Resumo: Algumas pessoas não sabem quando parar. São tão obstinadas que não conseguem enxergar quando o perigo as ronda ou quando afastam aqueles que amam, por mais que avisos em letreiros luminosos gritem diante de seus olhos.
Classificação: K+, pelas expressões impróprias muito próprias das personagens.
Categoria/gênero: Sobrenatural, aventura, amizade e humor, um pouco de cada coisa.
Disclaimer: Nada disso me pertence, é tudo gratuito e blá, blá, blá.
N/A: Como diz a Val, no estilo americano de escrever - com aspas em diálogos - neste capítulo ainda por total falta de paciência, tempo e disposição para revisar. No próximo, voltaremos à nossa programação normal com travessões, okay?
No capítulo anterior:
"É isso aí." Puxou o irmão para junto de si e do calor " Aguenta as pontas, Dean. Logo alguém tira a gente daqui e vai ficar tudo bem." Os tremores que percorriam o corpo colado ao seu fez as palavras engasgarem no meio da garganta " Está tudo bem, mano. Nós vamos sair dessa. Eu vou cuidar de você e vai ficar tudo bem."
Capítulo 2:
12 horas antes...
" Hora do almoço, Sammy! " Um sorriso glorioso despontou no rosto do homem loiro.
"Dean, não é nem meio-dia ainda."
"E desde quando temos hora para almoçar? Se estou com fome, eu como." Passou a recolher as chaves e outras coisas que estavam sobre a cômoda escura "Mas se você quiser ficar aqui curtindo este quartinho meia-boca de mais um motel de quinta, por mim, tudo bem. Eu estou saindo."
"Não, eu vou com você" apanhou o casaco das costas da cadeira "idiota" e olhou ao redor.
" Excelente. Pronto?- Sorriu diante da falta de jeito do menor" Espero que sim."
"Não ferra, tá?" Sam finalmente encontrou o celular e guardou-o no bolso "Isso tudo é fome mesmo ou só empolgação com a garçonete gostosa do restaurante de hoje cedo?"
"Faça o favor?" Dean abriu a porta do quarto, indicando o caminho para fora com um gesto " Só faltava essa. Agora vou ter que justificar o meu apetite."
O grande carro preto estacionou diante do restaurante onde, naquele mesmo dia, bem cedo, haviam tomado o café da manhã. O tal onde uma jovem garçonete bem nutrida de atributos físicos e sorriso fácil tinha despertado o interesse do Winchester mais velho.
Logo uma senhora veio atendê-los, recebendo um olhar decepcionado de um dos moços bonitos que tinham ocupado a mesa perto da janela.
"O que vai ser, meninos?" sorriu, cordialmente.
"O prato do dia?" Dean voltou-se para o irmão que aceitou a sugestão, devolvendo o cumprimento da senhora _ É isso, madame.
"Certo. Então teremos dois filés com fritas e salada primavera. Algo para beber?"
"Sim, duas, obrigado" o mais velho afirmou.
"Não vai demorar nada" terminou de anotar o pedido e fitou os dois jovens mais uma vez "Estejam a vontade, por favor. Voltarei em seguida."
Dean ficou observando a senhora se afastar dentro de seu uniforme azul claro. Pousou seus olhos sobre as mãos e soltou um suspiro lento e profundo.
"Eu sabia!" o caçula afirmou vitorioso "Uma ova que você estava com aquela urgência toda por conta de um prato de comida!"
"Cala a boca, Sam" Dean não levantou os olhos.
"Eu sei bem que fome é essa."
"Já disse para calar-se" Ergueu uma das sobrancelhas e encarou o irmão_ Não estou de bom humor hoje.
"Bem, se isso vai lhe subir à cabeça e deixá-lo com aquele humor de urso, é melhor que pergunte logo pela outra garota. Assim você tira o atraso e poderemos nos concentrar na porcaria do trabalho" Sam nem percebeu o que tinha falado e no tom que usara.
"Mas que merda é essa, cara? " As duas sobrancelhas subiram tortas por sobre os olhos e quase se encontraram acima do nariz de tão contrariado que Dean estava.
"Que, o quê?" Sam fez que não entendeu "Por que você está tão nervoso?"
" Quem disse que estou no atraso?" Dean estava muito irritado.
"E não está? Você não pega ninguém há, o que, uma semana?"
"Você está contando, por um acaso?" Indiganação era a palavra para descrever a expressão no rosto do caçador.
"Não estou contando coisa nenhuma!"
"Está sim!" Estreitou os olhos e aproximou o rosto "Pode me explicar por que diabos o meu irmão está reparando no tempo em que eu não pego mulher, hum?"
"Cara" Samuel afastou-se um pouco e ajeitou-se na cadeira, muito corado "quando você fica 72 horas sem dar uma, o seu humor vai pro ralo e há dois dias você está reclamando de tudo e qualquer coisa. E sabe quem tem que aturar?" bateu no próprio peito "Não preciso observar muito. É uma simples questão de matemática. E de saco cheio, literalmente."
"Senhores " a garçonete chegou no final da conversa, ouvindo o tom exasperado "Se preferirem, poderei voltar mais tarde com o pedido, quando terminarem... errr... sua... conversa."
"Nós somos irmãos!" ambos afirmaram em coro, um pouco alto demais.
A mulher não retrucou. Apenas depositou, silenciosamente, os pratos e bebidas sobre a mesa e saiu.
"Está vendo?" Dean cravou o garfo no bife como se quisesse assassiná-lo "Esses seus chiliques sempre nos fazem passar por isso."
" Passar pelo que, homem?" Sam tinha os talheres a meio caminho do prato.
" A velhota agora está pensando" sussurou, ainda muito agastado "que tivemos alguma espécie de briguinha de casal."
"Pelo amor de Deus, Dean, come e me deixa em paz" colocou uma porção de salada na boca e mastigou, contrariado " E se você não pedir o telefone da garota, eu mesmo o faço. É isso ou uma prostituta."
"Não enche" Zangou o mais velho "Não sou eu quem precisa de assessoria pra arranjar mulher, garoto. E só pra constar: eu não pago por sexo."
" Nesse caso, você poderia colocar o cano da 9 milímetros na boca e puxar o gatilho" Sam laminou os olhos "Assim eu teria um pouco de sossego."
" Ca-la-a-bo-ca."
"Estou avisando, Dean."
"Dá pra fechar essa matraca?"
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Duas horas mais tarde naquele mesmo dia, na biblioteca municipal, um estrondo vindo do meio do corredor de estantes, invadiu o grande salão silencioso.
"Senhor, preciso lembrá-lo de que é necessário silêncio?" a bibliotecária empurrou a haste dourada dos óculos estreitos para trás e abaixou-se ao lado do homem que recolhia os domos caídos pelo chão.
"Eu sinto muito, senhora."
"Espero também que seja mais cuidadoso com o acervo" sussurrou próximo ao ouvido dele enquanto auxiliava no recolhimento dos livros "e que se vá o mais rapidamente possível."
"Com certeza" Dean observou a mulher magricela voltar ao seu posto e ajeitar o laço que trazia por baixo da gola abotoada da camisa.
"O que há com você, afinal?" Sam aproximou-se e pegou a pilha de livros que Dean levantava.
"Não há nada" respondeu ao mais velho, entre os dentes "Só estou entediado."
"Sei..." arrastou o mais velho pela manga do casaco de volta à cadeira da mesa que ocupavam "Toma" estendeu o exemplar "Anda, pega logo e vai" Apontou a placa iluminada no canto esquerdo "O banheiro é por ali."
Dean abriu a publicação com cara de poucos amigos e entendeu imediatamente o recado do irmão quando se deparou com a capa de uma revista masculina.
"E não adianta fazer essa cara" Sussurrou, laminando o olhar " Já que o gostosão não paga por sexo..."
"Pagar por sexo é totalmente contra os meus princípios, Sam, mas eu não sou nenhum adolescente."
O mais moço gesticulou, apontando a direção "Anda logo e acabe com isso antes que seus poucos neurônios sejam devorados pelos espermatozóides."
"Cara, eu ainda..."
"Não me agradeça" levantou a mão impedindo o outro de continuar "Vá logo. E lave as mãos quando terminar."
" Sam você está a um passo de perder a cabeça."
"Eu sei."
"Vá para o inferno, cretino!"
"Eu já estou nele, Dean" Samuel observou o irmão afastar-se em direção à porta de saída do prédio "Estou nele há muito tempo."
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Estavam os dois irmãos caminhando em direção ao prédio abandonado no final da rua do distrito industrial depois de terem lido tudo o que encontraram a respeito do caso em que trabalhavam. Hora de reconhecer o território e avaliar as possibilidades. Habilidades adquiridas no treinamento paramilitar nos verões de sua infância, nos intervalos entre um período e outro da escola. Dean sempre adorou aquilo.
Aquele lugar tinha muito do que nossa aberração da vez gostaria: bastante espaço para se esconder, amplos terraços de onde alçar vôo sem ser percebida e um campo seguro para aterrissar com suas vítimas e saborear o menu.
Uma grande placa onde se lia "Mantenha a distância" balançava amarrada às correntes diante da grande porta.
Dean parou perto da pesada porta de ferro e voltou-se para o irmão "Sam, eu finalmente marquei um encontro para esta noite. Espero que nada aconteça com o meu belo rosto nesse trabalhinho que nos arrumou ou nem sei o que vou fazer para me vingar de você."
"Você mesmo disse, Dean, rápido e limpo, certo? O que poderia acontecer?"
"Além de ser estraçalhado e devorado pelas garras de um monstro mitológico? Nada, é claro!"
Sam retirou o necessário dos bolsos para abrir o cadeado com sutileza e sem chamar a atenção, mas a fechadura, coberta de ferrugem, não estava facilitando em nada sua ação.
"Sai da minha frente, florzinha" O filho mais velho de John empurrou o irmão para o lado e cortou a grossa corrente do portão da fábrica abandonada com uma ferramenta pesada que tirou do porta –malas do carro enquanto seu irmão se entretinha na tarefa a que se propusera. "Pronto, donzela."
" Você pediu pra nascer estúpido e entrou na fila um monte de vezes, não é, Dean?"
"Escuta aqui, moleque" Dean parou de repente e levou o indicador em riste até quase tocar a ponta do nariz de Samuel "Eu não queria estar aqui. Você cismou com essa porcaria de caçada e quer saber? Tenho um pressentimento ruim sobre a coisa toda" bufou" Não um pressentimento qualquer de quem está com um humor do cão. Eu sinto nos ossos, okay? E acho que estou nessa vida há tempo suficiente para saber quando ouvir meus instintos."
"Se você pensa assim" Sam ponderou as palavras de Dean "Pode ir. Sou perfeitamente capaz de lidar com isso sozinho."
"Sem essa. Estamos aqui e vamos até o fim."
"Tem certeza?"
"Não, mas não importa" o mais velho afastou-se, empunhando o facão afiado, disposto a encontrar a harpia e cortar-lhe as asas " Você não vai desistir, de qualquer jeito."
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CONTINUA...
