Capitulo 2:
Coisas que não queremos fazer, mas fazemos por obrigação.
Harry ficou estupefato por um instante. Jamais passara-lhe pela cabeça que poderia voltar atrás no tempo tão longe assim. Vira-tempos podiam voltar algumas horas, ou talvez dias, mas não anos, décadas. Discutira com Hermione, com Rony, Gina, Sr. Weasley, e apenas Sra. Weasley ficou ao seu lado, dizendo que não era necessário ingressar nessa jornada, porém, não sabendo como, decidiu que ele iria, e Gina ao seu encalço, até no ultimo momento, infernizou-o para ELA ir com ele. E não sabendo como também, tinha autorizado-a para ir com ele.
-EU sou sua namorada, e sou EU quem deve ir com voce, Harry. – esbravejou ela, quando mais uma vez ele disse que ia sozinho.
-Você não vai, Gina. – retrucaram ele e Sra. Weasley.
-Sou maior de idade! – reclamou ela. – E sou sua namorada, Harry, decido POR MIM se vou ou NÃO! Formei-me em Hogwarts e fui treinada por voce quando tinha apenas 14 anos.
-Você não precisa ir, querido. – disse Sra. Weasley docemente para Harry. – Não sabemos nem se é verdade que eles voltaram para o passado.
-Ele voltaram, Molly - respondeu o Sr. Weasley antes de Harry. – Foi confirmado por feitiços. Eles voltaram. – ele repetiu. A mulher ficou em silencio.
-Não quero te perder, Gina. – murmurou Harry, calmo, antes de dar as costas e sair da cozinha para a sala. Porém, sente um puxão no braço esquerdo.
-Venha aqui, Harry. – murmurou Gina baixo, mas letal. Sem mais, ele teve de segui-la, pois ela estava arrastando-o.
Ao entrar no quarto da menina, sente os lábios dela apertados contra o seu, com uma urgência anormal. Sem defesas, ele se entregou ao beijo, sentindo esquecer de todos os seus problemas. Nela encontrava paz de espírito.
Após um tempo, ela o liberta, deixando-o sem fôlego.
-Me deixe ir com voce, Harry. – pediu ela, manhosa, abraçando-o e aninhando em seu peito como uma gata. – Por favor?
Harry suspira, abriu a boca para contra-argumentar.
-Shiii. – murmura ela, pondo o dedo na boca dele. – Eu não agüentaria ficar sem voce aqui, sabendo que a cada segundo eu poderia perder voce para sempre. Já sei tudo o que voce passou e sei que passará novamente se voltar ao passado. Por favor, não faça isso comigo. – pediu ela, com voz chorosa.
-Eu não conseguiria levar voce, sabendo que por minha causa eu poderia te perder, ou voce sair com algum machucado. – disse ele, afagando as madeixas ruivas. – Nem que seja um arranhãzinho, eu me culparia para sempre.
-Pelo menos eu estaria ao seu lado, vendo-o vivo, me alegrando ao vê-lo sorrir. – retornou ela. Harry ficou sem palavras, como não havia acostumado com o jeito de Gina, que ela sempre conseguia o que queria? Mais uma vez, foi interrompido de seus pensamentos por um beijo dela, desta vez mais calma e persuasiva. No fim, ela soltou-o e sentou na cama.
-Então, vai me deixar ir? – perguntou ela, sapeca.
-Tenho outra opção?
-Não. Nem contra-argumento.
-É loucura. Você não devia…
-Cala a boca, Harry. – ela sorriu de canto.
E agora, estavam em frente a porta no Ministério em que se lia: Ministro da Magia: Kingsley Shacklebolt.
Kingsley vinha acompanhado de um homem louro. Ao chegar mais perto, Harry reconheceu-o com Gilderoy Lockharte, ex-professor de DCAT.
-Harry! – chamou Kingsley do começo do corredor.
-Harry Potter? – perguntou o loiro, incerto.
-Olá, professor. – cumprimentou Harry e Gina. No entanto o professor não disse nada. Harry identificou uma ponta de acusação em seu olhar, mas não a sentiu, pois o homem que estava em sua frente iria tirar sua memória se não fosse a varinha quebrada de Rony. Gina fez uma cara amargurada, pois o professor acarretou lembranças que ela queria ocultar.
-Gilderoy, se puder fazer-me um favor... – pediu Kingsley, - eu preciso conversar a sós com estes jovens aqui. – e apontou para Harry e Gina. O professor assentiu para Kingsley, porém lançou um olhar acusativo a Harry, que olhou-o indiferente.
-Bem, - chamou Kingsley - vamos entrar. – e abriu a porta de madeira. – Desde que sai hoje pela manha da Toca, já imaginava que você viria até mim. Você possui um dom que poucos preservam: a coragem de dar a vida por pessoas amadas. Você possui a coragem de fazer o que lhe alcançar. – o ministro suspirou. Harry lançou um olhar impaciente para o ministro. – Bem, este envelope – ele pegou um envelope grosso, como aquele que vem de Hogwarts. Nele estava lacrado e anexado uma fita vermelha, que ia desbotando na ponta. – explica tudo o que aconteceu em sua vida, desde que seus pais casaram-se. Graças a Merlin, fui afortunado com a confiança de Dumbledore para me contar tal história, que você entregará a Dumbledore da época de seus pais. E este pergaminho separado é para você dar a Dumbledore de seu sexto ano. Mas primeiro precisamos aparatar em Hogwarts.
-Não se pode aparatar para Hogwarts. – respondeu Harry automaticamente. Foram tantas as vezes que ouvira Hermione falar isso que julgou o Ministro um idiota por não saber isso. E ele via furos nesse plano.
-Porém pedi a Minerva para retirar do corredor onde fica seu escritório. Iremos direto para lá. Ela já sabe de todo o plano e não fará nenhuma objeção, assim como não fez quando eu disse para ela a situação em que nos encontramos. – continuou ele, como se Harry não tivesse interrompido-o.
Sem mais nenhum argumento, eles saíram do ministério para aparatar de uma rua qualquer ali perto. Ao aparatar, Harry se lembrou que fazia um ano e meio que não aparecia em Hogwarts. A saudade de estudar em seu primeiro lar bateu, porém não pôde pensar muito, pois a escuridão e sufoco da aparatação tomou conta de seus pensamentos.
Antes mesmo do sufoco passar, Harry ouviu a voz irritada de McGonagall.
-Agora não, Pirraça. Harry Potter tem uma missão para fazer. – ela bufou com algo que o poltergeist devolveu. – Não. Não vai poder falar com ele agora. Agora SAIA. – ordenou ela, e nem mesmo Pirraça era capaz de desobedecer. – Graças a Merlin, achei que não viria mais. – reclamou ela.
-Boa Tarde Minerva. –respondeu Kingsley, sorrindo.
-Tarde, Kingsley. – retornou ela. – Vamos logo Potter, preciso voltar com a proteção do castelo, antes que algum maluco descubra. – sua voz era irritada, tão semelhante da voz que ela usava com Umbridge. Harry sorriu internamente. Naquele ano, McGonagall tinha se tornado a sua professora predileta.
-Muito bem então, Harry. – chamou Kingsley. – Coloque este vira-tempo. – Harry colocou a correntinha dourada em seu pescoço e por uma fração de segundo ele considerou girar a ampulheta sem Gina, porém ele sabia que Kingsley conjuraria outro de tamanho poder igual para transportá-la atrás dele. Relutante, colocou a armadilha no pescoço da garota também.
-Bem, tudo está certo... – confirmou McGonagall, olhando estranho para ele. Mais uma vez, ele viu a mascara rude da professora cair e mostrar a mulher carinhosa que havia ali. Olhava-o como se fosse algum parente próximo que iria mudar-se de cidade para nunca mais voltar.
-Sim. – confirmou Kingsley. – Já pode partir Harry, e tome muito cuidado. Boa viajem e Boa Sorte. Creio que irá precisar dela sempre ao seu lado, a Sorte. Espero que consiga fazer realmente tudo direito. Confiamos o mundo bruxo em suas mãos. – Um brilho prepassou no olhar de Kingsley, fosse esperança ou fosse qualquer outra coisa, Harry queria acreditar que eles confiavam nele e em Gina. E ele, com certeza, sabia que iam fazer o que pudessem para reverter esta situação.
Deixaram para trás uma Sra. Weasley chorosa e reclamona, uma Hermione relutante, Rony pesaroso e Sr. Weasley como se tivesse perdido membros de seu próprio corpo. Harry tornava a lembrar deles cada vez que mais e mais pessoas passavam por eles, retornando cada vez mais para trás, para um futuro-passado desconhecido. Parecia que nunca mais iam parar de retornar quando pararam de repente. Quando deram por si, estavam no mesmo corredor, só que agora vazio. Harry achou até que não tinham conseguido voltar quando viu a si mesmo e Gina debaixo da arvore perto da faia do lago, pela janela do corredor.
-Estamos no tempo certo, Harry? – perguntou Gina, preocupada.
-Acho que sim, vejo a mim mesmo ali, e você, com 15 anos. – murmurou ele.
-Então vamos, temos que ir conversar com Dumbledore. – chamou ela. Caminharam no corredor, porém não sabiam a senha. Mas não precisou, pois naquele instante, Dumbledore ia saindo de seu escritório.
-Professor. – chamou Harry a atenção do senhor.
-Harry? – Dumbledore olhou-o estranho. O Harry daquela época ali era mais magro e não tinha feições de homem como o Harry ali em sua frente. Nem Gina, aquele rosto de mulher.
-Precisamos conversar, professor. – interveio Gina. –Será que podemos...
-Claro. – cortou o professor, fazendo um gesto para que subisse para seu escritório, ainda desconfiado.
-Professor. – disse Harry assim que sentaram na cadeira em frente o diretor. – Viemos de dois anos e meio a frente.
O diretor arregalou os olhos de descrença.
-Como disse?- perguntou ele, atônito.
Passaram meia hora explicando, basicamente, o que aconteceu após sua morte, e o que havia descoberto até "aquele dia" de manha.
-Hmm... – compreendeu o professor. – Então Lucio e Rodolfo pretendem fazer isso mesmo? Ousado, posso assim dizer...
-Professor, - chamou Harry mais uma vez. – Kingsley mandou-lhe entregar isto. – E passou-lhe o pergaminho menor, e Dumbledore pôs-se a ler no mesmo instante. Após dez minutos, ele terminou de ler.
-Bem, Harry, isto me ajudou a entender melhor o que você acabou me explicando. – o professor estudou-os por cima dos oclinhos de meia-lua. – Creio que seja, mesmo, o único modo de não deixar que isto aconteça. É realmente uma loucura, porém Kingsley está certo: Há coisas que são importantes, mesmo que não queiramos fazê-las. Ou quão perigosas sejam. Portanto, acho melhor conjurar o buraco-portal que ele menciona na carta para faze-los retornar décadas no passado. Primeiramente, tenho de olhar em minhas anotações diárias.
-Anotações diárias? – perguntou Gina curiosa.
-É tipo como um diário, se assim a Srta. preferir. – respondeu o professor.
Ele vasculhou suas coisas, achando ali, um diário pequeno, mas parecia conter tudo o que ele precisava. Abriu e virou varias paginas, tantas que nem parecia que cabiam no pequenino livro.
-Me parece que... – começou o diretor. – desde que Tiago e Sirius começaram a estudar, meu escritório vivia cheio. Eles estavam praticamente todos os dias lá, ou senão os professores reclamando deles, principalmente Filch, que tinha acabado de entrar para zelador da escola e nunca tinha visto desordeiros de tanta capacidade assim. – ele continuou examinando as folhas com um sorriso saudoso, mas foi interrompido por Harry.
-Como o senhor tem um caderno anotado todos os dias da sua vida?
-Creio que eu sempre soube, ou palpitei, que algo desse tipo ia acontecer. Como sempre, meus palpites dão certo. – respondeu o professor. Mas vendo a confusão de Harry e Gina, completou. – Que alguém, algum dia precisasse voltar ao passado.
Dumbledore continuou folheando, até que parou em uma.
-Ah – exclamou ele, excitado. – Parece que encontrei uma. – Harry e Gina olharam rapidamente para ele. – Exatamente no dia dos NOM's deles. Sua mãe, seu pai, Remo, Sirius, Tonks... Todos estão fazendo prova enquanto eu estou sozinho em meu escritório. Vocês sairão no meu escritório. Previno que vão me assustar, porém, sabem que eu sou compreensivo, então dê esta carta que está em seu bolso, Harry, sem falar nada e com bastante cautela, e me entregue antes que eu faça algo do qual me arrependa. Você pegou o Mapa do Maroto e a Capa de Invisibilidade?
Harry olhou em pânico para Gina. Esquecera os dois! Porém ela mantinha a expressão serena.
-Eu peguei, diretor. – respondeu ela, e Harry soube que ela era a pessoa ideal para ir com ele, apesar do medo. – Peguei também o espelho de duas faces quebrado, assim como alguns pertences menores meus e do Harry que precisaríamos.
-Ótimo. – disse Dumbledore, agora se concentrando. Pegou a varinha, que Harry conheceu como a Anciã, e ele começou a murmurar meia dúzia de palavras. O portal que ele conjurou era um buraco arroxeado, muito escuro, como se seu escritório tivesse uma falha no meio. Harry olhou estranho para aquele buraco. Parecia que via vultos lá dentro.
Com o portal buraco-negro conjurado, Dumbledore deu-lhe a ultima instrução.
-Harry, por favor, não faça nada precipitado. – Harry tomou isso como um aviso, para não dizer nada, mas logo pensou em Rabicho e então entendeu o que o professor quis dizer.
-Sim. – respondeu simplesmente, antes de dar as mãos para Gina e entrarem juntos no buraco estranho. Dumbledore continuou olhando por onde passaram, quando cada vez mais o buraco estranho ia encolhendo. Uma vez conjurado, quando quisessem voltar, era só darem as mãos e pensarem juntos para voltar. Sabia que seu "eu" do passado ia lhes falar, por isso não se importou em dar a instrução. Harry era um grande homem, um grande garoto corajoso.
No buraco, ele via vultos, ele sentia que tudo estava pressionado para dentro de si mesmo, como se seus olhos fosse entrar crânio adentro, seus ouvidos taparam, sua voz não saía ao chamar Gina. Desesperadamente, apertou mais as mãos na dela, que retribuiu parecendo que sentia o mesmo que ele. Horrivelmente, aquilo pareceu durar horas, talvez meses, ele não saberia dizer.
Quando sentiu que tudo aliviava, abriu os olhos. Diferente da aparatação, essa espécie de portal permitia-os de ver as coisas tomando formas vagarosamente, até que, como se tivesse pisado em falso, estava de pé, em frente a um Dumbledore bem mais jovem do que aquele que ele conheceu, assustado e já empunhando a varinha.
Harry não disse nada, assim como o Dumbledore de 25 anos futuros o disse para fazer. Entregou a carta ao Dumbledore, que não relaxou a varinha, porém, começou a ler a carta rapidamente. Desconfortáveis, Gina e Harry olhavam para todos os cantos da sala menos para a varinha do diretor. Ele parecia mais intimidante com a varinha na mão. A todo o momento, ele olhava desconfiado para os dois, por cima dos óculos de meia-lua e do pergaminho.
Após um grande espaço de tempo, ele relaxou a posição, sentado-se em sua poltrona atrás da escrivaninha.
Quando ele terminou de ler, as pernas de Harry já estavam doloridas de tanto ficar em pé. Como se soubesse, Dumbledore tomou a palavra.
-Sentem-se. – ordenou, sendo obedecido sem pedir duas vezes. Sorrindo, Dumbledore perguntou. – Então você é filho de Lilian Evans e Tiago Potter?
-Sim, senhor. – respondeu Harry, nervoso.
-E você, filha de Arthur Weasley e Molly Prewett, que terminaram os estudos há dois anos atrás?
Gina concordou com a cabeça, notavelmente nervosa também.
-Sempre acreditei que Tiago acabaria se casando com a Lily. – murmurou Dumbledore mais para si do que para os dois ali. – Muito bem, esta carta já me explicou tudo, Harry, desde o dia em que seus pais se casaram, até o que seria ontem, quando descobriram sobre Malfoy e Lestrange. O problema é que, como você e Tiago são muito parecidos, teremos que explicar algumas coisas para ele. Não, não contar-lhe a história toda, isso abalaria seu pai. – respondeu Dumbledore ao olhar inquisitivo dos dois. – Porém, podemos contar alguma parte e omitir algumas partes. – terminou Dumbledore, pensativo.
-Nós vamos passar como alunos de intercâmbio? – perguntou Gina. – Seremos selecionados novamente?
-Creio que para omitir algumas partes, sim. – respondeu o professor. –Isso vai ser interessante. – terminou ele, ainda pensativo.
Naquela tarde, eles passaram conversando e planejando como seria o dia de amanha.
