Todos os personagens, lugares e demais são de autoria da escritora Britânica JK Rowling.

Notas ao fim de todo Capítulo.

Capítulo 2- Subestimados

James acordou assustado naquela manhã. Sem levantar, ele virou seu corpo para encarar a janela por onde os raios de sol insistiam em tocar suas cortinas pedindo passagem para entrar no quarto. Tinha sorte por ter sua cama ao lado da janela. James poderia ficar horas olhando os formatos que as nuvens desenhavam no céu. De onde estava, podia ver a copa das algumas arvores ao longe, se encontrando com a figura das torres místicas do castelo. O som dos pássaros que acabavam de acordar insistia em despertar os alunos que ainda se encontravam adormecidos. Naquela manhã, não havia pássaros cantando e nem adolescentes gritando. Tudo estava calmo.

Isso chamou a atenção de James. Não havia sons, não havia bagunça. Olhando ao redor, encontrou os amigos dormindo como se tivesse ingerido uma poção do sono. Pedro nem roncava. Foi então que o maroto começou a achar que alguma coisa estava errada. TINHA uma coisa errada. James colocou os óculos desajeitadamente em seu rosto e tateou sua mão sobre o pequeno armário ao lado de sua cama a procura de um relógio. Como se tivesse levado um soco, tentou sair o mais rápido da cama, se enroscando nos lençóis e encontrando o chão.

- MERDA! – Gritou James. Suas costas ardiam devido à queda. Desvencilhou-se rapidamente do lençol e atirou-o na cama – ALMOFADINHAS, RABICHO, levantem AGORA! – Disse o maroto puxando as cobertas dos amigos.

Sirius acordou assustado e irritado. Não era todos os dias que ele se dava ao luxo de ter sonhos bons. Amaldiçoando James, Sirius se sentou na cama ainda tonto de sono, tentando assimilar o que era real. Esfregou os olhos na esperança de que fosse ajudar acordar em vão. Cerrou os olhos e olhou em direção ao amigo para entender a razão de tanto desespero. James tentava colocar as pernas no buraco certo das calças. O sono também o atrapalhava e Sirius não pode deixar de sorrir. Olhou para a janela e finalmente entendeu: Estavam atrasados.

Sirius levantou calmamente, pegou suas coisas e foi em direção ao banheiro, quando um par de braços o impediram de passar e o arremessou de volta na cama.

- Mas que mer- Exclamou caindo de qualquer jeito na cama.

- Nem pense nisso almofadinhas, não temos tempo! – James calçava as meias para por os sapatos.

- Quer dizer que eu vou ficar fedendo? O dia todo? É isso? – Sirius tinha um tom de indignação. – E se eu não lavar o cabelo vão ficar parecendo o do seboso! Isso só pode ser um pesadelo, uma realidade paralela.

- Almofadinhas, você fede naturalmente então, não se preocupe que o cheiro ninguém vai notar a diferença. James ria do amigo – Quanto ao cabelo, não se preocupe, a gente da um jeito, contando que suas cuecas estejam limpas. – Ambos caíram na gargalhada.

- Pontas, O que há de mal em chegar alguns minutos atrasados? Além do mais, é história da magia! Ninguém se preocupa com história da magia! – Disse Pedro se levantando tão animado quanto o professor Binns.

- Rabicho, nas ultima semana chegamos em 3 aulas atrasados e matamos duas aulas. Fora todas as detenções que temos para cumprir por causa dos 3 primeiranistas que mandamos para a ala hospitalar. – tentou explicar calmamente James ao amigo - E a professora McGonagall ameaçou tirar meu distintivo de capitão do time de quadribol se continuarmos a agir assim. – Finalizou decepcionado.

- Mas é história da magia! – Resmungou Pedro que terminava de abotoar sua camisa um pouco amarrotada.

- Pontas, ela jamais faria isso! Ela sabe que sem você no time seria impossível ganhar a taça do campeonato!

- Sirius, estamos falando da McGonagall. Eu não pagaria para ver. Anda logo, vista seu uniforme e vamos. – Abotoando a camisa, James foi em direção ao espelho do banheiro para arrumar a gravata.

- Eu ainda acho que ninguém notaria nossa ausência – Disse Pedro desanimado terminando de vestir suas vestes amarrotadas.

- Rabicho, quem no mundo não notaria nossa ausência? – Perguntou Sirius.- Os professores não estão acostumados com a paz na sala de aula.

- Prontos? – Perguntou James, parado à porta

- Pedro – Chamou Sirius. – Acho que o Pontas e o Aluado trocaram de corpo.

- Não seu pulguento, Remo esta em sono profundo na ala hospitalar enquanto eu estou aqui sofrendo com você!

- Merlin! Eu quero meu amigo de volta! – Sirius levantou da cama assim como Pedro e acompanhou James para sair do dormitório.

Ao saírem do dormitório, o ambiente ficou como uma cena de guerra. Havia roupas espalhadas por todos os lugares. As camas desarrumadas, malas abertas e pertences em todas as direções. Como era de se esperar, a sala comunal estava deserta, exceto por algumas imagens no quadro que os repreendiam com o olhar.

No caminho para a aula Sirius proferia insultos que se ouvia de longe. As escadas insistiam em mudar de direção toda vez que os meninos pisavam nelas.

- Por Merlin, essas coisas tem que realmente ganhar vida agora? Eu ainda tinha esperanças de tomar café – Pedro estava irritado. Não daria tempo nem de passar na cozinha para roubar uns bolinhos.

- Pedro, com sorte, nossa próxima refeição será o almoço. – Disse um James puxando o amigo e saindo correndo da escada para pegar outra escada voltando, antes que esta que eles estavam mudasse de lugar também.

- O problema dessas escadas já esta virando pessoal! – Sirius murmurava

Enquanto os três marotos tentavam chegar à sala de aula contrariando todas as leis de Murphy, Remo acordou dolorido, com uma aparência muito pálida e abatido. Ainda com alguns arranhões e pequenos hematomas, o maroto sentiu a claridade que tocava na cortina em volta de sua cama. Ele sorriu. Amanhã estaria de volta.


As meninas se encontravam em meio ao tédio em mais uma aula de história da magia. Alice fazia dupla com Marlene, que, tinha os braços cruzados sobre a mesa e a cabeça repousada delicadamente sobre eles em um sono profundo devido o sons que para o ouvido da loira, soavam como uma canção de ninar. Seus cabelos loiros cobriam um sua face, escondendo algumas caretas que ela fazia com sua boca entreaberta. Alice olhou para amiga ao seu lado, deu um sorriso ao mesmo que balançava a cabeça em sinal de desaprovação e voltou a fazer seus rabiscos. Alice, geralmente escrevia palavras aleatórias, frases, textos e desenhos, tudo que fizesse qualquer pessoa que a olhasse pensar que estava fazendo anotações da aula. Antes, tudo que Alice colocava na ponta do lápis virava arte, agora, ela só conseguia desenhar corações apaixonados.

Havia duas carteiras vazias na frente da mesa das meninas, e logo depois à frente, Lily fazia dupla com Maria. As duas faziam um esforço imenso para conseguir prestar atenção na aula, porem somente uma das duas conseguia tal feito. Maria olhava para amiga como se estivesse olhando para o espelho de Ojesed.

- Lily, um dia você tem que me ensinar como sobreviver a uma aula dessas, eu não consigo prestar atenção em se quer uma palavra do que o professor Binns fala.

- Não tem nada de mais Má, é só prestar atenção e anotar. Simples assim. – Lily anotava cada palavra que o professor dizia em seus pergaminhos.

- Com as invasões incessantes, a sociedade bruxa começou a considerar a Revolta dos Duendes como uma ameaça. O Conselho dos Bruxos enviou a antiga Delegação de Proteção aos Bruxos - O professor Binns anotava no quadro negro ao mesmo tempo em que ditava em voz alta em tom completamente entediante e monótono, que às vezes fazia o próprio se perder na aula em meio ao sono.

Ah sim claro – Maria voltou a pegar sua pena e molha-la na tinta – só prestar atenção – Com um bocejo Maria só conseguia anotar algumas palavras aleatórias. – Simples assim!

A aula já havia começado há aproximadamente meia hora, e para a tristeza dos alunos, seriam dois horários seguidos de história da magia junto com os alunos da Lufa-Lufa.

- O que esses professores e diretores de Hogwarts estão tentando hein!? Querem torturar a gente ou fazer-nos enlouquecer? – Alice não aguentava mais ouvir a voz do professor. Seus corações estavam com formatos de bolhas o que deixou a garota irritada, fazendo-a largar a pena de qualquer jeito em cima da mesa. A revolta de Alice fez que com que Marlene acordasse preocupada.

- Já acabou a aula? – Marlene disse em um bocejo mal conseguia abrir o olho por causa da claridade que entrava na sala de aula.

- Quem dera Lene, acho que não terminou nem um horário. – Desanimada, Alice também deitou a cabeça sobre os braços encarando a amiga.

- Hum... Lice? É impressão minha ou – os- os -os meninos não chegaram na aula ainda.– Marlene disse entre bocejos e olhando ao redor.

- Não Lene, ele ainda não chegaram e eles estão encrencados. E se você não começar a copiar também vai estar encrencada, pois eu também não estou copiando. O Remo esta com a sua mãe, pois parece que ela esta doente, e os meninos, bem, sabe-se lá Merlin onde eles estão agora. – Disse Alice levantando a cabeça e dando de ombros.

- Ah não Lice, não me faz prestar atenção nisso. Quem que saber desses anõezinhos afinal? Sem contar que isso aconteceu antes mesmo da tatara-tatara-tatara-tatara avó sonhar em ficar grávida da minha tatara-avó.

Com um click quase silencioso a porta dos fundos da sala de aula se abriu e três sombras entraram silenciosamente nas pontas dos pés. Os marotos pararam atrás de todas as carteiras esperando a reação do professor, que nem se quer olhou para trás e continuou com sua aula, como se as conversas e os múrmuros que ecoavam por toda a sala fosse normal e fizesse parte de suas aulas e ele nem se quer se importava.

- ... a chefe do Conselho dos Bruxos, Burdock Muldoon, decretou uma lei que dava direito a todos os bruxos, exceto às crianças...

Os meninos se dividiram e foram sentar em suas carteiras. James sentou-se com Sirius nas carteiras que estavam vazias na frente de suas amigas e atrás da carteira de Lily e Maria. Pedro foi se sentar sozinho em uma carteira ao lado, lugar onde dividia com Remo em ocasiões normais. Lily, que estava prestando atenção na aula teve seus pensamentos desviados pelo som das carteiras se movendo atrás dela.

- Potter. – Sussurrou para si mesma atraindo atenção da amiga ao seu lado. Lily estava com raiva, seu rosto começava a ficar vermelho. Lily ficava neste estado de nervos todas às vezes, via, lembrava ou se quer escutava alguém pronunciar o nome de James. Quem era esse garoto para chegar atrasado à aula? Quem era esse garoto para desviar sua atenção? Na opinião de Lily, eles não tinham nem um pouco de responsabilidade e eram infantis. Lily já não sabia mais o que o professor estava falando e sentiu uma imensa vontade de torturar os dois marotos que acabaram de se acomodar atrás dela, causando neles a maior dor possível e imaginável.

- Sr. Potter e Sr. Black - O professor calmamente se virando e encarou-os. James e Sirius se entreolharam, não era uma sensação muito boa ter um fantasma encarando seus olhos. Um frio na espinha percorreu o corpo dos meninos e eles desviaram o olhar.

- Sim Professor – Responderam ao mesmo tempo.

De todo, era raro às vezes em que o professor interrompia sua aula para falar diretamente com os alunos. Nenhum aluno ali presente jamais viu uma cena como esta em uma aula de história da magia. Lily abriu um sorriso maléfico em seus lábios, e começou a se divertir com a situação. Maria poderia apostar a alma que Lily estava torcendo para que os meninos se encrencassem com o professor.

-Bem, como os senhores já devem saber, estava explicando sobre a revolução dos duendes. Os senhores seriam capazes de me dizer algo sobre o assunto já que estavam prestando a devida atenção? – Todos os múrmuros e conversas pela sala de aula cessaram. Cada cabeça ali presente se virou para encarar os meninos, menos a de Lily.

O sorriso no rosto de Lily se expandiu ainda mais. Era possível a ruiva soltar fogos de alegria neste momento. Sim, os marotos estavam encrencados. Alice e Marlene estavam apreensivas, mas sabiam que eles eram inteligentes o bastante para isso. O silêncio que invadia a sala foi quebrado com um pigarrear de James. O professor encarou o garoto com sem nenhuma emoção visível.

- Bem professor – Começou James, se arrumando na carteira, de forma que sua coluna ficasse reta. James sentia todos os olhares nele e abriu um largo sorriso arrogante – Creio que tudo começou com a existência dos bruxos e o fluxo mágico tornou-se mais poderoso e importante. A criação da varinha como um controle de poder causou uma grande histeria entre os Duendes, que eram os maiores dominadores da mágica no mundo. Na tentativa de tentar reconquistar suas terras perdidas e sua força de magia, os duendes foram organizados por Urgue, o Impuro, que começaram com rebeliões em busca do direito da varinha aos duendes. A revolta durou vários anos, causando muitas perdas.

- Devidos a invasões incessantes – Continuou Sirius- Também creio que a sociedade bruxa começou a considerar a Revolta dos Duendes como uma ameaça e estavam em busca de paz, porém, isso não ocorreu. As Revoltas continuaram e os bruxos foram obrigados a tomar partido da violência visível- Sirius deu uma pequena pausa e continuou- Então, o chefe do Conselho dos Bruxos, Burdock Muldoon, decretou uma lei que dava direito todos os bruxos, exceto às crianças. Acho que o senhor pode continuar sua explicação por ai professor. – O sorriso de Sirius era enorme, o olhar dele se cruzou com o de James e suas mãos se encontraram no ar, causando um som que ecoou por toda sala.

- Muito bem, muito bem – disse o professor se virando para o quadro negro – 20 pontos para a Grifinória. Durante muito tempo os Duendes resistiram bravamente, e foi quando os bruxos decidiram dar um término à revolta. Eles caçaram o líder dos duendes... – Continuou o professor como se nada de diferente tivesse ocorrido.

O sorriso das meninas se abriu atrás dos marotos. Lene passou as mãos no cabelo de James despenteando-os mais ainda em forma de parabenizar o amigo que lhe deu um sorriso.

- U-AAU- Foi tudo que Maria conseguiu falar.

O sorriso de Lily se contorceu em uma careta. A ruiva não estava acreditando no que estava acontecendo. Lily agora estava explodindo em ódio. Como? Como isto poderia acontecer? Só podia ser castigo de Merlin a ela. Ela podia sentir o sorriso de James se abrindo atrás dela. Lily queria vomitar. E ela não conseguia nem se quer lembrar qual foi à primeira palavra que ela tinha anotado da aula. O ódio agora a consumia, ela não só queria tortura-los agora, Lily queria mata-los. Devagar e dolorosamente. Ela balançou a cabeça para esquecer esses pensamentos e a vontade de azara-los ali mesmo. Voltou sua atenção para a aula sem conseguir assimilar nada do que o professor dizia.

- Oi Lily ! Maria, Ei! – Era Dorcas Meadowes, estudante da Corvinal, estava também no 6º ano.

- Olá! – Responderam as amigas .

- Estão indo almoçar?

-Sim – Disse Lily sorrindo - Pra falar a verdade estou morrendo de fome.

- Claro, você mal tomou café da manhã hoje!– Reprimiu Maria.

- Bem, acho que vou acompanhar vocês. – Dorcas adorava a companhia das meninas e além delas, era muito amiga de Marlene e Alice. As meninas faziam algumas aulas juntas, algumas vezes tendo que revezar duplas, o que aproximou as meninas – Estão animadas para o passeio a Hogsmeade? Digo, fiquei sabendo que os passeios serão diminuídos este ano graças aquele-que-não-deve-ser-nomeado.

Lily havia se esquecido completamente do passeio até ser lembrada pela amiga e sentiu um revirar no estômago. Isso significaria que James iria atormenta-la no mínimo uma semana até o dia do passeio. Mas, pelo lado positivo, Voldemort tinha dado a ruiva algumas semanas a mais de paz.

- Aaah ... Pra falar a verdade Dorcas, eu nem estou muito animada para esses passeios sabe.

- Como assim Lily?- Dorcas estava boquiaberta. - Sabe Lily, você precisa de uma grande companhia para te deixar empolgada nesses passeios – disse Dorcas com um sorriso malicioso nos lábios.

- Eu torço para isso Dorcas - Maria ria da indignação de Lily com essa frase. – Mas Lily insiste em não aceita o convite do James.

- Ah não Maria, não fale desse garoto. – As entranhas de Lily começavam a arder – Você sabe que nem se ele fosse o ultimo homem da terra eu não sairia com ele. Prepotente e arrogante. Eu aceitaria se algum garoto legal me chamasse para sair.

- Lily, defina legal? Ninguém nunca é legal para você! – riu Maria.

- É porque até hoje todos que me convidaram não valiam a pena – Deu de ombros a ruiva.

As amigas riram, e foram caminhando em direção ao salão principal para fazer sua refeição. Dorcas estava muito animada contando as meninas sobre os acontecimentos dos últimos dias. Elas passaram pela grande porta de mármore indo em direção à mesa da Grifinória.

- Quero dar um abraço nas meninas – Disse Dorcas apressando o passo.

- Não, não, não, não, não, não, não ... – Murmurou Lily diminuindo os passos, vendo que estava indo em direção ao lado do inimigo.

- Dorcas! - Gritou Marlene se levantando e abraçando a amiga. Alice também se levantou e deu a volta para abraçar a amiga. As meninas não se viam desde o inicio das aulas e Dorcas tinha muitas novidades para lhes contar.

James cumprimentou Dorcas com um aceno simples de cabeça e um sorriso, assim como Sirius e Pedro. A atenção de James foi desviada para certa ruiva que vinha caminhando em passos lentos em direção a sua mesa.

- Vai babar em toda comida, Pontas – Disse Sirius dando um tapa na cabeça do amigo.

- Não enche, Sirius! – Disse James sem tirar os olhos de Lily.

Lily tinha os olhos fixos em Maria, estava mentalmente controlando todos os seus músculos para não olhar para aquele lado da mesa. Tudo o que ela mais queria era que a amiga continuasse a caminhar com ela para a outra extremidade da mesa.

Sempre que James olhava para ela, sentia um turbilhão de sensações. Ela era linda, de todas as maneiras. James amava tudo em Lily. A cor dos seus cabelos e os diferentes tons avermelhados que ele tinha quando ela estava ao sol e o jeito que ele se mexia conforme o seu caminhar. Seus olhos sempre tão verdes hipnotizantes e seu pequeno e delicado nariz parecia ter sido feito a mão. James se perdia em suas poucas sardas em torno dele. Seu sorriso era lindo. Mesmo ela nunca tendo sorrido para ele, ele sempre a via sorrindo para as amigas. James a achava perfeita.

Lily contava os passos, andava o mais devagar possível. Involuntariamente, os olhos de Lily cruzaram com os olhos do maroto. Lily pode ver que ele a encarava e corou. Lily tinha certeza que era por causa da raiva. Lily agora estava frustrada, além de não conseguir controlar seus músculos, seu sangue parecia se rebelar também. Tinha que corar logo quando viu James Potter?! Só podia ser brincadeira do seu cérebro. Lily realmente não gostava de James. Um merdinha de um canalha. Lily não conseguia entender como as garotas de Hogwarts eram apaixonadas pelo maroto. Isso era ridículo! Para Lily, essas meninas nada mais eram que um bando de ignorantes desmioladas, que a única coisa que sabiam fazer na vida era inchar mais ainda o ego de James. Lily desviou o olhar friamente e voltou a encarar a amiga. Seus olhos pediam socorro. Com um sorriso, se despediu de Dorcas que foi em direção à mesa da Corvinal. Maria se sentou ao lado de Marlene e continuou a conversa que elas haviam começado junto com Alice e Dorcas.

- Lily, minha flor! – Disse James com um de seus maiores sorriso – Sente-se conosco. Não fique ai em pé até o almoço acabar. – James realmente gostava de Lily. Era um sentimento que nem ele sabia explicar. No começo era só um desafio, e por muito tempo ele negou o que sentia para si mesmo. Ele estava disposto a conquistar a ruivinha e não ia perder nenhuma oportunidade.

Lily queria morrer. Tudo que ela queria era paz. Não aguentava mais James. Não adiantava o que ela fazia, o que ela dizia, o que ela pedia. Ele era irritante ao ponto de ignorar o maior desejo de Lily. Lançou uma ultima olhada a amiga com a esperança que ela se levantasse e fosse com ela para o outro canto da mesa. Até mesmo a mesa da Sonserina seria uma alternativa válida para ficar longe de James. Lily não queria ficar, se virou para dar os primeiros passos rumo a almoço rápido e solitário quando uma mão delicada segurou seu braço. Lily baixou os olhos e encontrou o sorriso de sua amiga Alice a tranquilizando. Sorrindo de volta, Lily sentou derrotada e deu uma ultima respirada. Pronto. Ela estava pronta para seu fim.

- Então, Lil-

- Evans. – Lily cortou James sem ao menos olhar para ele enquanto servia seu prato com suas batatas preferidas.

- Então, Evans – James passou as mãos pelos cabelos tentando inutilmente arruma-los – Como foi sua manhã? – Perguntou realmente interessado na resposta da garota.

- Hum... – Lily agora enchia seu copo com um pouco de suco de abobora – Estava tudo bem até agora.

- Eu sei que agora está melhor, não é mesmo?

- Não, Potter. Para minha infelicidade, não está melhor.

- Bem, mas poderíamos fazê-lo ficar, o que você acha? – James a encarava com tanta precisão que até os pelos na nuca de Lily sentiram e se manifestaram. Traidores.

- Não, Potter. –Disse friamente.

- Se eu me sentar ao seu lado tenho certeza vai mudar de opinião. – Disse sorrindo maliciosamente.

- Não se atreva! – Agora Lily o encarava. James podia ver nos olhos de Lily que ela o desprezava.

- Evans, é que eu estava pensando... –

- Não sabia que você era capaz de pensar Potter - Os amigos que estavam na mesa riram. James apoiou seus cotovelos na mesa para encarar a garota que insistia em prestar atenção em como seu garfo brincava delicadamente com as batatas em seu prato

– O próximo passeio para Hogsmeade esta próximo, eu não tenho um par e você também não tem, então, por que não nos unimos para não ficarmos com tédio? Tenho certeza que não vai se arrepender. – O sorriso se James agora era abobado na expectativa da resposta.

- Não Potter, definitivamente NÃO. – A ultima palavra Lily disse mais alto, atraindo a atenção dos outros amigos à mesa - Agora, se me permite, eu gostaria de almoçar em paz. – Finalizou Lily encarando o garoto e depois revirando os olhos e voltar sua atenção para a comida. Lily perdera a fome.

James deu um sorriso tímido e começou a montar seu prato ainda prestando atenção em uma ruiva que insistia em brincar com sua comida.

- Relaxa, Pontas – Disse Sirius roubando um pedaço de carne do prato do amigo. – Nossa companhia será mais interessante nesse passeio. Temos muitas coisas para comprar e um estoque para reabastecer – Finalizou Sirius com um sorriso.

- Que dizer que o senhor Sirius Cobiçado e Amado Black não vai acompanhado desta vez para Hogsmeade? – Perguntou Marlene tomando um longo gole do seu suco.

- AHA! Não Lene, não vou. Existem situações em que meus amigos precisam do cobiçado aqui. Então, por mais que doa no coração das garotas de Hogwarts, elas não terão o prazer da minha companhia neste passeio.

- Você não presta Sirius, nem se quer um nuque. – Alice ria do amigo.

- Que isso Lice, existe pessoa neste castelo que seja melhor mais do que eu?

- Logicamente! Sirius, Sirius, Sirius... Não se iluda companheiro, não se iluda. – Disse James estufando o peito.

Aquele almoço não podia ser pior para Lily. Pelo menos, James não a perguntou mais nada, porem, não parava de lhe lançar olhares a todo o momento e, quando seus olhares se encontravam, ele sempre sorria. Lily se perguntava se a boca dele não doía. Porque ele sempre tinha que dar aquele sorriso irritante? Lily odiava aquele sorriso.

Lily viu que sua amiga Maria estava se divertindo na companhia dos garotos e das meninas e lutou bravamente contra seus impulsos e sua razão e decidiu ficar mais um tempo na mesa também. Suicídio, Lily iria direto para o inferno.

James percebeu que Lily terminou de almoçar e não se moveu um centímetro. James deveria agradecer a Maria e Dorcas depois. Mesmo que Lily não trocasse uma palavra se quer com nenhum dos meninos, James não pode deixar de reparar que às vezes, mesmo que tentando esconder com uma tosse fingida ou um discreto espirro, Lily sorria de suas brincadeiras. Lily estava discretamente se divertindo. O coração de James levemente disparou.

A sineta tocou, informando os alunos que as aulas da tarde já iriam começar. Eles pegaram seus materiais, colocaram as mochilas nas costas mochilas e partiram rumo à sala de aula, onde teriam dois tempos de poções com os alunos da Sonserina. Os marotos iam à frente acompanhados de Alice e Marlene que ria escandalosamente enquanto Lily e Maria iam andando atrás conversando mais discretamente.

Após passarem por vários corredores, James contava animadamente suas novas estratégias para o time de quadribol da Grifinória. Alice lamentava com Marlene a saudade que sentia do namorado, que, por não serem do mesmo ano, não podiam se encontrar constantemente. Em meio à conversa, sem perceber, algo esbarrou fortemente em Alice, arremessando-a contra a parede. Alice com o choque bateu a cabeça na parede e sentindo uma forte dor. Levou à mão a cabeça sentiu o sangue escorrer.

- Droga! – Exclamou Alice sem olhar na direção onde estava.

Segundos antes de Alice ser arremessada contra a parede, Maria avistou algumas figuras a frente. Maria tenha uma expressão de horror. Lily sentia o cheiro da bagunça e apressou o passo para impedir qualquer tipo de confusão no corredor. Foi quando os punhos fortes de Maria seguraram sua mão.

- Não Lily, por favor, não. Vamos embora. – A voz de Maria estava repleta de medo, e Lily não quis que a amiga passasse por isso novamente.

James virou rapidamente com a varinha já em punho enquanto Marlene correu em direção a amiga para ajudá-la a levantar. Sirius também estava com a varinha em mãos, assim como Pedro ao seu lado.

- Regulus. – disse Sirius com todo desprezo que conseguiu.

- Ora, Ora, se não é o meu querido irmão. – Disse rindo ironicamente da última palavra.

- O que você quer? Você não deveria estar junto dos ratos imundos da sua casa?- James levantava a varinha em direção ao seu rosto.

- Vejamos, Potter – Disse o garoto se aproximando de James sem medo – Eu só queria me divertir, e, sua amiguinha estava em meu caminho. Quem sabe ela aprende a ficar mais esperta. – disse encarando Alice – Não sabia que vocês eram tão fracos. Por isso andam em bando? – Zombou.

Marlene levantou do chão e partiu para cima do garoto, mas Sirius a impediu. Sirius sacou a varinha e apontou para o peito do irmão.

- Já chega. – Ameaçadoramente, Sirius disse.

- O que você vai fazer irmãozinho? – Desafiou Regulus – Você é imundo. Nem ao menos merece o sobrenome que carrega. Não passa de um covarde. Não tenho medo de traidores como você e nem da escoria dos seus amigos. Você deveria sentir vergonha de se misturar com pessoas assim.

- Não pense nenhum por minuto que eu tenho orgulho de carregar este sobrenome, eu o desprezo, assim como desprezo você e todo o resto dessa família de merda que não me pertence mais. – Sirius cuspiu as palavras, e sem perceber, estava com a varinha quase encostada na garganta de Regulus.

- Algum problema por aqui? - Perguntou uma voz seguida de passos que ecoavam no corredor.

- Não podia ficar melhor – James penou em voz alta ao ver a silhueta de Avery, Mulciber e Bartô Crouch Jr vindo em sua direção. – Lene, pegue Lice agora e a leve para enfermaria.

- Mas James, nós –

- Eu disse agora Lene – Disse James sem olhar para as meninas apontando sua varinha para a figura do meio que também vinha com a varinha levantada.

Marlene levantou Alice do chão, colocou a mochila dela nas costas e, delicadamente apoiando a amiga em seus ombros, levou-a para a enfermaria.

- Estupefaça! – gritou Rodolfo em direção a Sirius.

- Impedimenta! – Sirius se defendeu.

Jorros de luz saiam de suas varinhas no mesmo instante e se colidiram no ar. Rodolfo e seus dois comparsas foram arremessados para cima, batendo as costas e ficando presos ao teto. Sirius olhou para um James que tinha um sorriso nos lábios.

- Eles ainda têm muito que aprender – Sorriu o maroto.

Os sonserinos caíram no chão. Ficaram alguns segundos tentando se livrar da dor que os cegavam. Ainda tontos eles levantara e foram na direção dos marotos com mais ódio do que antes. Desta vez eram quatro contra três. O corredor estava vazio. As aulas já haviam começado, assim como a pequena batalha que eles travavam.


Lily estava preparando sua poção da paz preocupada com a amiga, quando Horácio Slughorn chegou e parou em frente seu caldeirão.

- Vejo que não esta em um bom dia, Senhorita Evans! – O olhar de Slughom brilhava ao ver a poção de Lily e tinha um pequeno pesar neles – Acho que ainda da tempo de consertar. – Disse o professor piscando para a ruiva. Lily sorriu e seu olhar de Lily se cruzou com o se Snape. Lily estava prestes a virar a terceira gota de xarope de Heléboro quando viu a cabeça de Snape balançando negativamente. Lily desviou o olhar, mas entendera o recado de Snape. Apenas duas gotas. Lily estava chateada demais com o amigo para agradecer.

Alguns minutos se passaram até que a porta da sala se abriu, por onde entrou três alunos que foram direto para seus caldeirões vazios.

- Nos desculpe professor – Começou James – Tivemos um imprevisto a caminho da aula.

- Um imprevisto? Olhem o estado de vocês! – Disse Slughom olhando para as vestes sujas, os cabelos despenteados e alguns cortes que os garotos possuíam.

- Aconselho aos nossos colegas a não encontrarem com Pirraça professor – Pedro disse rapidamente. – Ele não esta muito amigável hoje.

- Sim, sim, claro! Eu entendo. Pirraça é... Bem, podem pegar o material nos armários. Estamos preparando hoje a poção da paz. Vocês encontrarão a descrição nos livros. Podem começar. Qualquer dúvida, estarei aqui para esclarecer, mas sei que não terão dificuldades – Disse Slughom com um grande sorriso, conhecia a inteligência dos meninos e tinha certeza que eram capazes de preparam uma poção perfeita de olhos fechados.

James concordou um sorriso e foi em direção ao armário pegar seus materiais.

Lily mirou os marotos. Sua situação não era das boas. James tinha um corte no rosto e alguns nos braços. Sirius era o mais sujo dos três com alguns arranhões também. Pedro, bem, Pedro não tinha nada.

- Black? Hum ... Black ?!

- Ah! Oi Evans! – Sirius se virou a procura da voz que o chamava e encontrou uma Lily ao seu lado.

- Hum... – Lily não sabia o porquê, mas as palavras não queriam sair de sua boca, Lily nunca tinha puxado um conversa com Sirius Black, e não sabia como faze-lo.

Sirius encarou Lily com certa curiosidade. Lily percebeu que tinha que falar alguma coisa ou estaria fazendo papel de palhaça.

- Eu gostaria de saber como Alice esta, eu vi a Marlene indo com ela em direção a ala hospitalar. Eu como monitora tenho... Eu quero saber na verdade... AH Black, o que aconteceu afinal? – As palavras simplesmente não saiam da boca de Lily e ela estava começando a ficar irritada com isso e Sirius estava adorando.

- Ela esta bem, Evans – Disse Sirius sorrindo – Topamos com alguns amigos no corredor. Pena que Marlene e Alice perderam toda a diversão.

- Vocês não tem jeito mesmo não é?! – Brincou Lily, mas no próximo segundo se arrependeu amargamente disso – hum, hum – pigarreou Lily- Vocês não deveriam ter se metido com aqueles sonserinos, Black. Olha o estado de vocês. – Sirius levantou uma sobrancelha, e Lily percebeu. - Quero dizer, vocês estão um pouco machucados, e sabe o Potter, você e o Potter devem ir para a enfermaria.

O sorriso de Sirius instantaneamente se abriu e Lily teve vontade de morrer.

- Preocupada conosco, Evans?

- Poupe-me, Black. Não perderia meu tempo me preocupando com vocês. Minha única preocupação está voltada somente para Alice, e somente ela - Lily parou para tomar um ar, pois falou as palavras tão rapidamente que ela mesma duvidava que Sirius tivesse entendido algo. – Eu só acho que, como monitora, deveria aconselhar vocês dois a procurarem Madame Ponfrey.

- Claro Evans, eu entendo perfeitamente – Sirius não parava de sorrir e olhar por cima de Lily. Ela estava começando a ficar irritada com esta atitude do maroto – Temo que não seria uma boa ideia. Não gostaríamos de cruzar com nenhum deles por lá. Madame Ponfrey ficaria louca de vez. – Sirius deu de ombros.

- Como é? Você e o Potter mandaram os quatro para enfermaria? Mas como? Não pode ser! – Lily estava boquiaberta.

- Minha flor, nunca duvide da capacidade de um maroto. – Disse James sorrindo atrás de Lily.


Nota:Aos Leitores, esta é a minha primeira FIC, então aqui está mais um capitulo. espero que gostem. Peço para deixar reviews com a opinião de você. Criticas e sugestões serão muito bem vindas!