Retração: "Eu não possuo os direitos sobre Saint Seiya, ou sobre qualquer de seus personagens. Todos os direitos cabem ao Masami Kurumada, criador e desenhista do manga series. Apenas os utilizo para a redação de fanfics."

"Em meio a uma viagem ele conhece a mulher de sua vida. Side Story de 'Memórias' – Radamanthys e Pandora."

Acaso

Capítulo 2 – Encontro

- Tem certeza de que este é o meu melhor vestido, Adolf?

- Foi feito especialmente para a ocasião, Senhorita. – respondeu o senhor passando a mão nos cabelos já grisalhos. Ele sabia o quanto era difícil agradar a sua patroa desde criança ela sempre foi muito exigente.

- Não acha que está... Preto demais?

O senhor arregalou os olhos: - Mas, senhorita... Suas roupas são todas em tons escuros e o preto é sua cor preferida. E por sinal lhe caem muito bem.

- É verdade, tem razão, Adolf. – respondeu ela sem muito entusiasmo. – Sabe que não gosto de sair do meu castelo... Espero que tudo termine logo.

- Senhorita. Sairemos em quinze minutos, o chofer já está pronto. – disse o homem de meia-idade impecável em seu smoking e gel até nos bigodes. – Esperaremos pela senhorita no hall do castelo. Com sua licença...

- Não vou demorar, Adolf. – respondeu ela, colocando seu inseparável colar e sua pulseira de serpente.

Olhou o pôr-do-sol da sua janela, algo lhe dizia que essa noite seria inesquecível... Bobagem.

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- Por favor. Serviço de quarto? Quero pedir para o quarto 3050, a garrafa de uísque da melhor qualidade que vocês tem por aí. Sem demoras, por favor.. – desligou o telefone e foi até a varanda.

"O que não faz o dinheiro..." pensou. Estava entediado, fazia apenas três horas que ele havia chegado ao hotel com o pretexto de descansar um pouco até o evento, mas não conseguia.

Em pouco tempo já conhecia cada pedacinho dos 80 metros quadrados do seu quarto de hotel, uma suíte presidencial muito luxuosa. Tédio.

- Calma, calma... que o maldito evento, ou melhor jantar será daqui a poucas horas. É melhor descansar... – falou para si na tentativa de acalmar seus ânimos.

Deitou sobre a cama de lençóis macios e travesseiros de plumas importadas que mais pareciam nuvens de tão macias. Estendeu a mão num gesto preguiçoso e pegou o telefone. Discou e esperou que um certo alguém atendesse, porém...

- Alô?

- Radamanthys?

- Mãe? – perguntou sem muito interesse.

- Sim, já está com saudades? Estou quase morrendo meu filho, mas tudo isso é para seu bem. – falou com a voz chorosa. – Está dando tudo certo?

- Sim, mamãe... – falou entediado. – O jantar é daqui a poucas horas, não há com o que se preocupar.

- Que bom, não deixe de ligar para a mamãe, ta? Eu fico muito preocupada com você... um beijo!

- Um beijo para a senhora também, mãe. – desligou e deu um soco na cama. – Bem que podia ter sido a Mariah... pft...

Agora de posse da garrafa de Uísque, ele tomou alguns goles e começou a colocar seu smoking.

"Droga de roupa de gala... Muito desconfortável, mas a sociedade impõe isso... bah." pensou arrumando a faixa sobre a cintura.

Depois de alguns minutos, após buscar as chaves e trancar a porta, ele dirigiu-se para o local do jantar no seu carro esportivo.

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Várias mesas e muitas pessoas importantes preenchiam o local do jantar que era um badalado restaurante de Frankfurt, fechado exclusivamente para o evento. A presença da imprensa foi proibida para não atrapalhar as negociações dos convidados.

O jantar logo foi servido, feito pelo melhor chef da cidade e um dos melhores do mundo. Uma extensa variedade de comidas típicas alemãs que não só encantavam os olhos como o paladar.

- Senhor Rodejann(1), este Shucrute(2) está uma maravilha! – repetiu diversas vezes até terminar o prato. – Quero que o senhor possa preparar o biffet do casamento da minha filha! – comentou um senhor loiro sentado na mesa principal.

- Oh mon die! Ces´t Manefique(3)! – exclamou o francês de cavanhaque da mesa do lado.

- Ah! Adolf! Meu predileto! Kasseler(4)! – exclamou em felicidade.

- Senhorita, este chef é bastante talentoso! – comentou o seu acompanhante.

- Sem dúvidas! Hmm... – saboreou o prato.

Ao mesmo tempo em outra mesa:

- Richard... – chamou o rapaz.

- O que foi?

- Isso aqui não ta bom, não...

- Como? Não tá bom? – respondeu o moreno. – Estamos na Alemanha, aqui só tem comidas gordurosas...

- É verdade, eu havia me esquecido. – respondeu sem graça. Olhou para a mesa ao lado e abriu mais os seus olhos deixando o queixo cair por alguns segundos.

- O que foi, Radamanthys? – perguntou Richard.

- É que a comida da Alemanha agora não me parece tão gordurosa, pelo contrário, saborosa...

- Ta louco?

- Fiquei... vamos nos aproximar daquela mesa ali. Será o nosso primeiro contato de negócios... – deixou escapar um sorriso no canto dos lábios.

- Hã?! – o rapaz o acompanhou.

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Pandora havia sido convidada a ir neste evento por seu sócio e como não imaginava estava se divertindo e até conseguindo fazer ótimos negócios.

- Adolf, vamos salvar a empresa!

- Que bom, senhorita. – o homem se levantou. – Perdão senhorita, preciso ir ao toalete.

- Sem problemas, Adolf. – ela respondeu e serviu-se de mais um gole do vinho branco.

- Excuse me, lady.(5) – falou em tom cortês. – Meu nome é Radamanthys Williams, minha família é exportadora de produtos agrícolas e controlamos metade das exportações inglesas. E este aqui Richard Strokes, meu sócio. Podemos nos sentar?

- Sim, por favor. – respondeu ela educamente. Abriu um sorriso discreto. O homem a sua frente era alto, de bom porte, com cabelos em tom de loiro acinzentado e olhos cor-de-mel. Sua voz era doce e sua forma de se expressar polida e cautelosa, era o melhor exemplo de gentleman que poderia conhecer. O seu sócio era moreno com a pele levemente bronzeada e olhos pretos, trazia o semblante carregado de curiosidade consigo.

Depois de algumas conversas, negociações, os dois riam ao ouvir qualquer coisa que Adolf tentasse contar como uma piada. Logo o jantar foi servido e ambos se serviram de alguns cálices de vinho francês, da melhor marca. O baile começou.

- Senhorita... gostaria de acompanhar-me nesta dança?

- Sim, claro. – mirou em seus olhos e lançou-lhe um sorriso. Sentiu as maçãs do rosto arderem por alguns momentos. Nunca havia sido cortejada nem muito menos convidada para dançar, viveu todos os seus dias no castelo e em função de Hades.

O salão estava cheio, todos ali desejavam se divertir e dançar uma boa música. Os dois dançaram algumas músicas ora lentas ora mais agitadas e depois se dirigiram para a sacada do restaurante que dava de frente para um belo jardim e uma linda fonte. A noite estava iluminada e as estrelas faziam os mais belos desenhos no céu. Tudo era perfeito. Mesmo estando longe da pista de dança, conseguiam ouvir as melodias do baile como uma música ambiente.

- Sabe, eu sempre quis chegar até as estrelas. - olhou para cima. - Desde pequeno tenho uma admiração especial por elas... É como se de alguma forma pertencesse a elas... haha é até uma bobagem te dizer isso.

- Não, não é não. - ela o encarou. - Dizem os antigos que as estrelas são obras dos deuses e que este céu que vemos é obra de Zeus...

Ele olhou em seus olhos com curiosidade: - Então você também acredita nessas lendas? Na mitologia grega? Sou fascinado por isso...

- Sim., também me interesso. - "Você não sabe o quanto são certas... e que não passam da mais pura verdade." - suspirou.

Ele percebeu que isso a deixava um tanto entristecida e logo mudou o assunto. - Ah... esta música é minha preferida... Dança comigo?

- Sim. - ela estendeu a mão para o cavalheiro a sua frente e foi embalada pela canção. Uma corrente elétrica passou por seu corpo quando sentiu o contato com o corpo do rapaz. Diferente dela, ele ainda tinha o calor da vida, era tão bom sentir aquele calor.

- Você está um pouco gelada, está nervosa? – sorriu com ternura.

- Não... - corou. Perdeu as palavras. Sentiu o rosto dele tocar o seu e pôde sentir aquele perfume forte e inebriante que sentira durante as outras danças. "Amadeirado porém com notas cítricas... perfeito." pensou encabulada. Sentiu a sua cabeça rodar, o coração parecia que ia sair do peito.

Ele afastou um pouco seu rosto e sorriu ao ver a expressão de satisfação na face da bela jovem. Agiu por instinto, como todo homem e tomou-a num beijo sem avisos a deixando sem fôlego. Ela se afastou rapidamente dele interrompendo a dança, ainda ofegante. Olhou para ele com olhos de fúria, com a ponta dos dedos tocou os lábios ainda molhados.

- Não... me olhe assim. - abaixou o olhar. - Eu simplesmente não resisti a sua beleza... Perdão se a desrespeitei.

Ela saiu dali sem olhar para trás, pensando apenas em tirar o gosto daquele rapaz de seus lábios. Não poderia jamais se envolver com alguém. Devia obediência ao seu senhor...

Continua...

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Notas do Texto:

(1) Rodejann – sobrenome de uma família alemã que imigrou para o Brasil em 1700.

(2) Shucrute – é um refogado de repolho e molho. Prato altamente tradicional da culinária alemã.

(3) Oh mon die! Cest´manefique! – em francês: Oh meu deus! Está uma maravilha! peço perdão se a grafia estiver errada.. hehehe não sou muito boa em Francês...

(4) Kasseler – prato alemão composto por uma batata recheada com um creme de pão, caldo de carne e mel.

(5) Excuse me, Lady. – em inglês: Com sua licença, Senhorita.

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Nota da Autora:

Ois! Espero que tenham gostado desse capítulo... achei o encontro deles um tanto 'obra do destino'... heheheh Então me mandem suas opiniões... como ta a fic, como estou escrevendo, qualquer coisa:P

Bem, eu esqueci de colocar umas notas no capítulo passado, então lá vai!

Críquete: um dos mais populares e tradicionais jogos da Inglaterra, foi criado na Idade Medieval e sempre foi associado ao campo, aos fazendeiros. Consiste em fazer a bola passar por entre um aro de metal fixado no chão. Uma de suas variações é jogar com cavalos, as regras continuam as mesmas, mas o tamanho dos tacos é adequado ao uso com os cavalos.

Workshire: na verdade eu coloquei a grafia errada.. hehehe é Yorkshire, um pequeno distrito da Inglaterra.

Até o próximo capítulo!! E perdão pela demora... hehehe

E para fazer uma escritora feliz, não esqueça: deixe seu comentário! \o/

Lady Kourin

Janeiro/2007

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