Secret Sorrow
Autora: Lahy
Capítulo: 02/??
Gênero: Angst, Yaoi, Lime
Anime: Gundam Wing
Pares: 2x1, 5+1, 3x4, 2xR, 2+H.
Iniciado dia: 19/12/2003
Disclaimer: Gundam Wing infelizmente não me pertence. Se pertencesse eu seria uma japa multimilionária com um gundam próprio P Enquanto isso ele ainda é do Tomino, da Sunrise e blablabla (vocês já sabem isso, né?). A música que aparece pela fic também não é minha. Não sei a cantora, nem compositora da letra. Só sei que ela aparece em X TV, portanto os direitos ficam com as meninas da Clamp e da autora da canção.
Comentários: Essa fanfic é simplesmente jurássica. Do tempo da Pedra. De quando minha avó era virgem... como vocês preferirem chamar. O fato é que é velha! E nunca, nunca, nunquinha foi terminada. Eu resolvi voltar a tocar meus dedinhos nela depois de dois longos anos de esquecimento nos confins do meu HD, simplesmente porque uma autora que eu admiro muito me disse "tente". E cá estou eu. Dei uma revisada no primeiro capítulo, e farei isso com os próximos que já estão prontos.
Portanto, eu espero que dessa vez, eu consiga concluí-la.
Secret Sorrow
Capitulo 02 - Prelúdio
Os olhos azuis abriram-se lentamente, tentando se acostumarem com a claridade do local. Levantou-se calmamente, percebendo que estava no seu novo quarto. Trocou de roupa com calma e foi ao banheiro, tentando dar uma analisada em sua aparência antes de sair do cômodo. Deu um leve suspiro, odiando se ver naquele estado. As olheiras visíveis, os cabelos, que geralmente já eram desgrenhados, agora estavam uma verdadeira bagunça e seu rosto ainda possuía as marcas dos lençóis. Lavou bem o rosto, ainda lamentando por sua aparência. Penteou os cabelos e saiu silenciosamente do quarto.
A falta de barulho no apartamento denunciava que, ou Duo já tinha saído, ou ainda dormia.
Resolveu preparar o café da manhã. Vasculhou os armários a procura de algo saboroso e nutritivo para comer. Porém, só encontrou guloseimas de baixo valor nutritivo. "Típico", ele pensou. Era em momentos como esses, que agradecia Dr J por tê-lo ensinado a cozinhar. Vasculhando mais um pouco os armários encontrou algumas coisas que poderiam servir para um café da manhã "saboroso e nutritivo" segundo Heero Yuy.
O americano levantou, sentindo um cheiro agradável vindo da cozinha. Ajeitou os cabelos e saiu do quarto, com o intuito de ver o que seu novo colega de apartamento estava cozinhando. Ele deveria afirmar, era um desastre na cozinha. Por isso, só comprava comida congelada, era mais prático. Estava surpreso, pois nunca imaginou que o japonês pudesse algum dia saber cozinhar.
- Bom dia! O que você tá fazendo que cheira tão bem? - Heero olhou para a porta. E teve que prender o ar em seus pulmões diante da visão de Duo Maxwell vestindo apenas uma samba canção preta. Os longos cabelos castanhos estavam soltos, e caiam sobre os ombros e costas, dando ao rapaz de olhos violetas uma imagem surreal.
- Hn...Café da manhã - a voz saiu fria como Heero queria. Não poderia deixar que a visão a sua frente afetasse seus sentidos mais uma vez. Indo contra seu impulso, ele voltou sua atenção a comida que estava fazendo.
- E o que é que está incluso nesse seu café da manhã? - Duo colocou as mãos no ombro de Heero, olhando por cima do ombro deste o que ele cozinhava.
As mãos do japonês trabalhavam habilmente fazendo pequenas bolinhas com a massa, que se assemelhavam com minúsculos pãezinhos, e colocando em uma fôrma.
- É um tipo de pão, fica pronto rápido. Se você quiser esperar...não demora mais de vinte minutos. - novamente a voz fria se fez presente. Heero tentava disfarçar ao máximo o leve toque do americano nos seus ombros. Porém, se naquele momento Duo tivesse visto os olhos de Heero, perceberia a tristeza profunda que mostravam.
- Nossa! Tão rápido? Eu sempre pensei que pão era algo que demorava pra se fazer. Onde você aprendeu essas coisas Heero?
- Dr J me ensinou. - o japonês colocou a fôrma no forno, vasculhando alguns armários até encontrar a louça para poder colocar a mesa para o café.
- Nossa!! Então, além de soldado perfeito, você ainda é o marido perfeito?? Aqueles velhos foram realmente eficientes. - o americano falava em tom de brincadeira enquanto ajudava o colega japonês colocando as coisas da geladeira na mesa.
- Pois é, aposto que você nunca imaginou algo assim. - Duo olhou sorrindo para o japonês. Pôde ver a franja desgrenhada dos cabelos chocolates, cobrirem os olhos azuis e escondeerem mais um semblante triste. - O que foi? - só então o americano percebeu que ainda olhava fixamente para o colega. Balançou a cabeça em uma negativa, como se estivesse dizendo que não era nada. Voltou a tirar as coisas da geladeira, dessa vez com uma idéia em mente: fazer seu novo companheiro de quarto sorrir.
O café da manhã transcorreu normalmente. Duo fazia algumas piadas, Heero dizia uma palavra ou outra. Logo, o americano e o japonês já estavam indo para o escritório dos Preventers, Duo a trabalho e Heero para saber o que Une tanto queria com ele.
- Bom dia, Maxwell! - um homem cumprimentou Duo, com um sorriso radiante no rosto, e os dois pareciam conversar animadamente. O japonês apenas observava tudo ao redor, as pessoas correndo para todos os lados, todos com muita pressa. Parecia que ainda estavam em guerra e esperavam o inimigo atacar. Olhou novamente para seu colega americano, que estava na sua frente, ainda conversando com o homem. Aquilo não parecia que acabaria tão cedo. Heero ouvia as pessoas cumprimentando Duo e ele dava um aceno com a mão, ou um sonoro "bom dia", parecendo conhecer toda aquela multidão de pessoas vestidas de marrom.
- E este aí com você? Quem é? - só então o homem que conversava com Duo reparou no garoto de cabelos chocolates e feições levemente asiáticas, que esperava pelo americano.
- Ah! Desculpe, eu não apresentei vocês. - Duo disse, puxando Heero para frente pelo braço.
- John Shild este é Heero Yuy. Heero, este é John. Nós trabalhamos no mesmo departamento. - o japonês o cumprimentou com um aceno de cabeça enquanto sentia o olhar apavorado do homem à frente deles.
- John, eu vou levar o Heero até a sala da Lady Une, nós já nos falamos. - o moreno assentiu e Duo seguiu em frente guiando Heero até o elevador.
A secretária deu um sorriso radiante ao ver Duo e o lindo garoto ao lado dele, pedindo logo depois que esperassem um pouquinho que Une já iria atende-los.
- Pois é Christine, Lady Une cada vez mais ocupada. Não sei como você agüenta ela falando. "O falecido Treize não gostaria que agisse assim" - o americano falava e imitava os gesto de Lady Une, enquanto a secretária ria das palavras do jovem de cabelos trançados.
- Sim...nem eu sei Duo. Mas... e você quem é? - a moça de cabelos loiros sorriu para o japonês. Christine era fascinada por Duo, o garoto era simplesmente lindo. Assim como os outros ex-pilotos de Gundans que ela conhecia, Trowa, Quatre e Wufei. Perguntava-se se ser bonito era um pré-requisito para ter sido um piloto de Gundam, mas o jovem calado que estava acompanhando Duo também era extremamente atraente. Os cabelos chocolates desgrenhados davam um ar rebelde e os olhos azuis eram de um tom tão raro que ela não sabia definir.
- Yuy. Heero Yuy - o japonês falou no tom de voz habitualmente frio. As pessoas perguntavam demais naquele lugar.
Ele não estranhou quando viu a expressão de surpresa no rosto da mulher, que olhou imediatamente para Duo, como se tentasse confirmar o que ele havia dito. E viu um sorriso maroto e um aceno positivo de cabeça.
- Mas eu pensei que Heero Yuy estivesse morto. - ela disse, ainda assombrada, olhando fixamente para o japonês.
- E está. - as palavras saíram tão naturais que Duo não evitou uma gargalhada. Ele sabia que Heero Yuy era apenas um codinome. Sabia que o verdadeiro Heero Yuy estava morto, e que aquele Heero ali possuía um outro nome. Mesmo assim era engraçado ver a cara da secretária após o japonês ter dito aquilo.
- Assim você assusta a moça, Heero. - o japonês olhou para ele em uma indagação muda, enquanto a secretária ainda estava apavorada.
A fama do nome Heero Yuy dentro dos Preventers era realmente terrível. O piloto Gundam, conhecido como 01, havia ganho o apelido de Soldado Perfeito, havia sido o homem que controlara o sistema conhecido como Zero System, e que pelos projetos parecia ser realmente assustador. Lutara contra Zechs Marquise um dos melhores pilotos de móbille suits da Oz. Heero Yuy parecia mais ser um demônio indomável do que um ser humano normal. Nunca pensara que ele fosse tão bonito.
Viram a porta do escritório se abrir, e o presidente da Nação da Esfera Terrestre sair com um sorriso amigável no rosto.
- Senhor Maxwell, desculpe tê-lo feito esperar, mas era um assunto urgente.
- Sem problema senhor Presidente, assim eu ganho meu salário sem precisar trabalhar - o homem mais velho riu e cumprimentou a todos, saindo logo após. Nenhum deles percebeu o olhar fixo de Lady Une sobre Heero Yuy.
- Muito bem, Une, eu trouxe seu soldado perfeito. Agora, se me dão licença, eu vou para o meu setor. - o americano disse já saindo, embora ninguém tenha percebido seu sorriso de felicidade, finalmente conseguiria as férias tão esperadas.
Heero olhou fixamente para a mulher que um dia fora sua inimiga de batalha, aliada, e agora sua perseguidora. As reviravoltas da guerra fizeram com que eles estivessem em lados opostos primeiro, e depois se aliassem. Apesar de tudo, Heero nunca nutrira nenhum tipo de afeição por aquela mulher. Havia sido ela que ensinara as colônias a lutar, havia sido ela que manchara o puro sentimento das colônias e mostrara o que era a verdadeira guerra.
- Entre Heero, por favor - Lady Une sorriu amigavelmente, era Heero que estava a sua frente. O ex-piloto 01 sempre foi o mais estranho dos cinco pilotos de Gundam. Todos tinham suas esquisitices particulares, Trowa e sua aparente calma em toda e qualquer situação, Quatre e sua bondade e generosidade, defeitos graves para um soldado, Wufei e seu senso de justiça fora do comum, Duo e seu senso de humor exótico e Heero... Heero parecia ser perfeito demais para um ser humano... perfeito demais...
O japonês entrou no escritório, a mesa de madeira ficava de costas para uma grande janela, que tinha vista para a Times Square. As pessoas andavam apressadas lá embaixo. Heero percebeu que Une não tirara o olhar fixo sobre ele em nenhum momento.
- O que você quer de mim, Une? - o japonês falou no tom frio de sempre, sentando-se na cadeira à frente da mesa logo em seguida.
- Heero, eu concordei com a idéia do Duo. Apesar de tudo, eu preciso manter você sobre vigia. Eu presumo que entenda o porque disso. - os olhos azuis confrontavam os castanhos abertamente. Heero havia colocado sua máscara de soldado perfeito e agora podia confrontar quem quisesse.
- Sim, vocês têm medo que eu me alie com algum grupo terrorista. - a resposta aberta não surpreendeu a ex-coronel.
- Sim...espero que compreenda isso.
- Espero que você compreenda que eu não tenho mais interesse algum em qualquer tipo de guerra, missão, ou qualquer coisa parecida. Vigie-me como tem feito nos últimos quatro anos, não vai mudar muita coisa, apesar de que eu acho que você deveria vigiar quem realmente deve ser vigiado. - o japonês olhou fixamente para Une, odiava que o tratassem como um monstro perigoso. Ele não tinha mais interesse algum em lutar, por isso não importava mais o que fizessem para que ele lutasse, preferiria morrer a matar mais alguma pessoa inocente.
- Eu compreendo, por isso acatei o pedido de Duo. - Une entregou uma pasta para Heero e prosseguiu - Estes são os dados da empresa em que você vai trabalhar. Aí tem documentos, nome e tudo que você vier a precisar. Como Duo disse, você vai morar com ele, e como eu avisei, estará sobre vigia. Caso você realmente pareça estar apto a conviver em sociedade eu eliminarei os vigias em seis meses.
- Uhn...quer dizer que eu sou um réu e você a juíza que me condenou a uma condicional. - a expressão fria de Heero escondia o sarcasmo das palavras dele e o repúdio que ele sentia por aquela decisão.
- Não é exatamente assim Heero.
- Tudo bem, eu aceito sua decisão. Agora se me permite, eu tenho que ir trabalhar. - o japonês mostrou a pasta para mulher a sua frente e saiu. Une ficou apenas observando o charmoso japonês deixar a sala, aliviada por ele não ter sido tão duro em relação à decisão tomada.
...
kanashimi no hontou no wake
...
O americano entrou no apartamento com um sorriso magnificamente bonito. Deixou o casaco dos Preventers em cima de uma das poltronas e jogou-se em cima do sofá, pegando o controle remoto e ligando a TV. Ouviu a campainha tocar. Estranhou, tinha certeza que havia providenciado uma cópia sa chave para seu companheiro japonês. Ao ouvir a campainha mais uma vez, levantou bravo abrindo a porta sem nem olhar quem estava ali.
- Eu pensei que tinha lhe dado uma cópia Heero!
- Heero? Duo... - somente após ouvir o nome do japonês ser pronunciado por aquela voz feminina o americano se deu conta do que havia feito. Olhou para a jovem de cabelos longos a sua frente, lamentando profundamente ter tocado no nome do japonês.
- Desculpe, Relena. Eu pensei que fosse...
- O Heero? Duo... Heero está morto, você sabe disso. - dito isto, ela tocou suavemente na face do americano, depositando-lhe um beijo suave nos lábios. Após isso, o jovem de olhos violetas deixou com que Relena entrasse, fechando a porta logo depois.
- Nem todas as informações são verdadeiras Relena, eu achei que você tivesse aprendido isto na guerra - o americano passou seus braços pela cintura fina olhando fixamente os olhos azuis, tão claros quanto o céu da Terra.
- O que você quer dizer com isso? - os olhos dela diziam por si só a surpresa que tivera. Sofrera muito ao saber da morte de Heero. Havia sido profundamente apaixonada pelo japonês. Ele havia sido seu primeiro amor. Sabia que havia cometido erros graves com Heero, ele era uma pessoa fria e isoladam ela não deveria ter tentado afasta-lo do que ele era. Talvez, por isso, ele negara seu amor após a batalha contra Mariemeia.
Quando soube que Quatre e Trowa estavam na agência dos Preventers de Nova York ficou extremamente feliz pelo amigo árabe ter encontrado seu amado Trowa. Eles faziam um lindo casal juntos, eram verdadeiramente apaixonados. Quatre convidava-a freqüentemente para jantares ou festas pequenas, que ele costumava oferecer em sua casa, para os cliente e sócios de suas empresas.
Relena ainda se lembrava que havia em uma dessas festas que conhecera novamente Duo Maxwell. Naquele dia, como sempre, ele era alvo de todos os olhares. A calça preta e a blusa violeta realçavam seus olhos, a longa trança chicoteando nas costas era mais do que sensual. Foi então que, ficaram amigos e mais tarde... Mais tarde tornaram-se o que eram até hoje: algo que ela não sabia definir. Talvez, ela fosse um caso para Duo, apenas para diversão, talvez não. Ela não ousaria perguntar. Temia perder o americano como havia perdido o japonês.
Relena foi tirada de seus pensamentos pelo barulho da porta se abrindo. Imediatamente Duo a soltou, dirigindo o olhar para a porta com um maravilhoso sorriso. Um sorriso que somente ele era capaz de possuir.
O coração de Relena parecia ter parado de bater quando viu o garoto de cabelos chocolates fechar a porta com dificuldade, devido ao imenso número de papéis que tinha consigo.
- Hei! Heero! Como foi lá? - o americano sorriu, e só então o japonês percebeu a jovem de cabelos loiros ao lado dele.
- Hn...Lady Une continua igual. - disse, colocando alguns dos papéis em cima da jaqueta de Duo. - Relena?
- Heero?? Eu pensei que... - os pensamentos dela foram cortados ao sentir o leve toque do americano em seu ombro. O olhou para Duo e sabia que, independentemente do que fosse falar, deveria parar por ali.
- Eu não quero atrapalhá-los. - o japonês pegou novamente os papéis e foi em direção ao seu quarto, sendo acompanhado por dois olhares observadores.
- Desde quando ele está aqui? - a jovem de cabelos longos perguntou a Duo, com uma visível expressão de surpresa.
- Ontem ele se mudou pra cá. Surpresa? - o olhar divertido de Duo mostrava que sabia a surpresa de Relena.
- Não faça brincadeiras, Duo! - Relena disse, com um tom de reprovação seguido de um tapa de leve no braço do americano.
Duo explicou tudo que havia acontecido para Relena, e ele percebera o brilho de felicidade nos olhos azuis. Sabia que a garota não amava mais Heero, mas também sabia que Heero havia sido o primeiro amor dela e como dizem... "Primeiro amor é inesquecível".
Quando a jovem saiu de lá, o americano resolveu ir perguntar para seu amigo como havia sido a conversa com Une. Bateu na porta três vezes, esperando que o outro abrisse. Após esperar um pouco, não ouviu sequer os passos do japonês.
Girou a maçaneta devagar, com medo do amigo estar dormindo e fosse acordado. Olhou para a cama, não vendo ninguém, optou por chamá-lo:
- Heero? Heero?
- Aqui! - ouviu a voz rouca vir da direção da porta do banheiro. Optou por sentar na cama e esperar seu ex-parceiro sair. Não demorou dez minutos para Heero sair com os cabelos molhados e uma toalha enrolada na cintura. As gotas de água caiam de seu cabelo, algumas percorrendo os músculos bem definidos de seu corpo, outras caindo diretamente no chão.
Heero pensou que Duo havia saído do seu quarto depois de lhe chamar. Ver o americano ali, sentado em sua cama o olhando fixamente nos olhos. Era demais para sua imaginação que voltava a se recordar dos sonhos que tinha nos tempos de guerra. Do adolescente tagarela que adorava perturbá-lo, e que ele imaginava, naquele tempo, ser apaixonado por ele. Tão perdidamente quanto ele próprio havia se apaixonado pelo americano de cabelos trançados.
- Duo! Que houve? - tentou disfarçar o máximo possível, era em horas como essas que abençoava o treinamento que tivera. Caso contrário, Duo perceberia, e isso poderia gerar grandes problemas.
- Eu fiquei curioso... - Duo fez um beicinho - O que a velha Une falou pra você? - o americano viu Heero revirar os olhos, caminhando em direção ao guarda-roupas.
- Nada demais, ela só vai me manter sob vigia por seis meses. - Heero viu os olhos de Duo alargarem-se em um claro espanto. O americano sabia que Une era complexada por nunca ter conseguido capturar Heero, mas...seis meses?? Ele não era um prisioneiro ou algo assim, não era ladrão, e ao que parecia, não havia feito nada nesses últimos anos que pudesse colocá-lo nessa situação. Por mais sutil que fosse a vigia, qualquer um se sentiria constrangido sabendo que era tratado como um criminoso em condicional, sendo que nada havia feito, há não ser conquistado a paz.
- Você chama isso de "nada de mais"? - o americano se levantou, observando o japonês procurar alguma roupa do seu agrado no guarda-roupa.
- Poderia ser pior. - a voz fria ecoou em seus ouvidos, e se Heero estivesse olhando para Duo naquele momento, veria a cara de indignação que ele fazia.
A perplexidade tomara conta do americano. Desde quando Heero era assim? Desde quando aceitava as coisas assim? Ele sempre aceitou qualquer missão... Mas aquilo não era uma missão, era a vida dele! Será que ele não percebia? Será que Une não percebia? Para Duo, ninguém havia notado o que ele notara... Heero Yuy não vivia feliz! Não sorria, não chorava, não sentia... Na guerra, isso podia ser frustrante, mas também era extremamente útil. Mas agora? Ele não precisava mais ser uma máquina.
- Heero, você não precisa acatar as ordens da Lady Une. Por lei, ela não poderia impor isto para você sem um bom motivo.
- Ela tem um bom motivo, Duo - o japonês olhou para ele jogando as roupas que tinha escolhido em cima da cama.
- Tem?? - os olhos violetas mostravam toda a surpresa do americano quanto aquela afirmativa.
- Hai - o tom seco de Heero lhe fez pensar se a "velha bruxa" realmente teria um bom motivo para colocar Heero naquela prisão.
- E qual é? - até Heero viu a curiosidade dos olhinhos violetas, ele poderia contar o motivo e o porque dele. Mas nunca o faria, Duo jamais entenderia.
- Eu não morri naquela guerra, como deveria ter morrido. - o japonês disse, tão baixo, que nem Duo sabia como tinha ouvido aquilo. Então era isso, Heero achava que deveria ter morrido naquela guerra e, por isso, deveria se submeter àquela situação? Conhecia o japonês para saber que se ele encarava como parte da missão morrer na guerra, faria o possível para consertar aquele "erro".
- Você não deveria ter morrido, Heero. - Duo caminhou até o guarda-roupa, no qual Heero ainda estava encostado. Colocou as duas mãos no rosto do japonês, olhando fixamente nos profundos olhos azuis, surpresos por tal atitude. - Se você tivesse morrido... Eu, Quatre, Trowa e Wufei sentiríamos a sua falta... Mais do que você pode imaginar. A sua vida é preciosa demais para ser desperdiçada em uma guerra. - terminando suas palavras, Duo se virou e saiu do quarto. Estava indignado demais com Une para ouvir qualquer outra palavra de Heero.
O japonês ficou olhando para a porta ainda surpreso. Tocou levemente uma das bochechas, em que Duo havia segurado, e deixou que única lágrima, silenciosa e solitária rolar de seus olhos.
"Viu? Está acontecendo de novo".
"Você está errado"
"Você já se esqueceu o que ele fez para você?".
"Iie"
"Pois não parece"
O japonês se vestiu e olhou para sua imagem no espelho. Não poderia esquecer o que Duo havia feito a ele. Jamais esqueceria. Só não sabia se isso seria o suficiente para que ele pudesse resistir até completar sua última missão.
...
kimi o omou kimochi
yuzurenai kara
...
Trowa olhou para o lado, sorrindo ao ver seu pequeno anjo loiro dormindo serenamente. Acariciou de leve os cabelos macios, depositando um beijo em sua testa. Levantou-se para preparar o café da manhã. Era raro acordar antes de seu anjinho, e quando isso acontecia, ele gostava de poder fazer alguma surpresa para o árabe.
Foi até a cozinha e separou uma bandeja, para colocar tudo que fosse necessário para que seu anjo pudesse ter o melhor café na cama do mundo.
- Bom dia, Sr. Barton! Acordou cedo hoje. - o homem sorriu para Trowa, que não demorou a dar um aceno de cabeça correspondendo ao cumprimento.
- Bom dia, Rashid. - o homem mais velho percebeu a aparente dúvida do jovem de olhos verdes entre um pote de mel ou de geléia.
- Posso ajudá-lo em algo Sr. Barton? - ele sorriu, enquanto colocava os pratos na mesa para que os outros empregados da grande mansão pudessem comer com ele.
- Você acha que Quatre vai querer geléia ou mel? - a dúvida sincera expressa nos olhos verdes foi recebida com um sorriso suave de Rashid.
- Na dúvida leve os dois. Tenho certeza que qualquer um deles vai agradar o Mestre Quatre, se for você quem for levar.
Trowa e Quatre. Desde o primeiro dia que haviam se conhecido Rashid soubera que aqueles dois pareciam preocupados demais um com o outro. Quando assumiram um relacionamento sério, logo depois da batalha contra Marimeia, ele nunca imaginou que eles continuariam vivendo como dois recém casados por tanto tempo. Ficava satisfeito por seu mestre ter encontrado alguém que o fizesse feliz. Quatre era uma boa pessoa, com uma alma pura. Trowa apenas fez mais bem ao jovem mestre e Rashid ficava incrivelmente contente com isso.
- Bom dia, meu príncipe do deserto adormecido! - Trowa disse ao perceber que seu anjinho tinha acabado de acordar. - Dormiu bem?
- Melhor impossível! - Quatre sorriu e deu um beijo suave em seu amante. Só então viu a maravilhosa bandeja, com o café da manhã que seu amado havia preparado. - Eu já disse que te amo? - Quatre perguntou seriamente para Trowa.
- Uhn... Hoje? Ainda não - Trowa sorriu, e os dois ficaram naquele clima até que ambos terminassem o café.
- Trowa... - o loirinho perguntou, olhando fixamente nos olhos de seu amante. - Você soube que Heero voltou... E que foi morar com Duo e... - a preocupação evidente nos olhinhos azuis, fez com que Trowa acariciasse levemente a face pálida de Quatre, em uma tentativa de acalmá-lo.
- E você está preocupado com Heero... Certo? - o loirinho afirmou com um gesto simples de cabeça - Uhn... Duo não sabe o que aconteceu naquela época para Heero desaparecer daquele jeito. Você acha que ele ainda...
- Sim. - Quatre cortou a frase de Trowa. Sabia o que ele ia falar, e sabia a resposta daquela pergunta. Tinha certeza quanto a isso. - Por que você acha que ele aceitou o pedido de Duo? Digo... Heero nunca faria mal nenhum a ele, mas... Nós sabemos que Duo e Relena mantêm um relacionamento um tanto quanto diferente... Sem contar aquela outra garota de cabelos escuros.
- Heero vai sofrer, Trowa... Não vai?
- Provavelmente meu anjo, mas esta foi a decisão que ele tomou. - Trowa acariciou os cabelos loiros. Ainda lembrava das palavras de Heero quando estavam naquela viagem atrás dos parentes do Marechal Noventa. A única coisa que não entendia, era porque ele tinha escolhido aquele caminho tão triste para seguir.
À tarde não demorou a vir, Quatre e Trowa já estavam na agência trabalhando como de costume, quando viram o americano sair do elevador com um sorriso mais feliz do que o normal.
- Boa tarde Quatre, Trowa! - os dois se olharam, depois olharam para Duo. Sabiam que o amigo sempre estava radiante, mas dessa vez seu sorriso tinha um brilho de felicidade um pouco maior.
Quatre deu um sorriso suave para Trowa, este acenou com a cabeça, indicando que havia entendido o que o outro quisera dizer com aquele pequeno gesto.
- Sr. Winner no que posso ajudá-lo? - a secretária falou suavemente. Quatre ria por dentro nestes momentos. A vantagem de ser Quatre sempre o fazia ter preferência para algumas coisas. Olhou as duas pessoas que estavam sentadas no banco de espera, certamente esperando para falar com Duo. Sabia que aquilo era errado, mas não podia ficar fora do seu setor muito tempo, portanto aquelas pessoas poderiam esperar um pouquinho, não?
- Eu preciso falar urgentemente com o Sr. Maxwell. Ele está disponível? - sorriu docemente, como só ele podia fazer, e viu a secretária pegando o telefone e pedindo autorização para que ele entrasse. Não demorou muito para a porta se abrir e Duo o olhar com aquele sorriso maroto que só Duo possuía. O loirinho entrou e, quando a porta se fechou, viu o americano olhá-lo daquela maneira que só ele conseguia: reprovador e brincalhão ao mesmo tempo.
- Q-sama! A curiosidade matou o gato sabia? - ele disse, sentando-se na confortável cadeira e colocando os pés sobre a mesa.
- Vamos Duo! Eu tenho muita coisa para fazer... Diga-me que felicidade toda é essa? - o loirinho sentou-se na cadeira à frente da mesa, sorrindo amigavelmente para Duo.
- Depois de anos a velha bruxa Une me deu férias - disse quase sussurrando para Quatre e, logo depois, estourando em gargalhadas.
- Férias? Nossa! Já não era tempo, ela sempre dava um jeito de cortar seu embalo. - o amigo sorriu, mas só então se lembrou um "pequeno" detalhe de olhos azuis.
- Sim... Quero ver se aproveito para fazer uma viagem, quem sabe Europa. Ou, talvez, até aqui nos States mesmo, Vegas, L.A... Que você acha? - os olhos violetas tinham um brilho de felicidade que Quatre não via há muito tempo.
- Duo... Eu fico muito feliz por você. Mas, será que não tem problema deixar o Heero sozinho no seu apartamento? - os olhos violetas alargaram-se em espanto. Havia se esquecido completamente do japonês.
- São só duas semanas, acho que não tem problema... Certo? Heero sabe se virar muito bem. - o americano sorriu.
- Está bem, se você diz. - o árabe sorriu, porém seu coração se preocupava com o japonês. Ainda se lembrava do olhar dele naquele dia. Foi a única vez em que viu Heero chorar. Era uma única lágrima, mas Quatre sabia que aquela única gota era carregada de dor e sofrimento. Heero nunca demonstraria emoções se elas não fossem extremamente fortes, ainda mais na frente de outras pessoas. No entanto, naquele dia, ele e Trowa presenciaram o símbolo máximo do sofrimento do soldado perfeito.
Sempre se sentira mal por nunca ter contado a Duo. Apesar de, no começo, o amigo ter ficado extremamente chateado com o desaparecimento de Heero. Mas ele não poderia contar, nem ele nem Trowa. Seu amante havia dito que Duo jamais entenderia. E, por mais difícil que fosse admitir, esta era a verdade.
Ele não sabia o que Heero havia feito nos últimos anos, mas talvez conversar com ele nessas férias de Duo fosse uma boa idéia. Ainda se lembrava das palavras do japonês para ele e Trowa...
- Hai, Quatre. Obrigado por tudo. Trowa... - o japonês olhou diretamente nos olhos verdes. - Heero, fugir agora não vai mudar as coisas. - Trowa ainda tentou persuadí-lo a ficar. - Eu sei Trowa, mas quem sabe o tempo mude... E me faça esquecer tudo. Eu espero que vocês sejam muito felizes juntos. Espero mesmo - o japonês deu um meio sorriso, virando para entrar no táxi que o esperava. Ele foi o único que nos disse isso naquela época, o único que apoiou nossa decisão.
- Tem certeza Heero? Você pode ficar aqui.- Quatre sorriu gentilmente apesar de seus olhos estarem marejados de lágrimas.
- Hei! Q! Tá me escutando cara? - Quatre olhou para o par ametista a sua frente. Duo ainda falava sobre os lugares que queria ir, por fim decidindo que Vegas e L.A. seriam extremamente divertidos.
Os três entraram no apartamento e já sentiram o cheiro maravilhoso que vinha da cozinha. Quatre olhou para o japonês, que estava mexendo alguma coisa em uma das panelas no fogão.
- Heero! - o árabe sorriu para o amigo quando ele se virou, pode ver a alegria expressa nos olhos azuis.
- Quatre! - Duo ficou surpreso ao ver um meio sorriso se formando no rosto do japonês, mas preferiu não comentar nada. O loirinho sorriu ao ver o japonês procurar por alguém. Ele sabia quem Heero estava procurando.
- Você vai deixar queimar - Trowa apareceu na porta, alertando o amigo dos bolinhos que estavam quase queimando na frigideira. Heero olhou um tanto alarmado, rapidamente retirando-os dali, colocando-os na travessa junto com os outros.
O jantar transcorreu em clima de animação. O japonês até falava um pouco mais com a presença dos dois convidados, e se permitia dar meio sorrisos de vez em quando. O que não passou desapercebido por Duo. Ele parecera aceitar bem as duas semanas de férias que o americano conseguira, e não se importou em ter que ficar sozinho cuidando do apartamento por este pequeno período. Para Trowa e Quatre... Aquilo parecia mais um prelúdio de maus tempos.
Continua...
Nota: o.o essa autora vai ficar sem net por algum tempo, espero que não muito longo. Então, desde já, eu peço desculpas por qualquer eventual demora que possa haver pra responder alguma review, ou coisa assim...
Outras fanfics minhas vocês encontram no meu Fanfiction archive: http / lahy . livejournal . com / 3335 . html # cutid1 (é só tirar os espaços e pronto )
