N/A: OLÁ !
Sei que todos achavam que esta fic seria apenas uma one-shot. Mas decidi torná-la uma two-shot, graças à brilhante idéia da primeira review que recebi nesta fic.
Por isso, esta continuação é dedicada a Kisame Hoshigaki, que me fez pensar no que aconteceria caso eles se encontrassem com Nora.
Aqui está o meu ponto de vista sobre o que aconteceria. Espero que gostem.
Obrigada pelo apoio com o primeiro capítulo. Adoro vocês, espero que deixem reviews !
Não vou aborrecê-los mais, e deixo-os com a leitura.
Capítulo 2: Horo
O céu estava claro, a brisa de primavera cercava os campos de girassóis, fazendo com que todos os viajantes desfrutassem do cheiro da natureza. O sol mostrava-se em todo o seu esplendor, de modo que o dia estava perfeito. As borboletas voavam ao redor dos campos de flores, e aproximavam-se das pessoas que por ali passavam.
Dentre elas, a família Kraft.
- Ainda falta muito ?
A voz de uma mulher queixou-se, na parte de trás de uma carroça na qual viajavam, e ela espiou com a cabeça junto ao seu marido. Seus cabelos eram longos e ruivos, e suas orelhas estavam à vista de todos. Sua figura era fina e esbelta, apesar de suas feições, atualmente estarem mais amadurecidas.
- Não, Horo - falou o homem de cabelos brancos e olhos ametistas - Agora falta pouco.
Lawrence Kraft acompanhou o olhar de sua esposa, e encontrou duas das pessoas mais importantes de sua vida distraídas com uma pequena borboleta. A menina, que tinha os olhos como os da mãe, estava de pé, tentando alcançar o inseto. Tudo parecia indicar que ela seria fisicamente igual a Horo, mas com os seus cabelos brancos. Por sua vez, o pequeno ruivo analisava friamente a situação, caçando, deixando que os seus instintos lupinos prevalecessem sobre os humanos.
Yuuki e Lewis já tinham quase quatro anos, e gradualmente iam revelando as suas personalidades.
A pequena Yuuki era fisicamente muito parecida com sua mãe, até mesmo tinha suas pequeninas orelhas; mas o seu modo de ser era muito parecido com o seu. A filha era muito tranqüila em circunstâncias normais. Ainda assim, se fosse provocada, ela podia chegar a ser muito agressiva.
Lewis, por sua vez, tinha as feições que notadamente pareciam mais com as suas, incluindo os seus olhos. Mas, em tudo o mais, incluindo o seu cabelo ruivo, era uma pequena réplica de sua mãe. Ele era explosivo e impaciente, e apesar de não ter as orelhinhas da irmã, tinha a cauda tão espessa quanto era possível para a sua idade, segundo Horo.
- Vocês agüentaram muito bem a viagem - comentou o orgulhoso pai.
- Porque dormiram durante a maior parte do tempo - caçoou Horo - Espero que você esteja com este mesmo semblante hoje à noite, quando tentarmos colocá-los para dormir.
O jovem comerciante suspirou, resignado. Era impossível vencer uma batalha verbal com sua querida esposa. Mas ele já havia se acostumado a isso.
O vento golpeou os viajantes, e três deles puseram-se em alerta, ante ao que o olfato havia detectado.
Os mais novos procuraram refugiar-se no calor materno. Yuuki tinha suas orelhas expostas, e a cauda de Lewis encontrava-se muito eriçada. Estavam em alerta.
Horo também, mas ela tinha um maior controle sobre o seu corpo. Além disso, aquele cheiro lhe parecia muito familiar.
- Cachorro - ela murmurou com desgosto. Cobriu suas orelhas e as da filha, e também acomodou a roupa do filho - E está se aproximando.
Lawrence não entendeu logo de início. Tranqüilizou-se um pouco ao ver que Horo não estava colocando-se na defensiva, simplesmente se acomodava em seu vestido.
- O que há ? - ele perguntou, curioso.
O tilintar de um sino respondeu a pergunta para ele, e sua visão fixou-se mais à frente. Estavam próximos de alcançar um pequeno rebanho de ovelhas. As mesmas que eram guiadas por uma jovem e familiar silhueta e por um cachorro.
- Oh - o jovem Kraft não dissimulou o seu espanto - Será possível...
Bem nesse momento, a jovem virou-se. Revelando sua pele clara, olhos azuis, e o capuz que a protegia do sol deslizou até o chão, deixando à mostra os seus cachos loiros e macios.
- Nora ! - Lawrence cumprimentou-a entusiasticamente.
A aludida virou-se, confusa, ao escutar o seu nome, e seu rosto mostrou surpresa ao ver o antigo amigo.
- Lawrence-san ? - ela apertou os olhos para visualizar melhor a carruagem que se aproximava - Lawrence-san !
Com o seu apito, ela deteve o rebanho e esperou pacientemente que a carruagem se aproximasse. Lawrence parou o cavalo em frente à loira, e sorriu-lhe, cumprimentando-a calorosamente.
- Quanto tempo se passou, Nora.
- Sim - concordou ela, nostálgica - Cinco anos ?
- Anos que não passaram para você - elogiou o jovem de olhar ametista.
Afinal, Nora ainda conservava a sua beleza. A única diferença era que antes ela tinha o cabelo muito mais longo, e agora tinha-o cortado pela metade
- Mas, o que você está dizendo - exclamou ela, envergonhada - Embora você também esteja como antes, Lawrence-san.
- Percebe-se que ele não tem remédio - uma terceira voz juntou-se à conversa - A cada ano que se passa, fica mais rabugento e teimoso. Mas dá para compreendê-lo, é por causa da idade.
Lawrence sentiu a aura sombria de sua esposa na parte de trás da carruagem. Sabia que ela estava aborrecida, que fazia com que lhe desse mais vontade de incomodá-la.
- Horo-san ! - Nora cumprimentou-a com um sorriso sincero.
A jovem deusa virou-se e presenteou a pastora com um sorriso político. Metade sincero, e metade por obrigação. Ela nunca cairia em suas graças, mesmo que a presenteasse com um gostoso queijo de cabra.
- Como você está, Nora ? - ela cumprimentou-a com desfaçatez.
- Muito bem, e estou vendo que você também - ela acrescentou, com sinceridade - Fico bastante contente.
Ao perceberem que sua mãe inclinava-se, os filhos imitaram-na, deixando à mostra as carinhas por cima do veículo.
- Que gracinhas ! - exclamou a loira, surpreendida por aquele par de adoráveis crianças.
- Você acha mesmo ? - Horo não conseguia resistir quando alguém elogiava os seus filhos. Mesmo se esse alguém fosse Nora.
- São preciosos ! - confirmou Nora. Deteve-se por um instante e viu o quanto as crianças eram parecidas com o casal - Eles são seus filhos ! - não era uma pergunta, e sim uma afirmação.
- Isso mesmo - exclamou Horo, orgulhosa -E são tão lindos quanto sua mãe.
- Você não fez tudo sozinha - disse o comerciante, sentindo-se excluído.
- É verdade, o menino se parece muito com você, e Lawrence-san e a menina têm a mesma cor do cabelo.
- Eles são Lewis e Yuuki Kraft - apresentou-os com orgulho a deusa Horo.
- São tão lindos !
Horo sorriu, satisfeita. Seus filhos provocavam o mesmo efeito na maioria das pessoas, e ainda que se tratasse de Nora, os elogios continuavam sendo bem recebidos. Além do mais, a pastora tinha assimilado o fato de que eles eram uma família.
Estava marcando o seu território. Ela acrescentou, olhando de relance e presunçosamente para o marido.
Lawrence percebeu-o e suspirou resignado. Fingia estar aflito quando, na verdade, gostava que Horo se sentisse igualmente possessiva com ele, como ele fazia com ela. Geralmente era ele quem tinha esse problema de marcar território, por causa da beleza de sua mulher. Era agradável quando, uma vez ou outra, os papéis se invertiam.
Nora quis aproximar-se das crianças para vê-las de perto, mas naquele momento o seu cão pastor alcançou-a e começou a latir e a rosnar para as crianças, percebendo sua natureza lupina. A reação de ambos foi a de esconderem-se nas saias da mãe.
Horo lançou um olhar ameaçador para o mamífero. Não um de zombaria, como os de antigamente. Um de genuína ameaça, que o convidava a se aproximar de seus filhos apenas se quisesse morrer.
- Shh, Shep, calma - tranqüilizou-o Nora - Eu sinto muito - ela desculpou-se.
- Não foi nada - Lawrence apressou-se a responder, nervoso com a atitude protetora que Horo havia assumido - O que você acha de eu deixá-la próxima à aldeia ? - ele propôs.
- Não quero incomodar - começou a dizer a loira - Além do mais, eu estou com as ovelhas.
- Nós a acompanharemos, como nos velhos tempos - ele assegurou.
- Se não for um incômodo - ela acrescentou, dando uma olhada para a ruiva, que se encontrava com os seus filhos na parte de trás da carruagem.
- Não é incômodo nenhum - Horo forçou-se a afirmar com um sorriso.
Começaram a seguir pelo trajeto sem contratempos. Conversando como nos velhos tempos. A vida de Nora não havia sofrido nenhuma mudança relevante, ela continuava solteira e pastoreando. Mas, desta vez, já tinha o seu próprio rebanho.
Por sua vez, Lawrence falou-lhe sobre as mudanças acontecidas em sua vida, e de como ele havia se estabelecido em Kumerot, e ali tinha a sua loja. Explicou que estava fazendo aquela viagem era para buscar a mercadoria e para distrair as crianças.
- Bem - comentou Nora, após ouvir Lawrence - Eu pensava que você apenas ia acompanhar Horo-san até Yoitsu, e depois não voltariam mais a se ver. Se me lembro bem, esse era o maior desejo de Horo-san.
Horo não falou nada. Muito embora tenha ouvido tudo, e Lawrence o notou. Aquilo o incomodou.
Assim, eles continuaram a caminhar até chegarem à aldeia. Uma vez ali, concluíram que iriam seguir caminhos diferentes.
- Foi um prazer tê-los visto novamente - Nora começou a despedir-se - Espero que voltemos a nos ver.
- Seus desejos são retribuídos, Nora - acrescentou Larewnce educadamente.
- Cuide muito bem da sua família, Lawrence-san. É muito bonita, e percebe-se que eles o fazem muito feliz.
- Sim, eles são a minha felicidade.
- Horo-san - ela dirigiu-se à ruiva - Vocês têm filhos muito bonitos, cuide bem deles.
- Claro que sim - sorriu a mãe deles, presunçosamente - Cuide-se você também, Nora - ela acrescentou com relutância.
- Espero vê-los se visitarem a aldeia - ela fez uma última reverência - Caso contrário, desejo-lhes muitas felicidades em sua viagem de volta.
Eles despediram-se ali. Lawrence virou à direita, e Nora, à esquerda.
O retorno da família Kraft estava sendo bastante silencioso. Cada um deles imerso em seus próprios pensamentos, com exceção das crianças, que dormiam no colo da sua mãe.
Lawrence pensava nas palavras de Nora. A felicidade de Horo estava em Yoitsu, em sua terra. Ele nunca realizou-lhe o desejo de levá-la até lá. Durante o transcorrer da viagem, descobriram os seus sentimentos, ela engravidara, e eles começaram a viver como uma família, em Kumerot. Nunca tinha parado para pensar que tudo aquilo podia ter forçado Horo a deixar de lado os seus sonhos e esperanças.
- Horo - chamou-a Lawrence. Recebeu uma quase inaudível resposta - O seu sonho era ir até Yoitsu, certo ?
- Isso mesmo - foi a seca resposta da deusa.
Então era verdade, pensou ele com pesar, Horo podia arrepender-se da vida que levara até então. Ainda que para ele tenham sido os melhores anos de sua vida.
Eles permaneceram em silêncio por mais alguns instantes, tortuosos instantes para Lawrence. Até que finalmente Horo quebrou o silêncio.
- Yoitsu era o meu sonho, e por muito tempo eu acreditei que era a minha felicidade - ela começou a falar.
Lawrence parou o cavalo e voltou a olhar para sua mulher, que acariciava com ternura os cabelos dos seus filhos.
- Porém, minha verdadeira felicidade são vocês: minha família - ela adicionou, com um grande sorriso.
Então, Lawrence suspirou aliviado, e Horo riu frente à reação de seu marido.
- Do que você está rindo ? - perguntou ele.
- Do quão inseguro você é, meu senhor.
- Você podia ter falado antes - Lawrence queixou-se - E não ter ficado tão calada.
- Você poderia ter seguido sem escoltar Nora, e teria evitado passar por esses maus bocados - ela acrescentou rapidamente - Mas queria me aborrecer, e o tiro acabou saindo pela culatra.
Lawrence corou ao saber-se descoberto. Horo aconchegou muito bem aos seus filhos, e foi então acompanhar seu marido na parte dianteira da carruagem.
- Você tem toda a razão - afirmou Lawrence.
- E quando é que eu não tenho ? - vangloriou-se a deusa - Lembre-se, eu sou a grande e sábia deusa Horo. Faltam algumas centenas de milhares de anos para você estar no mesmo nível que eu.
- Você tem toda a razão - ele repetiu, consciente de como sua esposa gostava que dessem-lhe razão.
- Então, para deixar bem claro, você tem de saber que eu ansiava por Yoitsu, era porque lá estava o meu clã, os meus amigos. No entanto - ela voltou a olhar para os seus filhos, adormecidos - , agora eu tenho a minha própria família, e isso me faz muito mais feliz - ela aproximou-se e beijou os lábios do seu marido com ternura - Você e os nossos filhotes são a minha maior felicidade.
- E você é a minha - ele acrescentou, antes de corresponder ao beijo.
Lawrence achava que a felicidade viria de mãos dadas com a riqueza e a abundância.
Horo achava que a felicidade seria voltar para sua terra natal, com os de sua espécie.
Ambos haviam se enganado, e haviam encontrado a verdadeira felicidade nos braços um dos outro, e formado uma família, juntos.
- Ainda assim, você tem de me compensar e me comprar geléia de maçãs.
- Certo.
- E queijo de cabra.
- Certo.
- Eu te amo, Lawrence.
- Eu também te amo, Horo.
Ambos haviam encontrado: a verdadeira felicidade.
FIM
N/A: Agora sim, FIM ! Espero que esta fic tenha sido do agrado de vocês, e que deixem comentários a respeito.
Adoro vocês !
Obrigada a todos que leram a fic e adicionaram-na aos favoritos e alertas, espero que tenham gostado da continuação. Obrigada de coração a:
Kisame Hoshigaki; KhadijaDaSilva; LaertesDiMancini; Jessica; Marianita-chan; Kitsune96.
Despede-se com um beijo, e pedindo-lhes que deixem reviews:
Sakura Tachikawa.
N/T: Bom, é a primeira fic de Spice and Wolf que traduzo. Desta vez, eu queria uma fic mais leve, e ela caiu como uma luva. Gostara dela ? Eu espero que sim.
Eu faço eco com a autora, vocês podem deixar reviews para esta fic ?
