Capítulo 02

Era um dia de sol, mas devido à altitude do antigo templo dos dobradores de ar, não era um dia quente, mas sim fresco. Sobre uma praça onde os antigos monges meditavam, e agora nada mais é do que ruínas, com pedras de antigas estátuas, vasos e outros elementos, estavam toda a Gaang, agora com Zuko fazendo parte dela. Todos estavam em volta de um grande mapa, na verdade, um grande pedaço de papel desenhado a mão livre, onde pequenas marcações de tinta representavam casas, prisões, palácios e outros detalhes do terreno da nação do fogo.

Zuko mostrava e dizia o que era e como era cada uma daquelas marcações, com outros detalhes. Ele apontava para uma pequena bola redonda no mapa e disse:

- Aqui é onde fica uma das torres de prisioneiros da nação do fogo. Aqui era onde estava meu tio preso.

Sokka ficou encarando para a pequena marca de tinta preta sobre o papel amarronzado, e pensou, colocando sua mão sobre a sua boca:

- Por acaso existe alguma possibilidade dos prisioneiros da nação da terra e presa pessoalmente pela Azula, estar aqui?

Zuko parou de falar e se virou para o rapaz, cruzando os braços. Disse, com o olhar interrogativo:

- Qual o seu interesse em salvar prisioneiros presos pela Azula?

Aang olhou para o rosto de Sokka com dó e disse para o seu amigo:

- Eu sei que você gostaria de soltar seu pai e os prisioneiros. Eu também queria vê-los livre. Mas nós já discutimos que não é a melhor estratégia. Provavelmente os melhores homens da nação do fogo estão cuidando dele.

Katara, que estava ao lado de Aang e cedia um lugar ao seu lado para Haru se sentar, disse para o irmão com o tom de voz quase materno:

- Nosso pai deve estar bem. Não se preocupe.

Sokka disse mentalmente, onde apenas ele próprio pode escutar, ainda fingindo estar olhando para a prisão no desenho, ainda com as mãos na boca:

- Eu sei que o meu pai deve estar bem, na medida do possível. Mas não é com ele que estou preocupado...

Zuko percebeu que Sokka olhava para o papel, mas com a mente distraída. Ele então respondeu à pergunta do jovem:

- Olha Sokka, provavelmente ela não colocaria nenhum prisioneiro aqui. Mas eu acho que não há discussão sobre não salvarmos os prisioneiros neste momento.

Sokka começou a se irritar com o Zuko. Sua cabeça ficou nitidamente vermelha de raiva. Sokka, apontando o dedo para o homem, falou com aspereza em sua voz:

- Olha aqui senhor muda-casaca-como-troco-de-roupa, quem você pensa que é para falar sobre estratégia? Até agora você só pensava em pegar o Avatar...

Todos se levantaram, enquanto Sokka caminhava na direção do príncipe, abanando o seu dedo indicador no rosto dele. Aang, Katara e Haru pediam para ele ficar calmo, acenando com a mão para ele acalmar o ritmo da voz. Mas ele continuou, sem olhar para o que os outros faziam ou falavam:

- ... e falhou. Agora que ficou amiguinho, acha que pode me proibir de pensar em salvar a prisioneira?

Toph, enquanto permanecia sentada e longe desta discussão toda, ouviu a palavra no feminino. Ela interrompeu todos, levantando-se da pedra que estava sentada em um dos cantos da praça, falando:

- Prisioneir...A?

Todos olharam para a Toph e em seguida, olharam para Sokka, que havia parado de balançar o dedo e estava recuperando o fôlego. A turma o ficou encarando, esperando uma resposta, alguma explicação sobre o que ele queria disser. O garoto ficou extremamente vermelho e, agitando a mão e os braços de nervoso, devido ao medo de seus sentimentos fossem revelados, e sorrindo com um sorriso falso, ele desconversou:

- Eu disse prisioneira? Não, eu quis dizer prisioneiro.

Aang aproximou-se de Sokka, já que este havia se calado por um instante, e perguntou com o rosto triste por já desconfiar da resposta e do sentimento do amigo:

- Você não estava pensando na Suki, estava?

Sokka calou-se, desviando o olhar para o chão. Neste exato momento, Toph colocava seu pé ao chão, sentindo as vibrações que vinha dela, concentrando-se na parte de onde vinha a voz de Sokka. Ela sentia que a alteração da batida do coração de Sokka, ficando mais rápido. Sim, ela de Suki que ele estava falando. A garota abaixou a cabeça bem chateada, tentando esconder seu sentimento dos outros, virando o corpo e ficando de costas para todos.

- Todos nós temos alguém muito importante que queríamos termos juntos. Você não acha que eu gostaria de ter a Mai junto comigo aqui? – disse Zuko para Sokka, ainda com os braços cruzados.

- A sim, aquela doida de vestido preto que ficava jogando facas em mim! Sim, claro, ia ser super legal ela estar junto de nós – disse Sokka, cruzando também os seus braços, assim como o dobrador de fogo, olhando para ele.

Zuko controlou sua irritação com a resposta, respirando fundo e dando alguns segundos para que sua consciência voltasse a controlar o seu corpo. Em seguida, ele fechou os olhos e disse vagarosamente:

- Chega Sokka. Não iremos salvar ninguém, pelo menos por enquanto. Vocês não concordam?

Haru confirmou com a cabeça, coçando o seu bigodinho. O mesmo fez a Katara e o Aang. Toph fez um sinal de positivo, concordando com a idéia, sorrindo e feliz, na tentativa de fazer Sokka desistir da idéia, dizendo:

- Nós já conseguimos dar conta do recado!

Sokka pensou, silenciando-se e olhando para o rosto de todos que ali estavam:

- Vocês estão todos errados. Eu farei isso, mesmo que eu tenha que fazer tudo sozinho.

Em seguida ele respondeu com um enorme sorriso, mas um sorriso fingido e falso, que mais parecia uma piada:

- Claro, concordo!

As vibrações de sua palavra viajaram pelo chão, junto com as vibrações de sua respiração e outros dados, sendo captado pelos pés sensíveis de Toph. Ela pode perceber a desconexão entre o que sentia e o que dizia.

Todos que estava ali, agora suspirando mais aliviados, acreditaram em suas palavras, menos Toph, que sabia que ele mentia.