SoundTrack – Linkin Park "Shadow of the day"

Nota - DarkLemon, ou seja, sexo explícito entre dois homens, mas não totalmente consensual por uma das partes.

~ Antes da Lua e do Sol ~

~ Parte 2 ~

Caiu na terra. Não se conseguia levantar mais. Chegara ao fim das suas forças. Viu as sandálias pretas e a capa preta com nuvens vermelhas aproximarem-se de si. Mas tudo ficou negro antes mesmo de ter tempo para pensar que ia morrer.

Sasuke fora ali, lutara contra Naruto. Ele queria matá-lo. Mas quantas vezes fizera o mesmo? Quantas vezes fora até Naruto para o matar e não conseguira? Desde os dezasseis anos que aquilo se repetia. Ele tentava, levava o louro à exaustão e até quase à morte, mas acaba por nunca lhe dar o golpe final. Dois anos depois… e o fim de uma nova luta… Naruto novamente no chão totalmente inconsciente… e ele em pé com a arma na mão… com forças suficientes para dar o golpe final… mas…

A mão começava a tremer. Alguma coisa no seu interior, enquanto olhava para a vítima inconsciente, o fazia recuar completamente aterrado. Então os olhos de Naruto abriram-se, embora vidrados, o seu corpo moveu-se para o lado e o louro começou a vomitar sangue. A horripilante imagem de Naruto a vomitar uma imensidade de liquido vermelho repetiu-se três vezes até o corpo ficar novamente imóvel, enterrado no próprio sangue.

O Uchiha aproximou-se para se certificar que Naruto continuava inconsciente, então num gesto involuntário, e quase desacordado, o moreno agarrou no corpo do louro, colocou-o às suas costas carregando-o para outro lado, talvez para o entregar ao seu aliado por obrigação, o Madara.

oOo

O seu corpo já não doía, mas sentia-se totalmente mole e sem forças, cansado. Sentia que alguém lhe passava qualquer coisa, fria e pestilenta, por certas partes do corpo que cheirava a remédio. Os seus olhos estavam pesados e ele abriu-os lentamente. Era de noite. Estava ao ar livre. Via as copas das árvores e via as estrelas lá em cima no céu.

- Sempre tiveste uma habilidade enorme para curar as feridas, não é, Naruto?

Assustou-se. Tinha Sasuke, mesmo ao seu lado, um pouco inclinado sobre si. Reparou que estava em tronco nu. A mão de Sasuke passeava pelo seu corpo segurando um pano molhado num remédio pegajoso e frio que se impregnava na pele e fazia aliviar as dores das mazelas que tinha pelo corpo todo.

- Sa…Sasuke, que estás a fazer? – A voz saiu-lhe débil e murmurada. Ainda se sentia cansado e fraco. Porque estaria Sasuke a tratar-lhe as feridas quando fora ele mesmo que as fizera?

- Pergunta estúpida, Naruto! Sabes bem o que estou a fazer.

- Pará! Afasta-te! – Empurrou Sasuke querendo que este tivesse o mais longe dele possível. Sasuke rosnou e agarrou-lhe os pulsos colocando-os presos mesmo por cima da cabeça de Naruto, prendendo o louro com o seu corpo.

Os dois tinham agora 18 anos e as coisas tinham mudado drasticamente desde que Sasuke se juntara à Akatsuki. As guerras tinham dizimado as terras ninjas, muitas pessoas tinham morrido, muitos amigos tombados, muitos às mãos de Sasuke. As Alianças tinham falhado e o mundo estava mergulhado em tom sombrio e de desconfiança, estavam longe dos tempos áureos da luz. Longe das suas infâncias solitárias, mas em paz.

Eles próprios tinham se confrontado vezes sem conta. E essa conta perdera-se. Perdera-se a conta às vezes em que se tinham encontrado e combatido. E de todas essas vezes Naruto sempre saíra inconsciente e, incrivelmente, vivo. Por isso queria ter uma resposta para uma pergunta: porque deixava, Sasuke, Naruto vivo uma vez que vencia sempre? Era para ter esta resposta que o louro nunca dizia não a uma luta. Até que um dia cansara-se. Estava cansado daquelas batalhas constantes que tinham sempre o mesmo fim: ele inconsciente, ele retomando a consciência e ainda vivo. Afinal para que tinha servido a batalha?

Naruto mudara. Agora começava a questionar se valia a pena continuar a perseguir uma pessoa que estava constantemente a tentar matá-lo. Se valia a pena sofrer e fazer sofrer as pessoas à sua volta só por ter a ideia fixa de que iria salvar o amigo. Mas que amigo era aquele? Sasuke já não devia saber o significado da amizade. Ele fechara-se naquela escuridão e nunca saíra de lá. Nem uma única vez de todas as vezes que Naruto tentara.

- Solta-me! – Ordenou Naruto tentado soltar-se. – Sai de cima de mim.

- Não. Eu quero relembrar o passado. – Sasuke agarrou ainda mais fortemente Naruto debaixo de si.

- Relembrar o passado? – Naruto não compreendeu.

- Isto… - Viu Sasuke colar os seus lábios aos seus.

Relembrar? Oh! Sim! Eles tinham tido uma noite. Uma única noite. Uma noite que Naruto quisera enterrar na sua cabeça para sempre. Fora uma noite de experiencias. Uma noite embaraçosa, uma noite vergonhosa. Depois de uma das muitas batalhas. A coisa tinha virado. Ele ainda não sabia muito bem porquê. Lembrava-se da chuva, da pedra dura debaixo dos seus pés. De ser agarrado quando estava no fim das forças. E no momento em que pensou que vinha um novo ataque os lábios juntaram-se. Línguas serpenteantes. Corpos suados e unidos. Uma noite de sexo. No dia seguinte, num silêncio mortal, acordou sozinho e manteve a esperança de esquecer o que se passara. Ele não era nada daquilo. Fora apenas uma experiencia para esquecer. Mais um segredo que ficara entre os dois.

Sasuke cortou o beijo.

- Vamos, Naruto, abre a tua boca para que eu possa saborear a tua língua. – Murmurou o moreno ao ouvido do seu ex-amigo, lambendo os seus lábios.

- Solta-me! Deixa-me! – Naruto puxou os seus pulsos, tentado soltar-se, e tentou usar as pernas para tirar Sasuke de cima de si, mas estava demasiado fraco e as suas tentativas saíam inglórias.

- Não vale a pena lutares. Eu vou entrar em ti de qualquer forma.

- Larga-me!

- Não. – Atacou novamente os lábios do louro, desta vez com força. E usando os dentes, fez Naruto abrir a boca. Entrou com a sua língua e saboreou a boca do louro. A boca ainda sabia um pouco a sangue de sabor metalizado.

Uzumaki continuava a contorcer-se debaixo do corpo de Sasuke. Aquele Uchiha era uma merda de homem. Ia usar o estado de fraqueza, que nem chakra podia usar, e ia violentá-lo. Apesar de tentar libertar os seus pulsos e soltar-se do corpo de Sasuke, Naruto, tinha consciência que aquilo não estava a resultar.

Sentiu um raio percorrer-lhe o corpo todo que o deixou momentaneamente paralisado.

- Se não parares de te mexer é isto que vai acontecer. – Ameaçou Sasuke.

Olhou-o de esguelha. Porque estava Sasuke a fazer aquilo? Já o tinha conseguido derrotar porque não o tinha simplesmente morto? Ou porque é que não o tinha levado a Madara? Não era isso que a Akatsuki queria? O seu bijuu?

- Agora mantém-te quietinho e sê um menino obediente. - Lentamente Sasuke soltou-lhe os pulsos e desceu a sua língua pela linha do pescoço do louro.

Naruto queria gritar para que ele parasse. Mas na sua garganta começava a formar-se um bolo que o impedia sequer de respirar. A boca de Sasuke atacou o seu mamilo direito sugando e lambendo. E o louro, mesmo não querendo, gemeu e ficou um pouco mais lúcido.

- Deixa-me. – Pediu.

- Só se implorares. – Foi a resposta seguida de uma mordidela na zona rija e extremamente sensível do mamilo. A outra mão agarrou o outro mamilo massajando-o e apertando-o. Sasuke foi descendo indo lamber os abominais de seguida, mas deixando as suas mãos a massajar os mamilos já sensíveis. Naruto voltou a gemer.

Implorar? Não! Nunca! Nunca faria algo assim. Isso seria extremamente vergonhoso e só daria ainda mais prazer a Sasuke se o fizesse. Seria rebaixar-se perante um homem nojento e sem escrúpulos. Sentiu as lágrimas encherem-lhe os olhos. Ele não queria aquilo, mas o seu corpo estava a agir de uma forma completamente contraria ao seu pensamento. As investidas de Sasuke estavam a fazer com que o seu corpo aquecesse mesmo contra a sua vontade. Sentia arrepios por todo o corpo que iam em direcção ao local localizado entre as virilhas.

Era para esse mesmo local para onde a língua de Sasuke se dirigia também, e percebendo isso Naruto fechou as pernas, reparando que os seus movimentos estavam pesados e difíceis de realizar. Sasuke sorriu cinicamente perante a ousadia de Naruto em enfrentar a sua vontade. Elevando-se olhou para Naruto e colocou uma mão mesmo por cima da protuberância que já existia nas calças de Naruto. O louro estava a ficar duro rapidamente.

- Achas que me consegues resistir Naruto? – Perguntou apertando o membro.

- Não… - Gemeu Naruto.

- Não, o quê?

- Pára com isto.

- És demasiado bom para que eu pare. – Disse lambendo os lábios. Mexeu os dedos e abriu as calças do louro. Puxou as calças.

Naruto levantou as mãos e agarrou na mão de Sasuke, que puxava a suas calças, tentando parar o avanço do moreno. Mas Sasuke facilmente afastou as mãos do louro da sua tarefa de despir por o completo Naruto, e agarrou nas mãos dele para que não o voltasse a deter. Mas Naruto não queria desistir, mesmo com a dormência em que o seu corpo estava devido ao choque que levara, começou a contorcer-se no chão.

Levou um novo choque, que o deixou quieto.

- Eu avisei-te. – Falou Sasuke conseguindo retirar as calças e os boxers por completo, deixando o louro completamente nu. De momento Naruto só conseguia deixar as suas lágrimas cair, pois as suas cordas vocais estavam coladas à garganta, demasiado chocado.

Sasuke abriu-lhe as pernas e posicionou-se entre elas. Agarrou no membro e bombeou-o, afastando um pouco os efeitos do choque do corpo de Naruto. Depois baixou-se esticando-se no chão e abocanhou completamente o pénis de Naruto sugando-o fortemente. Naruto gemeu alto, parecendo um pouco um guincho de dor. Com a mão livre brincava com as bolas do louro.

Naruto sentia-se a ser comido, engolido. O seu corpo era percorrido por arrepios que o faziam o seu corpo estremecer e aquecer tanto que em pouco tempo estaria a transpirara muito. Aquelas sensações não lhe eram estranhas, mas quem o costumava levar aquele ponto era a mulher da sua vida, e não aquele bastardo moreno que o magoava vezes sem contas e a quem ele, Naruto, não conseguia despregar a mão. Continuava ligado a Sasuke.

Mas estava errado que aquelas sensações (que lhe davam tanto prazer) estivessem a ser roubadas por Sasuke. Esse momento que não era dele, mas só e exclusivo da esposa do louro. Sim, Naruto casara. Com o medo da guerra iminente ele quis aproveitar todos os momentos que conseguia para estar ao lado da pessoa que amava, portanto casara, para que a pudesse ter sempre junto a si, quando regressasse a casa. Para aproveitar cada momento como fosse o último, pois não saberia nunca quando seria a ultima vez que se veriam.

- Sakura… - Gemeu Naruto. Sasuke tirou o membro de Naruto de dentro da sua boca, depois agarrou-o com fúria e apertou-o. – AAAAHHHH! – Gritou o louro de dor. Depois levou um murro na cara, e quando voltou a abrir os olhos, Sasuke, que ainda tinha a mão no seu membro, olhava-o com os olhos cheios de ódio.

- Se voltas a falar dessa puta… - Apertou novamente o membro de Naruto causando-lhe muita dor, deixando claro a Naruto o que faria se ele voltasse a chamar por Sakura. Voltou a abocanhar o membro de Naruto, tendo muito prazer por passar os dentes sobre o corpo do pénis.

Puta!? Sakura não era nada disso. Sakura era a mulher que ele amava. A mulher que estava ao seu lado. Ali quem era "puta" era Sasuke e não Sakura! Mas não disse nada, não queria mais dor, queria que aquilo acabasse de uma vez por todas.

Foi sugado e os seus pensamentos de raiva contra Sasuke saíram-lhe da mente. Sasuke reparou que Naruto estava prestes a chegar ao clímax, e ele não queria que isso acontecesse, pelo menos não naquela altura, ainda era cedo, por isso elevou-se deixando de beijar, sugar, lamber e até de mordiscar o membro do louro.

Sasuke obrigou-o a rebolar rapidamente no chão, e sem qualquer tipo de cuidado, Naruto caiu de barriga, com o corpo completamente nu, na terra e na erva acabando por esmagar o próprio membro erecto e duro. Viu-se naquele momento livre das mãos de Sasuke, mas a dor que sentia no seu pénis por ter caído em cima dele não o deixou movimentar-se. Depressa Sasuke agarrava no seu braço esquerdo torcendo-o um pouco para trás das costas, impossibilitando-o de fugir, enquanto obrigava o louro a abrir as pernas. Mesmo estando completamente esparramado no chão e com o pénis esmagado entre o chão e o seu corpo, de pernas abertas a sua abertura ficou mais visível e apenas lambendo os dedos, Sasuke, penetrou-o com dois deles.

- AAAHHH! NÃO! PÁRA! – Naruto estava completamente lavado em lágrimas. Aquilo doía muito. – PÁRA!

Mas Sasuke não o ouvia. Não queria saber. Remexia os dedos no interior de Naruto, fazendo movimentos circulares, alargando a entrada e sentindo como era aquilo lá dentro, quente e apertado.

O louro gemeu. A dor começava gradualmente a desaparecer e ele começou a tremer de prazer. Como podia? Como podia estar a sentir prazer numa situação daquelas? Sasuke colocou um terceiro dedo. Naruto tornou a gritar, a sua entrada alargou ainda mais, e o moreno começou a fazer entrar e sair os seus dedos.

- PÁRA! – Gritou o louro em desespero. – CHEGA!

- Tens razão, já chega. – Concordou Sasuke retirando os seus dedos do interior de Naruto. – Está na hora de aprofundar a coisa. – Soltou o braço de Naruto. – Vamos Naruto, coloca-te de quatro.

- Não!

- JÁ! – Agressivo bateu na nádega direita com força de Naruto, que com a dor involuntariamente levantou um pouco o rabo. Foi o suficiente para que Sasuke conseguisse colocar um braço à volta da anca do louro, puxando-o para cima, enquanto a outra mão puxava os cabelos de Naruto, acabando assim por meter Naruto numa posição tipo cão. Agarrou novamente o braço de Naruto e desapertou as calças rapidamente, metendo para fora o seu membro bastante erecto e duro.

- Não o faças! – Pediu Naruto chorando debilmente olhando por cima do ombro do braço que estava para trás das suas costas, vendo Sasuke massajar o próprio pénis.

- Cala-te! – Ordenou o moreno.

Antes de penetrar Naruto, Sasuke passou o seu pénis por cima da entrada pulsante e já bastante lubrificada do louro, fazendo um movimento de vai e vem, e roubando gemidos ao louro que ainda tentava controlar as emoções do seu corpo. Ele não queria sentir prazer num acto tão nojento como aquele. Mas estava a ser vencido na sua teimosia. Pois se a sua mente lhe gritava que não queria nada daquilo o corpo estava quente e em brasa querendo ser completamente possuído.

E o Uchiha não teve misericórdia alinhando o seu membro com a entrada de Naruto, ele não esperou entrando completamente inteiro e duro.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH HHHHHHH! – Estava a ser rasgado. Era essa a sensação que Naruto tinha. – NÃO! NÃO! NÃO! – Sasuke nem esperou que o corpo de Naruto se adaptasse ao seu membro para começar as estocadas, que começaram lentas, mas que foram aumentando de ritmo à medida que as paredes do ânus se abriam.

Sasuke soltou o braço de Naruto, que teve assim a oportunidade de se equilibrar melhor, uma vez que todo ele termia e continuava a gritar não se percebendo se era de dor ou de prazer, talvez fosse um misto das duas coisas. Colocando-se imperialmente sobre o corpo do louro levou a sua mão até ao membro de Naruto bombeando-o e levando-o a ficar ainda mais duro.

Por fim, Naruto, embora continua-se a gritar gemidos já não falava. Talvez tivesse ficado sem palavras, talvez tivesse perdido a razão e os pensamentos, para por fim se entregar à situação. Com a outra mão livre o moreno massajou o mamilo direito do louro, deixando por momentos, que este sustentasse o peso do seu corpo.

Mas estava rapidamente a chegar o ápice e deixando de acariciar Naruto aumentou as estocadas da penetração agarrando nas ancas do louro e impondo ritmo. Naruto gritou quando sentiu todo o seu âmago rebentar e deitou fora todo o seu sémen para o chão e até mesmo para o seu peito. Sasuke mantinha as estocadas bem fundas no seu interior, até que parou e explodiu no interior do corpo do louro. Ambos caíram, com Sasuke ficando mesmo por cima de Naruto, que levado à exaustão acabou por desmaiar.

Explodiu no interior do louro e sem forças tombou sobre o seu corpo. O seu coração acelerado batia que nem um tambor no seu peito. Ficou parado uns instantes tentado colocar os seus pensamentos lúcidos e os seus olhos focados. Levantou-se um pouco para ver o rosto de Naruto. Ele perdera a consciência. Ficou paralisado a olhar os traços ainda duros do louro, e sentiu no seu interior algo rachar-se ao meio. O seu coração doía. A sua mente estalava.

Retirou-se do interior de Naruto e afastou-se rapidamente ficando de joelhos a observar o corpo nu de Naruto cheio de mazelas da luta e talvez daquilo que acabara de lhe fazer.

Ele fizera aquilo. A vergonha apoderou-se dele. Os seus olhos vislumbraram as próprias mãos trémulas. Sentiu-se enojado consigo mesmo, mais uma vez deixara-se levar pelo que sentia tão ardente e secretamente no seu interior. Porque fizera aquilo? Voltara a falhar. Mais uma vez. Bater e magoar era uma coisa, aquilo era outra, e matar era ainda mais outra.

Quando abriu os olhos, viu-se deitado na grama, já vestido. Teria sido um sonho. Não todo o seu corpo gritava de dor. Á sua frente Sasuke vestia a capa negra da Akatsuki. Os olhos negros fitaram os olhos azuis como o céu de Verão ao ver que Naruto recuperara a consciência.

- PORQUÊ? – Gritou Naruto sentando-se no chão. O seu corpo foi percorrido por um raio de dor.

- Porquê o quê? Queres uma resposta para o que acabou de acontecer? Nada de mais Naruto. Estava frustrado. E à falta de uma mulher, tu estavas aqui. – Respondeu Sasuke.

Frustrado? Era só por isso? Era por isso que o deixara vivo desta vez? E das outras? Porquê? Porque fizera aquilo? Apenas por estar frustrado? Não… ele não compreendia… aquilo não era uma resposta… A raiva cresceu no interior de Naruto. Os seus punhos fecharam-se e os seus dedos vincaram a própria carne. Levantou-se de repente apesar das dores intensas que sentia no interior e no exterior do seu corpo e correu em direcção a Sasuke querendo socá-lo. Mas continuava fraco e Sasuke agarrou-lhe facilmente a mão, e puxou-o para si. Os olhos ficaram focados uns nos outros.

- Isto é um aviso. – A voz de Sasuke estava terrivelmente baixa. – Da próxima vez que nos virmos, demore o tempo que demorar, eu já não serei o mesmo. Esta era a minha última oportunidade de te capturar. Quando nos voltarmos a ver, ou matar-te-ei, ou tu terás de me matar.

Soltou Naruto com brusquidão, deixando-o cair de joelhos no meio da grama. Virou-se. E Naruto viu-lhe as costas cheias de nuvens vermelhas.

- Tentarei com que passe bastante tempo, assim pode ser que consigas treinar, e nesse dia pode ser que consigas vencer aquilo em que me transformarei.

Naruto foi surpreendido por aquelas palavras. Que queriam dizer? Que tom de promessa era aquele? Que se passava? Sasuke saltou e desapareceu da sua vista. Gritou batendo com raiva no chão. Pela primeira vez sentiu ódio por Sasuke, queria desfaze-lo.

OoO

Sakura estava na entrada de Konoha fazendo mais uma das suas rondas para pedir a actualização de actividade para poder entregar um relatório a Tsunade. No seu estado actual ela não fazia muito mais que isso. Pequenos trabalhos que a mantinham minimamente ocupada.

O seu estado actual. Ainda não tivera a oportunidade de contar a boa novidade a Naruto. Imaginava-o a saltar por toda a Konoha apregoando a boa nova. Ele que sempre vivera sozinho e sem família. Mas ele ainda não regressara da última missão que lhe tinha sido dada, e aquela hora Uzumaki Sakura começava a ficar bastante preocupada com a demora no regresso do marido. Teria sido atacado? Teria acontecido alguma coisa? Ela começava a ficar bastante ansiosa.

Cumprimentou os ninjas que se encontravam na barraquinha a vigiar as entradas e saídas da vila de Konoha e estes relataram-lhe os movimentos dessa manhã. Mais um grupo chegara a Konoha para pedir protecção aos ninjas. Embora a guerra ainda estivesse fora das fronteiras do Pais do Fogo as populações estavam inseguras, sabendo que a qualquer momento a guerra lhes podia a chegar às terras e a qualquer rumor disso iam até Konoha pedir protecção. Na hora da guerra, Sakura sabia que nenhum ninja podia proteger populações pois estariam a lutar no campo da guerra. Suspirou, tentando ter esperança de que a guerra nunca chegasse até ali.

Naruto era agora um Anbu, mais precisamente um assassino especializado. Assim ele andava protegido contra aqueles que o queriam capturar. Além de andar mascarado e constantemente de um lado para o outro, ele tinha diversas identidades, e assim era difícil de o localizar, quase mesmo impossível. Sendo que o único que o localizava facilmente era Sasuke. E era desse que Sakura tinha receio. Tinha receio que Sasuke aparecesse de repente e lhe levasse Naruto de vez. Até ali tinha tido sorte. Naruto conseguira regressar sempre, mas até quando é que sorte duraria?

Sentiu uma presença meio descontrolada e abalada que se parecia com a essência de Naruto. Virando-se para a porta, Sakura viu-o. Meio cambaleante, no meio da estrada. Alguma coisa tinha corrido mal, ela pressentiu, a entrada de Anbus não era por ali. E correu até Naruto. Ele nem a máscara tinha, apenas estava fardado. Sem pensar muito levantou-lhe um braço e obrigou-o a apoiar-se nela. Deuses! Tinha que o levar para o hospital de imediato, pois ele mal se aguentava em pé, e muito ela gostaria de saber como é que ele ficara assim.

- Sakura? – Ouviu-o murmurar de voz arfante.

O que se passara? O que acontecera?

Andavam devagar em direcção à vila, os ninjas da entrada também já corriam para os ajudar compreendendo que algo não estava nada bem. Mas então o louro tropeçou nos próprios pés e sem que Sakura o conseguisse agarrar a tempo estatelou-se no chão.

- Sakura. – Tornou a murmurar o louro. Agachou-se ao seu lado, agarrando-lhe uma mão, sabendo que ele reconheceria o toque. Ele estava agitado e em choque, os seus olhos apesar de abertos não se fixavam em lado nenhum, estava completamente desorientado. Provavelmente chegara a Konoha apenas porque o seu corpo já conhecia o caminho.

- Eu estou aqui, Naruto. – Disse-lhe. – VENHAM DEPRESSA! – Gritou para os ninjas do portão que estavam a demorar bastante.

- Sakura… – Murmurou novamente Naruto.

- Eu estou mesmo aqui. – Acariciou-lhe a cara, beijou-lhe a testa, ao mesmo tempo que achava que os ninjas estavam a demorar muito tempo. Enquanto ela tentava controlar o desespero que crescia dentro do peito.

- Sakura… eu desisto… de Sasuke… - Sentenciou Naruto, acabando por cair na inconsciência logo a seguir. Sakura arrepiou-se quase sabendo que o estado do marido se devia a um confronto contra Sasuke. Por fim, os ninjas chegaram, eles tinham afinal voltado atrás para apanharem uma maca, para o poderem transportar.

Horas mais tarde, Sakura começava a saber o que era ser um familiar de um paciente à espera num hospital. Apesar de ser médica, como estava temporariamente de licença não podia estar lá dentro com o marido, que se encontrava a ser tratado por Ino. Não era a única que espera, na verdade, os pais de Sakura e muitos dos amigos de Naruto, aqueles que ainda estavam vivos, tinham ido até ali para saber o que se passara com Naruto. Mas ainda ninguém sabia muito bem, embora pudessem concluir quem fora o autor que colocara Naruto em K.O., pois só havia uma pessoa que podia medir forças com Naruto, e essa pessoa era Uchiha Sasuke. O ódio contra essa figura já era bastante. Todos se tinham segurado para não irem em perseguição do Uchiha porque Naruto lhes pedira para ser ele a tratar do assunto. Mas agora se alguma coisa de mal acontecesse a Uzumaki Naruto a fúria de Konoha ia ser desencadeada.

A porta da UCI (Unidade de Cuidados Intensivos) abriu-se finalmente e Ino e a sua equipa saíram. Todos se levantaram, todos se meteram extremamente direitos, esperando silenciosamente que a médica dissesse o que se passava.

- Naruto está bem. Tudo ficará bem. – Anunciou. Urros soaram pela sala de espera. Amigos abraçaram-se, houve beijos e sorrisos, até houve quem dançasse. E no meio da confusão Sakura permitiu-se finalmente a descansar. Ino aproximou-se dela e abraçou-a.

- Vem comigo. Á outra coisa que precisas de saber. – Murmurou Ino ao ouvido de Sakura. Soltou Sakura e fazendo um gesto com a cabeça indicando-lhe para que a seguisse, levando até um dos consultórios médicos.

- O que se passa Ino? – Perguntou Sakura mal se encontraram sozinhas. – É com Naruto, não é? O que é que tu não contaste ali fora? Tu disseste que ele estava bem.

- Sakura ele disse alguma coisa antes de cair inconsciente? – Questionou Ino.

- Disse que ia desistir de Sasuke. – Respondeu Sakura achando aquilo tudo muito estranho. Desde o anúncio de Naruto ao dizer que ia desistir de Sasuke até à pergunta de Ino, que naquele momento já começava a tirar as suas conclusões embora não as anunciando em voz alta. – O que se passa Ino? O que é que Naruto tem?

- Fisicamente, quase nada. Mentalmente eu não sei como poderá vir a ficar…

- Pará de enrolar! – Gritou Sakura perdendo o controlo dos seus nervos. – Fala de uma vez!

- Sakura, os testes não foram conclusivos, o corpo de Naruto cicatriza demasiado depressa, mas…

- Fala…

- Nós achamos que Naruto foi vítima de violação. – Comunicou Ino. – Mas agora só ele é que poderá dizer o que é que se passou realmente.

Sakura ficou em choque, em tremendo choque. Violado? Quem fora o patife que lhe fizera tamanha barbaridade? Sentiu uma tontura e ia caindo, não fosse Ino ampará-la e obrigá-la a sentar-se numa cadeira. Todo o seu corpo tremia. Ino mexeu-se rapidamente e mandou um enfermeiro trazer um calmante natural. Em momentos, Sakura engolia um pequeno comprimido que lhe acalmaria os nervos e tragou por completo o copo de água. Á saída do enfermeiro, e sentindo que já podia voltar a falar, Sakura perguntou:

- Vio… violado? De certeza? – Queria ter apenas a certeza, não fosse ter ouvido mal, até que tinha esperança nisso.

- Como disse, os testes foram inconclusivos, pois o corpo de Naruto cicatriza muito depressa, mas nós acreditamos que sim. Ele tinha muitas mazelas.

- Deuses! Tu achas que… o Sasuke…? – Olhou para Ino, sem ter que falar mais pois esta já abanava a cabeça confirmando-lhe que sim. – Que nojento… covarde… porco… – Sakura desatou a chorar e Ino abraçou-a.

- Por favor, Sakura, controla-te! Agora tens que ser forte por Naruto. Ele precisa de ti. – Pediu Ino. Sakura engoliu todos os soluços. A amiga tinha razão. Naruto precisava dela, assim como ela, precisava de Naruto.

oOo

Sentia-se confortável. Estava numa cama mole. Ele conhecia a moleza do colchão e o cheiro dos lençóis que o cobriam. Alguém lhe agarrava na mão, alguém que estava aninhado contra si. Não precisava de pensar muito para saber quem era. O que acontecera? Ele não devia estar numa missão? Ele não ia matar um homem contrabandista qualquer? Então como é que estava a acordar em casa?

Então a sua mente foi percorrida por memórias de tudo. Do encontro com Sasuke a meio da sua missão. Da luta e então de tudo o que se passara depois. Abriu os olhos, que até ali mantivera fechados, pois sentia-os pesados. Sentou-se em pânico, acordando bruscamente Sakura, que era quem descansava ao seu lado. Agarrou na sua cabeça, enterrando os dedos no próprio cabelo. Queria que aquelas imagens parassem dentro da sua cabeça.

- Pára! Pára! Pára! – Implorava de forma sussurrada um pouco alienado. Os seus olhos encheram-se de lágrimas. A sua pele queimava ao sentir que todo o toque ainda permanecia sobre ela, na sua boca, no seu interior. O seu coração batia com tanta força que lhe fazia doer o peito.

- Naruto. – Chamou Sakura tentando tocar-lhe na cara.

- NÃO ME TOQUES! – Berrou Naruto em desespero, gemendo de seguida e escondendo a cara atrás das mãos.

- Querido, sou eu. – Tentou falar de forma calma e serena com ele. Pelos olhos de Naruto pode perceber que ele estava em pânico, e que por isso se encontrava completamente desnorteado. Já tinha sido avisada que o marido podia ter aquele tipo de ataques de pânico e desespero, e que eles podiam vir do nada. Aquele era o primeiro ataque. E ele vinha confirmar a Sakura que Naruto passara pela pior situação de todas. - Está tudo bem agora. Sou só eu, a Sakura. – Colocou-lhe uma mão nas costas. Naruto ficou momentaneamente petrificado, mas depois relaxou com um sonoro suspiro. Sakura abraçou-o contra o seu peito. Ouviu-o arfar e depois soltar o ar, suspirando.

- Sakura. – Murmurou o louro desfazendo o abraço quando se acalmou e olhando para os olhos verdes da mulher e dando-lhe a mão, querendo sentir aquele toque, precisando dele para se sentir seguro. Já era de manhã. Eles estavam no apartamento que os pais de Sakura lhes tinham oferecido aquando do casamento. Mais concretamente no quarto deles onde a luz do sol já entrava pelas janelas.

- Desculpa. – Pediu Naruto. Sakura abanou a cabeça.

- Não tens de pedir desculpa por nada, Naruto, absolutamente nada.

- Há quanto tempo estou em Konoha?

- Há dois dias. Eu pedi à Ino para te trazer para casa. Tens estado medicado para dormires e repousares. – Contou-lhe Sakura. Viu os olhos da esposa encherem-se lentamente de lágrimas, lágrimas essas que ela não queria mostrar, pois tinha que ser forte por ele, mas era difícil controlar as emoções de presente.

- Sakura eu… precisas de saber que…

- Não precisas de dizer nada, Naruto, eu sei de tudo. Sei o que esse cabrão te fez. E ele vai pagar. Vai pagar. – Dizia-lhe ela apertando-lhe a mão, com lágrimas e raiva no olhar. – Vamos matar esse aborto da natureza.

- Não Sakura. Eu não quero isso. – Contrariou Naruto, com uma serenidade tal que arrepiava qualquer um. Ele estava surpreendido. Apesar de Sakura lhe dizer constantemente para parar de lutar contra Sasuke, ela nunca lhe chamara nomes, muito pelo contrário sempre o tratara com respeito. E muito menos desejou a morte do Uchiha. – Eu quero apenas que ele morra longe. Que morra bem longe. – Uma lágrima caiu-lhe pela face. Ela abraçou-o fortemente e durante muito tempo permaneceram agarrados, chorando no ombro um do outro.

- Naruto há outra coisa que tens que saber. – Disse Sakura afastando-se um pouco de Naruto, e sorrindo levemente quando ele mostrava o semblante carregado de preocupação. – Não é preciso fazeres essa cara. É uma coisa boa.

- O que é que se passou?

Não sabendo muito bem como contar a Naruto agarrou-lhe na mão e puxou-a até a pousar no seu próprio ventre. Os olhos azuis ainda avermelhados das lágrimas arregalaram-se.

- Sa… Sa… Sakura? – Gaguejou Naruto, endireitando-se bastante, olhando ora para Sakura ora para a sua mão pousada sobre o ventre dela, mas o seu cérebro estava a fazer curto-circuito pois apesar de saber o que tudo aquilo queria dizer, era como se lhe tivesse cortado certos fios que o impediam de processar a informação.

Sakura viu os olhos tristes de Naruto de repente iluminarem-se, mas todo ele parecia sem reacção, até que a boca do loiro descaiu e ela teve que se rir da figura de bobo com que ficou.

- Tu estás… estás?

- Grávida? Sim, Naruto. Vais ser pai. – Confirmou Sakura. Num pulo, Naruto agarrou nela e ambos ficaram em pé em cima da cama.

- Sakura, eu amo-te! – Declarou beijando a mulher, curvando-a para trás como o fim de uma dança de tango, ou um momento romântico num filme.

Podia sentir-se mal e vazio, podia sentir-se tonto e desanimado, podia sentir mil dores dentro do peito, a sua honra manchada, o seu orgulho ferido, mas um filho… um filho arrebatava e dava força para qualquer tempestade que pudesse vir.

oOo

Naruto tirara um mês para descansar. E fora a melhor das hipóteses. Ele não estava bem. Embora durante o dia se mantivesse calmo, fazendo coisas suficientes para manter a cabeça ocupada, durante a noite o seu sono era interrompido por tudo o que se passara e mais qualquer coisa que a mente gostava de misturar. Via-se vezes sem conta novamente naquele dia em que Sasuke o quebrara o seu coração em pedaços. E o pior de tudo é que não conseguia esquecer que (apesar de toda a situação) ele sentira prazer naquilo.

Mas então a imaginação colocava-se pelo meio, e Sasuke chegava arrancando-lhe um bebé que ele carregava nos braços, e com uma gargalhada maníaca levava-lhe o filho para longe, deixando Naruto no maior desespero de todos. Era nessa altura que acordava sobressaltado, em pânico e em desespero, e embora lúcido o seu corpo suava frio e só voltava ao normal quando Sakura lhe dizia que tudo estava bem.

A manhã chegara quente e ensolarada. Nessa noite ele resolvera não pregar olho. Queria deixar Sakura descansar. Ela precisava disso, uma vez que durante o dia trabalhava bastante ajudando no que podia com a Hokage, e na condição dela ter sono era quase uma constante. E depois durante a noite Naruto, com os seus pesadelos, acabava por a acordar.

Não sabia se era por ela estar grávida, ou se era por ter compaixão por aquilo que o louro passara, mas a verdade é que Sakura andava mais calma, paciente e simpática, mesmo perante as patetices de Naruto, e por vezes até se ria delas. Uzumaki lera algures que as mães, devido às hormonas, por vezes, mudavam drasticamente as suas personalidades. As refilonas ficavam pacientes, as más viravam boas, as stressadas ficavam serenas… por esse estilo de pensamento. E Naruto tinha que concordar um pouco com essa teoria. Sakura estava muito mais fácil de aturar agora. Talvez fosse sol de pouca dura, mas enquanto isso, Naruto desfrutava.

Ultimamente outra coisa o preocupava pela manhã era a azia e má disposição que sentia. Cada vez que acordava pela manhã o seu estômago ardia por dentro, e quando por vezes Sakura acordava daquela mesma maneira e tinha que ir a correr para a casa de banho vomitar, ele acabava por vomitar mesmo na cama. Sakura queria obrigá-lo a fazer testes, mas ele não queria ter que ir mais vezes ao hospital do que aquelas a que já o obrigavam a ir. Pois estava a ser acompanhado por alguns médicos que o tinham ensinado a afastar pensamentos maus, más recordações e sentimentos negativos da sua mente, substituindo-os por positivos, mantendo-os longe da sua sanidade. E assim ele tentava agir como sempre agira, apesar de tudo estar drasticamente diferente. E agora só vivia para a sua família e para a aldeia, mais ninguém interessava.

Depois de ter passado a noite toda a olhar para a belíssima mulher que tinha, e acariciando a pequena barriga que abrigava o seu bebé, chegou o momento. Tinha que se levantar. Estava na hora de regressar ao trabalho. Beijou os lábios de Sakura, suavemente para não a acordar e dirigiu-se para a banheira.

Abriu a torneira, despiu-se, colocou a toalha num local mais perto, para que quando saísse pudesse enrolar-se nela rapidamente, e entrou para debaixo do chuveiro. A água morna entrou em contacto com a sua pele e o louro suspirou. Fechou os olhos levantado a cabeça para levar com água no rosto. Quando tornou a baixar a cabeça e abrir os olhos sentiu uma tontura, com o mundo a tremer, o coração a disparar, o corpo estremecendo, ele teve que se ajoelhar na banheira para não cair.

Mas que porra! Afinal o que é que se passava consigo? Será que nunca conseguia estar bem? Primeiro Sasuke, e agora sintomas estranhos! Será que aquele bastardo tinha transmitido alguma doença marada? Sim, porque nunca se sabia onde é que aquele caralho tinha andado enfiado. Suspirou tentado afastar a sua raiva. Não valia a pena. Não serviria de nada.

(n.a. – caralho é uma asneira que quer dizer pénis)

Sentindo-se melhor levantou-se e acabou de tomar banho. Quando voltou para o quarto para se vestir, Sakura já não estava na cama, mas não precisou de ir à sua procura, o cheiro a panquecas já chegava ao quarto vindo da cozinha trazendo-lhe a resposta. Naruto correu para o armário. Vestiu o seu uniforme de ANBU. Arrumou as coisas para a sua missão e depois correu até à divisão da comida, onde Sakura já lhe estendia um prato com 10 panquecas recheadas de caramelo. Pegou no prato e beijou a mulher desejando-lhe os bons dias, depois sentou-se a devorar a comida.

– Foi uma noite calma hoje? – Perguntou-lhe Sakura.

– Sim, foi, não tive pesadelos. – Respondeu Naruto, escondendo o facto de que ele não dormira a noite inteira.

– És tão mentiroso. Eu sei que não dormiste nada. - Revelou ela. – Devias ter dormido qualquer coisa tens uma missão hoje. Precisas de energia.

– Quem te disse que eu estou cansado? – Disse bocejando depois. Bem, estava um pouco cansado, mas não era nada que não aguentasse. Além disso quando tinha os pesadelos durante a noite acordava muito mais cansado.

– Claro. Eu finjo que acredito em ti.

– Eh! Eh! – Riu-se Naruto, mostrando o seu sorriso único.

Sakura admirava-o muito. Apesar das adversidades. Aquele sorriso não desaparecia. E ela desejava tê-lo sempre para toda a vida. O seu mundo já não era nada sem Naruto. Sem aquele sol. Sem aquela força da natureza. Pouco depois viu o marido levantar-se da bancada da cozinha e dirigir-se a ela, para a abraçar e beijar, e sussurrar que ia partir.

– Vê se voltas vivo.

– Não te livras de mim tão facilmente. – Sorriu Naruto, beijando Sakura na testa em despedida.

Ela viu-o sair pela porta da cozinha. Pousou uma mão sobre o seu ventre e pensou que o pai do seu filho voltaria de qualquer maneira. Ele prometera. O que ela não sabia era que ela o voltaria a ver mais depressa do que pensava. Naruto não estava bem e em breve saberia porquê.

oOo

Vagueava pela rua. Estava desorientado. E a situação também não era para menos. Precisava de tomar a decisão mais difícil de toda a sua vida. Uma decisão entre a sua vida e a vida de outrem. Entre complicações e soluções. Entre a vida e a morte. O que faria?

Ele ainda não tinha assimilado muito bem a noticia. Era ainda difícil de compreender. Só sabia que a culpa era toda do bastardo Uchiha, a pessoa que ele desesperadamente tentava esquecer, e que presentemente era o homem que ele mais odiava. Agora só faltava decidir se ia ficar ligado para sempre a esse cabrão ou ia cortar o laço que era de momento bem mais que um laço espiritual.

Três dias antes quando partira com um grupo de ANBUS para uma nova missão, partira feliz e contente, mas depressa começou a sentir-se mal e tonto. Cada vez mais usava o seu chakra de maneira descontrolada para se manter perto dos companheiros. Então parava e continuava conforme podia. Achava que simplesmente estava mais pesado devido às férias que tirara com falta de treino, mas então caíra para o lado alarmando todos. A missão foi deixada, e pegando no Naruto inconsciente, voltaram para a vila.

Em Konoha, inconsciente, os médicos finalmente souberam o que é que Naruto tinha e o diagnóstico fora-lhe dito por Sakura que estava ao seu lado, com uma expressão comprometida e preocupada, esperando que acordasse. Passara o resto desse dia calado. Deram-lhe alta e mesmo em casa, não falava. Até que Sakura puxou por ele, e ele teve que sair para a rua. Não queria falar, nem pensar, simplesmente porque não compreendia porque é que tinha que estar tão ligado ao Uchiha.

Passara a noite fora. Sabia que tinha de ir para casa e falar com a mulher. Mas de momento estava sem coragem para a encarar e sem cabeça para as perguntas extremamente difíceis dela.

E afinal ele começava por onde? Talvez por avaliar o passado. O que é que o levara a seguir Sasuke? Sim, tinha que pensar nisso, pois se estava naquela situação tudo começara por ai. Talvez se tivesse desistido à mais tempo de perseguir o Uchiha esse estafermo talvez não tivesse… feito o que tinha feito. Portanto, era por ali que ia começar.

Naquela altura Sasuke era seu amigo. Basicamente foi o primeiro verdadeiro amigo que teve. Fora atrás dele porque achara que Orochimaru o tinha raptado ou manipulado de alguma maneira, o que era verdade, mas a culpa também era do Uchiha. Fora atrás dele porque um amigo nunca desiste de um amigo.

Perseguira Sasuke por anos, com tantas lutas pelo meio, que tinham sempre o mesmo fim. Porquê que o Sasuke o deixava vivo? Ele ainda não sabia, já nem lhe interessava saber. Mas porque se deixara levar pelos lábios de Sasuke da primeira vez? Porque eram quentes, porque eram carinhosos, porque mostravam tudo aquilo que Sasuke não mostrava. Não podia negar que tinha ficado desiludido quando no dia a seguir acordara sozinho. Não podia negar que nas semanas e meses que se tinham passado a seguir ele não deixara de sonhar com essa noite e desejar que se repetisse. Mas também não podia negar que ele sentira a maior vergonha de si mesmo durante esse período.

Então e desta segunda vez em que fora obrigado? Fora realmente, verdadeiramente obrigado? A sua mente dizia-lhe que sim. O seu corpo dizia que não. Ele sentira prazer. Apesar das dores com que acordara, eram dores normais, que ele conhecera mesmo da primeira vez. Mas desta vez havia Sakura na sua mente e coração. Ele amava-a.

Desistira por fim de Sasuke, porque nenhum amigo fazia aquilo que Sasuke fizera. Ele magoara-o no mais profundo do seu ser. A ferida ainda estava aberta. Ele tentava libertar-se desse laço que o fazia pensar tanto em Sasuke. Que o fazia chorar por aquilo em que o moreno se tornava, que o fazia chorar por não puder fazer mais nada. Por saber que desistir era a única maneira de conseguir avançar e esquecer. Mas agora como poderia esquecer?

Aquela noite de sexo com prazer e por obrigação tinha resultado uma coisa. Uma coisa que agora o fazia pensar e repensar sobre a vida e tudo o que ela implica. Ele estava, digamos assim, a criar uma nova vida. Era complicado pensar na sua cabeça que estava grávido. Não era raro os homens engravidarem, mas também não era comum. E dos incomuns ele tinha que ser um deles. Sempre tinham dito que ele era imprevisível. Mas imprevisíveis eram as coisas que lhe aconteciam na vida.

Ali estava a decisão que ele tinha que tomar! Continuava com aquela gravidez ou parava por ali? Um filho de Uchiha Sasuke era muito complicado. Um Uchiha. Que implicações ter isso no seu futuro e no futuro da criança? A verdadeira questão era mesmo saber se Naruto era capaz de matar um ser indefeso que não fizera mal a ninguém e que não tinha culpa de ter sido concebido no acto horrível.

Pensando, pensando. Não, o louro não era capaz. Porque apesar de tudo. Aquele era seu filho também e não só do Uchiha. A decisão estava assim tomada. Estava na hora de voltar para casa e contar à mulher e rezar para uma reacção positiva.

Entrou e foi recebido pelo abraço aflito da mulher.

– ONDE É QUE TU TE ENFIASTE A NOITE TODA BAKA? – Exigiu ela saber puxando-o para a sala, que era também a cozinha, e obrigando-o a sentar-se sobre um pufe enquanto o examinava com os olhos e as mãos para ver se nada saia do lugar, ou se não tinha mazelas físicas.

– Está tudo bem, Sakura. – Tranquilizou-a ele.

– Tu és um idiota.

– Já me o disseste. – Disse dando um pequeno sorriso.

– Não tem piada, Naruto, passei a noite toda à tua procura.

– Não era preciso, eu disse-te que precisava de dar um passeio sozinho.

– Disseste um passeio não que ias passar a noite toda fora de casa. – Refilou Sakura suspirando de seguida lembrando que não se podia enervar nem enervar Naruto, mas as atitudes do louro por vezes era para a levar os nervos a saltar pelos poros da pele.

– Desculpa, tens razão. – Desculpou-se Naruto olhando para os próprios pés.

– humm! Vou fazer chá! Queres?

– Sim, claro, porque não… - Pela resposta de Naruto, Sakura, que o conhecia bem, sabia que ele estava a tentar arranjar tempo para arranjar coragem para lhe contar o que quer que fosse que ele tinha para contar e para lhe dizer o que decidira.

Pegou na chaleira e encheu-a de água suficiente para duas canecas e colocou-a sobre o suporte eléctrico para aquecer a água. O que ele não sabia é que ela o conhecia suficiente bem para saber desde sempre a decisão que ele tomara. Levou os saquinhos do chá, as canecas e o açúcar para a pequena mesa de sala e depois levou a chaleira já aquecida. Sentou-se do outro lado da mesa, em frente a Naruto e enquanto servia o marido teve que puxar a conversa.

– Então já decidiste alguma coisa?

Naruto não lhe respondeu logo, viu-o puxar de uma colher e de um pouco de açúcar e misturar o seu chá.

– Sim, eu já me decidi.

– Vais com essa gravidez para a frente? – Perguntou Sakura com o tom mais natural que conseguiu fazer. Ambos olhavam para os seus chás em vez de se encararem. Por momentos apenas o som das colheres a mexerem as canecas é que furava o silêncio.

– Sim, eu vou com esta gravidez para a frente. – Admitiu.

– Eu já sabia. – Ao ouvir as palavras de Sakura, Naruto levantou os olhos espantado. A esposa encarava-o abertamente. – Não fiques espantado, nem penses que estou contente com a situação. Mas sei que tu não tens culpa dela e que esse bebé também não. Conheço-te bem para saber que nunca matarias um inocente, um filho teu. Vou ajudar-te e apoiar-te, mas tenho as minhas condições.

– Condições? – Questionou-se Naruto.

– Tu amas-me, não amas?

– Eu amo-te Sakura. – Assegurou-a Naruto, com uma cara extremamente séria, não havia ali dúvidas.

– As minhas condições são as seguintes: vamos sair uns meses de Konoha, pedimos autorização a Tsunade, contamos-lhe o que se passa, a ela não vale a pena mentir. Saímos de Konoha temos os nossos filhos longe daqui, e quando voltarmos, dizemos a toda a gente que são gémeos e que são filhos de ambos, compreendes? Ninguém pode saber que esse filho não é meu filho, mas sim filho do bastardo Uchiha. Depois não podes amar ou dar mais atenção ao teu filho que ao meu. – Sakura chorava.

Naruto compreendeu que tudo aquilo lhe doía bastante, compreendeu que ela estava a ser uma grande mulher em aceitar ser a mãe do seu filho, que nada tinha com ela. Levantou-se e foi ter com ela.

– Sakura, o filho que tu carregas no teu frente também é meu filho, eu já o amo muito, desde que tu me disseste que ele existia. – Puxou o pescoço de Sakura com os dedos obrigando-a a encará-lo. – E agradeço-te muito por seres a mãe dos meus dois filhos. – Sakura soluçou e Naruto beijou-a, aceitando as condições que ela lhe impunha. O seu filho não seria filho de um homem bastardo e com escuridão enfiada pelo cu acima, mas seria filho de uma grande e doce mulher. E teria um irmão para ser unha e carne com ele.

oOo

A mudança ia começar. Ele sabia que era uma mudança radical. Custava-lhe abandonar Konoha, mesmo que fosse apenas por alguns meses. Mesmo que fosse para manter o seu estado em segredo, mesmo que fosse salvaguardar a vida do seu filho. Consolava-lhe apenas esse facto e o de ter Sakura ao seu lado, senão não saberia como enfrentar a situação. Se tudo tivesse corrido ao contrário, se Sakura não tivesse ficado do seu lado, se ela o proibisse de ver o seu outro filho, ele não sabia como teria avançado com a sua vida.

I close both locks below the window / Fecho ambas as fechaduras por debaixo da janela

I close both blinds and turn away / Fecho ambas as cortinas e vou-me embora

Sometimes solutions aren't so simple / Algumas vezes as soluções não são simples

Sometimes goodbye's the only way / Algumas vezes o "adeus" é o único caminho

Tsunade deras-lhes facilmente a licença para saírem durante tempo indeterminado de Konoha, tendo apenas que reportar semanalmente o que andavam a fazer e por onde andavam. A verdade é que Naruto e Sakura não iam muito longe. Tinham encontrado uma pequena ilha a trinta quilómetros da costa do Fogo que pertencia a um modesto senhor Feudal. Tinham comprado lá uma pequena casinha e falado com alguns médicos nas redondezas, de grande confiança, para que o no momento em que tivessem os seus filhos tudo corresse da melhor forma.

And the sun will set for you / E o sol irá pôr-se para ti

The sun will set for you / Irá pôr-se para ti

And the shadow of the day / E a sombra do dia

Will embrace the world in grey / Irá abraçar o mundo de cinzento

And the sun will set for you / E o sol irá pôr-se para ti

Partiram numa manhã sem despedidas, isto porque ninguém sabia que eles iam partir, tirando alguns amigos mais próximos e familiares, que compreenderam que não lhes poderiam fazer perguntas, pois os dois não lhes iam responder. O pior da viagem foi terem andado de barco. Ambos enjoaram e ambos tiveram que se apoiar mutuamente.

In cards and flowers on your window / Em cartões e flores na tua janela

Your friends all plead for you to stay / Os teus amigos irão implorar para que fiques

Sometimes beginnings aren't so simple / Algumas vezes os inícios não são simples

Sometimes goodbye's the only way / Algumas vezes o "adeus" é o único caminho

A casa ficava num penhasco á beira-mar. A imensidão tão grande e tão azul fazia arrepiar. Mas o pôr-do-sol ali era uma maravilha. O som das ondas a rebentar contra as rochas era constante e pacificador. Não poderiam ter escolhido um sítio melhor para passar aqueles meses difíceis. Com aquele espectáculo da natureza, a saudade de Konoha foi atolada. Quem lhes diria se não podiam viver ali durante uns tempos? Não seria para sempre porque precisavam de trabalhar, principalmente com duas crianças a caminho, mas apenas durante um tempo. Ali estavam longe das sombras da guerra, ali eles podiam ser eles mesmos. Ser o Naruto, e não o Jinchuuriki da Kyuubi, ser apenas a Sakura a mulher amada por Uzumaki Naruto, e mãe do seus filhos, ser apenas uma família.

And the sun will set for you / E o sol irá pôr-se para ti

The sun will set for you / Irá pôr-se para ti

And the shadow of the day / E a sombra do dia

Will embrace the world in grey / Irá abraçar o mundo de cinzento

And the sun will set for you / E o sol irá pôr-se para ti

Em pé levando com o vento marítimo, Naruto pensava em todas essas coisas. Antes teria partido em batalha para ajudar os inocentes, mas agora com os seus filhos, ele queria simplesmente paz. Paz para os poder ver crescer. Sakura aproximou-se dele e abraçou-o pedindo atenção. Ele envolveu-a com os seus braços. E ficaram assim agarrados um ao outro, vendo o pôr-do-sol em tons quentes a desaparecer por detrás do azul-escuro do mar. Com serenidade nos corações, com esperança que aquela imagem os iluminasse para sempre. Assim como aos seus descendentes e o seu caminho.

And the shadow of the day / E a sombra do dia

Will embrace the world in grey / Irá abraçar o mundo de cinzento

And the sun will set for you / E o sol irá pôr-se para ti

Era pena que aquela paz e aquela luz não tivessem chegado até dentro do coração de Sasuke. Quem sabe se as coisas não teriam sido diferentes.

Agora eles só tinham que esperar pelo futuro.

oOo

And the shadow of the day / E a sombra do dia

Will embrace the world in grey / Irá abraçar o mundo de cinzento

And the sun will set for you / E o sol irá pôr-se para ti

(Shadow of the day – Linkin Park)

Num local escuro, onde o tempo passava devagar, onde o ambiente era frio e austero, onde o calor humano era inexistente, onde os sentimentos mais profundos eram lidos e arrancados do peito, para que algo novo nascesse. Um novo ser criado a partir dos cacos do coração de um velho. A escuridão envolvia-o, e pela primeira vez, ele tentava fugir dela.

Um rapaz no meio de um antro escuro, queria a sua vingança, queria a purificação do seu nome e clã. Mas aquele caminho ele não tinha escolhido. Mas o que poderia fazer contra um velho, com muito mais experiencia de convívio com a escuridão, que se alimentava dela, e que a manipulava? Ele fora avisado. Apenas mais uma falha e tudo ia mudar. A mudança ia iniciar-se. Poderia demorar anos até a concluir, mas ele ia ser transformado. No fim a escuridão penetraria no seu coração e não passaria mais do que um soltado de Uchiha Madara. Uma "coisa" sem os sentimentos da luz. Uma coisa cheia de raiva e ódio. Uma coisa ás ordens de Madara.

Poderia ter fugido? Não. O velho saberia sempre onde o encontrar. Poderia ter-se matado? Claro. Mas e a sua vingança? Madara não queria a renovação do nome do clã, queria o mundo inteiro, algo que ele não queria. Então o que é que lhe restava? Restava aquela tortura que o tornaria numa "coisa"? Era o que parecia…

Mais uma vez tentou soltar das correntes que o prendiam ao tecto pelos pulsos, e ao chão pelos tornozelos.

– A culpa é tua Sasuke. – Abriu os olhos. Á sua frente um vulto falava na penumbra. Ele não precisava de perguntar quem era. Ele conhecia muito bem a voz da personagem. – Tu é que não te conseguiste despregar desse teu amor. Agora só resta renderes-te.

Ele nunca faria uma coisa dessas… ou pelo menos tão depressa como Madara ansiava que fizesse. Tinha que dar tempo a Naruto para treinar. Dar tempo para ele se desenvolver. Dar tempo a si mesmo para se preparar para aquilo que ainda tinha que sofrer. Sabia que no fim cairia. Que no fim batalharia apenas mais uma vez com o louro e no mais fundo do seu ser desejava que Naruto o matasse de vez.

"Tentarei com que passe bastante tempo, assim pode ser que consigas treinar, e nesse dia pode ser que consigas vencer aquilo em que me transformarei."

– Lamento Sasuke, mas vamos ter que quebrar essa tua teimosia. – Madara apareceu finalmente à pouca luz, mas era o suficiente para o moreno visse na mão de Madara uma espécie de corda, que ele depois vendo melhor compreendeu que era um chicote. Era aquilo que o iria fazer quebrar? Madara estava enganado então. Ser chicoteado não era nada.

Ele fizera essa promessa e ia mantê-la pelo máximo de tempo possível, mesmo com todas as torturas que Madara preparara para quebrar a sua teimosia.

Mas um dia Sasuke iria ceder…

Continua… (E já ai está xD)