Quero mandar um abração e dedicar este capítulo à Sarah, quem me incentivou muito para continuar esta história com as palavras dela. Depois de le-las fiquei pensando um tempão até que tive uma ideia de como continuar. Beijinhos querida!
Legolas sentou-se em uma cadeira qualquer, seus olhos grudados em Aragorn. Gimli se jogou na cadeira ao lado e fez o mesmo.
-Aragorn, o que aconteceu? - Gimli indagou impaciente.
-Vocês sabem como depois da morte de Denethor, Pippin quis continuar seu trabalho como guarda da cidadela? - Arwen começou. Mas então parecia que as palavras lhe fugiram e ela olhou para o marido.
-O que tenho para lhes contar é terrível… Eu deveria ter esperado por todos vocês pois contar isso não sei quantas vezes é terrível demais.
-Eu sinto muito, - Legolas disse pousando sua mão branca no braço de Aragorn. - Mas tente só mais uma vez.
Aragorn suspirou, concordando com a cabeça.
-É claro. Vocês são os últimos também. Bem… Pippin...Pippin faleceu…
-O quê? - Gimli rugiu, levantando-se tão depressa que sua cadeira foi arremessada para trás.
Arwen trouxe a cadeira de volta e Gimli se desculpou.
-Isto não é o pior de tudo. - Aragorn baixou a cabeça, todos viram as lágrimas correrem em seu rosto. - Ele estava ficando velho, é verdade… Mas Pippin não morreu de causas naturais. Alguém… o matou.
Legolas sentiu o queixo cair e por um longo tempo não conseguia se mover, tão chocado que estava.
As lágrimas então começaram a cair e Legolas queria correr dali, mas não podia deixá-los agora. Seus lábios tremeram. Como elfo ele sabia manter uma máscara de serenidade que treinou durante milênios para mestrar, mas seu convívio com mortais e após ver tantos morrerem à seu lado mexeu com Legolas de uma forma que ele não era mais o mesmo. Ele conhecia muito bem agora os dois lados, o mundos dos mortais e imortais. Ele tentou controlar suas emoções mas era impossível. Tantas mortes de uma só vez durante a guerra deixou um vazio nele talvez jamais cicatrizasse, mas ter um amigo tão querido morrer nesta época de paz trouxe uma dor como Legolas jamais sentira antes. A dor de uma perda sem sentido, inesperada. Ele sentiu-se flutuar e viu que Aragorn o havia puxado da cadeira e o abraçado, envergonhado por sua fraqueza Legolas se desvencilhou murmurando que ele estava bem. O salão pareceu ir se silenciando e ao longe ele ouviu a voz de Arwen gritar:
-Legolas!
Legolas abriu os olhos e piscou. O teto não lhe era familiar, ele não parecia estar em Ithilien. Ele então viu o rosto de Aragorn aparecer em seu campo de visão.
-Isso é embaraçoso, - ele disse. - Eu desmaiei?
Aragorn não pode deixar de sorrir. Logo outra cabeça se juntou à primeira, era Elrond, Lorde de Valfenda, pai adotivo de Estel e um dos maiores curandeiros que já existiu.
-Lorde Elrond! - Legolas tentou sentar-se depressa mas ele sentiu tudo escurecer.
-Legolas, por favor, fique à vontade. - Elrond pressionou-o de volta à cama. - Você está um pouco fraco.
Ele virou a cabeça, seguindo Elrond com o olhar enquanto o alto Lorde Élfo se afastou da cama e observou ele voltar com uma cadeira que colocou bem perto do leito de seu paciente.
-Legolas… Eu notei uma sombra escura sob seus olhos… Você está sofrendo de algum mal? Talvez a vontade de cruzar o mar tenha lhe tomado?
Legolas manteve os olhos fixos em Elrond, evitando olhar para Estel à todo custo. Este se moveu desconfortavelmente:
-Legolas me prometeu não partir da Terra Média enquanto eu viver Ada…
-Estel… -O tom da voz de Elrond possuía um leve tom de repreendimento, mas ainda gentil como era a natureza do bondoso Meio-Elfo.
-Eu sei, perdão Ada… Legolas…
-Eu é que fiz essa promessa. - Legolas interrompeu. - Estel jamais me pediu nada.
-Mas você já fez tanto por mim. - Aragorn se sentou no fim da cama. - Eu não quero vê-lo sofrer Legolas.
-Você não poderá cumprir essa promessa se O Mar lhe chamar Legolas. - Elrond disse sério. - Se a vontade for grande e você resistir, irá enlouquecer.
-A vontade não é tão grande, - Legolas mentiu sem pensar.
-Então por que está assim, definhando? - Elrond indagou observando-o atentamente. Está com o coração partido talvez? Possui um amor não correspondido ou talvez foi abandonado por alguém que você ama, Legolas?
Legolas ruborizou e não sabia para onde olhar. Ele tinha mesmo de se desfazer da melhor desculpa para seu estado? Deveria ter dito que a vontade de viajar para Valinor era grande. Aquilo era humilhante.
-Legolas?
O Príncipe encarou o olhar preocupado do Rei e mal conseguiu sustentar o olhar. Aragorn o fitava com preocupação, tanta que quase lhe partiu o coração.
-Alguém lhe machucou? - Aragorn perguntou, agora um pouco nervoso.
Legolas procurou por alguma desculpa, algum mal que assaltava os elfos e se viu sem saída. Ele prontamente se descartara da explicação do anseio pelo mar então havia apenas uma saída, isso lhe faria passar como um fraco mas não havia solução. Ele não deixaria Aragorn com suspeitas ou até com remorso por seu estado.
-Me envergonho de dizer isso, mas… mas eu não consigo superar as tantas mortes que vi em tão pouco tempo. Eu não entendo…
-Oh… - Elrond sentou-se ao lado do elfo mais jovem e o abraçou, forçando a cabeça loira contra seu ombro. -Isso é normal para qualquer imortal. Quando meu irmão, Elros optou pela mortalidade eu pensei que não iria sobreviver. Você não precisará mais ver guerras e mortes Legolas, se optar por atravessar o mar.
O príncipe escapou do abraço repentinamente:
-Eu não vou partir. A Sociedade precisa estar reunida novamente, eu preciso estar aqui… por Pippin. - E ele olhou para Aragorn, seus olhos cheios de emoção pois Aragorn paralisou diante de tanta emoção. - Pelo Rei Elessar.
Elrond olho de Legolas para seu filho, e então para o elfo novamente.
O chá que Elrond fizera para Legolas tomar continha relaxantes que o fizeram dormir por quase um dia inteiro. Elladan e Elrohir ficaram observando Legolas por algumas horas em turnos e cada qual conseguira fazer com que Legolas comesse alguma coisa.
Durante a madrugada Legolas percebeu que estava sozinho em seu quarto na ala hospitalar.
O Príncipe acordou com um sobressalto. Uma sensação de perigo o despertou fazendo a sonolência das ervas desaparecer completamente. O quarto estava completamente escuro. As janelas estavam fechadas e o cheiro de velas recém apagadas era forte no ambiente. Ele olhou à volta enquanto seus olhos élficos tentavam se acostumar com a escuridão e enxergar em meio à ela.
Foi então que ele viu um vulto se mexer quase imperceptivelmente aos pés de sua cama. Ele planejou saltar para o lado direito de sua cama, agachar no chão e atravessar para o outro lado por baixo da cama, mas as ervas o deixaram lento e embora ele tenha despertado sua mente, seu corpo estava dormente. Legolas simplesmente caiu no chão, quase sem controle de seu próprio corpo. "Droga!" Ele pensou. Legolas rastejou para debaixo da cama mas uma mão forte pegou seu tornozelo. Ele usou a outra perna e juntando toda sua força, chutou a sombra com toda sua força o que pelo jeito não era muita pois o agressor logo o agarrou novamente.
É por isso que ninguém sabia o que acontecera à Pippin, o assassino estava ali mesmo, andando livremente pelo palácio e talvez todos o conhecessem e nem sequer desconfiavam!
Ele tinha que sobreviver para alertar aos outros.
Legolas vinha sentindo a vida partir de seu corpo, pouco à pouco mas com este perigo tão próximo tudo o que ele queria era proteger aqueles que ele amava. Ele não iria assistir mais ninguém morrer.
Neste instante a porta se abriu e ele reconheceu a silhueta de Arwen.
-Fuja! - Ele gritou com toda a força de seus pulmões. Ele viu a Rainha de Gondor hesitar entre ajudá-lo e ir buscar ajuda e ele temeu pelo pior. Ele estava tão dormente e fraco que não poderia salvá-la, e o pior de tudo, se ela ficasse ali ele teria de assistir ela ser morta. Legolas respirou aliviado quando Arwen por fim decidiu ir buscar ajuda, ou ao menos correra dali, pois conhecendo como ela era bem que a Rainha poderia ter ido buscar alguma arma e não ter ido gritar por socorro.
Com a distração oferecida por ela, Legolas fora solto e conseguira rastejar por debaixo da cama e um bom pedaço do quarto. Quando ele sentiu mãos em seus ombros, ele agarrou uma mesinha e com toda força que conseguiu reunir lançou-a contra seu agressor que ainda continuava negro como uma sombra.
Finalmente ele conseguiu algum resultado e o golpe atordoou o assassino, ele soltou um leve grunhido trazendo à Legolas a certeza de que ele era um homem.
Legolas se levantou e fechou o punho, levando direto ao rosto de seu adversário. A figura caiu mas Legolas perdeu seu equilíbrio e xingando-se a si mesmo ele quase caiu.
Ele ouviu passos correndo até o quarto e tentou se arremessar para cima do assassino para prendê-lo a li, mas este o agarrou pela gola e lhe deu diversos murros seguidos fazendo Legolas ver estrelas. Ele tentou agredir o invasor novamente mas então sentiu uma pontada dolorida em seu peito. Legolas caiu e com um último esforço tentou olhar para a janela. Esta se abria agora e a sombra pulou para fora. Tudo ficou escuro….e gelado…
Muito obrigada pela sua compania.
Se puder comentem, façam autores gratuítos de fics e histórias se alimentarem com seus comentários, vocês são a inspiração! E escreva também, não tem viagem melhor! Não tem aquela vez que você vai ao cinema e quer beliscar o diretor pelo roteiro ter sido tão ruim? Pois é, escrevendo a história sempre será boa para você pois você leva seu 'filme' aonde você quiser!
Amuuuuuuuu vocês, obrigada, obrigada.
