Olá meus amores!
Venho trazendo um novo capítulo.
Espero que gostem.
Bjos e até mais.


Keshite rewrite shite

Apague e reescreva

Kudaranai chou gensou

Essa grande fantasia boba

Wasurareru sonzaikan wo

A sensação inesquecível de existir

–Asian Kung-Fu Generation - Rewrite

Estariam elas no paraíso? Cassandra ouvia um barulho estranho ao fundo, mas continuava de olhos fechados. Estava deitada em algo morno e arenoso.

–"Estranho pareço esta deitada no meio da terra." – Pensou a jovem antes de abrir os olhos e praticamente ficar de pé com um salto. Não era terra e sim areia. –Oh meu pai! Morri e fui parar em uma caixinha de areia gigante!-Com aquelas palavras ela olhou ao redor, em busca de um gato que pudesse devora-la.

Pouco metro dali Katrina se remexia no mesmo lugar. A ariana ao ver aquela cena, não conseguiu segurar o riso. Como diria seu pai, sua amiga parecia uma minhoca na areia quente, o que de fato não era tão diferente do que ocorria naquele instante.

–Katrina! Katrina! Katrina!- Cassandra tentava chamar à amiga, mas ela não esboçava reação. - Katrina!

–Me deixe em paz Cassandra. Não vê que estou tentando arrumar uma posição confortável? Nem no céu me deixa descansar. Parece que tem areia nas minhas costas.

–Não parece. Tem.

Com essas palavras, a escorpiana abriu os olhos e olhou espantada tudo ao redor. Não estavam mais em São Paulo. Elas estavam em uma praia cuja areia era branquíssima. Ondas quebravam de maneira um tanto calma nas rochas. O céu acima delas estava de um azul claro demonstrando que era de manhã.

–Morremos?

–Acho que não. –A ariana fitou tudo ao redor. Em seu intimo algo dizia que conhecia aquele lugar, mas de onde? Nunca havia conhecido o mar de perto até aquele momento. –É lindo!

–Tenho que admitir que sim. - Disse Katrina levantando-se e ficando ao lado da amiga. –Se não morremos onde estamos?

–Não sei dizer, mas...

–Mas?

–Acho que conheço esse lugar.

–Você nunca me disse que já tinha visto o mar de perto.

–Nunca disse, pois nunca vi. - Diante do olhar de não estou te entendo da amiga ela completou. – Sabe aquela sensação de ter visto ou conhecido algo ou alguém, mas você tem consciência que não?- A escorpiana fez que sim com a cabeça. –É o que sinto, mas não me vem um nome.

–Não sei do que sinto mais medo. Você e seu sentimento de dejavu ou com o fato de estarmos aparentemente vivas em uma praia deserta.

Cassandra não respondeu. Simplesmente andou em direção contraria a do mar. Com uma habilidade, até então desconhecida, ela começou a escalar as rochas. Katrina apenas deu de ombros e seguiu a amiga com certa dificuldade pelo salto e o vestido. Ao chegar ao topo à ariana parou chocada. Ao longe estruturas pareciam cobrir o horizonte. Uma das estruturas foi a que mais chamava a atenção dela, uma torre gigantesca de quatro faces no qual existiam doze espaços cada um com um símbolo zodiacal.

–Não pode ser...

–O que foi Cassandra? Cassandra! Cassandra! – Katrina tentava chamar a atenção da amiga, mas era em vão. –O que foi mulher? Porque a cara de espanto? Parece até que viu um fantasma ou algo parecido.

–Eu... eu ...eu...

–Você?

–Eu... eu...eu.. sei.. onde estamos.

–Onde?

–Estamos... estamos no santuário.

–Santuário? Que santuário?

Antes que pudesse responder, uma voz chamou a atenção das duas.

–Ei vocês! Não podem entrar aqui. Essa é uma área proibida. –Gritou um rapaz cujos cabelos verdes caiam um pouco abaixo dos ombros, seu rosto era quase infantil e os olhos de um verde esmeralda. Trajava uma armadura de tom levemente rosa cobrindo seu corpo, na cabeça usava uma tiara prateada e em torno dos braços uma corrente podia ser vista.

–"Shun!" – Pensou a ariana, simplesmente aquilo só podia ser um sonho.

–Não sabíamos. - Respondeu simplesmente Katrina tentando não falar que aqueles trajes era no mínimo estranhos e que de algum modo familiares. –"Peraí, mas eu já vi isso antes! Parece um daqueles desenhos da Cas.." –pensou a jovem para depois fitar a amiga que continuava com chocada.

O cavaleiro olhou para ambas. Não pareciam inimigas e muito menos turistas. Mesmo fraco, ele conseguia senti cosmo vindo de ambas.

–"Seriam aprendizes? Nunca as vi na arena." Vocês não são turistas. São aprendizes?

–Como?-Disse a escorpiana sem entender.

–Não somos. –Disse Cassandra saindo do estado de choque. –Não temos cosmo. –Após essas palavras Katrina olhou para a amiga.

–"Que diabo de historia é essa?" O que pacas é cosmo?

Shun olhava de uma para outra. Já não estava entendendo mais nada.

–"Acho melhor leva-las para o grande mestre." Me acompanhem, por favor.

Ele começou a andar esperando que as duas o seguissem. Cassandra pegou o braço da outra e a puxou. Em um tom de voz baixa para que Shun não as escutassem falou:

–Lembra que te falei que achava que conhecia esse lugar? Adivinha?

–Não só conhece como estamos dentro de um dos seus desenhos. É isso?

–Sim. Lembra-se daquele mangá que você puxou da minha estante? –A escorpiana fez que sim com a cabeça. – Viemos parar dentro dele, só que 200 anos depois.

–Isso é loucura.

–Seria se ele.- Disse apontando discretamente para Shun que ia mais a frente.- Não estivesse nos levando para o grande mestre ou tivesse achando que somos aprendizes.

–Ta ta, mas me explica o que é esse tal de cosmo.

–Cosmo é a força vital que existe em todos os seres vivos, segundo Saint Seiya cosmo-energia está relacionada com os átomos de qualquer material e seus movimentos, utilizando este poder, é possível destruir átomos, controlar sua velocidade e mesmo transmutar materiais. Com ele, os cavaleiros conseguem com seus punhos rasgarem os céus e com chutes abrirem fendas na terra. É como se fosse um pequeno universo que existe no interior dos seres vivos.

–Gente! Então esse garoto ai na frente pode abrir um rombo no chão? Ele parece tão frágil e doce.

–Só parece. Shun parece ser indefeso, mas é um guerreiro poderoso.

–Se estamos dentro de um dos seus quadrinhos...

–Mangás. –Corrigiu a ariana.

–Que seja. Existe uma possibilidade de vermos aqueles homens lindo e fortes.

–Não acredito que ouvi isso. –Disse Cassandra colocando uma mão sobre o rosto.

–Há para. Tem a maravilhosa possibilidade de conhecer seus heróis de perto e o que faz é me xingar por querer saber se são bonitos ou não. Tente imaginar que verá seu personagem favorito de perto.

–Desculpa dizer isso, mas estou preocupada se vamos continuar vivas. VIVAS! Tem ideia de que ele pode está nos levando para morrer. –A ariana fez questão de por ênfase na palavra "vivas", mas acabou falando alto demais, chamando a atenção de Shun. Ele apenas olhou discretamente para trás. Queria acreditar que não eram inimigas, mas já não tinha mais certeza. A baixinha tinha dito que não tinham cosmo, mas ele sentia o contrario ambas tinham.

–"Elas parecem cansadas. Talvez tenham batido a cabeça. A mais baixa parece preocupada e a outra apenas curiosa." – Pensou o cavaleiro.

E realmente estava. Aquele cenário era novo para ela, quase fantasioso.

–"Agora entendo o porquê da Cas gostar tanto daqueles mangás, isso tudo é lindo!."

Eles tinham acabado de sair de um trecho de mata fechada e agora seguiam por uma trilha que depois de alguns minutos de caminhada desembocou em uma vila. Várias pessoas andavam de um lado por outro.

Floristas faziam arranjos sentados em um banco, crianças corriam de um lado por outro, vendedores vendiam desde tecidos até pão. Soldados andavam de um lado para outro, mas ao contrario do jovem à frente, usavam proteções nos ombros, peito, braços e pernas e na cabeça um elmo simples levam nas mãos armas que variavam desde chicotes a lanças feitos de algo que parecia ser prata.

Mais adiante uma incrível arena pode ser vista, nela davam para se avistar homens treinando em duplas e mais ao fundo mulheres algumas com e outras sem mascara. Cassandra achou que passariam direto e se dirigiram as doze casas, mas surpreendentemente eles pararam.

–Fiquem aqui, vou trazer o grande mestre. –Antes de sair deixando ambas sozinhas, ele lançou a elas um olhar que dizia que se saíssem correndo iria ser pior.

–O que vai acontecer conosco? –Perguntou Katrina assim que Shun saiu.

–Não sei. Vamos ter que aguardar.

*~v~*

Um pouco afastado dali, um homem vestindo vestes negras, estava bem no alto observava atentamente os treinos. Shun rapidamente se aproximou dele e fazendo uma mesura abaixou-se colocando um joelho no chão.

–Grande mestre.

O homem que antes tinha seus olhos voltados para as lutas virou-se para olhar o jovem abaixado.

–Não é necessário esse tipo de tratamento aqui, cavaleiro. – Disse com uma voz que apesar de autoritária saiu gentil.

–Grande mestre, encontrei duas jovem nos rochedos perto da praia. Ambas tem cosmo apesar de não despertado em sua totalidade. Não parecem turistas e tão pouco inimigas. Uma delas apenas sabe sobre cosmo. - Apesar das palavras do homem, Shun continuou na mesma posição de que quando se aproximou dele.

–Levante-se. –Shun levantou-se rapidamente. –Me leve até elas.

*~v~*

Ambas não haviam saído do lugar. Pareciam quase estatuas de tão duras. O silencio reinava entre elas. Ambas temiam internamente o pior.

Quando Shun voltou com o homem ao lado. Cassandra ficou sem fala. Ao lado do jovem cavaleiro, estava nada menos nada mais que Shion. Seus cabelos esverdeados caiam em cascata ao redor do grande mestre. Seus olhos violetas transmitiam calma enquanto sua postura mostrava autoridade.

Katrina não entendeu a cara de espanto da amiga, mas isso era de se esperar afinal desde os sete anos acompanhava aquela história enquanto ela nunca viu um episodio, apenas tinha folheado uma vez ou outra os mangás da estante da casa da ariana e suspirando pelos belos homens.

Saindo do estado de choque, Cassandra fez um reverencia que para a escorpiana pareceu quase um desmaio, pois a mesma praticamente foi ao chão. Apesar de não demonstrar, Shion se surpreendeu com o gesto da mais baixa das duas.

–Não precisa fazer tal gesto, minha jovem. -Disse o grande mestre para Cassandra que naquele momento chorava. Katrina mais uma vez não entendeu nada. Ela esperava um velho e não um jovem que parecia ter vinte anos com pintas estranhas e olhos mais estranhos ainda.

O ex-cavaleiro fitou a outra jovem, ela fitava a outra sem entender o porquê do gesto. Sem dúvida ela não sabia quem era ele ou aquele lugar. Ambas tinham cosmo como comunicou Andrômeda.

–Quem são vocês? Se apresentem!- O tom de voz de Shion saiu autoritária quase como se fria. Katrina iria responder com um belo de um palavrão, mas Cassandra foi mais rápida impedindo sem saber um provável desastre .

–Meu nome é Cassandra e essa é minha amiga Katrina, senhor. - A escorpiana lançou um olhar felino a outra, mesmo sendo o tal grande mestre, ele não tinha direito de exigir as coisas das duas.

–De onde vieram e como chegaram aqui?

–Não sabemos. Acordamos na praia. –"Para não dizer que aparecemos lá como magica" - pensou Cassandra. –Só lembramos de está em um carro que ia ou foi, não sei dizer, amassado por um caminhão.

–Amassado?

–Bem ele bateu, então suponho que deve ter amassado. –"Parabéns pela fala mais óbvia da história, Cassandra".

–O que minha amiga embasbacada quer dizer. –Disse Katrina tomando a palavra, recebendo olhares furiosos da ariana. –É que íamos morrer e como um milagre ou sabe-se lá o que viemos parar aqui sabe-se lá onde.

–Não estou embasbacada!

–Está precisando de um espelho então Cas, pois sua cara diz o contrário.

Cassandra mostrou a língua para outra. Shion olhava para ambas tentando não perder o controle e Shun um pouco atrás se segurava para não ri, mesmo conhecendo ambas a pouco tempo, as achava parecidas com Seiya e Hyoga quando discutiam.

O ariano olhou para ambas, não sabia como proceder, mas sabia que o que diziam era verdade.

–De onde conhece sobre cosmo ou como sabia como se portar diante de mim?

Aquela pergunta pegou ambas desprevenidas. Katrina sabia que Cassandra tinha que menti ou ocorreria o pior. Já a ariana, estava entre o fio e espada, se mentisse para Shion ele saberia, pois se fosse como as várias fanfics que leu o homem era um detector de mentiras mais potente que os utilizados em delegacias, mas se contasse a verdade elas seriam consideradas loucas ou pior iram parar no Cabo Sunion. Sem saber e ter por onde correr preferiu a verdade, pelo menos parte dela.

–Por histórias. –O ariano fitou a jovem com seus olhos violetas quase como se olhasse sua alma em busca da verdade. Cassandra sentiu seu sangue gelar.

–Entendo. Ambas possuem cosmos fracos pela viagem. –Disse aquilo como um pensamento. –Venham, levarei ambas a Atena.

–A quem!? –Katrina começou a entrar em desespero. – O garoto ai disse que era proibido, mas não acho necessário nos levar a Antena. Nós vamos nos retirar pacificamente e sumir de suas vistas. Não precisa apelar para a autoridade daqui.

–Kat primeiramente é Atena, segundo cale essa sua boca.

A escorpiana olhou chocada para a amiga. Nunca havia agido daquela maneira.

–Não vê que podemos ser mortas a qualquer momento. –Lagrimas escorriam na face de Cassandra. –Estamos longe de casa, sem saber por que diabos vimos parar aqui. Estou com medo, confusa e com fome. Pare por favor...

A jovem foi ao chão chorando copiosamente. Katrina se lembrou de quando a conheceu. Ela estava sentada em um canto do pátio da escola chorando pela morte da mãe. Naquele momento, ela estava em uma de suas crises , algo que ocorria varias vezes depois de perdas atrás de perdas, Katrina pedia internamente que depressão não voltasse.

–Cas. Cas me perdoe. - Se abaixando, a morena puxou a amiga para seus braços. Além de chorar ela tremia dos pés a cabeça. –Se acalme eu vou proteger você.

Shion se aproximou abaixou-se para ficar mais perto da ariana. Com uma das mãos afagou os cabelos castanhos acobreados e disse:

–Ninguém vai machucar você ou sua amiga, pode ficar tranquila. Atena vai nos da as repostas para nossas duvidas.

Sem conseguir responder com palavras, ela balançou a cabeça. Se voltando para Shun, Shion pediu que ela carregasse a jovem e que a escorpiana a acompanhasse.

A subida pelas doze casas foi silenciosa. Cassandra acabou adormecendo devido ao fato de ter perdido o controle das próprias emoções. Katrina olhava tudo ao redor com admiração. Cada templo era mais belo que o outro. Naquele horário eles estavam vazios, pois seus protetores estavam treinando. Não demorou muito para que o pequeno grupo chegassem ao décimo terceiro templo. A escorpiana estava esgotada, ao olhar para o lado e ver que tanto o rapaz quanto o grande mestre bem não se segurou e perguntou:

–Como... conseguem... respirar normalmente?

–Costume. –Respondeu Shun com um sorriso angelical.

–A ta.

Os guardas ao verem a comitiva logo fizeram uma mensura, que Shion com um gesto de mão fez com que parassem. Com um leve empurrão, ele abriu as gigantescas portas douradas do salão do décimo terceiro templo.

Um tapete vermelho cobria o chão e mais a frente podia ser visto um trono dourado, onde uma jovem com longos cabelos lilases estava sentada.

Fazendo uma mensura, Shion abaixou-se colocando um dos joelhos no chão. Shun com certa dificuldade, pois estava com Cassandra nos braços, fez o mesmo movimento. Katrina parecia perdida, mas se abaixou como os outros. Ela sentiu uma grande paz a preencher como se fosse ondas e que pareciam vim da garota mais a frente.

–Não precisam dessas formalidades. Levantem-se meus cavaleiros, Katrina você também.

Kat se levantou olhando assustada para a jovem a sua frente.

–"Como ela sabe meu nome?". –Pensou a escorpiana.

Nos braços de Shun, Cas acabava de acordar e com delicadeza foi posta no chão.

–Obrigada. - Disse ela ao cavaleiro.

–Não precisa me agradecer. - Respondeu Andrômeda com um sorriso.

–Perdoem-me por tudo. –Disse Cassandra se dirigindo a Shion e Katrina. Ambos apenas disseram sim com a cabeça – Atena. –Disse fazendo uma mensura, mas voltando a mesma posição.

–Cassandra.- Disse a deusa gentilmente. – Espero que estejam bem.

–Estamos. –Respondeu Kat por ambas. - Cassandra teve uma crise de nervos, mas está bem agora.

Shion explicou o que havia acontecido e o que as garotas haviam contado para ele. Shun contou como e onde as encontrou. Shion explicou rapidamente quem era a jovem para as garotas.

–Vocês foram salvas por algum deus. –Disse Saori simplesmente.

–Mas por quê? Não temos nada a oferecer a eles. - Kat respondeu.

–Existem casos parecidos com o de vocês. –Falou a deusa. –Pessoas saindo vivas de acidentes como se nada tivesse ocorrido. Desejos e pedidos sendo atendidos, que foram considerados feitos por pessoas de coração puro.

–Nunca fiz nenhum tipo de pedido. Cassandra e você?

A jovem que até o momento estava calada. Naquele instante ela se lembrou de algo que ocorreu na infância.

FLASHBACK CASSSANDRA

O vento arrancava sem do às folhas das arvores. O outono havia chegado a pouco tempo, mas se fazia presente. Em cima de uma sepultura, uma garota de cabelos acobreados chorava. Ela estava sozinha. Seu pai acabara de partir a deixando sozinha no mundo. Sua mãe havia partido aos seis anos e agora aos nove, fora a vez de seu pai.

–Porque meu Deus? Por quê?- Perguntava desesperada olhando para o céu. –Porque tirou meu pai de mim? –As lagrimas escorriam pela face. As pequenas mãos seguravam o pingente do cordão que havia sido dado a ela pela mãe em seu leito de morte. – Só tenho vocês. –Disse a mesma abraçando seus mangás. Com muito custo haviam deixado ela traze-los. –Apenas vocês. Queria tanto que fossem reais. Queria poder ser tão forte quanto vocês. Gostaria que a Kat também fosse poderosa, assim viveríamos juntas, uma protegendo a outra. Queria viver junto de vocês, quem sabe eu não deixaria de ser sozinha. –Com isso ela fechou os olhos deixando com que algumas caíssem em cima da capa de alguns deles.

FIM DE FLASHBACK

–Cas? Cas você fez algum pedido não foi?-Perguntou novamente Katrina ao ver a amiga perder a cor.

Os olhos da jovem se encheram de lagrimas.

–Eu tinha nove anos. Papai havia acabado de morrer. Eu estava sozinha. –As mãos da jovem naquele momento tremiam. - Eu pedi que tudo existisse. Que nos tornássemos fortes, você e eu. Você era uma das poucas coisas que haviam me sobrado.

–Deve haver um engano. Passaram-se vários anos. Temos vinte e um anos agora. Se tivesse que acontecer seria naquele momento.

Atena assentiu em afirmação. Realmente Katrina estava certa.

–Fez algum outro pedido depois dessa ocasião?

–Não.

–O que iremos fazer agora Atena?-Perguntou Shion. O grande mestre sabia como ela devia ter se sentido naquele momento, pois com ele havia sido do mesmo modo. Viu seus companheiros todos morrerem, enquanto ele continuou vivo e solitário. Mesmo com o passar do tempo, o surgimento de uma nova geração de guerreiros, a sensação era a mesma.

–Como ambas tem cosmo e acredito não tenham lugar para ficar, podem se tornar amazonas se quiserem.

Ambas as garotas se fitaram por algum tempo, até Cassandra abaixar os olhos. Sem duvida, ela se sentia culpa por ela estar naquele local. Katrina sabia que a amiga não aceitaria, por culpa e também pela depressão que a rondava por anos e que desde de o termino do namoro resolveu aparecer com força total.

–Eu aceito. –Disse a escorpiana abrindo um sorriso. – Cas não vai me abandonar né? –Perguntou para a amiga fazendo cara de gato de botas.

–Não. Eu aceito também.

–Então está decidido. Serão treinadas por Marin e Shina. Receberam no final de cada mês uma ajuda de custo. Como acredito não terem dinheiro para roupas, darei um adiantamento e pedirei a Marin que as leve até capital para fazerem compras. Ficaram no alojamento das amazonas e amanhã de manhã começaram seus treinamentos.

–E quanto a quem nos salvou?- Perguntou Katrina.

–Eu investigarei acima do ocorrido. Caso eu encontre algo, imediatamente as comunicarei.

–Obrigada por tudo Atena. - Disse Cassandra fazendo uma mensura rápida.

–Não é necessário me agradecer.

A porta atrás delas abriu-se de repente e por ela atravessou uma mulher ruiva trajando uma armadura, que logo Cassandra reconheceu sendo Marin. Katrina continuou a olhar a figura que acabara de entrar com certa estranheza.

No rosto ela usava uma mascara prata que apresentava os contornos de um rosto. Na cabeça usava uma tiara com formato de uma águia de asas abertas, ao redor do pescoço uma espécie de gargantilha, que remetia a ave. No dorso utilizava uma parte metálica que protegia apenas o coração e no ombro esquerdo uma espécie de ombreira e no mesmo braço ela utilizava uma luva com detalhes de uma águia feita do mesmo material da outra parte da armadura e no antebraço um bracelete e nos joelhos uma joelheira. Por baixo usava um collant preto, uma meia calça de uma perna só vermelha cobrindo a perna direita e uma meia 7/8 da mesma cor na outra. Por cima das meias utilizava uma polaina branca e nos pés um sapato preto. Na cintura um lenço branco podia ser visto.

A escorpiana se perguntava se ela era mesmo uma amazona ou uma professora de ballet, mas achou melhor não perguntar, já havia falado besteira demais por um dia.

–Me chamou Atena? –Perguntou a pisciana fazendo uma mensura.

–Sim. Poderia arranjar um quarto no alojamento das amazonas para Katrina e Cassandra?

–Mais é claro. –Respondeu a amazona. Sempre era bom receber mais aprendizes. –Quando elas começam?

–Amanhã mesmo. Mas elas precisaram de roupas, chegaram aqui sem nenhuma. Teria como leva-las ao shopping para elas comprarem algo?

–Claro que sim. Será um prazer acompanha-las. –Cassandra pode perceber que mesmo com a máscara sobre o rosto, ela podia dizer que Marin sorria.

–Então está tudo acertado. Será uma honra tê-las aqui.

–Muito obrigada Atena. –Disse ambas amigas em coro.

–Podem ir com minha benção.

Com as palavras da deusa, ambas seguiram a amazona de águia para o lado de fora. Uma nova vida acabará de ser iniciada. Um novo destino. Cabia a ambas aproveitarem a oportunidade.