Disclaimer: I do not own Relic Hunter – Relic Hunter e suas personagens pertencem a Fireworks Entertainment. Esta fanfic não possui fins lucrativos.
Summary: Syd está passando suas férias com... Preston? Nigel também não acreditou nisso quando encontrou os dois em Londres, mas a mulher parecia decidida. Isso até descobrir que as lindas declarações na verdade foram feitas por um certo TA...
P. Bailey
2. Surpresa!
O inglês precisou de alguns segundos para que seu cérebro registrasse o que estava acontecendo. Aquela voz não poderia pertencer a quem ele estava pensando!
"Ei, Podge! O que está fazendo aqui em Londres?"
Nigel observou, embasbacado, o irmão se desenrolar das cobertas. Foi quando despertou de seu estupor.
"Preston? O que VOCÊ está fazendo aqui?" Nigel pensou ter ouvido Sydney dizer o mesmo. Os dois colegas se entreolharam um segundo e voltaram a atenção para a figura na cama.
O homem espreguiçou-se e lançou um sorriso sensual para Sydney. Ela congelou instantaneamente. Seu rosto empalideceu por um segundo e então começou a avermelhar.
Ela começou a balbuciar. "Preston, ele... erm..."
Nigel franziu o cenho. O que foi isso? Está... encabulada?
Preston levantou-se da cama vagarosamente e a abraçou de forma possessiva. O assistente observou em choque.
Por que Preston está aqui? E por que ele ainda está de pé depois de se aproximar assim de Syd? Qualquer um que tenha feito isso até hoje acabou com pelo menos uma dúzia de ossos quebrados!
Sydney forçou um sorriso e tentou inefetivamente soltar-se do homem.
"Nós estamos dividindo o quarto, Podge. O que o trouxe à Londres?" e deu uma risadinha casual, como se fosse algo corriqueiro ele estar abraçado à forma quase nua de Sydney, num quarto de hotel cheio de garrafas de champanhe e lençóis desarrumados às duas horas da tarde!
Nigel estava estático.
Tudo escureceu.
"Você está bem, Nige?"
A voz suave de Sydney o acordou do estado quase comatoso em que se encontrava. O jovem balançou a cabeça algumas vezes, tentando restabelecer coerência em seus pensamentos. Lembrou-se de uma ligação no meio da noite e de uma voz aguda falando sobre o Brad Pitt.
Lembrou-se também de ter ligado para Kate e de estar à procura de Sydney.
Depois disso, lembrou de ter chegado a um quarto de hotel muito suspeito e... Em um baque recordou a infeliz conversa com a versão seminua de Preston agarrado a sua belíssima chefe. Ringiu os dentes.
Sydney o ajudou a levantar do chão. Ele estava dividido entre o motivo que o trouxe até ali e a necessidade de estrangular seu irmão por estar naquele quarto.
A preocupação por sua amiga venceu. Primeiro deveria descobrir o que aconteceu para ela ter pedido sua ajuda. O restante deveria ser apenas um mal-entendido. TINHA que ser um mal entendido!
Ignorou o irmão e cambaleou até uma cadeira com o auxílio da colega. "Sydney, por que ligou para Cláudia pedindo que eu viesse?"
"Eu pedi?"
"É claro! Eu viajei mais de sete horas para chegar até aqui!"
"Mas não aconteceu nada..." ela pensou um pouco "Eu não lembro de ter ligado."
Preston, que estava quieto observando a conversa, voltou para a cama e sentou-se na beirada.
"Tem certeza? Não há ninguém a seguindo, espionando, fazendo ameaças?"
"Não."
"Então por que você me chamou?"
"Eu já disse que não chamei você, Nigel!"
"Eu sei o que está acontecendo aqui", interrompeu a voz enfadonha do Bailey mais velho, "Não precisa fazer esta cena, Podge. Se estava preocupado porque eu e Sydney estamos nos encontrando, poderia ter ligado e conversado a respeito. Não havia necessidade de vir até aqui demonstrar seus ciúmes. Ela não vai deixar de ser sua tão preciosa amiga."
Nigel ficou boquiaberto. Olhou para a amiga em questão, esperando que ela negasse o que Preston acabara de dizer, mas ela não o fez. Os dois estão mesmo j-junt... Não! Afastou a náusea que ameaçava escurecer novamente sua visão. Syd não faria algo assim, era impossível!
"Isso só pode ser algum tipo de brincadeira, não é? Syd? Responda!"
"Nigel, eu... eu não sei o que aconteceu. Nós estávamos conversando e tomamos algumas taças. Não entendo como viemos parar no quarto e... e..."
Aquilo não estava acontecendo! Seu irmão dizendo que passou a noite com Sydney e ela não sendo capaz sequer de negar isso? Nigel começou a se desesperar.
"E o que? Acordou abraçada a Preston? Pode me dizer se resolveu fazer isso antes ou depois de tomar 'algumas taças' com ele?" e apontou para a dezena de garrafas vazias no chão.
"Não entendo o que houve. As coisas devem ter saido de controle..."
"Oh, está me dizendo que bebeu tanto que acabou fazendo algo contra a sua vontade? Então devo acreditar que entrou em coma alcoólico e Preston fez todo o serviço?"
"Ei Podge..."
"Cale a boca, Preston!" o T.A. nem deu tempo para o irmão retrucar e virou-se novamente para a amiga "Syd, mesmo que tenha ingerido a quantidade colossal de álcool que está me afirmando, você e Preston já estavam neste quarto antes de se embebedarem, ou eu não estaria VENDO TODAS ESTAS GARRAFAS! Você sabia o que estava fazendo e mesmo assim... fez?"
Ela tentou pensar em uma resposta, mas Nigel estava certo. Se ela não quisesse, Preston não estaria no quarto dela. Contudo, era estranho pensar que os dois tenham feito qualquer coisa além de apenas dormir... Droga! Sua mente estava confusa, ela não tinha certeza de que os dois não fizeram o que Nigel pensava que tinham feito, e sua honestidade a impedia de negar algo sem estar cem por cento segura.
O jovem não lhe deu tempo suficiente para raciocinar sobre todos os acontecimentos da noite passada. O breve silêncio foi recebido como uma confirmação pelo assistente, que desatinou a caminhar de um lado para o outro com as mãos na cabeça, na tentativa de arrancar os próprios cabelos.
"Eu não acredito! Como pôde fazer isso, Sydney? E com PRESTON!" rugiu esta última palavra por entre os dentes, apontando para o rosto do irmão, e completou "Por que não escolheu qualquer um com mais senso de decência? Que tal Dallas, ou aquele francês que tentou nos roubar?"
"Podge, está tentando me insultar?"
"Preston, vista alguma coisa AGORA e NÃO ME CHAME DE PODGE!"
Sydney aproximou-se do amigo, cuja cor já havia passado de branco-desmaio para vermelho-ódio. Segurou seu ombro para prevenir qualquer confronto físico.
Ele não era uma pessoa violenta. Ela imaginou que se algo assim acontecesse um dia, o inglês ficaria confuso, deprimido, ou até mesmo que iria para o primeiro bar se embebedar, como aconteceu no episódio com Amanda. Mas, para sua surpresa, ele estava tendo a reação oposta. Não parecia triste ou desorientado, estava apenas furioso – extremamente furioso. "Acalme-se, Nigel, não aconteceu nada aqui. Vamos resolver isso como pessoas civilizadas!" Percebeu a estranheza da situação, sentindo-se como a esposa adúltera da história – só que sem quaisquer lembranças agradáveis provindas da suposta 'traição', apenas a terrível ressaca.
O assistente a olhou fundo nos olhos "Resolver o que? Ao que me parece vocês dois já resolveram tudo por aqui" e liberou-se bruscamente de Sydney. Pegou a mochila do chão e deu meia volta. Abriu a porta do quarto e saiu sem dizer mais nada.
BAM! Sydney e Preston estremeceram com a batida da porta.
O T.A. marchou bufando até o elevador e quase destruiu o botão, tamanha raiva com que o pressionou. Sua mente fervilhava com imagens de sua melhor amiga e seu irmão juntos.
Como ela pôde fazer isso? Até Sydney se rendeu ao charme daquele ladrão destruidor de sonhos!
Entrou no elevador e selecionou o andar térreo. Suas mãos tremiam violentamente e sentia uma ligeira falta de ar. As paredes começaram a girar. Oh Deus! Essa não é hora de desmaiar novamente! Buscou apoio no espelho que ficava do lado oposto à entrada do elevador e fechou os olhos. Lembrou da cara deslavada de seu irmão ao abraçar Sydney.
O sangue lhe subiu novamente à cabeça. Era assustadora a intensidade com que se podia odiar uma pessoa!
Por um instante, simpatizou até com os vilões dos livros de História que destruíam vilarejos e incendiavam casas. Pobres injustiçados! Eles deviam estar se sentindo como eu!
Desceu do elevador.
Pensou na reação de Sydney e a raiva diminuiu um pouco. Ela estava realmente espantada ao ver Preston. E ela não disse precisamente o que aconteceu entre os dois... Mas tampouco negou o que Preston disse! – gritou sua consciência.
Espere aí!
Se os dois haviam bebido juntos, significava que eles se encontraram antes disso, e se eles se encontraram antes disso, significava que saíram ou jantaram juntos, e se os dois saíram ou jantaram juntos, significava que estavam mantendo contato! Qualquer raciocínio levava à conclusão de que Preston estava falando a verdade sobre os dois possuírem algum tipo de relacionamento do qual Nigel fora mantido à parte.
Talvez os dois já fossem amigos há algum tempo. Talvez fossem até mais do que isso, assim como seu irmão afirmou! De repente se deu conta: ela estava mais distante nos últimos meses. Seria influência de Preston? Estaria ele enchendo a cabeça dela de tolices a seu respeito?
O que era raiva começou a se transformar em pavor com cada passo que Nigel dava em direção à saída do hotel.
E agora? Perderia a única pessoa no mundo que o aceitava como realmente era. A pessoa que conhecia seu melhor e seu pior, que sabia de seus defeitos e fraquezas e mesmo assim havia lhe oferecido sua amizade.
Hesitou ante a porta de saída.
Esta poderia ter sido a última vez que falou com Sydney. Seu irmão os afastaria, com certeza. Ele tinha este dom de fazer Nigel parecer uma criança desajeitada e inútil. Logo Sydney também o enxergaria desta forma, como nada mais que um estorvo digno de pena.
Nigel suspirou pesadamente.
Ele ainda estava parado diante da porta no saguão quando alguém o puxou pela manga da jaqueta. Era Sydney.
Apesar do sobressalto, Nigel sentiu uma tola euforia surgir em seu peito, como se sua amiga estivesse ali para lhe dizer que foi tudo um grande engano e que ela não tinha qualquer envolvimento com o outro Bailey.
A euforia durou pouco. Só até ele perceber que ela vestia um longo sobretudo. Longo o suficiente para ser de Preston! – constatou aborrecido. Ela continuava com os cabelos desfeitos, e estava ofegante. Devia ter descido as escadas correndo.
"Nigel, aonde está indo?"
"Vou para o aeroporto. Pode me soltar, por favor?"
"Então é isso. Você vai fugir!" O tom alterado de Sydney chamou a atenção de alguns hóspedes que estavam no saguão.
"Eu não estou fugindo, só não quero falar com você agora!"
"Não pode se esconder! Eu preciso que encare isso e me deixe explicar a situação!"
Ele afastou o braço fazendo-a soltar sua manga e respondeu baixando a voz "Eu já encarei isso. Estou acostumado ao meu irmão invadindo a minha vida e roubando dela tudo o que há de bom! Eu só não esperava que você pudesse fazer isso comigo, Syd."
Várias pessoas já estavam olhando e cochichando sobre o casal que discutia no meio do saguão.
Os dois ficaram quietos por um momento tentando decifrar os pensamentos um do outro. Então Sydney puxou o assistente para perto e o enlaçou com os braços.
Ele tentou se afastar, mas ela era mais forte.
A voz da mulher soou de forma quase inaudível. "Eu sinto muito, Nige. Não estava em meus planos lhe magoar desta forma. Por favor, me dê a chance de explicar o que aconteceu!"
Ele ficou imóvel pelo que pareceu uma eternidade, mas no final acabou retribuindo o abraço e concordando com a cabeça. Não poderia simplesmente deixá-la para trás depois de tudo o que viveram juntos. Sua amizade ainda falava mais forte e ele não conseguia dizer não a ela.
Ademais, não era sempre que se via Sydney Fox pedindo 'por favor'.
Ela o liberou sorrindo. Os dois viram Preston descer do elevador. O inglês já estava completamente vestido e penteado. Ele se empertigou ao ouvir o murmurinho e perceber que os donos das vozes estavam olhando para Nigel e Sydney. Assim como qualquer britânico, odiava escândalos – aqueles que envolviam a sua família, é claro.
"Podge e seus histerismos!" Resmungou sutilmente. Ao se aproximar, seu sorriso insosso bastou para a raiva do irmão caçula ressurgir.
Nigel ficou encarando o britânico com uma expressão nada amigável. Sydney estava ao seu lado e percebeu a tensão entre os dois homens. Até um cego enxergaria as faíscas que saltavam dos olhos do assistente, mesmo que Preston fingisse não estar percebendo a raiva do T.A.
O Bailey mais velho continuou com sua risadinha. "Ei, irmãozinho, não vamos fazer um espetáculo aqui. Que tal voltarmos para o quarto, e então você poderá resmungar..."
PUNCH!
Preston não terminou a frase. O punho de Nigel já havia acertado seu rosto em cheio, fazendo com que enxergasse estrelas.
O homem deu uma pirueta e caiu involuntariamente de quatro sobre o tapete da entrada.
Todo o salão ficou em silêncio e então o burburinho recomeçou com ainda mais entusiasmo.
Sydney diria que foi um belo cruzado de esquerda, mas estava muito ocupada recolhendo Preston do chão. Forçou o homem a sentar-se no tapete. Ele pôs as duas mãos sobre o rosto, choramingando. "Stá quebado! Ele quebou beu dariz!" Ela lançou um olhar de reprovação para Nigel. Mas isso não surtiu qualquer efeito.
O jovem Bailey tomou seu tempo massageando o punho esquerdo e depois curvou-se levemente, apreciando o estado da pessoa sentada no chão. Acenou positivamente com a cabeça. Sentia-se muito melhor.
"Agora eu posso voltar e resmungar no quarto, Preston." E deu as costas para o casal, caminhando em direção ao elevador sem se preocupar em esperá-los.
Parou à meia distância e indicou a cena a um segurança que acabava de chegar, dizendo que precisavam de gelo na entrada do prédio. Depois entrou no elevador e selecionou o quinto andar. Sydney poderia jurar que enquanto a porta se fechava viu um pequeno sorriso se formar no rosto do assistente, mas deve apenas ter imaginado aquilo, pois ele ainda parecia furioso.
Continua...
N.A.: Se não tem sucesso, a gentch apela.
