Projeto 30 Cookies do LJ
Set: inverno
Casal: Milo x Camus
Tema: #12 gramado
Autora: Srta Mizuki
Beta: Mudoh Belial
Fandom: Saint Seiya
Personagens: Camus, Milo
Censura: PG
Sumário: E então, continuaremos fingindo.
Just Pretend
Seu lugar preferido era sombra daquela árvore, sentado sobre o gramado, perto das ruínas de um antigo templo. Lá se podia ver ao longe o mar estender-se no horizonte. E também era lá onde podia se esconder com seus eternos livros debaixo dos braços. Passar horas e horas percorrendo os olhos pelas linhas escritas, até que o sol baixasse e ele percebesse que era hora de voltar para o dormitório dos cavaleiros.
Algumas vezes caía no sono e acordava sobressaltado. Corria, já esperando receber o olhar gelado de seu mestre, com uma punição na ponta da língua. Mas os momentos embaixo daquela árvore eram apenas seus – era onde podia se esconder deles, onde podia fugir dos pensamentos febris, da mágoa e da raiva, e mergulhar a cabeça em alguma história do final do século XIX ou na filosofia de algum autor grego.
Certas vezes aqueles sentimentos dos quais queria fugir não o deixavam. Ele, então, olharia o horizonte fixamente, deixando escorrer as lágrimas que com tanto afinco costumava segurar. Podia ser apenas o garoto raivoso e confuso com o que sentia, e não o cavaleiro de gelo que deveria ser.
Outras vezes aquele de quem mais queria se esconder o encontrava. Milo era seu melhor amigo, e era enervante como sabia de seus passos, de suas manias e também de seus esconderijos.
Camus continuou com o rosto enfiado em sua edição esfarrapada de contos de Oscar Wilde, fingindo não perceber que o outro cavaleiro se aproximava. Apenas ergueu os olhos quando ele o chamou, arrependendo-se instantaneamente. Milo protegia os olhos do sol com uma mão, no rosto o costumeiro sorriso largo que se estendia aos olhos azuis, a brisa que vinha do mar movia os largos e compridos cachos azulados. Usava a roupa de treino, mas sem as proteções. Os músculos se pronunciavam pelo tecido rústico, bem desenvolvidos para um garoto de dezesseis anos. Camus ainda tinha os seus pouco delineados.
Lançou um olhar de enfado para o amigo grego, suspirando enquanto baixava o livro ainda aberto. Milo não se fez de ofendido, ainda com o sorriso estendido, entrando na sombra da vasta copa de árvore.
- Estou de volta, sentiu saudades?
- Saudades? Por quê? – respondeu com o mesmo ar de enfado, voltando a olhar seu livro.
O sorriso de Milo oscilou, voltando para um desconcertado:
- Fiquei uma semana fora com minha mestra, na Ilha de Milos. – explicou.
- Oh, sério? – deu uma pausa e virou a página – Não percebi.
- Camus, como você é cruel! – bufou, se ajoelhando na frente do francês.
- Se você diz... – murmurou, ainda não o encarando.
Permaneceram em silêncio por alguns minutos. Milo o olhava intensamente, esperando que Camus falasse alguma coisa. Mas ele continuava a virar as páginas de seu livro. Sabia que não estava lendo mais nenhuma palavra impressa.
- Está bravo comigo. – Milo concluiu.
- Não, não estou. Porque estaria? – voltou a murmurar em tom contido.
- Eu fui sem avisar, fiquei uma semana fora. – baixou a cabeça de modo a conseguir olhar para o rosto de Camus – Se sentiu sozinho?
Camus ergueu a cabeça, encarando-o irritado. Milo ergueu a sua também, parecendo bastante satisfeito de ter atenção.
- Escuta aqui: Só porque você não consegue ficar um minuto sequer sozinho e sem a atenção de todos, não quer dizer que os outros tenham de ser assim! Eu fico muito bem sozinho, muito obrigado. – voltou a olhar para seu livro – Na verdade, estava apreciando esse momento de solidão, se não se importa. – murmurou.
Ao invés de se mover e ir embora – como Camus tinha esperanças, mas sabia que não ia acontecer – Milo soltou uma risada. Voltou a olhar o grego com irritação. Usualmente deixava-o bravo com suas palavras, mas ele estava bem humorado demais para seu gosto.
- Não precisa mentir, eu sei que sentiu minha falta. – disse, cheio de si – Certo? – com a ponta dos dedos ergueu o queixo do outro, levando um tapa na mão.
- Cretino arrogante. – rosnou.
Aquilo só fez o sorriso de Milo crescer ainda mais. Arrancou o livro de suas mãos e o colocou de lado, ignorando as reclamações do outro. Com agilidade deitou-se na grama, a cabeça acomodando-se sobre as coxas do francês.
- Estou cansado, me deixe dormir um pouco. – simulou um bocejo.
- De jeito nenhum, você é muito pesado! – respondeu entredentes, tentando empurrar os ombros de Milo.
- Estou te fazendo companhia, pode até voltar a ler seu livro. – fez bico e ergueu os olhos para o francês.
- Acho que disse que não preciso de companhia.
Beliscou a bochecha do grego, que soltou um gemido baixo não muito convincente. Encararam-se em silêncio, os olhos azuis e intensos de Milo deixavam-no embaraçado, mesmo assim não desviou o olhar.
- Tem razão, sou muito carente Camus. – pegou a mão de Camus, e a pôs sobre a cabeça – Faz carinho em mim.
- Está brincando! – Camus desviou o olhar, sentindo as faces esquentarem. Esperava que fosse apenas o sol.
- Não, não estou. Vamos, você consegue, é só passar a mão no meu cabelo. – fingiu uma voz manhosa.
- Vai esperando. – resmungou, quando tentou, em vão, soltar o pulso.
Desistiu, deixando sua mão onde estava, olhando para o mar com a cara fechada. Estava consciente demais do peso da cabeça do outro em seu colo. Milo não falou mais, e logo se podia ouvir seu ressonar, baixinho. Camus olhou para baixo, encarando a face tranqüila e bronzeada.
- Vamos, não estou com humor pra isso. – tentou derrotado, sacudindo os ombros de Milo.
Ele apenas mexeu a cabeça, como se ajeitando em um travesseiro. Camus sabia que ele não dormia de verdade, e era do tipo que levava uma brincadeira até o fim. Tirou um cacho de uma das faces do outro – sua mão estava livre agora, mas continuava ali. Antes que pudesse pensar no que estava fazendo, seus dedos começaram a deslizar pelos cabelos azulados, sentindo a textura macia.
Escurecia e a luz do sol que se punha os pintou em tons rosados. Seu mestre estaria de volta ao templo e veria que o pupilo ainda não havia chegado. Receberia alguma punição como copiar uma lista de pergaminhos, polir a prataria da casa de Aquário, ou qualquer outra coisa maçante. Tinha de arrancar Milo de lá e ir embora, o grego sabia que tipo de mestre ele tinha. No que estava pensando?
O livro permanecia esquecido do seu lado, as mãos desembaraçavam os fios e mergulhavam nos longos cachos. O dia se encerrava cobrindo o céu com estrelas.
Camus continuou fingindo acreditar que o outro dormia. Milo permaneceu fingindo que não sentia os dedos finos e hesitantes.
Cobriu parte do rosto do grego, não agüentando mais encarar a face bonita e tranqüila. Cobriu seus próprios olhos, humilhado, sentindo as lágrimas querendo vir à tona, as faces quentes.
- Cretino arrogante. – murmurou.
Fim
01/03/2009
13hrs:50min (creio)
N.A.: Uia, vocês ainda estão aqui! Mercy, queridos, muito bom voltar com essa recepção!
Posso fazer reminiscências a fics passadas sim, não liguem.
