Só uma coisinha que eu esqueci de dizer, a fic é bem pequena e já está terminada a algum tempo...

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Capítulo Dois

Encarei as árvores que margeavam a estrada deserta, já desfolhadas com seus galhos finos e tortos apontando em todas as direções. Era um péssimo lugar para se estar principalmente sozinha.

Olhei para o céu negro e coberto de nuvens carregadas. Deveria chover a qualquer momento. E eu achando que as coisas não podiam piorar...

— E aí? O que eu faço? – perguntei em voz alta para mim mesma enquanto analisava as minhas possibilidades. Nenhuma.

Eu encarei mais uma vez a paisagem desanimadora. Provavelmente não passaria ninguém. Até mesmo de dia, essa estrada era deserta, imagine então tão tarde da noite.

De repente ouvi um barulho vindo da floresta. Virei-me assustada e apertei os olhos tentando enxergar alguma coisa.

— Oi? Tem alguém aí? – perguntei mantendo a voz o mais firme que consegui.

Sem resposta.

— Olá? – repeti. Mas não sabia se realmente queria ou não que me respondessem. E se fosse algum maníaco?

O barulho foi se aproximando e eu dando passos para trás.

— Q-quem está aí? – perguntei. – Quem é? – Estava me preparando para sair correndo a qualquer minuto se continuassem a não dizer nada.

— Não precisa se preocupar – uma voz masculina disse.

Um vulto se formou e então eu pude vê-lo. Cabelos cor de bronze desleixadamente bagunçados, olhos vermelhos assustadores, a pele pálida e olheiras levemente arroxeadas. As mãos estavam levantadas e um dos cantos dos lábios erguido em um sorriso torto.

Meu coração parou de bater por dois segundos com aquela imagem.

— Sou só eu – respondeu.

Coloquei a mão no peito tentando acalmar meu pobre coração.

— Que susto você me deu! – exclamei. – Por que demorou tanto?

— Desculpe, eu acabei entrando demais na floresta.

— Achou alguma coisa? – perguntei me aproximando.

— Só a mansão dos Cullen – disse.

Eu suspirei desanimada. Isso não nos deixava muitas opções.

— Tudo bem, vamos voltar para lá então.

Enquanto andávamos, não pude deixar de maldizer o idiota que me meteu naquela confusão. Mas é bem feito para mim. Para eu aprender a parar de ser tão boazinha com ele.

— Bella – Jacob me chamou enquanto Mike e Tyler ainda implicavam com Lauren e Jessica. – Será que eu posso falar com você um instante?

— Já não está falando? – respondi.

— É, mas... – Ele pareceu sem graça e eu me senti um pouquinho culpada.

— Tudo bem, Jake, pode falar – disse.

— Será que nós podemos dar uma volta? – perguntou.

— Para...?

— Eu queria conversar com você. A sós.

— Sobre...?

— Ah, vamos lá, por favor, Bella.

Suspirei impaciente pensando. Como eu fui burra o bastante para aceitar dar uma volta com Jacob, eu nunca vou entender. Como eu não percebi as verdadeiras intenções dele?

Caminhamos para dentro da floresta até eu não poder mais ver nem ouvir os outros. Não querendo me afastar mais, parei e me virei para o Jacob.

— Muito bem, o que você quer? – perguntei.

— Sabe, Bella, desde que nós dois terminamos, eu não consigo parar de pensar em você – começou.

Eu respirei profundamente já arrependida de ter vindo até aqui. Essa não era a primeira vez que ele vinha com aquele papinho.

— Jacob, nós já conversamos sobre isso – respondi tentando ser paciente. – O nosso namoro foi um erro. Eu confundi os meus sentimentos.

Eu conhecia o Jake desde que éramos criança, nossos pais eram muito amigos e nós consequentemente também fomos. Mas ele cresceu e ficou muito diferente e eu demorei a perceber a verdade. Só quando começamos a namorar foi que eu vi o verdadeiro Jacob. Ou pelo menos era o que eu achava...

— Mas nós namoramos por três meses – argumentou.

— Eu sei e foi muito legal, mas... Não era para ser. Desculpe, Jake. Mesmo. Mas nós não vamos voltar.

Eu comecei a andar de volta para os outros quando ele segurou meu braço com mais força do que deveria.

— Bella, por favor...

— Jacob, me solta. Você está me machucando.

— Você viu que eu tentei ser gentil, mas você não consegue entender – ele disse.

— Jake, me solta! – pedi de novo com mais urgência.

— Eu não queria que fosse desse jeito, mas nenhuma garota me dá o fora.

— Jacob... – tentei chamá-lo a razão. Não queria deixar transparecer o medo que estava começando a sentir.

— Você entendeu o que eu disse? Nenhuma! – continuou como se não tivesse me ouvido.

— Jacob, por favor! O que está fazendo? Me deixa ir! – pedi quase gritando.

Puxei minha mão com força, tentei me soltar, mas ele era muito mais forte que eu.

Ele me deu um puxão e me pressionou contra o tronco de uma árvore. Meu coração estava disparado, eu nunca me senti tão impotente ou tive tanto medo na minha vida.

Eu tentava afastá-lo de todas as formas que podia. Arranhei seu pescoço, esperneei, me debati. Mas ele não recuava. Parecia não sentir nada.

— Jacob, por favor, me solta – implorei. Lágrimas nublaram a minha visão. – Pensa no seu pai, pensa no meu pai...

— Cala a boca! – Ele me deu um tapa tão forte que eu fiquei até um pouco aturdida. Ele não parecia o Jacob que eu conhecia nem o que eu pensei conhecer. Era uma pessoa completamente diferente e assustadora.

Ouvi indistintamente o barulho do zíper da calça dele abrindo e senti meu estômago se contrair. E agora? Comecei a chorar compulsivamente voltando a me debater.

Uma das mãos dele deslizou pela minha coxa entrando por debaixo da minha saia e eu entrei em pânico.

— Não, não, por favor, Jacob, por favor...

Senti-o puxar minha calcinha e fiquei mais desesperada ainda.

— O que está acontecendo? – uma voz de anjo nos interrompeu. Graças a Deus alguém havia nos ouvido.

— Nada que seja da sua conta. – Aproveitando sua distração, dei uma joelhada no meio das pernas dele com o máximo de força que tinha e corri em direção a voz.

No entanto minhas pernas estavam fracas e falharam quando eu estava quase chegando. Achei que fosse cair no chão, mas duas mãos fortes e geladas me pegaram.

— Você está bem? – meu anjo perguntou.

— Não. – Minha voz saiu trêmula e fraca.

Levantei a cabeça e levei o susto com o que vi. Ele tinha dois assustadores olhos vermelhos. Meu cérebro estava confuso demais para pensar racionalmente e a única hipótese que surgiu na minha mente foi que ele era um vampiro. Porém antes que eu pudesse falar alguma coisa, ele se endireitou parecendo irritado e foi em direção ao Jacob.

Assim que ele me soltou, eu desabei no chão.

O estranho pegou Jake pela camisa e o fez ficar de pé.

— Olha bem para isso – disse apontando para mim. – É assim que se trata uma mulher? – perguntou. – É assim que se trata uma mulher?

— O que isso te importa? – respondeu contrariado.

— O que isso me...? – Ele sorriu parecendo tentar se controlar. – Se você fizesse isso com a minha irmã, seria um homem morto!

Ele puxou Jacob pela gola olhando-o com tanto ódio que até eu fiquei com medo.

— Se você encostar nela ou em qualquer outra garota de novo. Vai ser a última coisa que você vai fazer. Você entendeu? – frisou com a voz fria como o gelo.

Jake sacudiu a cabeça freneticamente em um sim deformado.

Ele então soltou-o bruscamente e Jacob cambaleou para trás e indo embora amedrontado.

— Você está bem? – o estranho perguntou me olhando com preocupação.

Eu consegui só assentir.

— Você é um vampiro de verdade? – A pergunta idiota escapou dos meus lábios antes que eu sequer me desse conta do que dizia.

Um dos cantos dos lábios dele se ergueu.

— Vem, vamos voltar para os seus amigos – disse me ajudando a levantar.

Ele passou a mão em volta da minha cintura e começamos a voltar por onde eu vim. No entanto, quando chegamos à mansão... Surpresa! Não havia ninguém lá.

Eu não podia acreditar naquilo. Xinguei até a décima quinta geração de cada um dos meus "amigos".

Eles haviam ido embora!

Sem mim! Dá para acreditar?