - - - - - - - -
N/A: Nem acredito que fiz uma fic que de FMA não é Roy/Riza. E o mais incrível: eu nem tive que ficar angustiada na frente do computador pra escrever...D... A idéia saiu de um papel de parece que eu achei na por ai com Ed segurando um presentinho pra Winry e o Roy com um buquê de rosas vermelhas - que eu espero que seja pra Riza, já que não dá pra ler o nome no cartão.
A figura é do mês de março e tem uma da Winry e da Riza, com seus respectivos mascotes caninos, fazendo bolos no mês anterior. No Japão um mês depois do Valentine's Day, em que as meninas dão chocolate para seus amigos e mais-que-amigos, tem o White Day em que os meninos devolvem a gentileza. Pelo visto, em Amestris eles têm essa mesma tradição.
O próximo casal vai ser Hughes/Gracia.
Editado: Obrigada à Bianca Potter que me alertou para o fato de que quem tinha vencido a briga pela mão da Winry era o Al e não o Ed. Agora deu pra ver o grau de atenção com que eu li o mangá.