Notas Autora:
Música do capitulo:
www(ponto)youtube(ponto)com(barra)watch?v=g_5R7b5MBJE
(Vale a pena ouvir ;) )


Capítulo 01

Pov. Bella

Era um dia comum como qualquer outro pra mim desde que "isso" começou. Na verdade eu nem sabia realmente como isso tinha começado. Dizem que os planos dos céus são diferentes dos nossos. Não que alguma vez que eu me lembre eu tenha feito escolhas.

Na verdade, meu tempo como humana havia sido quase nulo, o que não me restou muitas alternativas.

Eu estava no quarto mês dentro da aconchegante barriga da minha mãe, Renée, quando ela resolveu "interromper a minha vida" porque não queria que uma criança prejudicasse seu corpo bonito e esbelto. Ela era uma modelo famosa. Meu pai havia sido um caso de uma única noite, um descuido. Ainda lá dentro, eu sentia suas dores, seus temores. Queria dizer a ela que estaria ao seu lado, que a apoiaria, que nunca a deixaria, que seria sua companheira enquanto me quisesse. Obviamente eu daria um pouco de trabalho, mas nada com o qual ela não pudesse suportar. Tentaria a fazer sorrir sempre. Transformar suas lágrimas de desespero em lágrimas de felicidade e orgulho. Mas Renée preferiu seguir outros caminhos.

A dor era algo excruciante. Lembro-me de tentar pedir para pararem, de pedir para não me afastarem da minha mãe... Mas já era tarde demais.

Quando acordei eu estava num lugar muito tranquilo, um lugar de paz e luz.

Era o paraíso.

Porem a dor da rejeição ainda era latente em mim. Acreditar que a mulher que me tinha em seu ventre só se importava consigo mesma me fez, por um momento, sentir um grande vazio.

Mas isso durou pouco.

Hoje, eu era um anjo da guarda.

Anjos da guarda são em sua maioria seres que Deus envia no nosso nascimento para nos proteger durante toda a nossa vida, ou seja, eu estava destinada a cuidar de alguém até que este viesse também ao paraíso.

E foi com alegria que o vi florescer dentro da barriga de sua mãe. Ele se formava aos poucos e já era muito amado pelos pais, um casal que tinha acabado de se casar e, apesar de não ter planos para terem filhos tão cedo, estavam felizes com a sua chegada. Quando a barriga proeminente de Esme, sua mãe começou a aparecer, começamos a nos comunicar.

- Olá amorzinho!- eu o cumprimentei envergonhada

- Olá!- ele me respondeu com sua voz tranquila

- Sou sua anjinha da guarda! Como você se sente ai dentro?

- Feliz. Eu me sinto quentinho e amo a mamãe. Quando eu posso vê-la? Eu vou ver o papai também?

Lembro-me de ter sorrindo com sua alegria e me lembrei também da sensação de aconchego que era estar dentro de uma mãe.

- Logo você os verá e tenho certeza de que eles ficaram muito felizes em te ver!

Esme era uma mulher dedicada e amorosa, que se tratava muito bem e eu sempre conversava com seu pequenino. O casal não tinham preferencia de sexo, porem foi com grande entusiasmo que a noticia de que eles teriam um menino chegou.

Carlisle, o pai, queria fazer uma homenagem ao seu próprio pai, um grande homem que tinha falecido precocemente depois de ser descoberto numa fase avançada de câncer, colocando o nome de seu filho de Edward.

E foi no dia 20 de Junho de 1989 que ele veio ao mundo. Forte, saudável e gritando.

Lembro-me de ter sorrido para ele quando abriu seus olhinhos de um tom de verde encantador.

- Você é lindo!- murmurei e suavemente toquei seus cabelos loiro-acobreados.

- Você é mais!- ele disse me olhando.

E desde então meu amor por ele vinha crescendo a cada segundo. Quando Edward deu seus primeiros passinhos, eu estava ao seu lado, rindo com Esme e Carlisle. Quando ele disse sua primeira palavra, eu estava lhe incentivando, repetindo-a perto de seu ouvido até ele gravar o que realmente tinha que dizer. E todas as noite, eu o vigiava, cantando para ele uma canção calma e acolhedora, na qual o fazia dormir por horas.

Edward era minha prioridade. Edward era minha missão.

Mas foi com pesar que fui desaparecendo, por assim dizer. Edward me via toda hora, porem conforme foi crescendo, tive que me afastar. Eu nunca iria sair de seu lado, sempre estaria ali, porém, não poderia mais conversar com ele. Eu deveria deixa-lo tomar suas próprias escolhas. Ter livre arbítrio.

Numa noite, aos seus quase cinco aninhos, Edward me olhou com suas grandes orbes verdes meio tristes.

- Você vai me deixar!- não era uma pergunta

- Não Edward. Nunca o deixaria!

- Então porque não te vejo mais como antes? Não me ama mais?

- Edward, amor, eu sempre irei te amar!- passei a mão pelos cabelos cobres que tanto amava e lhe sorri- Porem você tem que crescer. Sempre quando precisar da minha ajuda, estarei aqui.

- Você promete?

- Pra sempre. - eu o encarei firmemente e o meu "coração" pulsou de forma violenta. A dor dele se misturava com a minha e talvez dentro de meus olhos ele pudesse ver que eu também sentia medo por essa "perca", mas que sempre estaríamos unidos.

Edward era uma criança espetacular.

Aos seis anos, Carlisle resolveu ensinar ao pequenino algumas aulas de piano. Edward se encantava facilmente pelas teclas e logo aquilo se tornou algo primordial em sua vida. Sempre o assistia, sorrindo de seu jeito meigo. Edward era diferente.

Aos sete anos ele entrou na escolinha. A principio, estava meio deslocado, mas isso foi facilmente acabado quando um Emmett McCarty, seu mais novo melhor amigo se juntou a ele. O que ele não sabia é que aquela amizade duraria a vida toda.

Aos doze anos Edward era calmo e ponderado em casa. Mas foi com tristeza que vi Mike Newton se aproximar do meu pequeno, tentando o corromper com brincadeiras estupidas e maldosas. Tentei apelar para o bom senso de Edward. Em sua consciência, eu lhe dizia para se afastar e para afastar Emmett também daquilo. Aquela amizade só faria mal para ambos. Clarice, anja da guarda de Emmett também me ajudou muito.

Aos quinze anos, Edward era um rapaz espirituoso e alegre. Sua beleza jovial já atraia algumas meninas e aquilo de certa forma me deixava triste e incomodada. Eu sabia da sua beleza quase angelical e também tinha consciência de que Edward de alguma forma queria também experimentar ter alguma namoradinha. E foi nesta época que ele deu seu primeiro beijo em Lauren Mallory.

Lauren era uma menina popular que sempre quis ter Edward. Por mais que seu rosto mostrasse algo angélico e bonito, Lauren tinha pensamentos confusos e às vezes até mesquinhos. Eu a queria longe de Edward.

Usei quase toda a minha influencia, por assim dizer, em Edward para ele se afastar dela. Não queria Lauren e não a aceitaria. Meu Edward era bom demais pra ela. Lauren insistia, se aproximava, ficava ao seu lado tentando convence-lo. Edward às vezes me ouvia, e afastava Lauren. Esme também não gostava dela. E eu muito menos.

E foi então que os problemas surgiram.

Aos dezoito anos Edward, como todo o adolescente, teve sua fase rebelde. Queria experimentar novas coisas. Fazer novas coisas. Esme começava a ficar preocupada com as saídas do filho e eu mais ainda. Eu o seguia para todo lado.

As amizades também haviam mudado. Edward tinha se afastado de Emmett o julgando como alguém "que não era descolado". Edward era agora um cara popular e pegador. Tinha perdido sua virgindade com uma líder de torcida e ambos só tinham feito aquilo por status.

Naquele momento eu não reconhecia meu Edward.

Com desespero, chorei a noite toda aos pés da cruz de uma igreja qualquer pedindo a Deus para trazê-lo de volta ao que era antes.

E foi nesta noite que o vi, no canto do quarto, sentado em sua cama, com um papelote na mão, o olhando fixamente. Eu sabia o que era aquilo... Drogas.

- Edward, não, você tem que lutar!

Edward vagou seu olhar no nada e eu continuei

- Você é melhor que isso. Por favor, pense nos seus pais...

- Eu tenho que fazer isso- ele murmurou para "o nada" e eu o respondi, ou seja, sua consciência.

- Não, você não tem. Isso não é você. Olha como tem deixado Esme aflita. Olhe como Carlisle está preocupado. Você parou de tocar piano, sua paixão, parou de desenhar, seu hobbie favorito, parou de falar com Esme, nega a amizade de Emmett, seu amigo desde pequeno e agora perdeu sua virgindade com uma menina que nem ama.

Edward me escutava ainda com os olhos vagos e eu chorava, ao seu lado na cama.

- Não perca sua vida com isso. Por favor- meu coração estava apertado, minha dor podia ser comparada facilmente como um sangramento profundo.

Edward começou a chorar e naquele momento eu me perguntei se ele estava sentindo o mesmo que eu. Aquela dor que dilacerava.

- NÃO POSSO! NÃO POSSO!- Murmurava e logo o vi descendo as escadas, encaminhando para fora.

Ao lado da sua casa, havia uma pequena mata e foi lá que Edward jogou seu pacote, entrando em casa novamente. Transtornado ele sentou em seu piano.

- Meu Deus, me ajude. Eu não devo!- Ele passava a mão por seus cabelos cobres e seu rosto ainda era banhado por lágrimas de arrependimento.

- Edward, eu estou aqui. Sempre vou estar. Não sofra. - tentei pegar seu rosto em minhas mãos para toca-lo, e algo que nunca imaginei aconteceu.

A pele de Edward se arrepiou com o meu toque. Estremecendo, ele me encarou, como se pudesse me enxergar realmente. Naquele momento eu acreditei que ele me via, mas eu sabia que não.

Então seu olhar se prendeu no nada, que era meus olhos e então ele se virou, até o piano

(link da musica no começo do capítulo!)

Eu conhecia aquela melodia. Era a musica de ninar que eu cantarolava para ele.

Edward estava se lembrando.

Edward estava se lembrando de mim. Voltando pra mim.

Com emoção e ainda com lágrimas nos olhos eu sentei ao seu lado no piano e o ouvi maravilhada. Suas mãos percorriam o piano com destreza quase impressionante e naquele momento eu nunca o senti tão meu.

Era naquele momento único e perfeito entre nós que eu via que a razão para eu realmente existir estava ali ao meu lado. Nada mais importava. Era ele e sempre seria.

Senti que o amava acima de tudo. Acima até mesmo do que se podia.

Meu Edward.

Meu lindo e meigo Edward.

Confesso que me assustei com meus pensamentos, mas nunca me senti tão plena. Só ao lado dele me sentia assim.

- Bella?

- Pois não?- era um arcanjo. Ele me olhava temeroso.

- Eu sei o que se passa em seu coração. Sei do seu amor.

- Sabe?- murmurei e ele me olhou

- Eu sinto muito...

- Por quê? – eu lhe sorri- Esse é o sentimento mais bonito que eu já senti. Nunca me senti mais feliz.

- Bella, você não pode. Ele é um humano e é seu protegido...

- Está querendo dizer que...

- Foi um erro. – ele murmurou. - Eu lamento querida.

- Erro? Meu amor por Edward foi um erro, é isso que está querendo me dizer?

- Teremos que o afastar de você.

- Por quê? NÃO! POR DEUS, NÃO FAÇA ISSO!

- Você se deixou encantar. Você sabia qual era sua missão

- Foi inevitável.

- Ele está destinado a outra pessoa e você sabe disso. É melhor te manter longe dele enquanto ainda este sentimento é novo em você.

- Não é um sentimento novo. Talvez tenha me dado conta agora, mas sempre o amei.

- Como seu protegido. - justificou

- Não, você não entende. Edward é tudo. Tudo.

- Não posso deixa-la fazer isso.

- ENTÃO IRÁ ME MATAR ME MANTENDO AFASTADA DELE.

- Isabella, você sabe sua missão. Sabe o que tem que fazer. Faça o que se deve. Não fuja dos planos do altíssimo.

Eu nunca tinha sentido dor maior. Nem quando minha mãe havia me matado eu havia chorado tanto. Havia sentido tanto peso.

Afastar-me? Como eu faria isso?

O tempo passava e eu não sabia como tirar Edward de mim. A cada dia que o olhava, mais o amava.