Dedico esse capítulo a Victoria Winchester, dandi-Winchester, Mary SPN, Ana Ackles e AnarcoGirl pelo apoio e comentários no primeiro capítulo.
2- Encontrando apoio
Acordou. Sentiu algo macio sob o seu corpo; com certeza estava sobre um colchão, mas não se lembrava de ter voltado para o seu apartamento, muito menos entendia como tinha chegado a esse lugar, seja ele qual fosse. Ouvia aos poucos os sons a sua volta adentrar os seus ouvidos, ao mesmo tempo em que recuperava gradativamente suas forças. Suas pálpebras pesavam, movimentou-as e então tentou abrir os olhos, mas a claridade o incomodava. Piscou-os duas vezes antes de abri-los lentamente e viu que a sua frente havia um homem que o olhava fixamente. Ele demonstrava preocupação pela expressão de seu rosto.
Jared não se lembrava daquele estranho em meio a seu círculo de amigos, mas não deixou de notar o quanto ele era lindo. Era loiro, tinha cabelos curtos e arrepiados, grandes olhos de um verde intenso, lábios carnudos e definidos que faziam um convite mudo para serem beijados. O homem vestia um terno escuro que evidenciava o contorno dos seus músculos, detalhe esse que não passou despercebido por seus olhos, então percebeu que olhava muito o outro, envergonhou-se por isso e sabia que havia corado. Com certeza o estranho notara o seu olhar e o cumprimentou com um sorriso tímido, Jared devolveu o sorriso antes de virar o rosto para o lado oposto ao homem.
Jensen observava atentamente o jovem inconsciente a sua frente e pensou consigo o quão belo ele era assim, adormecido e indefeso. Tinha traços finos, evidenciando ainda mais suas feições juvenis. Seus cabelos lisos e escuros contrastavam com sua pele alva e recaiam levemente sobre seus olhos. Seu nariz era empinado e seus lábios apesar de mais finos que os seus, eram sedutores. O rapaz era bastante alto, tinha porte atlético e...
Amaldiçoou-se por tais pensamentos. O que diabos estava acontecendo com ele desde que ajudara aquele garoto? Desde quando ele admirava a beleza de um homem? Por que tinha a estranha sensação de que o conhecia? Suas indagações cessaram quando percebeu que o jovem piscou seus olhos e abriu-os lentamente. Ao focar seu semblante suave e alheio àquele hospital, concluiu para si que mais belo ele era quando estava acordado. Perdido em sua contemplação, permaneceu tempo demais olhando para o garoto e com certeza ele percebeu porque corou. O loiro, sem jeito, sorriu timidamente, o outro correspondeu antes de virar o seu rosto para o outro lado. Um silêncio perturbador se instalou naquele pequeno quarto e Jensen resolveu puxar conversa para quebrar o gelo.
- Como você se sente? – Perguntou com a voz firme.
-Bem, eu acho. Estou em um hospital? – Antes que pudesse responder ao jovem, o doutor Mark Pellegrino adentrou o recinto. Cumprimentou Jensen mais uma vez e olhou seriamente para Jared antes de falar:
- Você não devia ter se retirado de minha sala antes de concluirmos a consulta.
- Jensen olhou para o doutor com o cenho franzido e uma pergunta solta no ar, o garoto percebeu e respondeu rápido e entediado.
- Eu tenho câncer. – Disse e encarou o loiro, sendo corrigido em seguida pelo doutor Pellegrino.
- Não é câncer, é um tumor benigno senhor Ackles e, por favor, convença seu amigo da seriedade do seu problema, ok? Volto em meia hora para dar-lhe alta Jared, caso sua pressão esteja estabilizada.
Jensen olhou para o recém amigo e brincou.
- Então você age como uma criança que tem medo de uma injeção? Sorriu, mas se arrependeu ao ver o rapaz com os olhos mergulhados em lágrimas.
- Desculpe-me garoto! Eu não pretendia magoá-lo.
- Não! Tudo bem! Você foi gentil, cuidou de mim mesmo sem me conhecer e... – Não conseguiu concluir a frase. Levou suas mãos ao rosto, seu choro era sentido e em sua alma, sentia a dor do abandono sufocá-lo.
O loiro viu a cena e decidiu fazer algo: aproximou-se do jovem e trouxe-o para mais perto. Deixou que ele encostasse sua cabeça em seu peito. Jared chorou abraçado a ele até sentir-se mais calmo.
- Por que você não me conta o que aconteceu? Às vezes, desabafar ajuda a nos sentirmos melhor.
O jovem levantou o seu rosto e fitou aqueles olhos verdes cheios de conforto. Afastou-se lentamente dele, se acomodou melhor ao encosto da cama e encarou-o. Mais calmo, contou o que o fazia sofrer, e nem de longe era o medo por estar doente.
Flash back on...
- Jared? Como foi a consulta? E então era mesmo anemia? – Falou, enquanto abraçava o outro pela cintura e lhe selava os lábios.
- Eric, eu preciso falar com você. Na verdade não esperei a consulta terminar, nem mesmo deixei o médico passar um remédio, algum tratamento ou coisa do tipo. Precisava falar com você antes que fosse para a empresa.
- Eu tenho dez minutos e eles são todos seus. Sente-se querido!
- O doutor Pellegrino disse que eu tenho um tumor benigno e... – Não concluiu sua fala porque fora interrompido bruscamente por seu namorado.
- Você tem câncer? – Levantou rapidamente do sofá e falou alto, assustando Jared.
- Não é câncer Eric, é um tumor benigno e doutor Mark explicou que tem cura. – Falou nervoso.
- Eu não posso passar por isso novamente. Não dá! Será que você não entende? Eu amava a minha mãe e acompanhei-a até seus últimos dias de vida, vi o câncer tirá-la de mim aos poucos e eu não pude fazer nada. – Cuspiu as palavras enquanto andava de um lado para o outro, não percebia que o seu medo o levaria realmente a perder.
- Querido, por favor, acalme-se! Eu preciso de você. – As lágrimas rolavam livres de seus belos olhos.
- Não me peça calma! Você não sentiu o que senti quando perdi a minha mãe. – Ele não enxergava o seu egoísmo. Estava perdido em sua dor.
- Amor, nós vamos superar isso juntos! Eu não posso te perder. – Falava o moreno em meio aos soluços, e em sua alma, o medo de perder aquele a quem julgava amar, ocupava o espaço de suas preocupações.
- Jared, depois conversamos melhor, está bem? Não me espere, vou almoçar com o meu pai. – Pegou sua pasta preta e caminhou até a porta.
- Eric, espere! - Tentou conversar, mas o outro estava irredutível.
- Escute-me, eu preciso de um tempo, por favor! À noite conversamos. – Falou de costas para o namorado, antes de sair, fechando a porta atrás de si.
Flash back off...
Jensen olhava atentamente para garoto. Não era homo fóbico, mas saber que seu novo amigo era gay o pegou de surpresa. O rapaz o olhava com uma carinha, digna de um filhotinho abandonado na mudança, com seus olhos perdidos em suas lágrimas. Sabia que devia falar algo para consolá-lo, mas não era bom com as palavras. Então decidiu usar o seu poder de persuasão.
-Olha Jared, quando te trouxe para o hospital, responsabilizei-me por você porque o doutor Mark me explicou que eram regras do hospital.
No momento que o loiro começou a falar, o moreno baixou o rosto. Havia encontrado um bomamigo, que se importava com ele e o tinha tratado da maneira como acreditava que seria tratado por Eric, mas ele tinha cumprido o seu papel de "bom samaritano". Sairia da sua vida do mesmo jeito que entrou. Era isso o que achava antes de ouvir a continuação do que o outro falava.
- Mas como você melhorou o doutor Pellegrino com certeza irá liberá-lo. Aviso o meu pai que não vou à empresa à tarde para resolver alguns negócios, almoçamos e depois o deixo em seu apartamento. O que acha? E cara, não se preocupe, seu namorado, ele só está assustado. Com certeza à noite, mais calmo, vocês conversarão.
Jared deu o primeiro sorriso espontâneo daquele dia. Um sorriso encantador e que mostrava duas belas covinhas em suas bochechas. Jensen observou a cena e gravou aquela imagem em sua mente, o garoto era simplesmente adorável quando sorria, pensou ele.
Cinco minutos depois, o médico liberou Jared, fazendo este se comprometer a comparecer no mesmo horário do dia seguinte para o término de sua consulta. Seguiram para a empresa em que Jensen administrava junto com o pai e pouco tempo depois, estavam a caminho na BMW do loiro rumo ao restaurante Verdana.
Durante o almoço na mansão dos Johnson...
- Meu filho, eu só acho que você está se precipitando. Ele precisa de você. – Falou o senhor Andrew Johnson.
- Papai, por favor! Eu não quero passar pela mesma situação que passei com a mamãe. As lembranças ainda estão vivas em minha mente.
Eric era o filho único de Andrew e Priscilla Johnson. Ambos sabiam desde a adolescência do filho, a sua opção sexual, mas não se importavam, queriam a sua felicidade.
Desde a morte de Priscilla, o senhor Jonhson, percebeu que seu herdeiro se tornara um covarde em relação aos sentimentos e isso o preocupava, mas Eric não aceitava conversar sobre o assunto.
- Eu o amo papai, mas não posso perdê-lo, não dá.
- Filho, e o que você está fazendo não o levará a perdê-lo? – Eric ficou em silêncio pensando no que o pai disse. - E o que pretende fazer? Ele está doente. Vai abandoná-lo?
- Não! Mas preciso pensar e por as ideias no lugar.
Continua...
Resposta ao rewie de AnarcoGirl- Obrigada pelo elogio à minha primeira fic. Fiquei feliz e espero que você continue acompanhando. Beijos!
Nota 1: Desculpem-me a demora para postar.
Esse capítulo foi betado por Ivys porque no momento minha beta está sem Pc.
KuchikiRukia13, obrigada pelo apoio mesmo não sendo possível você betar esse capítulo. Sei de sua rotina tensa. Beijos!
Nota 2: A todos que lerem e comentarem, o meu obrigado antecipado. E àqueles que ainda não comentaram, mas leram o capítulo 1, não custa nada fazer o login e comentar. Sua opinião me ajudará a buscar sempre o melhor para vocês leitores. Beijos.
Nota 3: Não achei os nomes dos pais do ator Eric Johnson, por isso usei nomes fictícios.
