Nota: Os personagens de Naruto não me pertencem, pertencem a Kishimoto Masashi e empresas licenciadas. Fic sem fins lucrativos a não ser diversão. Feito de fã para fã.
N.A: Antes de começar mais esse capítulo gostaria de dizer duas coisas, a primeira é, perdão pelo atraso na atualização. Eu fiquei um bom tempo sem pc, por isso a demora. A segunda coisa é muito obrigada a todos (as) que leram e me deixaram reviews. Prometo que daqui pra frente irei atualizar com mais freqüência! Deixar reviews – podem crer – é um grande incentivo pra que eu atualize mais rápido... rsrs
Obrigada linduxas: Insana, Ninha-chan x3, Antares D., Beautymoon, Lust Lotu's, Darknee-chan, Tainan, Ladylands e Sakura Kiryu!
Espero vê-las novamente aqui! ^^
Uma boa leitura a todos!
Um Mal Chamado Amor
Capitulo II: O enigma chamado Hatake Kakashi
Silêncio.
Um mortal e sepulcral silêncio? Talvez isso fosse demais, na verdade, impossível se tratando de Konoha e sua mais barulhenta e conhecida rua de comércio com suas barracas coloridas e comerciantes barulhentos. Sim, isso era verdade, mas o silencio instaurado por uma ex-aluna que falava pelos cotovelos e seu ex-professor, esse sim, parecia sepulcral.
Aquilo, de fato, era incômodo, talvez tão incômodo quanto uma pedra no sapato, uma meia furada ou então uma torneira que continua a pingar sem parar até parecer que tambores estão retinindo em sua cabeça e uma maldita enxaqueca tomar conta de todo o seu ser.
Eu realmente era um tanto quanto dramática, confesso, mas o caso era que eu parecia ser privada de respirar ao ficar sem falar por mais que cinco minutos. Talvez o meu "eu interior" subisse em minhas costas e pressionasse meus pulmões com suas indagações absurdas, que só vinham à tona diante do silencio de palavras que, por algum motivo, haviam sido barradas de sair de minha boca.
-Sakura.
-Hai?
-Yare, yare... Chegamos!
Silencio de novo.
Havia sido uma longa e silenciosa caminhada aquela como se fossemos dois estranhos, mas o mais estranho era que eu já esperava por isso. Não adiantava a "Sakura interior" me pressionar para abrir a boca e expor o que estava pensando ou sentindo, eu simplesmente não conseguia. Talvez eu tivesse coisas demais para dizer a ele, coisas que eu ainda vinha tentando negar e que provavelmente não iriam lhe interessar, por isso, preferi o silêncio.
No fim das contas, acho que era o que ele desejava também já que havia voltado a leitura de seu Icha Icha, o que resultava num Kakashi cego, surdo e mudo ao meu lado. Aquele maldito livro o sugava feito uma sangue suga e me fazia parecer chinfrim e sem qualquer atrativo para prender a atenção daquele que, sem sombras de dúvidas, era o seu mais fiel leitor.
Era como se Icha Icha me mostrasse a língua e zombasse de mim: "Ele é meu, só meu testuda feiosa!"
Acho que a essa altura, depois de tanta divagação absurda eu estava com um imenso ponto de interrogação na cabeça, mas Kakashi parecia ter pouco interesse nisso quando me fitou. Ele sorria pra mim depois de guardar seu precioso livro no bolso com o cuidado de quem punha um filho para ninar ou então, guardava algo frágil e valioso demais para continuar sendo exposto. Ichiraku e o delicioso cheiro de lámen que chegava até nossas narinas parecia muito mais interessante, pelo menos nesse instante.
Icha Icha havia perdido pelo menos dessa vez! Ah e eu também... Droga! Eu nem ao menos podia comemorar que meu "inimigo número um" nessa guerra silenciosa que travávamos pela atenção de Kakashi-sensei, houvesse sido "golpeado" também.
Alheio as sandices que perambulavam em minha cabeça naquele instante, Kakashi me indicava com o polegar as bandeirinhas decorativas e flutuantes na entrada do famoso Ichiraku Lámen. Aquele cheiro bom de comida certamente o estava seduzindo, aliás, estava seduzindo meu estômago também. Sorri e então me aproximei dele, no entanto, algo me dizia que ele queria me dizer algo mais do que apenas me convidar para comer.
Kakashi levantou com um dos braços parte daquela cortina colorida e tão logo a face sorridente do proprietário do Ichiraku apareceu.
-Yo!
-Irasshai Kakashi-san! Que bom vê-lo aqui, já fazia um bom tempo que não o via. –respondeu o velho homem.
-Eu andava...; Kakashi ponderou enquanto se sentava e então se voltou num sorriso para a face curiosa do homem. –Ocupado; ele completou, pois na certa não entraria em detalhes do porque de sua ausência: dias inconsciente no hospital depois de uma arriscada missão ninja...
-Entendo; o homem tinha uma ponta de decepção na voz. Ele, como a grande maioria das pessoas, sempre, esperava mais quando o assunto era o copy-ninja.
-Dois lámens, por favor; pediu Kakashi no que foi prontamente atendido. Os olhos do homem pareciam ter adquirido um novo e vivaz brilho diante do pedido, como se houvesse sido pedido em casamento ou algo do tipo.
-É pra já! –ele respondeu feliz e então seguiu até a cozinha gritando, para o meu desgosto, o nome da filha. –Ayame-chan, dois lámens, por favor!
A idéia de ter uma espécie de dé jàvu com a garota do lámen não me agradava nem um pouco, mesmo que esse dé jàvu fizesse parte de algo quase esquecido em minha memória depois de tanto tempo.
Ela iria se derreter toda para Kakashi e o fitar gulosamente como Naruto diante de uma porção extra de lámen?
Não.
Iria ser bem pior...
Incomodada como se estivesse sentada sobre um porco espinho eu me remexi em meu assento. Aliás, aquele ambiente agradável e seu delicioso cheiro de comida pareciam ter se tornado um grande incômodo também.
"Por raios tínhamos que vir justamente até aqui? BAKA! Você é mesmo muito baka Sakura! BAKA! BAKA! BAKA!".
-Sakura?
-Hai; era Kakashi e eu me voltei num sorriso pra ele, daqueles tipo Rock Lee para não restar dúvidas de que estava realmente tudo bem. Ele não entenderia o porquê de meu incômodo mesmo que eu tentasse lhe explicar, na verdade, eu não saberia dizer por que passei a detestar de tal forma a garota do lámen, não sem me delatar. O porquê seria bastante óbvio, essa era a aterradora verdade.
Kakashi pareceu analisar meu sorriso por alguns instantes e eu temi que realmente tivesse pegado os trejeitos de Lee e Gai a ponto de ser incluída no clube de dois integrantes da "Força da Juventude". Talvez eu devesse sorrir menos daqui pra frente, bom, pelo menos daquela forma estranha, foi então que finalmente Kakashi disse:
-Parece que está sentada sobre um porco espinho...
Droga! Ele havia percebido, não... Pior! Agora ele olhava pra minhas pernas inquietas e... Corei feito um tomate ao perceber que sentava tão "graciosamente" quanto Naruto aos doze anos...
Não havia malicia nos olhos dele, como certamente teriam nos de Naruto se me visse sentada daquele jeito e sim uma espécie de preocupação exagerada, como a de um pai zeloso, algo como: "O que há de errado com você?"; mas dentro de mim, aquele simples gesto pareceu revirar cada recanto pouco explorado quando o assunto era "Sakura e os homens" ou "A inexperiente Sakura e suas reações infantis e vergonhosas diante de um homem".
Juntei os joelhos tão rápido que meus ossos estralaram alto o suficiente para que alguém do outro lado da rua ouvisse. Aquilo doeu, mas eu ignorei a dor e passei a tamborilar os dedos sobre a mesa e mexer em uma coisa ou outra sobre a bancada que pouco me interessavam.
-Sakura.
-Hai; eu continuei a "brincar" e o ignorei, não por completo, afinal, eu o estava ouvindo. O que eu realmente não queria era ter de fita-lo. Ok, eu estava sendo realmente muito infantil, tola, mas olhar pra ele me faria corar de novo e eu não queria ser um "tomate-acompanhante" que ainda por cima sorria de uma forma tão ridícula sempre que ficava nervosa.
Ino na certa me diria: É nisso que dá manter esse "status" Testuda-virgem-puritana, nem ao menos sabe se portar na frente de um homem...
-Sakura; era Kakashi de novo, mas dessa vez ele fez mais do que dizer o meu nome. Sua mão grande cobriu a minha e tão logo aqueceu não só meus dedos finos e frios, mas meu corpo todo também.
"Óh céus! Você quase teve um orgasmo agora...".
Aquilo era exagero, mas era uma sensação nunca antes experimentada a que sentia. Meu coração batia forte, acelerado, as palavras haviam sumido e minha garganta parecia seca. Quando me voltei pra ele, Kakashi estava estranhamente sério, apenas me fitava em silencio.
Inesperadamente sua mão livre se moveu até meu rosto, próximo às têmporas, e ele acariciou meu cabelo em silencio, gesto que eu ansiei que durasse para sempre. Instintivamente eu fechei os olhos e apreciei aquele gesto como uma gata a ronronar depois de receber um carinho. Fazia tanto tempo desde a ultima vez que havia sentido o toque dele que era como se aquilo fosse mais um de meus sonhos, no entanto, eu ainda podia reconhecer o calor do toque dele e de como minha pele se eriçava ao mesmo tempo em que relaxava sob o mais sutil que fosse o meu contato com ele.
-Sakura; era a voz dele de novo, enquanto seus hábeis dedos deslizavam entre uma mecha e outra de meu cabelo. –Acaso há algo que eu possa fazer por você?
Meus olhos se abriram surpresos ante aquela pergunta. Mais uma vez ele tentava parecer um pai zeloso, o que de certa forma começava a me irritar, mas ainda sim me dava prazer, afinal, ele se preocupava comigo. "Me beije" ou "Faça amor comigo" certamente não eram uma resposta, mesmo que fossem as mais tentadoras naquele instante. Ter aqueles olhos preguiçosos sobre mim fazia com que minhas pernas ficassem trêmulas no que eu gratamente agradecia por estar sentada.
Não sei, mas por alguns instantes, acho que aquele ar de pai zeloso se foi e eu achei que os olhos dele miravam minha boca, mas...
Então lá se vai mais uma das fantasias impossíveis de Haruno Sakura...
Ele bagunçou meu cabelo e eu franzi o cenho finalmente despertando daquele transe hipnótico em que ele mesmo havia me colocado. No mesmo instante eu pensei em ralhar com ele, como quando ainda era uma genin, afinal, meu cabelo estava literalmente destruído depois daquilo – não, dessa vez não era exagero, Kakashi tinha o poder de me deixar como uma medusa cor de rosa –, mas só então eu percebi algo.
-Arigato Teuchi-sama! Não é a toa que Ichiraku lámen é conhecido por servir o melhor lámen de Konoha!
-Arigato, Kakashi-san!
Teuchi-sama... Teuchi-sama? Ah, é claro, o proprietário do Ichiraku Lámen, o homem de olhos miúdos, ou seria... Fechados o tempo todo? Eu mal me recordava de que ele tinha um nome, para mim ele era o Senhor de olhos fechados que servia lámen, para Naruto apenas velho. Ele estava ali com duas porções de lámen nas mãos e era com ele que Kakashi fiava sua teia... Na certa conseguiria um desconto do tipo "compre dois pague um" se continuasse a bajular o velho cozinheiro.
É talvez fosse por isso que ele houvesse se afastado tão rápido de mim também. Bom, pelo menos eu queria me agarrar a essa hipótese, era melhor do que achar que ele havia se assustado com o tamanho da minha testa devido à aproximação...
-Espero que apreciem a refeição; o velho se aproximou da bancada com os olhos cintilando e pôs a nossa frente as duas porções fumegantes de lámen, as quais transportava com a ajuda de uma baixela.
-Não há duvida de que apreciaremos Teuchi-sama, afinal, além de servirem o melhor lámen de Konoha vocês conseguem servir o mais rápido também; Kakashi voltou a bajular o velho homem que agora parecia ter literalmente se apaixonado por ele.
-Arigato, Kakashi-san! Prometo que lhes darei um desconto especial hoje! –o velho sorriu como uma adolescente apaixonada antes de sumir pela pequena porta que dava acesso à cozinha.
-Itadakimasu! –Kakashi juntou os rachis entre os polegares de sua mão em forma de prece, realmente, muito agradecido pela comida.
-Você realmente joga sujo Kakashi-sensei; eu me voltei para minha tigela de lámen e imitei seu gesto, porem não sem antes revirar os olhos. Hatake Kakashi realmente era capaz de conseguir tudo o que queria com apenas um sorriso.
-Você realmente me julga tão mal assim, Sakura? –Kakashi abandonou os rachis sobre a bancada e se voltou para mim tentando parecer inocente em seu sorriso mascarado.
-Pior; simplesmente respondi e ele arqueou as sobrancelhas.
-Pior? –Kakashi sorriu e eu finalmente me voltei pra ele.
-Sim, muito pior e depois do que acabei de presenciar confirmo minha opinião; respondi um tanto quanto séria demais enquanto ele esperava que eu continuasse meu inflamado discurso. –Acho que Teuchi-sama se apaixonou por você ou pelo menos há de adquirir tendências yaois na terceira idade graças a sua cantada furada!
-Gomen, eu só queria um desconto...
Kakashi sorriu, ou melhor, emitiu uma sonora gargalhada, não sei se pelo comentário ou devido a minha grande testa franzida em protesto, o que eu não sabia era que aquelas infelizes rugas em minha testa de marquise poderiam aumentar.
-Yare, yare...; Kakashi apoiou um dos braços na bancada enquanto com a outra mão tentava aparentemente conter o riso, tapando sua boca mascarada. –Talvez eu só deva pedir descontos com mensagens subliminares a Ayame-chan de agora em diante...
-Baka! –eu explodi ao ouvir aquele nome. Não pude conter meu desgosto, assim como voltar a pensar na infeliz possibilidade dele realmente ter um caso com a garota do lámen.
Irritada meti os rachis dentro da tigela de lámen, porem sem sequer pensar em levar um fio de macarrão que fosse à boca. O famoso e delicioso lámen do Ichiraku me parecia intragável agora, já que era preparado com a ajuda de Ayame-chan.
-Sakura.
-O que? –eu continuei a remexer na tigela de lámen e a essa altura acho que já estava espirrando o caldo da sopa bancada a fora.
-Você continua sendo a minha preferida...
Meu estômago se enregelou e as mesmas borboletas coloridas e travessas revoaram dentro de mim. Eu me voltei pra ele no mesmo instante a tempo de ver seu olho visível pequenino. Ele sorria e... Eu adorava aquele sorriso.
-E você continua sendo um baka! –retruquei e então me voltei para minha tigela de lámen com o cenho franzido e envergonhada. Corar de novo na frente dele estava fora de cogitação, mas eu estava começando a achar que ele se divertia com isso. Não, eu tinha certeza, afinal ele era Hatake Kakashi.
-E você continua Kawaii!
Agora sim corei. Ok, "bonitinha" não era lá um grande elogio, talvez o fosse para a Sakura de doze anos, mas não para a atual Sakura. Aquilo soava de certa forma piegas, pois me fazia pensar se pra ele eu ainda parecia a garota franzina de testa grande que ele treinou. A verdade é que não sabia se ria ou se chorava. Afinal, isso era bom ou ruim? A minha forma de vê-lo havia mudado muito com o passar dos anos, mas era como se pra ele, nada tivesse mudado com relação a mim.
Resultado, o Kawaii de Kakashi me fez sentir raiva dele.
-Baka! Você é realmente muito baka Kakashi-sensei e...
Minha voz sumiu e eu parei de gesticular sem qualquer propósito. Kakashi tinha os dedos na borda da máscara e estava a ponto de abaixá-la.
Eu, literalmente, estava em choque.
Assim de repente?
Sem delongas?
Sem um preparo emocional antes?
-O que você pensa que esta fazendo? –eu pisquei confusa e ele me fitou mais confuso ainda pra depois sorrir. –Quer dizer, eu...
-Está com medo Sakura? –ele abandonou temporariamente sua intenção e voltou a se recostar contra a bancada.
-Medo? –eu voltei a piscar confusa, tentando decifrar o enigma que aqueles olhos preguiçosos me lançavam.
-Sim, medo.
-Não entendo; murmurei em resposta e pude ver seus lábios se curvarem sob a máscara.
-Talvez, você tema o que pode haver em baixo disso aqui; Kakashi sorriu apontando para a máscara.
-Está sendo idiota de novo; retruquei desviando os olhos dele.
Medo? Não era exatamente isso o que eu sentia, mas de certa forma eu ansiava ao mesmo tempo em que temia aquele momento. Eu havia imaginado aquele rosto por vezes demais e descobri-lo assim tão fácil, parecia tão ter valido tão longa espera.
-É, talvez, mas...; Kakashi parecia cansado quando voltou a se apoderar dos rachis sob meu olhar mais do que atento a qualquer gesto seu. –Eu ainda continuo com fome, então terá de "superar" o seu medo, já que aceitou almoçar comigo hoje...
-Espera! –eu o interrompi de novo, pois ele estava mais uma vez a ponto de acabar com o mistério dos mistérios, quem realmente era o homem por de baixo daquela máscara? –Não, você, você não pode fazer isso, não desse jeito; completei confusa comigo mesma por ter dito aquilo. Até pra mim soava estranho, quanto mais pra ele.
-Acho que agora sou eu que não estou entendendo; ele se voltou pra mim e esperou que eu explicasse o que nem eu mesma sabia que lógica tinha.
-Bem; eu engoli em seco diante do olhar que ele me lançava tão atento quanto o meu em cima dele ainda há pouco. –Depois de tanto tempo, eu esperava mais, não sei; completei franzindo o cenho.
-Mais o que?
-Não sei, talvez, mais emoção; respondi num meio sorriso e vi que um sorriso diferente havia se moldado na face dele, um que me fez ter vontade de arrancar aquela maldita máscara de uma vez, só pra que eu pudesse ver o quão bonito ele deveria ficar sorrindo. Aquele não havia sido o sorriso de um pai ou de um professor, havia sido o de um homem e eu estava claramente ansiosa depois disso.
-Sakura; Kakashi sorriu e aparentemente se divertia com isso. –Acaso não está insinuando que eu faça um strip pra você, está?
Nisso sim, havia malícia. Eu corei e passei a fitar o chão e tão logo pude ouvi-lo gargalhar novamente.
-BAKA! –meus olhos fitavam o chão enquanto eu simplesmente queria ter o poder de sumir dali pra algo tão distante quanto à lua.
-Você quer? Eu faço, mas só se você pedir; ele troçava comigo e eu tinha vontade de socá-lo, mesmo que a idéia me parecesse deveras tentadora, aliás, acho que era exatamente por isso que eu tinha vontade de socá-lo porque eu sabia que ele havia percebido isso e que se divertia às custas de meu constrangimento. Na certa ele havia adorado ter o seu ego inflado.
-Você; eu comecei enquanto levantava a cabeça para então fita-lo. Eu ia mesmo deixar que ele me acuasse daquele jeito? Não, eu simplesmente não podia. Talvez, ainda não fosse tarde para mudar o rumo daquela conversa. –Você deve ser dentuço, ou então nem sequer possuir dentes porque eu iria desejar ver isso aí em câmera lenta? –eu apontei pra ele e seu rosto mascarado o mais desdenhosamente possível.
-Sakura-chan...; Kakashi ainda sorria, mas emitiu um falso suspiro de desalento. –Acha mesmo que seu querido sensei seja assim tão horrendo?
-Pode ser pior; eu revidei e agora estava me divertindo também, pois as sobrancelhas dele haviam se curvado diante do que eu acabara de dizer.
-Pior?
-Sim, muito pior...; sorri divertida. –Naruto achava que você tinha cáries e um lábio leporino, por isso se escondia por trás da máscara. Bom, mas Sasuke e eu sempre achamos que você deve ter espinhas ou então uma grande e feiosa verruga; completei e agora fui eu a gargalhar com as caretas que ele fazia a cada "elogio" a sua suposta aparência.
-Sakura-chan...; Kakashi parecia desolado e eu achei muito, mas muito engraçado continuar.
-Não! –eu apontei pra ele que fitava o chão e balançava a cabeça de um lado para outro desapontado. –Só pode ser uma verruga feiosa, porque, bem, você não tem mais idade pra ter espinhas...
Nesse instante eu realmente morri de rir, ri até sentir dores na barriga, pois ele me lançou um olhar fuzilante como se tivesse transmitido o chidori para os olhos. Eles pareciam relampejar. É, havia me esquecido, mas Kakashi tinha outro ponto fraco além do Icha Icha...
Sua idade.
Naruto dizia que Kakashi devia ter uns cinqüenta anos ou mais e escondia isso com a ajuda de um jutsu como o que Tsunade-sama usava para manter a aparência jovial que tinha. Logo Sasuke e eu descartamos tal possibilidade, pois aquele era um segredo que Tsunade-sama não havia passado nem mesmo pra mim, sua pupila, sendo então era impossível que Kakashi o soubesse.
Mas como Sasuke havia me dito, ele não devia passar muito dos trinta.
Trinta...
Todos diziam que Kakashi-sensei havia parado nos trinta, ou pelo menos parado de contar depois dos trinta. Kakashi odiava aniversários, mas nós sempre nos lembrávamos da data mesmo que não soubéssemos quantas velinhas teríamos que comprar para por no bolo. Em seu ultimo aniversário eu havia feito um bolo de chocolate que ele disse que tinha gosto de barro – eu quase o soquei por isso –, mas pior ainda estava por vir. Kakashi-sensei havia tido que se conter diante da vontade louca de fazer Naruto engolir aquelas dezenas de velas postas sobre o bolo, afinal, encher o bolo todo com velinhas cor de rosa impossíveis de contarhavia sido idéia dele. Ah, a cor das velinhas havia sido sugerida por Sasuke, mas Kakashi-sensei nunca soube disso.
-É, é isso! Eu aposto que você tem uma verruga feiosa por isso anda com essa maldita máscara o tempo todo! –eu ri alto sem qualquer intenção de parar com a brincadeira. Estava sendo legal estar do outro lado não? Eu estava por cima e isso era bom.
-Sakura-chan, acho que não gosto mais de você, tão pouco, te acho Kawaii...
Diante do que me parecia um suspiro melancólico, mesmo que encenado, eu me aproximei e toquei em seu braço fazendo-o me fitar.
-Não se preocupe Kakashi-sensei, eu por outro lado vou continuar gostando de você mesmo que você seja um feioso tarado por pornografia barata e...
-Icha Icha não é pornografia barata! –ele imediatamente revidou como se meu comentário sobre o Icha Icha fosse mais ofensivo que tudo o que eu houvesse dito sobre a sua pessoa antes disso.
Que horror! Estávamos parecendo duas crianças discutindo...
Mas era engraçado.
-Tah, tah, sei; eu me afastei rindo e revirando os olhos.
-Eu posso te provar que não é! Quer que eu leia pra você dormir qualquer dia desses, Sakura-chan? –ele sugeriu sarcástico.
-Pode provar é? –eu continuava rindo, as sobrancelhas arqueadas em descrença só pra provocá-lo. –Não creio e, aliás, dispenso o seu convite, pois seria antiético ter você lendo pornografia pra sua ex-aluna dormir, não acha? Além do que eu já tenho fantasias demais com voc... pra... pra...
Droga! O que foi que eu acabei de dizer? Eu realmente disse isso com a minha boca grande que agora certamente se tornou maior que minha testa? Minha garganta secou, minhas palavras também e eu só conseguia olhar pra ele com uma expressão indecifrável no rosto. Eu sentia minhas bochechas ardendo e meu coração que havia parado temporariamente agora retumbava acelerado dentro do peito.
"Como é que você pode dizer para o seu professor que tem fantasias com ele?".
Aquele, sem sombras de dúvidas, era o momento mais constrangedor de toda a minha vida...
Pluf!
Os olhos de Kakashi deixaram de ser meu único foco de atenção quando aquele "pluf" chegou a nossos ouvidos e de uma nuvem de fumaça apareceu um soldado AMBU. O homem mascarado havia aparecido repentinamente em frente ao cortinado colorido do Ichiraku.
-Kakashi-senpai, A Godaime Hokage o chama; disse o homem e por alguns instantes eu me perguntei de onde eu conhecia aquela voz. Quem é que tinha o costume de chamar Kakashi de senpai?
-Algum problema? –indagou Kakashi visivelmente preocupado.
-Você já deve saber o que é; disse o AMBU. –Tsunade-sama lhe explicará melhor e com detalhes em seu gabinete.
-Certo; Kakashi assentiu e então se levantou finalmente se recordando que eu ainda estava ali, ou melhor, existia. –Sakura, gomen, mas vou ter que ficar te devendo o...
-Ok! Não se preocupe; eu o cortei sem saber ao certo se ele se referia a comida, ao strip ou a quem sabe, me por pra dormir ouvindo-o ler Icha Icha.
-Ja ne! –ele se despediu para então sumir numa nuvem de fumaça como a que havia trazido o AMBU, que tão logo, também sumiu noutra nuvem de fumaça sem nem mesmo um aceno de despedida.
-O que será que aconteceu? –indaguei comigo mesma e não podia deixar de ficar preocupada. Provavelmente o chamado de Tsunade-sama tinha uma ligação direta com a estadia pouco agradável que Kakashi havia tido no hospital ainda há pouco.
Missão ninja sem muita importância? A essa altura eu sequer cogitava a possibilidade de ser inocente a ponto de acreditar nisso, não depois de ver o estado em que Kakashi havia ficado no hospital e tão pouco depois dele ser requisitado tão logo que recebeu alta por um membro do esquadrão AMBU. Isso só queria dizer uma coisa, que algo de muito grave estava acontecendo e que eu ainda não sabia o que era.
-Kakashi-san! Kakashi-san está gostando do... O que? Onde ele está?
Pisquei confusa despertando de meus devaneios ao ouvir a voz conhecida e melosa de Ayame quando se tratava de Kakashi-sensei.
-Onde ele está?
Ela insistiu e eu simplesmente respondi um "não sei".
-Como não sabe? –a garota do lámen parecia desconfiar de mim, o que me deixou irritada.
-Não sei oras! –respondi bufando. O que ela queria? Que eu lhe contasse detalhes da possível missão que ele teria? Nem mesma eu fazia idéia do que poderia ser e tão pouco esse tipo de coisa era gritada aos quatro ventos sempre que algum curioso se manifestava. E em se tratando de Kakashi-sensei não eram poucos os curiosos.
Nesse instante Teuchi-sama se juntou a conversa e veio ralhando com a filha da cozinha:
-Ayame-chan quantas vezes eu vou ter que te pedir que não incomode Kakashi-san? Hein? Eu não havia pedido que ficasse na cozinha e... Onde ele está?
Era a vez do fã da terceira idade perguntar algo óbvio. Kakashi simplesmente não estava mais ali, será que era tão difícil assim perceber isso? Ele escapulira e pior... Sem pagar a conta!
-Eu realmente devia ter te socado Kakashi-sensei! –bufei e então revirei minha bolsa até achar minha carteira. Sob o olhar confuso de Ayame e seu pai eu joguei o dinheiro sobre a bancada e saí trotando dali, afinal, eu não teria um desconto e pior teria de pagar por dois sem sequer ter comido.
-Garota estranha...
-Não, garota testuda e feia...
Eu os ouvi sussurrar as minhas costas e só não voltei para socá-los porque tinha algo muito importante para resolver, tentar descobrir o que de fato estava acontecendo sob meu nariz.
O meu destino era certo quando passei a caminhar pelas ruas abarrotadas de gente: O gabinete da Hokage.
Minha cabeça ainda dava voltas e voltas quando finalmente me deparei com a porta de madeira do gabinete de Tsunade-sama. Quanto mais eu pensava, mais eu me irritava e praguejava mentalmente, pois não conseguia chegar a uma resposta. Já fazia alguns anos que não tínhamos problemas sérios do tipo que sofremos com a invasão da Akatsuki anos atrás e a destruição quase total da vila. Após tudo aquilo finalmente vivíamos um tempo considerado de paz, e há muito os maiores problemas que enfrentamos haviam sido coisas banais como exportações e importações ocasionalmente negadas por alguma vila aliada.
Aquele mistério todo, depois de tanto tempo, me trazia uma espécie de mau presságio.
Primeiro Kakashi se feria em uma missão julgada como simples, mas se machucava como quando usava o mangekyou sharingan. Tsunade-sama devia tê-lo proibido de usar o mangekyou depois do susto que ele havia nos pregado ao lutar contra um dos corpos de Pain quando invadira a vila. Eu havia perdido tudo, minha vila, amigos, meus pais e por pouco não o havia perdido também. A real situação era mais séria do que eu podia imaginar, disso eu tinha certeza.
Suspirei e então bati educadamente na porta no que prontamente ouvi um "entre" de minha mestra do outro lado.
Tsunade-sama estava sentada em sua escrivaninha como sempre abarrotada de papéis e pergaminhos. De frente para ela estava Kakashi e ele sequer se voltou para mim quando entrei, parecia entretido com um pergaminho nas mãos, certamente com a descrição da próxima missão ninja que teria. Eu tive de me conter para primeiro não chuta-lo por ter me deixado pagar a conta sozinha e depois pra não bancar a idiota preocupada e ralhar com Tsunade-sama por ter a insensatez de mandá-lo de volta para um perigo eminente sem nem sequer ter tido tempo de se recuperar verdadeiramente. Talvez, aqueles que ouviam falar sobre o famoso copy-ninja, o homem que copiou mais de mil jutsus e todos os seus feitos sequer pensassem na possibilidade de Kakashi ter uma saúde tão frágil quanto a de um bebê.
Kakashi necessitava de cuidados constantes e passava a maior parte do seu "tempo livre" no hospital depois de alguma missão ninja de alto nível. Eu até mesmo me arriscava a dizer que ele só estava milagrosamente vivo até então graças aos ninjas médicos de Konoha, os melhores do mundo Shinobi. Tsunade-sama havia tido um exaustivo trabalho anos atrás quando Kakashi quase fora morto ao tentar eliminar Pain, inconsequentemente, gastando quase que totalmente seu chakra, a fonte vital que nos mantêm vivos.
Eu me lembrava muito bem de tudo isso, e era exatamente por isso que temia vê-lo em outra situação parecida. E se, dessa vez, não nos fosse possível trazê-lo de volta?
-Sakura, que bom que está aqui, assim me poupa o trabalho de ter de mandar chamá-la também; era Tsunade-sama me tirando de meus devaneios. Confusa eu me dirigi a ela e me aproximei ficando lado a lado com Kakashi, mas ele continuou a examinar o pergaminho.
-Me chamar?
-Hai. Você e Kakashi têm uma missão; ela simplesmente disse e não pareceu surpresa com a minha surpresa diante disso.
-Mas Tsunade-sama, faz anos que não me dá uma missão ninja, muito menos junto de Kakashi-sensei; dessa vez eu pude ver que havia conseguido chamar a atenção de kakashi, pois ele se dirigiu diretamente a mim antes que Tsunade-sama dissesse qualquer coisa.
-Você é necessária nessa missão Sakura; ele me fitou com seriedade e eu me voltei para minha mestra que tratou de esclarecer o restante.
-Sabe o que é isso nas mãos dele? –Tsunade-sama indicou-me com a cabeça o pergaminho nas mãos de Kakashi. Eu neguei com um menear de cabeça e ela continuou. –É uma carta enviada por Yamanaka.
-Ino? –eu indaguei confusa. Que importância uma carta de Ino teria?
-Ino nos mandou essa carta diretamente de Suna; Tsunade-sama continuou e imediatamente uma luz se fez em minha cabeça.
-Algum problema com o Kazekage? –indaguei e olhar que Tsunade-sama me direcionou me deixou ainda mais preocupada. Busquei em Kakashi algo que me livrasse daquele mal pressagio, mas o olhar dele era pior que o de Tsunade-sama, era indecifrável.
-Ele foi envenenado; Tsunade-sama finalmente sentenciou.
-O que? Gaara foi envenenado? Como? Por quê? –eu passei a indagar desesperadamente tudo de uma vez, mesmo sabendo que ela provavelmente deviera estar se fazendo as mesmas perguntas.
-Ino não entra em detalhes na carta, mas diz que o caso é grave e que infelizmente não está nas mãos dos ninjas médicos de Suna salvar seu líder. Ela pede que eu mesma vá socorrer o Kazekage, mas você bem sabe que não posso me ausentar de Konoha; Tsunade-sama completou com pesar.
-É aí que você entra Sakura; disse-me Kakashi.
-Quando partimos? –era a única pergunta que eu tinha depois daquilo. Ino devia estar desesperada diante de tal coisa.
-Se possível, ainda hoje; disse-me Tsunade.
-Não seria melhor já? –indaguei com certa impaciência, eu como sua pupila e ninja médica sabia o quanto mal um veneno podia causar. Seqüelas das mais diversas e na pior das hipóteses até a morte. Gaara era um homem importante não o iriam envenenar se não tivessem o vil intuito de matá-lo com isso e principalmente, a certeza de que conseguiriam tal intuito.
-Você se lembra de quando Kankurou, o irmão mais velho do Kazekage foi envenenado?
-Claro; respondi-lhe. Como eu iria esquecer? Mas a lógica de Tsunade-sama logo foi expressa em suas próximas palavras.
-Se lembra também que por pouco não conseguiu salvar Kankurou porque infelizmente no deserto é difícil de se cultivar, em especial ervas medicinais? –eu assenti com a cabeça finalmente compreendendo suas palavras. –Você eu iremos até o hospital em busca dos melhores e mais potentes antídotos antes de vocês partirem e isso pode levar algum tempo, mesmo com a ajuda de Shizune. Levará também algumas ervas especiais e que só crescem em solo fértil como o de Konoha, no caso de por uma peça do destino, nenhum dos antídotos preparados servir para ajudar o Kazekage.
-Hai, Tsunade-sama!
-Eu confio em você Sakura; Tsunade-sama me fitou diretamente nos olhos num misto de ternura e orgulho. –Vocês chegarão há tempo de salvar o Kazekage...
Continua...
N.A: Ah eu não me esqueci...
Garotas, vocês ainda querem um beijo do Kakashi? rsrs
Formem a fila as que se manifestaram:
Ninha-chan x3
Antares D.
Lust Lotu's
Darknee-chan
Tainan
E…
Sakura Kiryu
Autora – uma péssima cantora, mas que realmente dá um jeito de cumprir o prometido mesmo ao som da Xuxa XD:
"Pêra, uva, maçã, salada mista, diz o que você quer sem deixar nenhuma pista. Um beijinho bem dado na... É com você Kakashi!".
Kakashi – sentado no meu sofá do lado do pc e...? Claro lendo Icha Icha como se fosse a coisa mais sublime do universo: Uh?
Autora: Como... "Uh"?
Silencio. Mais silencio... O cachorro do vizinho late, um pássaro canta longe...
Longos minutos se passam...
O silencio é como o de uma gruta vazia...
Kakashi – finalmente com o seu melhor olhar preguiçoso e sexy fazendo com que a autora o olhe com cara de boba e também fique cega, surda e muda a tudo mais a sua volta: O que disse?
Minha admiração acaba de cair por terra!
Autora – depois de chorar cascatas de lágrimas feito Maito Gai por ter sido ignorada: Façam o que quiserem com ele meninas...
Kakashi – olhar confuso, afinal, já havia voltado sua atenção para o maldito livro: Oro?
Autora: Baixou o Samurai X agora é?
Kakashi: Não entendi.
Autora: Não esperava que e entendesse...Meninas? Divirtam-se!
Kakashi – dessa vez desperto ao ver um turbilhão da garotas aparentemente estranhas vindo em sua direção como uma manada: Oro?
Autora – com um olhar maldoso enquanto se afasta e o sensei-expantalho-sexy é coberto por algo que mais parece uma nuvem de kagebushins: Ele realmente não conhece Samurai X?
Mega gota e um "Oro" que não me sai da cabeça... A onde foi que ele aprendeu isso?
