Assim que entram no salão, Shion e Luna são recebidos por Sage e Sasha. Ao se aproximarem Shion se ajoelha e Luna faz o mesmo.

—Por favor, levantem-se. – pede a deusa.

Prontamente eles atendem ao pedido, Sage apenas observa a cena, deixaria as boas -vindas primeiro com Sasha.

—Obrigada por trazê-la até aqui. – diz a deusa para Shion.

—É sempre um prazer servi-la, minha deusa. – responde o ariano com um sorriso simples e sincero.

—Seja bem-vinda, Luna. – diz Sasha.

—Obrigada senhorita.

Sasha se vira para Sage que estava logo atrás dela e pede para que se aproxime.

—Luna, esse é Sage o grande mestre do santuário. É ele quem administra tudo por aqui.

A ninfa e Sage se cumprimentam, a primeira vista ela o acha um tanto estranho com aquela roupa e o elmo, mas isso era questão de costume.

—Vou pedir para que levem suas malas para seu quarto. Se quiser ir descansar um pouco, sinta-se á vontade. – diz Sasha.

—A senhorita não gostaria de me passar alguma recomendação? – pergunta Luna curiosa para saber mais sobre a deusa.

—Bom, a principio vou deixa-la descansar da viagem. Tenho alguns assuntos para resolver e assim que terminar podemos nos encontrar. – Sasha responde sem jeito, ainda esta meio confusa com aquela situação.

—Me desculpe Shion. Acabei não dispensando você. – diz enquanto percebe que o cavaleiro ainda estava no local.

—Não tem problema. A senhorita ainda precisará de mim?

—Por enquanto não. Pode voltar a seus afazeres.

—Com licença. – Diz Shion se retirando do salão em seguida.

Em seguida aparecem duas servas, e a deusa pede que levem as malas e acompanhem Luna até seus aposentos.

—O que achou dela,Sage? – pergunta Sasha.

—Me parece ser uma boa pessoa. – responde o grande mestre.

Ao ouvir essa resposta ela permanece calada por alguns segundos, estava meio perdida com aquela situação. Mas tinha esperança de que desse tudo certo.

—Athena, o que acha de convocarmos todos os cavaleiros de ouro aqui no salão? – pergunta Sage tirando a jovem de seu silêncio.

—Seria uma boa idéia. Eles precisaram conhecê-la, para que ela possa transitar pelas doze casas.

—A que horas podemos marcar?

—Acho melhor que seja à noite. O horário fica ao seu critério.

Tudo resolvido, Athena e Sage voltam para seus afazeres.

A guerra santa era uma preocupação que tirava o sono da deusa e muitas questões tinham que ser analisadas.

Enquanto isso...

Luna estava em seu quarto, esse que seria seu por um tempo. Quanto tempo ela não sabia, recebeu a missão de acompanhar a deusa Athena e faria com muito gosto.

Sua deusa Afrodite era muito generosa e boa, por isso nenhum pedido que lhe fizesse seria negado.

A ninfa caminhou pelo recinto, ele era amplo e muito bonito. Enquanto as servas arrumavam seus pertences, ela foi até a janela e observou a paisagem.

Era tudo muito bonito, mas ela sentiu que tinha algo de ruim no ar. Deveria ser por causa da tal guerra santa que Afrodite havia falado.

—Senhorita, já terminamos. – disse uma das servas se aproximando.

Luna olhou para as duas mulheres que ali estavam, eram bonitas, mas não estavam vestidas de uma forma elegante. Vestiam apenas uma roupa simples.

Diferente das ninfas que estavam sempre bem arrumadas e enfeitadas.

—Como se chamam? – pergunta Luna

As servas se olham um tanto surpresas, logo a primeira responde:

—Me chamo Agata e essa é Mina.

—É um prazer conhece-las, obrigada por me ajudarem. – diz com um sorriso espontâneo.

—De nada, senhorita. – dizem as duas surpresas com a simplicidade da jovem.

—Gostaria de algo mais? – pergunta Mina

—Aceito um suco, estou morrendo de sede. Subir essas escadas me cansou. – responde rindo.

As servas acham graça, realmente para quem não está acostumado as escadas causavam um estrago.

—Qual suco? – pergunta Mina.

—Pêssego. – responde enquanto se senta na cama.

—Vou fazer agora mesmo, com licença. – diz a serva saindo e sendo seguida pela outra.

Ao se ver sozinha, ela se deita na cama e se espreguiça. Queria muito conhecer o santuário, dar uma volta, mas só de pensar em subir toda a escadaria na volta, desistiu.

Fechou os olhos e se lembrou do rosto de Sasha, era uma jovem linda, mas tinha um olhar triste.

—Ser deusa não deve ser tarefa fácil. – disse baixinho enquanto passava as mãos pelos longos cabelos.

Alguns minutos depois, a serva Agata aparece trazendo o suco e algumas frutas. Luna se levanta e vai até a porta e quando abre se depara com a bandeja.

—Nossa! Tantas frutas. – diz surpresa.

—Senhorita, são apenas 2 maçãs e um cacho de uva. – disse a serva achando graça da cara dela.

—É que eu como bem pouquinho. Não tenho muito apetite. – responde enquanto saboreia o suco.

Agata deixa a bandeja em cima da mesa, já ia saindo quando se lembra de dar um recado.

—A senhorita Sasha pediu para avisar, que hoje à noite vai apresenta-la aos cavaleiros de ouro.

—É mesmo... Não conheci todos. – diz enquanto termina o suco.

—Ela disse que assim que todos estiverem lá, ela virá busca-la.

—Diga que estarei esperando. Aliás, o suco estava ótimo, obrigada.

—De nada. – responde Agata, saindo em seguida.

E lá estava sozinha de novo, respirou fundo e se levantou. Como se apresentaria a noite, decidiu ver com qual vestido iria.

A ninfa levou alguns vestidos e jóias, se por algum acaso precisasse de mais, pediria para entregar.

A decisão seria difícil, pois todos eram muito bonitos. Escolheu dois, um azul turquesa e um branco, mas decidiria mais tarde.

Sala do Grande Mestre...

Sasha e Sage conversavam sobre a guerra santa que se aproximava cada vez mais.

A jovem deusa estava triste demais, saber que Alone era a reencarnação de Hades fazia com que ela sentisse um enorme aperto no peito.

A tarefa de cuidar do santuário e ainda passar confiança através de seus gestos e palavras muitas vezes a cansava.

Não estava sendo fácil, aliás essa palavra já não existia para ela a muito tempo. Precisava desabafar, conversar com alguém além de Sage e Tenma.

—Athena?

Sasha acaba voltando a realidade, estava distraída com seus pensamentos e acabou não prestando atenção no que Sage dizia.

—Me desculpe, eu só estava um pouco distraída.

Sage percebeu que ela estava cansada, e decidiu encerrar o assunto.

—Athena, acho melhor continuarmos amanhã. – diz enquanto arrumava uma pilha de papéis em sua mesa.

—Tem certeza?

—Sim, aproveite o restante do dia. A ninfa Luna deve estar sozinha, solicite sua companhia.

Sasha pensou por uns instantes e decidiu seguir o conselho do grande mestre. Logo se despediu dele e se levantou.

Seguiu o corredor até a saída que dava para os seus aposentos, lá chegou na porta do quarto em que Luna estava.

Hesitou um pouco, mas bateu na porta. Esperou e ninguém respondeu.

Pensou que deveria estar dormindo, decidiu ir embora e assim que se virou deu de cara com a ninfa.

—Posso ajuda-la senhorita? – pergunta Luna

—Queria saber se gostou do quarto. – responde Sasha

—Adorei! É muito confortável e bem arrumado.

—Que bom, fico feliz que tenha gostado.

Em seguida as duas ficaram em silêncio, Sasha não sabia o que dizer, e percebendo isso, Luna toma a iniciativa.

—Gostaria de conversar?

—Sim, na verdade já terminei meus compromissos e gostaria de conversar um pouco.

—Aonde gostaria de ficar?

—Podemos ficar em uma sala que fica no final do corredor.

—Por mim tudo bem, vamos? – pergunta a ninfa lhe estendendo a mão

Sasha segura em sua mão e elas seguem até a sala, lá a deusa pede para que uma das servas traga suco e algo para comerem.

A tarde ia passando, a conversa que começou meio tímida foi ficando animada. Luna fazia de tudo para animar Sasha, queria ver alegria em seus olhos.

—Então vocês estão sempre arrumadas? – pergunta Sasha achando curioso o modo de ser das ninfas.

—Sim, estamos sempre arrumadas. Assim podemos passar sempre uma boa impressão. – responde Luna gostando do interesse da deusa.

—Nossa, aqui eu ando arrumada, mas não chega a tanto.

—Mesmo assim, achei a senhorita muito elegante.

—Por favor, me chame de Sasha. – diz a jovem enquanto pegava um pouco de suco de laranja.

—Como quiser, Sasha. – responde a ninfa com seu sorriso que cativava qualquer pessoa.

—Fico feliz que tenha vindo conversar comigo.

—Eu precisava, ando um pouco nervosa.

—É por causa da guerra santa?

—Sim, infelizmente.

Percebendo que o semblante da garota havia mudado, Luna muda de assunto.

Decidiu pedir opinião sobre qual vestido usar naquela noite, e pede para que Sasha a acompanhe até o quarto.

Chegando lá, ela mostra as duas opções que tinha escolhido.

—Esse azul é muito lindo, mas o branco é muito mais. – diz enquanto analisava de perto cada um.

—Não acha que fica estranho, você costuma usar branco também, não é mesmo?

—Sim, mas eu não vejo nenhum mal nisso.

—Bom, já que não se importa, vou usar o branco.

O tempo foi passando e quando viram já estava anoitecendo.

Sasha saiu para poder tomar um banho e se arrumar para o encontro com os cavaleiros.

Luna fez o mesmo, enquanto tomava seu banho ficou imaginando como estavam suas irmãs no santuário de Afrodite.

Sentiria saudades de todas, mas pediria permissão para visita-las assim que desse.

Uma hora depois...

Todos os cavaleiros de ouro já estavam no salão do grande mestre, esperavam Athena e Luna.

Alguns ansiosos para saber como era a ninfa e outros mais calmos.

Um dos empolgados era Manigold, que queria matar sua curiosidade logo, pois queria descansar.

—Que demora, será que se esqueceram de nós? – pergunta o canceriano agitado.

—Tenha calma, Manigold. – diz Sage

—Quero ver se é bonita como o Dohko disse. – diz Kárdia que estava próximo de seu amigo Degel.

—Daqui a pouco elas chegam e todos vocês tiraram suas conclusões. – responde Dohko.

—Nem "todos" poderão, meu caro chinês. – diz Manigold dando uma leve provocada em Asmita.

Esse por sua vez, ignorou a indireta do canceriano. Não se importava com provocações infantis, que em sua opinião eram bem típicas do santo de câncer.

Sage lançou um olhar reprovando o comentário de seu discípulo, mas sabia que de nada adiantava.

O italiano tinha o costume de falar sem se importar com as consequências.

A espera não se prolongou, logo Sasha surgiu e todos se ajoelharam diante da deusa.

—Podem se levantar meus cavaleiros. – pediu Sasha educadamente.

Todos se levantaram e em seguida ela continuou:

—Pedi ao grande mestre que os reunisse aqui, para poder apresenta-los minha dama de companhia. – nessa hora ela se vira e pede para que a ninfa entre.

Assim que entrou, todos se encantaram com sua beleza e elegância.

Luna usava um vestido branco de um ombro só, com detalhes em pedraria na cintura e acima do ombro.

Seus cabelos soltos e emolduravam o belo rosto e seu olhar era sereno, uma belíssima visão para os homens ali presentes.

Ela olhou para o rosto de cada um deles, achou todos bonitos e pareciam ser boas pessoas. O único que achou um tanto estranho foi Kárdia, que para ela possuía um olhar intimidador demais.

—Essa é a Luna, ela é uma ninfa enviada por Afrodite para se minha companhia.

—Luna, esses são os cavaleiros que protegem as doze casas.

—É um prazer conhece-los. – disse com seu jeito meigo.

—Seja bem-vinda – todos disseram.

—Ela ficará comigo, mas isso não quer dizer que sempre estaremos juntas. Terá momentos em que precisará passar pelas doze casas e por isso quero que saibam quem ela é.

—Desse jeito evitaremos confusões. – diz Sage se aproximando da deusa.

—Peço por favor, que a tratem muito bem, pois é nossa convidada. – diz Sasha dando um sorriso para Luna, mostrando dessa forma que já era querida entre eles.

A bela ninfa ficou feliz em perceber isso, mas algo lhe chamou atenção.

Um cavaleiro em especial a observava, seus olhares se encontraram e ela sentiu seu coração acelerar.

Belos olhos azuis a encaravam, era um cavaleiro com um rosto sério uma face um tanto severa.

—Por favor , se apresentem. – pediu Sasha, fazendo com que a ninfa voltasse sua atenção aos demais cavaleiros.

—Shion de áries.

—Aldebaran de touro.

—Manigold de câncer.

—Regulus de leão.

—Asmita de virgem.

—Kárdia de escorpião.

—Sísifo de sagitário.

—El Cid de capricórnio.

—Degel de aquário.

—Albáfica de peixes.

Todos se apresentaram e receberam mais algumas instruções.

—Era só isso que tínhamos para informar. Vocês já podem se retirar. Tenham uma boa noite. – disse Sasha para seus santos de ouro.

Todos se despediram e começaram a sair, Luna ainda estava mexida com o cavaleiro de capricórnio.

Todos eles tinham sua beleza, mas aquele era diferente.

Enquanto iam para suas casas, todos comentavam sobre a convidada ilustre.

—Tenho que concordar com você, Dohko. A ninfa é linda. – disse Kárdia enquanto descia.

—Eu disse, vocês tem que confiar mais em mim. – brinca o libriano.

—Será que é comprometida? – pergunta Regulus.

—Para que você que saber? Nem saiu das fraldas ainda. – diz Manigold arrancando gargalhadas da maioria.

—Cala a boca. Você fala como se fosse muito adulto. – resmunga o leonino.

Enquanto todos conversavam animadamente, Sísifo ia na frente com El Cid.

—O que achou da garota? – pergunta enquanto se aproximavam da casa de aquário.

—Nada demais. – responde El Cid.

—Não foi o que pareceu. – provoca Sísifo.

—Por que diz isso?

—Vi que não tirava os olhos dela. E até trocaram olhares. – Sísifo da um sorriso ao perceber a cara contrariada do amigo.

—Está vendo demais, Sísifo. – responde El Cid com seu jeito seco.

—Tudo bem, não comento mais. – responde o sagitariano ao ver que o amigo não estava gostando.

Em pouco tempo chegaram na casa de capricórnio, os amigos se despediram e El Cid entrou.

Foi direto para seu quarto, tirou sua armadura e a roupa. Precisava de um banho, queria comer algo e descansar.

Como a moça que cuidava de sua casa não estava mais, ele mesmo preparou o banho. Checou a temperatura e entrou na tina.

Enquanto relaxava, seus pensamentos foram para a linda mulher que havia visto algumas horas antes. Estava com raiva por ter sido tão descuidado ao ponto de seu amigo ter percebido seu interesse.

Mas, uma coisa não tinha como negar, a ninfa era muito interessante.

Logo após a reunião, Sasha acompanhou Luna até seu quarto, se despediram e cada uma foi para seu lado. Luna tirou o vestido, colocou em cima de uma das cadeiras e em seguida foi para a cama.

O dia foi longo e agora sentia o cansaço, enquanto o sono não vinha, ela pensava no santo de capricórnio e em seu olhar envolvente.