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Oh how I long for the deep sleep dreaming / Ah, quanto eu alongo pelo profundo sonho dormente
the goddess of imaginary light / A deusa da luz imaginária

Ao se virar na cama a cascata de ouro brilhante escorreu pela borda, meio embaraçado... mas ainda brilhante sob a luz da lua que entrava pela janela na parede ao lado e mais próxima da cama...

Em seu mundo de sonhos não havia dor, medo ou vergonha e em seu mundo de sonhos havia coisas magníficas, pacíficas e tão perfeitas...

No seu mundo de sonhos havia sua mãe...

Num lugar onde as pessoas não a podiam julgar e não podia se sentir sozinha...

Pena que os sonhos são feitos de cristal e silêncio.

Rompem-se tão fácil...

Abriu os imensos olhos azuis cor do céu e senta-se na cama... foi um estranho estalo alto que a acordou... mas talvez apenas estivesse sonhando... então mais algum som lhe chama atenção.

Veio de baixo, com uma calma enorme afasta o cobertor fofinho, esse verão estava tão frio... pensou olhando o cobertor, pegou o enorme roupão roxo e jogou por cima de sua camisola verde água que estava um pouco rasgada na alça esquerda e tinha um pufoso bordado com a enorme língua formando um "BOA NOITE" em seu peito.

O fato da camisola estar mais justa que antes a incomoda... gosta tanto dessa camisola, foi sua mãe que escolheu. Calçou os chinelos peludos e saiu para fora do quarto... a casa inteira se mantinha em silêncio... exceto o novo som de batida que agora parecia vir da cozinha...

Havia uma luz lá.

Desceu a escada como se fizesse isso por hábito e olhou para dentro do cômodo iluminado.

-Papai.- disse como se não falasse com ninguém.

-Ah... Loony...- disse o homem se virando com uma xícara na mão.- Acordei você.

Foi uma afirmação não uma pergunta.

-Tomando chá.

Foi outra afirmação.

-A Edição de amanhã só ficou pronta agora, mas finalmente teremos os Bufadores na capa.- ele disse sentando-se calmamente.

A garota o olhou um pouco antes de puxar uma xícara também e sentar-se ao lado do pai, estava feliz, muito. Seu pai estendeu a mão e fez carinho nos cabelos longos e bagunçados da filha, ambos sorriam e ficaram em silêncio até o fim do chá.

-Coisas estranhas aconteceram hoje.- disse ele mais sério do que nunca ela tinha visto.- Loony... por um acaso não conhece ninguém com quem passar o verão?

-O que eles disseram dessa vez?- ela perguntou olhando o fundo da xícara desinteressadamente.

-Os Weasleys moram aqui perto... você não amiga da menina deles?

-Então acha que eles virão aqui?

Não precisou de resposta o olhar de seu pai já era suficiente, aquele azul escuro e fundo sempre tão luminoso agora estava um pouco preocupado... as coisas no mundo haviam mudado ainda mais... e sentia que logo, logo essas mudanças também afetariam seu lar.

Seu recanto imaculado.

-Tenho que ir dormir, amanhã é a distribuição...

-Envio um bilhete para Gina...

-Se lembrar eu venho para o almoço.

-Se puder eu lhe mando um bilhete lembrando.

Sorriram e juntos subiram e seu pai ainda lhe deu um beijo na testa antes dela entrar no quarto.

Nenhuma preocupação prévia pode evitar que a garota de logos cabelos loiros e mal cortados voltasse a seu quarto e deixando o roupão roxo na cadeira olhasse para fora... uma noite tão linda, não, nada ia preocupa-la agora diante de tão bons sonhos prometidos... com o corpo iluminado com a luz da lua voltou a se alojar no seu cobertor quentinho e olhando no teto do seu quarto olhou os carneirinhos que pintados ainda pulavam uma cerca florida e desbotada pelos anos em que faziam a mesma coisas... com o tempo achava isso tão monótono, não sabia porque os carneirinhos insistiam em ir e vir pela cerca... fazendo sempre a mesma coisa.

Ao longe apenas dois pastavam, alheios a brincadeira repetitiva... Apenas dois.
Os únicos verdadeiramente felizes.

Luna sorriu e se virou na cama. A cascata de cabelos voltou a cair para fora.