MASQUERADE
ShiryuMitsuko
Gênero: AU/Yaoi/Romance/Angst/Guerra
Em Capítulos
Personagens: Radamanthys de Wyvern e Valentine de Harpia como protagonistas e quantos mais der vontade de a gente colocar. Casais? Ah, não querem que eu estrague as surpresas não é mesmo?
Direitos Autorais: Saint Seiya não me pertence, mas nem por isso podem ficar pegando nossos argumentos sem citar não é mesmo? Se gostou de alguma cena especial ou de algum personagem novo, use à vontade, apenas cite de onde veio a inspiração ok?
Fanfiction de conteúdo adulto, contendo relações homoafetivas masculinas. Se você tem menos de 18 anos, ou não suporta yaoi e relacionamentos entre homens, procure algo mais adequado à sua faixa etária e gosto. Aviso dado, nos poupem de flammers mal educados que temos mais o que fazer. Quanto aos casais que costumamos retratar, são do gosto pessoal das ficwriters. Se não gostar de algum, por gentileza não desmereça todo o nosso trabalho por isso. Todos têm direito a seus gostos e preferências. Boa leitura.
Capítulo DOIS
Um toque a mais na trança e Valentine julgou-se pronto. Sentia-se imundo. Sentia-se infeliz. Sorrir por obrigação. Fazia tanta coisa por obrigação. Caminhou até o imenso salão de baile e, logo à entrada, num gesto um tanto rebelde, desfez a trança e amoldou os cabelos com as mãos em gestos leves. Ora, que os outros reparassem que os fios avermelhados estavam um tanto desalinhados. Não fora sua culpa.
O inglês chegara ao baile acompanhado de uma de suas companhias freqüentes. Lune de Balron era um jovem aprendiz de juiz. Afilhado e cuidado por Minos, afeiçoara-se a ele, Radamanthys, por achar que o loiro de cabelos curtos era uma pessoa mais influente.
Wyvern reparara no ruivo. Sabia agora que ele era um dos preferidos do rei. Disseram-lhe que era um cortesão que servia ao rei. Em vários sentidos. Uma pena. Jamais poderia se aproximar. O fato de ser proibido atiçou sua imaginação. Ficou impressionado com a pele tão alva e lábios rosados. Era um belo homem.
Havia poucas pessoas, ainda. Muitos sem máscaras, pelo menos as visíveis...
Harpia sentiu-se imediatamente atraído pelo homem alto a um canto do salão. Radamanthys. O que aquele duque tinha que o deixava tão magnético? Talvez a aparente igualdade quanto aos sentimentos de enfado e de falta de esperança. Sim, Valentine não via esperança nos orbes dourados. Apenas uma fria determinação.
Um outro cortesão do rei aproximou-se de Valentine com ar de escárnio.
- "Como vai o preferido do rei? Cabelos bagunçados. Que falta de classe." Faraó de Esfinge era um homem e tanto. Cabelos lisos e escuros perfeitamente arrumados. Olhar sensual e ao mesmo tempo ameaçador. Longos cílios e boca desenhada. E morria de ciúme de Valentine, pois pretendia ser o preferido do rei.
- "Orfeu de Lira já voltou de sua longa viagem? Soube que ele encantou o rei com suas novas músicas. Você ainda toca sua harpa, Faraó?" A voz de Valentine era melodiosa, mas suas palavras surtiram o efeito desejado.
O olhar de Faraó crispou-se em mágoa. Odiava Orfeu de Lira. Um homem de outro reino, um homem que invadira o reino de Hades em busca de uma mulher e por lá permanecera. Era um homem talentoso, o tal Orfeu. No entanto, seu maior talento era tocar harpa com maestria. E Faraó fora destronado mais uma vez. E deixara de ser um músico aplaudido pela corte para se tornar apenas outro amante do rei. Afastou-se resmungando palavras ininteligíveis.
A roupa de veludo em tons vermelhos de Valentine se destacava em meio a azuis, verdes, negros, cinzas e rosas. Poucos usavam vermelho. Isso fazia com que fosse fácil para Radamanthys acompanhar seus movimentos. Pelo menos enquanto fossem poucas as pessoas no salão. Não durou muito. Em mais meia hora, havia mais gente que era possível imaginar. Mulheres de vestidos que farfalhavam, seios à mostra, tecidos brilhantes e jóias esplendorosas. Naquela época, o brilho dos adereços também era sinal de a qual casta cada um pertencia.
Homens com roupas elegantes, olhares sedutores, alguns calçavam botas altas ou baixas atadas à frente e ao lado. O material mais usado era a pele de vaca, mas as botas de qualidade superior eram feitas de pele de cabra, como as de Radamanthys. Tudo dele era caro, exclusivo, poderoso, suas roupas e calçados eram sob medida, como deveria ser.
Um séquito se reunira em torno de Wyvern. Outro séquito paparicava Minos de Griffon. E outro grupo atendia a qualquer desejo de Ayacos de Garuda.
Poder. No fundo todos queriam poder, dinheiro, sedução. Radamanthys queria paz. Algo que parecia impossível. Usava seu poder, usava seu dinheiro, usava sua sedução. Por vezes sentia-se usado também.
O ruivo observou a companhia de Radamanthys por instantes. Um jovem muito bonito. Será que o Duque de Wyvern estava namorando? Havia boatos sobre ele não distinguir homens de mulheres em sua cama. Todos devidamente desmentidos, afinal a tradição da Igreja no Reino jamais permitiria a homossexualidade, nem mesmo a bissexualidade.
Valentine esboçou um sorriso amargo. A mesma Igreja que fingia não ver os cortesãos do Rei? Afinal o Rei dava polpudas somas para templos, artes... A mesma Igreja que fingia não ver a venda de seres humanos em troca de impostos? A hipocrisia era algo que o ruivo odiava. E pensar que alguns padres o ajudavam, haviam-no ensinado a ler e escrever. Ainda sem pedir nada em troca. Talvez houvesse boas almas em todos os lugares. Tinha que haver. Sua crença na humanidade não estava lá muito grande. Voltou a pensar em educação. Algo que bem poucos podiam ter. Muito poucos.
A educação era para seletos, pois só os filhos dos nobres estudavam, sob a influência da Igreja, que ensinava latim, doutrinas religiosas e táticas de guerras. Grande parte da população era analfabeta e não tinha acesso aos livros. Sequer saberia se defender em caso de ataques. Valentine tivera sorte, se é que se podia chamar assim. Aprendera a lutar e a se defender. Era mortal com uma adaga nas mãos suaves.
Aprender a lutar era obrigação de todos os nobres. A guerra era uma das principais formas de obter poder. Os senhores envolviam-se em guerras para aumentar suas terras, sua influência, obter mais poder. Como sempre, havia aqueles que lutavam pelos senhores. Os cavaleiros formavam a base dos exércitos e os melhores eram regiamente recompensados. Corajosos, leais e equipados com escudos, elmos e espadas, eram símbolo do que havia de mais nobre.
Quem sabe em outra vida, Valentine poderia ter sido ao menos um Cavaleiro? Poderia ter morrido em uma batalha sangrenta e não se ver submetido a papel tão humilhante. Nunca sequer haviam lhe perguntado se preferiria relacionamentos afetivos com homens ou mulheres. Acabara por se acostumar com um homem como parceiro. E, no que pensava? Relacionamentos afetivos? Não sabia o que era isso.
Ou talvez o ruivo pudesse ter sido um artista. Havia tantas belas pinturas que mostravam passagens da Bíblia e os ensinamentos religiosos. As pinturas e os vitrais das igrejas eram formas de ensinar à população um pouco mais sobre a religião.
Não teve muito tempo para continuar pensando naqueles assuntos. Colocou sua máscara branca a cobrir metade de seu rosto. Tomara cuidado com a pintura que se costumava usar naqueles bailes, refizera-a com alguma dificuldade. Um pierrot. Perfeito para seu estado de espírito. O salão estava mais cheio. Muito mais cheio. Misturou-se. Era bom quando não sabiam ao certo se era ele ou não. Paravam de dar risinhos sarcásticos.
Rei Hades fez sua costumeira entrada teatral. Ainda sem máscara, para que todos vissem seu belíssimo rosto. Era um homem bastante atraente. Em uma das mãos, a máscara que usaria, negra, imitando um demônio. A roupa em tons de negro e azul tão escuro quanto águas profundas. O representante do clero arrepiou-se ao ver aquela presença tão... Imoral. Nada podiam fazer. Hades era o Rei e sem ele não haveria templos, não haveria as festas nem as grandes somas de dinheiro.
- "Bispo Caronte de Aqueronte, quanta honra! A Igreja nos enviou um de seus mais altos dignitários. Como vai a Santa Sé?" A voz de sua majestade era perigosamente sedutora. O Bispo fez uma mesura e observou o ar de poder e dominação presente nos lábios belíssimos de sua majestade. Entendia muito bem porque a Santa Madre Igreja tinha especial medo daquele homem. Ele era cordato, envolvente, discursava bem e... Arrebatava súditos com facilidade. Era melhor não cultivar inimizade com Hades, Senhor de Le Death.
Seguidores, puxa-sacos, palhaços, amigos, inimigos. Todos juntos. Fogueira de desejos ocultos. Vaidades postas à prova.
Logo o baile começou, finalmente todos com suas máscaras, agora as visíveis. Os músicos começaram uma dança e se iniciaram os passos cadenciados e rápidos.
Valentine relaxou um pouco. Estava praticamente incógnito e ficava feliz assim. Era ágil, chamava atenção ao mesmo tempo em que era rápido o suficiente para sumir de vista quando queria. Dançou com algumas mulheres. Não podiam dançar com homens. Notou claramente certo duque próximo de si em uma das trocas de parceria. Tão próximo. O ar garboso, um homem alto, o porte elegante e a aura de poder e perigo. Inebriante. Por que estava tão afetado por ele? Talvez por que tivesse se identificado com o jeito dele. Arredio. Radamanthys de Wyvern era sim bastante arredio.
Wyvern perdeu de vista o ruivo e concentrou-se em Lune, com quem conversava. Logo haviam arranjado belas damas para a dança. Wyvern reagia com educação, nada mais. Havia muita gente e por vezes levava esbarrões. Sua máscara era negra, lembrando um dragão. Usava-a de má vontade, mas era a norma. Num dos passos, percebeu um bom dançarino e ficou em dúvida da identidade dele. Seria o tal cortesão do rei? Não conseguiu ter certeza. Logo a dança seguiu e parou de pensar nisso.
Música em compasso marcado, movimentos cíclicos. Valentine tomou uma louca decisão. Na próxima troca de dança, faria algo. Esperou um pouco e foi dançando observando os guardas do rei e o duque. Estava cada vez mais próximo. A mocinha simpática que dançava com ele não estaria com aquele sorriso se soubesse quem ele era.
O duque, por sua vez, não reparara muito em quem dançava com ele. Não ligava para aquilo.
Wyvern estava enfastiado. Como de hábito. Dançar era algo que fazia muito bem. Seus movimentos de ágil esgrimista ajudavam bastante. O problema era o tanto que muitos queriam se aproximar demais.
Valentine era paciente. Como se nada fosse, quando os pares foram trocados, aproximou-se do duque tão poderoso, dançando com leveza, parecendo não se importar embora o observasse de certa forma atentamente. Olhares foram trocados e um sinal foi feito. Radamanthys franziu o cenho. Quem era aquele que o chamava para conversar? Devia ser mais algum pedido. Era o que mais ouvia. Ponderou se ignorava ou não e decidiu por ir. Estava tudo muito chato mesmo. Quem sabe um assassinato sob encomenda para lhe dar alguma emoção?
Radamanthys pediu licença para a dama com quem dançava e foi seguindo o rapaz que o chamara até uma das inúmeras varandas do castelo.
As mãos se tocaram num cumprimento. Mãos fortes as de Radamanthys. Mãos quentes as de Valentine.
A máscara de Valentine não foi retirada. Ele fez uma mesura educada e disse haver-se enganado. Tentou retirar-se quando o punho forte do Duque o deteve.
- "Ninguém me chama a uma conversa por engano. Quem é você? O que deseja?"
Olhos verdes vítreos perdidos nos dourados arrepiantes do Duque poderoso.
Valentine sentiu uma dúvida expressa naquele olhar. O homem loiro e alto estava curioso e enervado. Aproveitou-se do momento, além de ter bebido um tanto, para colar os lábios aos do loiro por poucos momentos, uma suave carícia.
Radamanthys arregalou os olhos, surpreso. Soltou o braço do outro por impulso. Não durou muito e Valentine desapareceu, quase a correr, no meio da multidão.
O coração do cipriota corria como seu corpo fazia. Por que fizera aquilo? Por que um cortesão do rei tivera a audácia de beijar um dos duques mais importantes do reino? Um meio sorriso estranho nos lábios rosados.
O jovem loiro estava assombrado. Como? Um ser que surgira do nada o havia beijado no meio de um baile real? Com representantes do clero por ali? Era algum insano? Quem? O perfume era suave. Os lábios eram suaves. Fazia idéia. Sim. O cortesão do rei. Será? Como iria confirmar aquilo? Ficou estupefato com o atrevimento. Inspirou ar bem fundo e com jeito de que nada houvera, adentrou ao salão ornamentado e desviou o olhar imediatamente para o rei. Nada notou e suspirou. Gostara do beijo. Fora morno e doce. Ficou pensando no motivo. Por que aquele mascarado o beijara?
Lune de Balron saiu de onde estivera, vira tudo. Um meio sorriso. Alguém era bem maluco. Sabia quem. Será que Radamanthys também sabia?
No salão apinhado, a dança continuava. Mais rodopios, mais alguns passos e findou-se a música. O rei chamou-os para um pronunciamento e o Duque de Wyvern postou-se junto com Ayacos, Minos e Lune aos pés do pequeno tablado.
Mais ao lado, não menos importante, Caron de Aqueronte, Bispo da poderosa Igreja, que também faria um discurso, logo depois de Sua Majestade.
Hades ergueu-se e o silêncio se fez sem demora. Hora dos discursos. Valentine foi chamado para mais perto do rei e aproximou-se, vendo-o sentar na cadeira especial. Sentou-se também, numa que lhe fora designada, ouvindo do pronunciamento dele apenas algumas palavras, passando o olhar pelo salão e logo parando, fixando-o num loiro do qual se aproximara demais. Descobriu-se tendo palpitações ao pensar naquele nobre.
O objeto das atenções de Valentine olhava para absolutamente nada. Sua mente desligava-se do discurso ensaiado, das palavras que já ouvira muitas vezes. Não que desrespeitasse seu senhor, apenas não tinha ânimo para mais um discurso sobre dominação de outros reinos. Estava satisfeito com sua vida. Estava? Seus orbes dourados focalizaram um ruivo ao lado do rei. Cortesão. Proibido. Aquele homem era proibido para ele. Não podia cogitar de o querer, mas o que ele fizera? Fora ele mesmo que o beijara? Estava interessado num reles cortesão? Poderia ter quantos quisesse. Por que justamente aquele atrevido? A dúvida oscilava em seus olhos e suspirou, alertando Lune.
- "Eu vi o beijo. Afaste-se dele. É o cortesão favorito de Hades." O loirinho falou num tom quase inaudível.
- "Não sei do que fala."
- "Não se faça de imbecil, sei que sabe muito bem."
- "Se eu não sei quem foi, como você haveria de saber?" Ao mesmo tempo pensou que aquele malditozinho aprendiz de juiz era sagaz. - "Ora, esqueça, Lune."
- "Você também deveria fazê-lo."
- "Esquecer o que? Não sei quem foi, como vou esquecer o que desconheço?" Um meio sorriso cruel que era um aviso. Era melhor Lune não se intrometer demais.
- "Se não sabe quem foi, o que duvido, dados seus antecedentes de um dos homens mais argutos do reino, realmente não há o que esquecer." - Um breve brilho nos olhos azulados de Lune de Balron. Não era maluco de ficar teimando justamente com o irascível Radamanthys de Wyvern.
- "Assunto encerrado." Wyvern percebeu que o discurso havia acabado e bateu palmas como todos. Vez do Bispo. Agora mesmo que Radamanthys por-se-ia a divagar. Não suportava toda aquela conversa sobre as bênçãos do Senhor sobre os justos, honrados, de bom caráter e tementes a Deus. Era mesmo? Espoliar o povo, arrecadar impostos, andar em faustosos trajes, cobrar dívidas com a morte como castigo. Era o jeito de se fazerem as coisas no reino. Abençoados por Deus?
Amaldiçoados pelos infernos! Isso sim.
O bispo falou o que Radamanthys já esperava. A fé. A paz. A Igreja. O dinheiro. Templos, roupas, taças de ouro para suas eminências. Aplaudidíssimo. Era o que se devia fazer, não era?
Rodadas de bebidas, comida. Mais algumas danças de que Radamanthys não participou. Estava planejando cuidadosamente o que fazer. Seu acompanhante, Lune, logo encontrou uma dama com quem dançar e Rada pôde ficar contemplativo algum tempo. Por fim tomou uma decisão e dissimuladamente aproximou-se de Valentine.
- "Quer que eu morra, por acaso, ou é sádico?" A voz era metálica e perigosa.
Valentine estava um pouco distraído, mas não o suficiente. Sentiu a aproximação do poderoso duque e ao ouvir o que ele disse, voltou o rosto e murmurou bem baixo que não sabia do que ele falava.
- "Se não sabe, não creio que se negará a vir encontrar-me em meu castelo para discutirmos sobre um assunto que tenho em mente." Será que Valentine era igual aos outros? Muitos nem titubeariam e viriam correndo, felizes de "servir ao duque".
O cipriota voltou-se para ele sem responder. Não entendeu muito bem do que ele falava.
- "Tu és o cortesão do rei não és? Pretendes viver por muito tempo ou és daqueles que pretendem viver pouco? E, sou um nobre, poupe-me de teu atrevimento de vir me provocar enquanto sabes que és do rei... Ele se preocuparia contigo. Fui claro?" Isso porque não tinha certeza que fora Valentine. Escolhera o jeito de falar com cuidado. Veria se o outro tinha algum refinamento na forma de falar.
- "Se é como pensas. Dá-me licença." O ruivo deu de ombros e ajustou a máscara, vendo o baile recomeçar depois de alguns momentos. Então ele "provocara" o duque? Era melhor manter seu sangue bem frio. Olhou-o de canto, rapidamente e sumiu da vista de Radamanthys pensando no que ouvira. Como se ele, Valentine, realmente fosse importante ao rei. Não faria diferença alguma que o matassem e o ruivo bem sabia. Suspirou indo ter com Hades antes de se retirar da festa. Pelo visto aquilo de seguir impulsos não era uma boa idéia. Tudo bem, voltar à normalidade era mais fácil.
Wyvern sorriu de canto ao perceber que o outro ficara um tanto afetado e que logo fugia dele. E a linguagem daquele ruivo era perfeita. Alguma cultura ele tinha. Ah, então o beijo fora dele mesmo. Era o que queria saber. Não podia perguntar diretamente, pois temia que o outro nada tivesse com aquilo. Pegara-o na armadilha e ficou observando-o. Hades o desprezava, era fato. O rei sequer olhava-o com carinho. Parecia mesmo apenas um mero objeto. Seu acompanhante, Lune, voltava e olhou-o com ar preocupado.
- "Vais arrumar problemas. Ele é o cortesão do rei. Não já disse para que esqueças?"
- "E também é alguém desprezado. Veja o olhar dele para o rei. Apenas dever, nem um pouco de carinho." Era um bom observador.
- "E você sabe o que é carinho? Que incrível! Pensei que havia apenas escárnio nesse seu coração. Se é que tem um."
- "Suma. Aliás, desapareça de minhas vistas antes que briguemos de verdade. E deixe de ironias. Somos quem precisamos ser. E já amei alguém, o que absolutamente não é da sua conta."
- "Sei, o seu reflexo no espelho?" Lune levou um pequeno tapa no ombro e achou melhor ir embora. Tinha visto um homem bonito por ali. Um dos seguidores de Ayacos ao que parecia. Um tal de Sylphid. Parecia um homem interessante.
O Duque de Wyvern nada disse. Estava de olho num certo ruivo. Viu-o se retirar e alegou um compromisso com um dos vassalos. Mais uma questão de terras. Pediu licença, dizendo que estava positivamente cansado. Deu boa noite a alguns e saiu, sorrateiramente. Ia seguir o cortesão.
Nota de ShiryuForever94: Obrigada pelos reviews, especialmente ao Shakal, que sempre incentiva minhas fanfics. Athenas de Áries, sem você, eu não teria continuado. Obrigada a todos que leram. São cerca de dez capítulos e está pronto até o nono. Pretendo manter a postagem semanal, mas vamos ver. Grande abraço e boa leitura. Ah, sim, de maneira alguma tenho qualquer coisa contra a Igreja, apenas que é um momento histórico específico.
