Disclaimer: Nenhum personagem da Saga Twilight me pertence e – embora eu quisesse muito que eles pertencessem – eu me contento em usá-los sem fins lucrativos, apenas para divertir minha mente louca com histórias alternativas.
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Capítulo Um – Acidentes
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EDWARD POV
"Sério, cara. Você tem que parar com essa mania." Jasper resmungou ao meu lado, enquanto mordia um pedaço de sua pizza.
Eu ignorei o que quer que ele tivesse dito, e cocei meus olhos tentando evitar um bocejo. O dia hoje estava uma merda.
Quase todos os dias estavam, mas eu tentei não pensar muito sobre isso. Bloquear minha mente era o melhor que eu tinha a fazer. Ainda mais quando ela havia aparecido de novo, depois de tanto tempo sem dar sinal algum.
"Então... Você viu a nova garota que entrou no nosso ano?" Jasper voltou a tentar chamar minha atenção, dando um tapa em minha cabeça.
"É claro que não." Alice cantarolou sentando-se ao meu lado. "Desde quando Edward nota alguma coisa?"
Alice costumava ser tão irritante quanto uma formiguinha e, embora eu a considerasse minha amiga, ela tinha essa mania horrível de querer se meter aonde não devia.
"Não me olhe desse jeito." Ela soltou uma risada. "Estou falando alguma mentira?"
Não. Alice não era o tipo de garota que provocava a toa. E nos últimos dias eu andava distraído demais, e não podia culpá-los por tentar ter uma conversa normal comigo.
Eu estava sendo um completo idiota.
"Hm, então..." Tentei me focar no assunto sobre o qual eles estavam falando. "Quem é a nova garota?"
Eu não dava a mínima pra quem ela pudesse ser, mas se era sobre isso que eles queriam falar, eu faria um esforço para participar. Agir do modo como eu estava agindo não mudaria nada.
"O nome dela é Isabella Dwyer." Alice falou animadamente, enquanto se remexia na cadeira.
"Ela é a garota mais estranha que eu já vi." Jasper soltou uma risada, enquanto seu olhar passava por todo o refeitório lotado. "Sério, cara, você ia concordar comigo."
"Pare de ser tão maldoso, Jasper!" Alice o repreendeu, franzindo o cenho. "Você nem a conhece de verdade!"
Jasper encolheu os ombros e balançou a cabeça, num pedido silencioso de desculpas.
"Ela não parece tão estranha assim." Alice me encarou. "Apenas parece um pouco triste."
"Isabella não falou uma palavra com ninguém, desde que chegou aqui!" Jasper voltou com sua argumentação, enquanto eu revirava os olhos. "Você considera isso normal?"
Os olhos de Alice se estreitaram e ela fez uma carranca emburrada.
"Você não é mau, Jasper. Pare com isso!"
Era enjoativo ficar perto dos dois. Estava tão óbvio que eles se gostavam, que eu me perguntava porque diabos eles ainda não tinham ficado juntos.
Alice e Jasper tinham sorte. Eu podia imaginar a vida deles, sendo um casal típico americano, com duas crianças remelentas e um cachorro.
Era tão fácil. Eles simplesmente pareciam se encaixar. Toda essa teimosia para ficarem juntos, só me deixava ainda mais irritado.
Nenhum dos dois – por mais que isso não fosse culpa deles – tinham noção do que era sofrer.
Eu tinha visto muitas coisas nos meus dezessete anos de vida.
Coisas que eu não queria ver e, principalmente, coisas que eu não queria lembrar.
Mas as lembranças sempre voltavam. Por mais que eu tentasse escapar, elas sempre acabavam retornando para o mesmo lugar.
"Olhe..." Jasper sussurrou. "Isabella Doidona Dwyer."
Olhei para o lado, apenas para me deparar com uma garota sentada em uma mesa sozinha.
Ela usava uma calça jeans surrada, e um casaco enorme por cima dos ombros. Era impossível ver seu rosto, pois seus longos cabelos castanhos formavam uma cortina ondulada ao redor de sua face.
Em minha opinião, todo o burburinho que rondava o refeitório era uma merda de uma idiotice. Não havia nada demais na garota, a não ser o fato dela ser tímida.
Mais uma nerd para a coleção de Forks High School. Eu não sabia o porquê de tanto alvoroço.
"Ela é filha de Phill Dwyer." Jasper me contou, abaixando a voz. "Eles se mudaram há algumas semanas pra cá. O boato que corre... É que ela é louca."
Olhei novamente para a mesa, apenas para constatar que a garota parecia completamente normal. Agora, ela havia tirado um livro velho de sua mochila, e o folheava com todo cuidado, como se ele fosse de cristal.
"Phill é um cara rico. Ela não devia estar vestida assim, como se fosse uma mendiga." Ele voltou a resmungar, enquanto eu revirava os olhos.
"Sério, Jasper!" Alice rosnou. "Pare de falar dessas coisas. A pobre garota deve estar assustada!"
Mas Isabella não parecia notar as fofocas que corriam sobre ela. Ela apenas estava lá, na mesma posição rígida, lendo seu livro calmamente. Seus cabelos continuavam a cair sobre seu rosto e, mesmo estando um dia particularmente fresco em Forks, ela matinha o casaco enorme sobre seu corpo, como se fosse um escudo.
"Parem com isso." Eu sibilei, cansado dessa baboseira. "Por que vocês não cuidam da vida de vocês?"
Minha voz parecia gelo, e eu tinha consciência disso. Mas eu não estava arrependido. Jasper e Alice insistiam em discutir assuntos inúteis, como o dessa nova garota, enquanto havia outras coisas que me preocupavam.
Eu não estava nem aí, se a merda de terceira guerra mundial ia explodir, ou se a garota nova tinha três cabeças. Eu estava pouco me fodendo pra todas essas bobagens.
Eu só queria, pelo menos por alguns minutos, um pouco de paz pra pensar! E os dois que se diziam meus amigos, não estavam ajudando nem um pouco com isso.
"Ih, cara. Você anda muito estressado!" Jasper riu, e me deu um soco no ombro. "Relaxa... Porque a gente não sai hoje a noite? Podemos ir naquele bar que abriu em La Push."
Se fosse um outro dia qualquer, provavelmente eu concordaria com a proposta. Encher a cara, pegar alguma garota... Simplesmente pra esquecer de tudo.
Mas eu não me sentia animado nem pra isso. Eu estava paralisado.
Tudo o que eu queria era voltar pra casa, e talvez assistir um pouco de TV com Esme. Isso provavelmente me acalmaria, embora fosse vergonhoso admitir o quanto eu precisava dela.
Mas, infelizmente, ainda havia metade das aulas do dia para assistir, e o horário de almoço já estava acabando.
"Não, Jazz. Não vou sair hoje." Novamente minha voz saiu fria como gelo.
Alice me lançou um olhar magoado, e eu passei a ignorá-los o resto do almoço, enquanto me concentrava em tentar engolir a comida horrível que havia em meu prato.
Antes do sinal tocar, me levantei e me dirigi à minha sala de Biologia. A matéria era fácil demais, o que significava que, como sempre, a aula seria um tédio.
Não que isso fosse um problema. O foda era ter que agüentar todos os idiotas olhando pra mim.
Suspirei, e entrei na sala vazia, me dirigindo até minha mesa que ficava no fundo.
Menos mal. Talvez eu até conseguisse tirar um cochilo, pra que ninguém me aporrinhasse.
Cruzei os braços em cima da mesa, e deitei meu rosto sobre eles. No momento em que eu fechei os olhos, o sinal tocou e o burburinho das pessoas se tornou audível.
Eu podia ouvir a conversa idiota que Mike Newton tinha com Eric York, enquanto eles se se sentavam à mesa a minha frente.
Toda a irritação do dia, só piorava a medida em que as conversas iam se tornando audíveis.
O professor Molina entrou em sala de aula rindo e, por algum motivo desconhecido para mim, de repente todos se silenciaram. Pensei seriamente em abrir os olhos para entender o porquê, mas os mantive fechados até sentir um cheiro suave de morango.
Morango...?
Levantei minha cabeça e franzi o cenho enquanto a garota nova se sentava lentamente ao lado. Eu ainda não podia ver seu rosto, pois seus cabelos continuavam formando uma cortina em torno de si.
Ah, ótimo! Eu nunca tive uma parceira de laboratório e agora, além de ocupar o espaço da minha mesa, essa garota ainda era uma tímida doidona.
Era só o que me faltava!
"Eu espero que vocês recebam bem a senhorita Dwyer." O professor Molina pigarreou, claramente desconfortável. "E a aula de hoje será sobre as fases da mitose e da meiose. Por favor, abram seus livros na página 324. Iremos começar com..."
Parei de prestar atenção, enquanto observava a garota ao meu lado.
Ela não poderia manter seu rosto em segredo por muito tempo e, por mais que eu estivesse irritado com o fato dela ter ocupado minha mesa, eu não podia controlar a curiosidade de vê-la.
Não que isso fosse algo demais. Forks já era um lugar cheio de aberrações e uma a mais não faria diferença alguma.
A questão toda, é que quando sua vida é uma merda, algumas coisas idiotas passam a ser distração. Como por exemplo, tentar ver o rosto da caloura, pra não ter que prestar atenção numa aula tão chata quanto de anáfase, prófase, telófase e metáfase.
Urgh.
"Você é Isabella, certo?" Tentei puxar conversa, enquanto Sr. Molina escrevia no quadro.
Ela não fez nenhum movimento para responder. Sua respiração era baixa e controlada. Seus ombros estavam levemente curvados, numa posição claramente defensiva. Ela simplesmente me ignorou, e começou a copiar a matéria do quadro em um caderno velho.
Okay. Agora os boatos sobre ela ser louca faziam todo o sentido. Mas isso não significava que ela podia me ignorar desse jeito.
A irritação apenas aumentou, enquanto eu tentava espiar por entre a cortina de seus cabelos.
Será que ela pensava mesmo que poderia esconder seu rosto dessa forma ridícula? Várias pessoas já deviam ter visto sua face, então eu não via motivo pra tanto suspense.
Essas idiotices adolescentes me irritavam.
E me irritava ainda mais, saber que ela só deveria estar fazendo todo esse drama, por algum motivo fútil feminino. Provavelmente, ela devia estar revoltada por seu pai tê-la trazido para Forks. Eu costumava ouvir as garotas reclamarem sobre a falta de shoppings e lojas.
Hm. Que se dane.
Se essa tal Isabella queria acabar com a sua reputação no primeiro dia de aula, eu não tinha nada a ver com isso.
Peguei meu próprio caderno, mas em vez de copiar a matéria, comecei a desenhar linhas que, por enquanto, não tinham forma de nada.
Minha atenção se voltou completamente para o desenho, até o vento forte da janela se esgueirar para dentro da sala de aula.
E tirar o cabelo de Isabella da frente de seu rosto.
Minha respiração ficou presa dentro da garganta, mas eu divido que alguém, além de nós dois, tenha notado o momento desconfortável.
Isabella era... Diferente.
A primeira vista, seu rosto era apenas bonito.
Ela tinha olhos castanhos enormes, e um nariz pequeno e delicado. Seus lábios eram cheios, preenchidos por uma coloração natural de rosa. Uma garota normal, como qualquer outra.
Mas depois, quando meus olhos percorreram seu rosto novamente, eu percebi algo diferente.
Havia um pequeno corte em sua sobrancelha. Em seu maxilar havia uma mancha arroxeada, que tentava ser escondida por uma camada inútil de maquiagem. Um corte fino cruzava seus lábios, e outro – um pouco maior – se estendia por sua bochecha. Seus olhos estavam injetados, como se ela não tivesse dormido, e tivesse chorado a noite inteira.
E tão rápido quanto havia me encarado, Isabella desviou o olhar e voltou a jogar o cabelo sobre seu rosto.
Que coisa mais... Bizarra.
Quero dizer, ela não parecia tão ruim assim pra ter vergonha dos machucados. Uma pessoa que estivesse olhando de longe, provavelmente não repararia em nenhum deles. Será que ela era tão fútil assim a ponto de não querer ser vista só porque havia caído, ou algo assim?
Argh. Era dessas coisas que eu tinha raiva.
As pessoas se importavam demais com as aparências e com coisas que não tinham seriedade nenhuma.
E depois, esqueciam de se preocupar com as coisas realmente importantes.
Eu não queria desmerecer ninguém, nem parecer mais maduro ou sábio. Mas algumas coisas não tinham justificativas.
O mundo não era assim tão cor-de-rosa quanto essas garotas pensavam. O mundo era escuro, um lugar de sofrimento e dor, onde todos tinham que estar preparados para o pior.
Eu tinha certeza disso. E só quando eu percebi que não podia permanecer sendo um idiota, foi que minha vida realmente mudou. Eu tomei minha decisão e consegui fugir do inferno.
Suspirei, e lancei um outro olhar de esguelha pra Isabella, apenas para me deparar com seu corpo novamente tenso ao meu lado.
Legal, agora além de tudo eu ia ter que passar o ano inteiro sendo parceiro de uma revoltada louca.
Revirei os olhos, e continuei com meu desenho até ouvir um pequeno gemido ao meu lado.
Franzi a sobrancelha, e voltei a olhá-la. Mas dessa vez o que eu vi me assustou um pouco.
Isabella tinha voltado o rosto em minha direção, e seus olhos estavam arregalados. Seus cabelos estavam embaraçados, formando um emaranhado castanho ao seu redor e eu percebi que eram eles que tinham o cheirinho suave de morango.
Mas não foi isso o que me assustou.
"Por favor... Não diga nada." Ela sussurrou tão baixinho – e com uma voz tão sofrida – que eu quase não pude entender.
Meus olhos se abaixaram para seu tronco, onde ela havia aberto seu grande casaco preto, e eu pude ver a camiseta simples branca que ela vestia por baixo.
Seu corpo era pequeno e delicado. Isabella era tão...Minúscula, que eu quase podia afirmar que ela era do tamanho de Alice – embora isso não fosse possível – já que Alice era tão pequena quanto uma fada.
E foi por isso que, com horror, eu notei a grande mancha avermelhada que se formava aos poucos perto de sua barriga.
Ela tinha um corte feio ali, e ele havia se reaberto, porque provavelmente ela não fora ao hospital para dar os pontos necessários.
"Confie em mim..." Sussurrei, enquanto gesticulava para ela tornar a fechar o casaco.
Ser filho de Carlisle Cullen até que tinha suas vantagens, se você pensasse no sentido 'médico' da coisa.
"Professor Molina." Eu interrompi sua aula, no que todos voltaram seu olhar para mim e Isabella. "Será que eu poderia levar Isabella até a enfermaria? Eu acho que ela está com um pouco de febre."
Percebi que Isabella ficou vermelha e abaixou seu rosto, deixando com que a rede de seus cabelos caísse sobre seu rosto novamente.
Encarei o professor Molina firmemente, e ele assentiu confuso, enquanto eu me movia com rapidez – guardando as coisas em minha mochila e jogando a de Isabella em meu ombro, enquanto ela ficava em pé com dificuldade.
Com cautela, eu esperei que ela caminhasse em minha frente, até que nós dois estivéssemos fora da sala de aula.
"E-eu... Não quero ir pra enfermaria." Ela voltou a sussurrar, levantando novamente o rosto e me encarando com seus enormes olhos.
Tentei entender o que essa garota tinha na cabeça, mas apenas assenti, enquanto eu caminhava para meu armário.
Ela me seguiu relutante, apertando sua mão firmemente sobre onde estava o corte.
Com uma eficiência que eu não sabia que tinha, pequei a caixinha de primeiro socorros que Esme me obrigava a ter guardada, e apontei com minha cabeça para uma sala de aula vazia, sem dizer nenhuma palavra.
Por mais que eu não gostasse de me relacionar com as pessoas e, por mais que minha fama não fosse das melhores na escola, eu não podia permitir que Isabella ficasse desse jeito.
Se houve uma coisa que meus pais me ensinaram, é que nunca se deve negar ajuda a ninguém, ainda mais quando essa pessoa está sofrendo. Foi isso que eles pensaram quando me viram pela primeira vez no hospital – quando eu ainda era um moleque de nove anos, assustado – e foi por isso que eles resolveram me adotar.
Eu agradecia aos céus, todos os dias, por tê-los colocado em minha vida.
E agora, por mais que eu ainda achasse que essa garota era portadora de sérios problemas, eu não podia negar ajudá-la.
"Por que você não se senta?" Perguntei tentando não ser tão grosso quanto normalmente eu seria.
Isabella deu um passo assustado para trás, mas se sentou enquanto outro gemido de dor escapava por seus lábios.
Eu arrastei uma cadeira para sua frente, e esperei enquanto ela hesitantemente tirava seu casaco.
Meu Deus! Ela era tão... Absurdamente frágil, que eu senti medo de tocá-la.
Franzi o cenho, enquanto me perguntava se essa era a coisa certa a fazer. Seria muito mais simples arrastá-la para a enfermaria e depois voltar para a aula.
Nunca foi meu feitio dar um de bonzinho, ainda mais com uma louca desconhecida.
"Você não precisa fazer isso, sabe." Ela murmurou, antes de morder os lábios.
Soltei uma risada sem humor, e decidi que já que eu estava aqui, iria terminar o serviço.
Com todo o cuidado, levantei sua camiseta até o meio de sua barriga, aonde um corte se abrira grosso, e sangrava um pouco mais do que eu esperava.
Tentei evitar me mostrar surpreso, abri a caixa de primeiros socorros – que finalmente havia servido para alguma coisa – e tirei uma toalhinha branca de dentro.
Provavelmente o corte já estava sangrando durante um tempo. O sangue agora já estaria mais grosso, e se eu pressionasse o corte por alguns minutos ele pararia de sangrar novamente.
Não era o ideal fazer isso – ainda mais quando era visível que ela tinha que levar pontos ali -, mas eu, novamente, não podia fazer nada quanto a isso.
Pressionai o corte suavemente e Isabella voltou a soltar um lamento de dor, enquanto fechava os olhos fortemente.
"Então, você vai me contar como isso aconteceu, ou vai continuar agindo como se esses machucados fossem normais?" Perguntei curioso, sem poder evitar o tom um pouco ríspido em minha voz.
Ela abriu os olhos e respirou fundo. Seus olhos estavam marejados de lágrimas, e eu tentei não pensar na dor horrível pra porra que ela devia estar sentindo.
"Não foi nada demais." Sua voz continuava baixa, quase sussurrada. "Eu caí. Eu costumo cair demais. Às vezes, essas coisas acontecem."
A mentira era tão clara em sua voz quanto eu seu rosto, mas eu não sabia se seria seguro insistir. Envolver-me com esse tipo de coisa era uma bosta e, na realidade, eu nem sabia porquê ainda estava falando com ela.
"Então foi o chão quem te fez isso?" As palavras saltaram de minha boca antes de eu poder controlá-las.
Maldição! Desse jeito, toda minha imaculada reputação iria por água a baixo.
"Na verdade..." Ela soltou um gemido dolorido quando eu apertei levemente a toalha sobre sua barriga. "Eu estava... Erm... Fazendo o café da manhã hoje cedo, e sem querer caí sobre a faca."
Sua voz sussurrada continha uma vergonha tão grande, que eu me perguntei se alguma vez ela já havia se revoltado, ou gritado.
Isabella parecia exatamente o tipo de garota certinha, que só estudava e se dedicava aos pais.
E, a não ser por seu comportamento estranho e pelos machucados, eu poderia dizer que ela se encaixaria perfeitamente no grupo dos nerds de Forks.
"Você não vai mesmo me contar a verdade?"
O sangue finalmente havia estancado e, como muitas vezes eu vira Carlisle fazer, peguei o anti-séptico da caixinha e o borrifei sobre o machucado.
Eu não sentia nojo nenhum em relação ao corte, e me senti relativamente satisfeito, vendo que eu havia seguido todos os procedimentos corretamente. Carlisle já havia me mostrado mais de mil fezes como limpar um corte, ou algo do tipo. Ele sabia que eu queria seguir seus passos na medicina, e se orgulhava de mim.
Não que eu merecesse o orgulho, mas tudo bem.
"A verdade..." Isabella falou pra si mesma, se retraindo ligeiramente enquanto eu pegava uma pomada. "Você quer a verdade?"
Por um momento, eu me assustei com o fato de seu sussurro ter saído levemente mal-criado. Seus olhos continuavam repletos de lágrimas e seus lábios estavam inchados, de tanto que ela os mordia.
"A única verdade que vai chegar até seus ouvidos é que eu sou louca." Sua voz saiu no mesmo sussurro baixo, magoado de sempre. "Não vai demorar muito, sabe. Então talvez não haja mal nenhum em te contar."
Sua voz era doce e tinha um tom tão grande de bondade, que eu me senti culpado perto dela.
Desviei o olhar de seus olhos castanhos, e esperei pacientemente enquanto ela falava.
"Eu tenho surtos. Crises mentais. Então, às vezes, tenho convulsões e me machuco nos lugares mais inimagináveis. Mas não se preocupe. Eu não vou surtar agora, nem nada disso."
Ela soltou uma risadinha, seguida por uma lágrima.
Tentei entender o porquê da sensação de que ela ainda estava mentindo, mas não pude argumentar mais nada.
O que Isabella havia me contado fazia sentido. Mais sentindo do que a história esfarrapada de cair e se machucar com a faca.
"Sabe, eu acho que vou ter que tampar esse corte." Falei, não comentando nada sobre o que ela havia me revelado.
Isabella balançou a cabeça, e deixou com que eu grudasse meu curativo improvisado – feito de gaze e esparadrapo - sobre sua pele.
"Você vai ter que dar uns pontos aqui." Murmurei, enquanto finalizava o 'trabalho'. "Não é seguro arriscar deixar a ferida abrir, como abriu hoje."
Ela murmurou alguma coisa incompreensível, e voltou a abaixar a cabeça, enquanto eu via o tom rosado se espalhar por sua face.
Suspirei, e olhei para meu relógio, vendo que ainda faltavam dez minutos para a aula que devíamos estar assistindo acabar.
Dez longos minutos na companhia de Isabella.
"Obrigada." Ela voltou a murmurar por fim, ainda sem me encarar nos olhos.
Era estranho estar com ela. Eu não sabia muito bem porquê era difícil controlar meus impulsos ou ainda porquê eu tinha essa necessidade estranha de não querer vê-la sentindo dor.
Eu não era o tipo de cara que iria se apaixonar pela 'estranha' da escola, e iria defendê-la de todos os perigos.
Por Deus! Toda essa merda de amor verdadeiro e meloso, de andar de mãos dadas e gritar que estava apaixonado... Tudo isso era mentira.
Coisas desse tipo simplesmente não existiam.
Eu duvidaria seriamente do amor – em todas as formas – se eu não tivesse convivido quase toda minha vida com Carlisle e Esme.
Aquilo sim era uma relação.
Ainda era desconfortável pra mim, às vezes, vê-los juntos. Eles tinham uma espécie de conexão, e conseguiam se comunicar apenas através de olhares.
Eu nunca tinha os visto dar mais de um beijo simples a minha frente, e nunca, nunca mesmo, meu pai a tinha desrespeitado.
E mesmo assim, eu acreditava que o que eles tinham era único. Nem passava pela minha cabeça tentar ter alguma coisa parecida.
Eu estava marcado. O sangue de Elizabeth corria por minha veias – se esgueirava dentro de mim sorrateiramente – deixando-me sujo... Podre.
Nenhuma garota merecia ter que ficar perto de mim – e nem eu as queria para mais do que uma rapidinha de vez em quando.
"Hm, então... Você está gostando da cidade?" Pigarreei, tentando quebrar o silêncio desconfortável entre nós.
Isabella suspirou, e balançou a cabeça delicadamente pra cima e pra baixo.
"Forks é linda." Ela sussurrou, parecendo fazer um esforço sobre-humano para continuar com a assunto. "A chuva é reconfortante."
Ela parecia se enquadrar perfeitamente no cenário de Forks. Sua palidez... O fato dela ser minúscula e delicada.
Franzi o cenho, enquanto repassava suas feições por minha mente. Isabella era tão... Familiar.
Os olhos castanhos enormes, os cabelos chocolates... A pequena covinha que se formava em seu queixo quando ela mordia os lábios.
Tentei me lembrar de onde eu a conhecia, ou com a pessoa com que ela tanto se parecia, mas foi em vão.
Argh. Definitivamente eu estava ficando louco.
"E sua nova casa? Aonde você mora?" Continuei o assunto, tentando acabar com a tensão palpável que havia entre nós.
Isabella suspirou e seu rosto se tornou uma máscara impenetrável de gelo.
"Minha casa é ótima." Ela começou a bater as pontas dos pés no chão impacientemente. "E não é tão perto daqui. Meu pai..." Seus olhos se fecharam por um vago segundo. "Ele resolveu que seria melhor ficarmos afastados da cidade. Nossa casa é bem embrenhada na floresta."
Me deixava nervoso o fato de não conseguir decifrar suas expressões. Era fácil demais para mim, ler todas as pessoas. Isabella, no entanto, parecia uma caixinha de surpresas, a cada vez que eu falava com ela.
Agora, por exemplo, ela me olhava como se eu fosse um predador perigoso e ela quisesse me enfrentar.
Mas, no momento em que eu me remexi na cadeira e lhe lancei um sorriso tranqüilizante, ela simplesmente voltou com a expressão de dor e medo nos olhos.
Que diabos! Essa garota estava me confundindo e, pior, estava me fazendo agir como se eu me preocupasse com ela.
Revirei os olhos e quase dei um pulo de graças a Deus quando o sinal tocou, indicando que eu já poderia me livrar desse momento constrangedor.
Ignorando meu cérebro, meu corpo resolveu se rebelar, e eu estiquei minha mão, num oferecimento mudo de ajuda para que ela se levantasse da cadeira.
Isabella ficou parada alguns segundos, simplesmente fitando minha mão e, então a segurou com firmeza, enquanto tornava a corar.
No momento em que nossas peles se tocaram, eu senti uma corrente elétrica percorrer meu corpo. Suas mãozinha era minúscula e macia e, embora eu tivesse ficado estático com o choque que me percorreu, tomei o cuidado de segurá-la com delicadeza, pois a sensação que eu tinha era de quê a qualquer segundo, Isabella se desfaria em mil pedaços a minha frente.
"Obrigada, Edward." Ela sussurrou, e prendeu seus olhos nos meus por um instante.
Tive que conter o impulso de acariciar suas mãos com a ponta de meus dedos e de puxá-la mais pra perto. Esse tipo de reação não costumava acontecer comigo, por isso, eu apenas mantive uma distância segura dela, me xingando interiormente por agir como um idiota.
"De nada, Bella." Sussurrei em resposta, mal percebendo quando o apelido escapuliu por meus lábios.
Ela me olhou surpresa e depois, escorregou seus dedos delicadamente sobre a minha mão. A corrente elétrica continuava lá, mais forte a cada segundo, e eu me perguntei se ela também estaria sentindo.
"Adeus." Bella murmurou, pegando sua mochila, enquanto voltava a fechar o casaco cobre seu tronco.
Ela me lançou um último olhar intenso, e saiu da sala, caminhando lentamente.
E...
Que porra tinha sido essa?
Deixei um gemido frustrado escapar por meus lábios, enquanto sentia minha pele formigar aonde ela tinha tocado.
E tentei não pensar no fato de que Isabella tinha agido como se eu nunca mais fosse vê-la.
Porque agora era uma questão de honra descobrir o que tinha acontecido com essa garota.
***
Quando eu cheguei em casa, estranhei o silêncio.
Eu já havia me acostumado com Esme sempre ouvindo alguma música, ou assistindo TV. Na época em que Emmett – meu outro irmão adotivo – ainda não havia ido para a faculdade, eu me acostumara a ouvir os gritos que ele dava, ou o barulho alto do vídeo game.
Não importa como fosse o dia, sempre havia algum barulho em casa.
Hoje, no entanto, tudo estava no mais absoluto silêncio e não havia ninguém a vista.
Tentei conter meus pensamentos sobre algo ruim que pudesse ter acontecido, e joguei minha mochila em cima do sofá da sala, enquanto caminhava para o grande piano que havia perto da parede.
Suspirei e fechei meus olhos. Já fazia algum tempo que eu não tocava. Desde que a desgraçada aparecera.
Era outra coisa que ela conseguira tirar de mim. Mas eu não iria deixar com que isso me afetasse mais. Eu tinha que seguir em frente.
Sentei-me e, com suavidade toquei as primeiras notas de "Clair de Lune", sentindo o prazer imenso que a música me fazia sentir.
Meus ombros relaxaram e eu deixei um sorriso escapar por meus lábios, enquanto a melodia fluía por meus dedos.
Fiquei tão absorvido pelos sons e pela necessidade de interpretar a música com perfeição, que levei um susto quando senti as mãos de Esme – quentes e macias – acariciarem suavemente meu cabelo.
"Fazia tempo que você não tocava." Ela falou suavemente, enquanto se sentava ao me lado no piano. "Eu estava preocupada."
Encarei seu rosto em forma de coração e sorri, enquanto continuava a música.
"Tudo bem, mãe. Não aconteceu nada."
O sorriso de Esme aumentou, e ela deitou a cabeça em meu ombro, enquanto me observava finalizar a música sem nenhum erro.
"Eu e seu pai queremos te contar uma coisa." Ela falou suavemente, passando as braços por meus ombros. "Por isso, vamos esperar até ele chegar para te contar. Acho que você vai ficar feliz!"
Esme se levantou e começou a andar pela casa animadamente, embora – claramente – ela estivesse agitava com qualquer que fosse a notícia que tinham pra me dar.
Revirei os olhos em divertimento, e continuei tocando – agora algumas músicas mais animadas – enquanto ouvia Esme falar da nova casa que ela ia decorar.
"É um pouco longe daqui. Mas Forks é tão pequena que não vai fazer diferença, mesmo assim." Ela começou a ajeitar os quadros na parede, mais por hábito do que por qualquer outra coisa. " O homem que me contratou tem muito bom gosto, então vai ser fácil trabalhar com ele."
Nós ficamos nessa de conversar até quase anoitecer e, finalmente, Carlisle chegar em casa.
Ele tinha um sorriso no rosto também, e me abraçou fortemente, parecendo alegre com qualquer que fosse a notícia que fossem me dar.
"Você não vai acreditar!" Esme quicou, segurando a mão de Carlisle com força. "Nós achamos uma pista da sua mãe biológica, Edward!"
As palavras dela penetraram meu cérebro com lentidão. Eu não entendi direito o que estava acontecendo, até o pânico me preencher aos poucos.
A respiração ficou presa em minha garganta, enquanto lentamente, uma queimação estranha se instalava na boca de meu estômago.
Tentei aspirar o ar, mas eu sentia como se houvesse um grande peso em meu pulmão, que o impedia de continuar seu trabalho.
Levantei meu olhar para meus pais e, pela primeira vez, desde que eu fora adotado por eles, me senti verdadeiramente culpado por ter mentido.
O desespero cresceu e eu mordi meu lábio inferior para evitar um grito de terror.
"E-eu não quero conhecê-la." Murmurei, tentando passar convicção em minha mentira. "Vocês são meus pais agora. Eu não preciso de mais ninguém, além de vocês."
"Mas Edward..." Esme caminhou lentamente até mim, franzindo o cenho. "Imagine a dor que ela pode estar sentindo. Ela pode ter te perdido, Edward. Querido, você nem ao menos se lembra dela e..."
"Não!" Eu rosnei. "Não me importa quem ela é, ou o que ela pode estar sentindo. Minha vida é com vocês!"
"Nós não vamos te abandonar, filho." Carlisle argumentou. "Nós te amamos e só queremos que você seja feliz. Conhecê-la pode te fazer bem e..."
Mas eu o ignorei, enquanto mil e um planos passavam por minha cabeça.
"Eu tenho que ir." Sussurrei desorientado, apalpando meu bolso. "Alice e Jasper já devem estar me esperando. Depois nós conversamos sobre isso."
Senti o metal gelado na chave do carro em meus dedos, e corri até a porta, aonde meu Volvo me aguardava.
Sair. Sim, eu precisava pensar em alguma coisa. Qualquer coisa que me afastasse desse pesadelo horrível.
Entrei em meu carro e, sem hesitar, pisei fundo no acelerador enquanto dirigia até La Push.
Eu pensei que estava acabado. Pensei que ela finalmente pararia de me atormentar, e que eu não teria que me arriscar tanto pra mantê-la longe.
Mas será que isso um dia acabaria? Será mesmo que ela me deixaria em paz, se eu fizesse tudo o que ela quisesse?
Provavelmente não. Putas serão sempre putas, no final das contas.
Mas deixá-la se aproximar da minha família – da coisa que eu mais prezava no mundo inteiro – não estava em cogitação.
Por isso, talvez, eu tivesse que retomar com minhas antigas ligações. E isso não seria um problema pra mim.
Suspirei, e pisei ainda mais fundo no acelerador enquanto tentava bloquear as imagens nojentas da minha infância de minha mente.
Esse pavor que eu sentia era um problema e eu sabia disso. Mas essa noite, nada me impediria de tentar esquecer. Eu só queria poder arrancá-la da minha cabeça; tirá-la completamente da minha vida, e fingir que eu havia nascido na família Cullen. Que meu sangue era bom e digno, e não um lixo como o eu sabia que na realidade era.
Estacionei o carro em um beco fétido e escuro. O novo "bar" funcionava clandestinamente, porque não era permitido a venda de bebidas para menores de 21 anos em nenhum outro lugar – ou pelo menos em nenhum outro lugar legalizado.
O cheiro de lixo me atingiu em cheio quando eu abri a porta, e eu fiz questão de ignorá-lo, enquanto caminhava em direção à enorme casa iluminada, no qual uma música estrondosa e alta soava em batidas desordenadas.
Assim que me viram na porta me deixaram entrar. Eu era conhecido por aquela área; todos sabiam muito bem quem eu era e, com toda certeza, não me negariam a participação em uma festinha como aquela.
"Edward!" Ouvi a voz de Tanya Denali – a vadiazinha mais gostosa de Forks – exclamar meu nome com satisfação. "Seus amigos me disseram que você não viria hoje."
Eu a encarei, e sorri malicioso quando vi o vestido curto e colado de renda que ela usava. Suas pernas eram longas e esguias, e seus peitos redondos e grandes saltavam pelo decote em "V" de sua roupa.
"Oi, gatinha." A multidão de pessoas me jogava pra cima dela, mas eu não liguei pra isso. Eu precisava mesmo de alguém pra aliviar minha tensão, no fim das contas. "Mudei de ideia. Eu não podia desperdiçar uma noite como essa, afinal."
Ela deu uma risadinha baixa e lambeu os lábios de forma provocante.
"Por que você não vem comigo comprar uma bebida?" Ofereci, ansioso por um pouco de álcool. "Depois a gente pode se divertir um pouquinho."
Seus olhos azuis brilharam, enquanto ela ajeitava os cabelos loiros sobre os ombros.
"É claro, Eddie. Vai ser um prazer."
Eu soltei uma gargalhada e passei meu braço por sua cintura, apertando seu corpo contra o meu. Tanya não era nenhuma santa e eu gostava disso. Ela já entendera que não ia conseguir nada sério comigo, então se contentava com as nossas eventuais noitadas.
Eu não queria – nem precisava – de um relacionamento de verdade em minha vida. Isso só ia complicar mais as coisas e trazer ainda mais preocupações para as tantas que eu já tinha.
"Onde estão as bebidas, princesa?" Perguntei, enquanto caminhávamos pelo meio da multidão adolescente.
"Bem ali." Ela apontou para um balcão de madeira, aonde uma mocinha de não mais de quinze anos, vendia cervejas e bebidas alcoólicas de todo o tipo.
Sorri, e caminhei até lá com dificuldade, puxando Tanya em minha direção. O cheio forte de álcool me atingiu e eu joguei uma nota de dez dólares sobre o balcão, enquanto pegava três cervejas de uma vez.
"Nossa, eu senti falta de você por aqui!" Tanya riu, passando uma unha por meu pescoço lentamente. "Por que você sumiu, amorzinho?"
Eu não devia satisfação nenhuma à ela, por isso, apenas abri uma das cervejas e tomei um longo gole – sentindo a sensação boa do álcool descer por minha garganta.
"Aonde estão Jasper e Alice?" Perguntei pra mudar de assunto.
"Eles já foram embora." Tanya revirou os olhos. "A festa estava pesada demais pra eles, sabe. Idiotas."
Ela revirou os olhos, e tirou um cigarro e um isqueiro de sua bolsinha, sorrindo de um jeito provocante, antes de dar uma tragada profunda.
Nós ficamos alguns poucos minutos em silêncio – eu bebendo e ela fumando – antes dela me oferecer seu cigarro, e começar a passar as mãos por meu peito, se movendo ao ritmo na música agitada que tocava.
"Você fez falta aqui." Ela falou em meu ouvido, enquanto eu segurava o cigarro em uma mão, e agarrava sua cintura com a outra.
"Não vou ficar longe de novo." Respondi.
Essa resposta era a última que eu queria dar, mas agora eu não tinha saída. Elizabeth conseguira me tornar exatamente o que eu teria me tornado, se continuasse a viver com ela. Se não tivesse fugido, ainda moleque, pra tentar uma vida nova.
E isso era o que mais me revoltava.
Mas pelo menos, eu tinha a consciência de que só fazia essas coisas, pelo bem da minha família. Eu não deixaria Elizabeth se aproximar. Nem fodendo, eu a deixaria ficar perto de Esme e Carlisle e envenená-los com seu papinho de coitada.
"Relaxa, gatinho." Tanya subiu suas mãos para meu pescoço, e colou seu corpo ao meu enquanto mordia meu pescoço de forma provocante. "Aproveite a festa, vai."
Eu deixei a terceira garrafa de cerveja – já pela metade – sobre uma mesinha, e traguei o fim do cigarro, antes de jogá-lo no chão. Depois, segurei Tanya pela bunda, enquanto ela envolvia meu quadril com suas pernas longas, e se colava a mim.
Ninguém prestava atenção na gente. Estavam todos tão bêbados e tão doidões, que era como se Tanya e eu estivéssemos completamente a sós.
Sorri maliciosamente, e grudei meus lábios nos dela – o gosto podre de cerveja e álcool se misturando com o meu – enquanto minhas mãos escorregavam para sua bunda, como forma de apoio.
"Você é tão gostoso, Edward." Ela gemeu em meu ouvido, enquanto minha boca escorregava para seu pescoço.
Tanya havia passado o mesmo perfume enjoativo de sempre, que não fazia uma combinação muito boa com os outros cheiros que ela exalava, mas eu não liguei pra isso.
Seus peitos enormes estavam quase colados em meu rosto, balançando de forma provocativa em minha frente.
Arranhei meus dentes em sua pele, antes de colocá-la no chão e arrastá-la para a fora daquele lugar.
O álcool já estava me deixando meio tonto, mas eu sorri quando – no caminho – um cara me ofereceu um copo de plástico cheio de vodka.
Tomei tudo num gole só, adorando a sensação de ardência na garganta. Depois, puxei Tanya para meu lado, e saí para o beco que fedia a lixo.
"Edward..." Ela soltou uma risadinha estridente e voltou a se colar em meu corpo, esfregando seu quadril contra o meu.
Não havia absolutamente ninguém ali, e eu a puxei para um lugar ainda mais escuro aonde era possível ouvir os ratos fuçando no lixo.
Tanya não pareceu se importar com isso, e apenas voltou a me beijar; suas mãos escorregando de forma perigosa até o meio de minhas pernas.
"Você gosta disso, não é?" Ela suspirou, enquanto eu soltava um grunhido de satisfação. "É claro, você não ia ficar longe tanto tempo, Eddie."
Seus dedos trilharam um caminho perigoso até meu zíper, esfregando minha ereção já aparente.
"Tanya..." Eu tentei pará-la, sentindo uma sensação estranha dentro do peito.
"Edward..." Ela sorriu, e se ajoelhou no chão sem pudor nenhum. "Quando você voltar a vender cocaína, não se esqueça de me procurar, amor."
Suas palavras trouxeram um turbilhão dentro de mim.
Em um momento, ela apenas estava falando e, no outro, suas mãos tinham puxado minha cueca pra baixo e libertado minha ereção.
Segurei seus cabelos entre meus dedos, enquanto ela cobria meu pênis com sua boca úmida.
Eu não queria sentir isso. Não queria sentir a porra do prazer enquanto ela me chupava. E eu não queria saber que ela só fazia isso para eu dar um desconto com a coca, quando eu fosse vender.
Tanya era ardilosa e sabia muito bem como conseguir as coisas.
Mas era simplesmente impossível controlar. Sua boca se apertou em meu membro, enquanto ela massageava a base de meu pênis com suas mãos, e praticamente engolia toda minha extensão.
O prazer veio, enquanto eu grunhia, e começava a estocar dentro de sua boca.
Caralho!
Senti o prazer ir aumentando, cada vez que eu ia mais fundo em seus lábios, e sua língua se movia sobre minha pele.
Minha cabeça rodou e, de repente, eu não estava mais em um beco imundo, sendo chupado por uma loira escultural.
Por um segundo, eu era novamente o garotinho preso dentro do armário, vendo sua mãe chupar o pau de um cara qualquer que estava pagando à ela pra fazer isso.
O pânico se misturou com o prazer, mas eu não podia mais voltar atrás.
Puxei os cabelos de Tanya com força, e gemi quando meu clímax chegou e meu gozo explodiu em sua boca.
Ela riu, deixando meu líquido escorrer por seu rosto.
"Senti sua falta, Edzinho." Ela gargalhou, enquanto lambia os lábios. "Não suma ouviu?"
Mas eu já estava puxando minha cueca para cima e abotoando minha calça, enquanto a deixava plantada para trás.
Meus passos estavam vacilantes, e eu tentei me manter lúcido enquanto o nojo pelo o que eu tinha feito se instalava em mim.
Meu estômago se revirou, e eu tentei respirar com calma, enquanto a chuva começava cair torrencialmente pela rua.
"Você acha que vai conseguir se livrar de mim, garotinho?" A voz de Elizabeth penetrou minha mente. "Não importa pra onde você corra,filhinho, eu sempre vou estar um passo a frente."
Por quê? Por que ela não podia simplesmente me deixar em paz? Por que ela ainda tinha que continuar em mim, me lembrando constantemente do monstro que eu era, e por culpa dela!?
Tentei respirar. Meu estômago voltou a se rebelar, e eu caí no chão sujo, enquanto a chuva me encharcava todo.
O gosto do fel penetrou minha boca, e a bílis subiu por minha garganta, arranhando a pele já sensibilizada pelo álcool.
Tentei conter o vômito, mas foi em vão. No minuto seguinte eu já tinha botado tudo pra fora, e o que me restava agora era apenas o gosto amargurado do desespero em minha língua.
Levantei-me com dificuldade, sentindo minha cabeça rodar e rodar, e caminhei trôpego até meu Volvo.
Eu não percebi que estava chorando, até me sentar no banco e enfiar a chave na ignição.
Só de imaginar o rosto de decepção de Carlisle e Esme... Deus!
O que eu estava fazendo?
"Mantendo-a longe." Murmurei para mim mesmo. "Mantendo-a longe deles."
Liguei o carro com brusquidão, enquanto minha cabeça latejava fortemente.
Respirei profundamente, e enfiei o pé no acelerador com força arrancando o mais rápido que foi possível.
"Idiota! Como você é um completo idiota Edward!" minha mente me repreendeu, embora até esse ato doesse como o inferno.
Minhas mãos estavam tremendo. A estrada estava balançando a minha frente, enquanto os números do velocímetro subiam de forma rápida.
Meu coração disparou dentro do peito e eu virei o volante para a esquerda com força, saindo do caminho de um carro que vinha em minha frente.
E então, antes que eu pudesse me dar conta do que estava acontecendo, vi a luz forte cegar meus olhos.
A buzina alta do caminhão penetrou meus ouvidos e, antes que eu pudesse sequer pensar em desviar, ouvi o barulho do metal se chocando contra metal.
E então, a dor.
Meu corpo voou para frente se chocando contra o vidro do carro, que não parava de rodar e rodar, e rodar e rodar...
Gritei, em pânico enquanto cada minúscula parte de meu corpo parecia ser esmagada, cortada, e machucada.
Meus olhos se fecharam, e eu pensei que a dor fosse me matar. Tanta, tanta, tanta dor.
Tentei respirar, mas havia alguma coisa muito pesada esmagando meus pulmões. O ar ficou preso, saindo e entrando com dificuldade, enquanto eu tentava entender o que estava acontecendo.
E então, tudo simplesmente acabou.
E tudo o que eu conseguia sentir era a escuridão.
Mais nada.
Fim do Capítulo 1
N/A: Gente, perdão a demora pra postar! Eu fiquei mais enrolada do que eu pensei que ficaria com a escola, então não tive muito tempo de escrever. Mas agora que eu saí de férias as coisas vão caminhar mais rápidas!
Eu espero que vocês não tenham ficado muito confusos com esse capítulo. Eu quis mostrar dois lados diferentes do Edward, e algumas coisas ficaram confusas de forma proposital, então, por favor, continuem acompanhando!
Espero que tenham gostado!
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Beijos, beijos, beijos,
Bruna S.
