Capítulo 2 - Limite

Acordei na manhã de sábado com a cabeça doendo de tal forma que parecia que alguém a espremia com as mãos, carregando toda a culpa, vergonha e ódio pela noite anterior.

Hermione não estava no quarto, então imaginei que ela deveria ter descido com os meninos para tomar café ou ir decidir o que fariam comigo: fingir que nada tinha acontecido ou me enfeitiçar.

Tomei um banho gelado para tentar fazer com que minha dor de cabeça parasse, mas ele só me serviu para lembrar a consequência principal da minha bebedeira: Draco. Eu imaginava que naquela altura ele já havia espalhado o acontecido para a escola inteira. É claro que ele iria manipular toda a história de tal forma que pudesse me chamar de todos os nomes depreciativos possíveis, me fazendo ficar constrangida para onde eu fosse.

Não lembro quantas vezes bati os punhos na parede. Esfreguei-me incontáveis vezes com o sabão, para que nenhum rastro do perfume de gel de cabelo ficasse entranhado em meu corpo. Vesti uma calça jeans, uma camisa simples e um casaco de couro. Procurei um tênis mais confortável que o normal porque meus pés ainda doíam do salto da noite anterior. Sequei os cabelos com um toque da varinha e desci as escadas.

Tudo parecia anormalmente normal. Na sala comunal da Grifinória, ninguém olhou de esguelha para mim. Apenas Dino Thomas perguntou como eu estava, e quando eu perguntei, preocupada, o por que, ele disse que eu tinha levado um tombo feio dançando com ele na noite anterior. Mesmo que eu não lembrasse e tivesse dito que estava bem, isso explicava a pontada de dor nas costas que senti ao acordar.

Descendo as escadas para o Salão Principal, os alunos que passavam por mim também não agiram de maneira diferente. Estava começando a acreditar que tudo ia ficar bem. Talvez Draco não tivesse falado nada para não manchar sua tão amada reputação, e para mim isso não podia ser melhor.

Entrei no Salão Principal com um enorme sorriso, decida a esquecer tudo da noite passada e nunca mais olhar na cara de Malfoy novamente. Localizei Hermione no fim da mesa da Grifinória, e me encaminhava para meu lugar habitual a seu lado quando meu nome ecoou pelas paredes.

- ROGERS!

Olhei em volta. Na mesa da Sonserina, a minha esquerda, Draco Malfoy se levantara de seu lugar e apontava para mim. Seu sorriso desdenhoso revelava que ele estava aprontando algo, e todo o Salão baixou a voz para ouvir o que ele tinha a dizer.

Ele abaixou a mão e sorriu.

- Você por aqui?

A mesa da Sonserina caiu em altas gargalhadas, enquanto os alunos de Corvinal, Lufa-Lufa e Grifinória se entreolharam. Ninguém parecia entender o que tinha se passado, mas tenho certeza de que vi o rosto de Harry com certa preocupação.

- Anda - disse Draco, desdenhosamente. - venha, Rogers. Essa é a parte em que você me beija.

Os sonserinos já rolavam pelo chão a essa altura, mas o resto continuava sem entender. E isso pelo visto irritou muita gente, que, não se sentindo parte da piada, voltaram a suas respectivas conversas. Aproveitei a deixa para ignorar os risinhos e tornar a caminhar enfim para o meu lugar.

- Ah, eu não contei para vocês. – disse Draco, e seu senti o peso de seu olhar em minha nunca, enquanto os olhos de todos se voltavam novamente para ele. – Alguns de vocês devem ter procurado a pobre Paige ontem à noite. – sua voz era teatral, e eu sabia que isso era para Harry, Rony e Hermione. – Sabem onde ela estava? Lá fora no jardim. E sabem o que ela estava fazendo?

Murmúrios percorreram o salão. Alguns meninos davam risadinhas e percorriam com olhos meu corpo de cima a baixo, pensando coisas tão obscenas quanto eu seria realmente capaz de fazer no jardim da escola.

- Nem tanto sabem, mas foi por pouco. – ele comentou para as risadinhas masculinas. – Muito pouco. – Draco fez questão de enfatizar essa parte, e senti um nojo crescente que nunca tinha sentido na vida. Ele continuou - Ela estava me beijando.

No mesmo segundo vi Lilá Brown e Parvati Patil se virando para fofocar, enquanto vários outros grupinhos faziam o mesmo. Alguns riam, outros olhavam com nojo, e outros nem podiam acreditar. Aquilo estava se tornando o meu pior pesadelo e era muito pior do que eu pensava que poderia ser. Mas eu tinha certeza que a principal coisa que Malfoy queria com aquela cena era me tirar do sério, e se dependesse de mim eu não iria dar essa vitória a ele.

- E não foi um beijo rapidinho não. – ele continuava a zombar – Foi bem... como posso dizer... picante.

A turma da Sonserina riu outra vez. Eu fechei os punhos com força, as unhas entrando na palma da mão, mas continuava firme em meu caminho até a mesa que mais parecia uma peregrinação.

- Sabem, o que vocês sempre viram nos corredores onde ela implicava comigo não é verdade. – Draco sacudia a mão, como se recitasse poesia. – Mas, a verdade... é que ela me ama.

Meus dentes trincaram ao ouvir aquilo. Ele podia dizer qualquer coisa, inventar qualquer mentira, menos me insultar ao dizer que eu seria capaz de me apaixonar por alguém como... ele. Tirei rapidamente a varinha do bolso do jeans e apontei para um prato fundo de mingau de um garotinho do primeiro ano.

- Uediuósi!

Virei a varinha para Draco, que arregalou os olhos. O material pastoso o atingiu no rosto em um segundo, e logo começou a escorrer e empapar-lhe as vestes.

O Salão inteiro começou a gargalhar, exceto os sonserinos que esperavam de Malfoy algum tipo de reação. Apesar disso, a expressão de seu rosto passou de raiva para um sorriso malicioso enquanto ele olhava fixamente para a porta de entrada. Quando segui seu olhar, vi quem estava parado ali.

Severo Snape era o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas e também diretor da Sonsera. Não importasse qual fosse a situação, ele sempre dava a vantagem e a razão para sua própria casa. Os alunos tornaram a ficar em silêncio observando o que certamente o que iria acontecer.

Snape me encarou com os olhos negros, emoldurados pelos cabelos pretos e oleosos. Ele olhou para Draco, que, todo sujo, fazia cara de inocente, e depois para mim, de varinha na mão e cuja raiva deixava meu rosto mais vermelho que os cabelos de Rony.

- O que aconteceu aqui?

Draco choramingou fingidamente.

- Ela tacou um prato de mingau em mim, professor.

- Professor Snape, por fa...

- Cinco pontos a menos para a Grifinória. Na próxima Rogers, você leva uma detenção.

Mesmo que grande parte da Grifinória protestasse, Snape apenas deu meia volta com sua capa esvoaçante e saiu para o saguão de entrada, sem ouvir nenhuma reclamação.

Imaginando que ele já deveria estar suficientemente distante, as pessoas tornaram a conversar em um turbilhão de palavras. Pansy Parkinson, aluna do sétimo ano da Sonserina, ajudava Draco a limpar o rosto cheio de mingau, os dois me fuzilando com os olhos cheios de desprezo. Mesmo sabemos que vários outros olhares curiosos me seguiam, finalmente sentei à mesa entre Harry e Hermione e comecei a mastigar um pedaço de pão.

- Isso foi real? – Gina Weasley apareceu do outro lado da mesa, com uma cara de assombro. – Quero dizer, você realmente ficou com o Malfoy?

- Bem... é – sussurrei, meio constrangida e meio frustrada, para que ninguém mais pudesse ouvir. Não adiantou muito, já que o rosto de Gina mostrou mais espanto do que deveria, e várias pessoas que me observavam de esguelha provavelmente entenderam a mensagem. – Mas foi um engano! – me apressei a explicar – eu... eu acho que bebi demais, estava escuro... E, ah, eu achei que fosse o Kevin Entwhistle.

Ouvi Parvati, que era capaz de identificar uma fofoca grande em segundos, dar um risinho antes de se virar para conversar com Lilá. Meu rosto ficou quente de vergonha, e só o que eu queria era me cobrir com as vestes e sumir dali.

- Ah Paige, vai ficar tudo bem. – disse Hermione, com um cuidado carinhoso. – Daqui há uma semana ninguém mais vai lembrar dessa história.

Rony sacudiu um "não" com a cabeça silenciosamente, mas quis terminar meu café acreditando em Hermione e fazendo todas as forças possíveis para deixar toda aquela noite de lado.

Infelizmente eu não conseguia.

Na semana que se seguiu, não houve nenhum lugar que eu passasse por alguém da Sonserina que não houvesse alguma reação. Os meninos me olhavam de cima a baixo fazendo piadinhas e caras grotescas, e eu chegava a passar mal de ódio só de pensar nos detalhes que Draco contou sobre o que fizemos – e pensar que algum deles podia ser verdade só me deixava pior. As meninas, por sua vez, quando não riam feito hienas, me olhavam de forma cínica e com nojo. Pansy Parkinson, de quem eu suspeitava que nutria um amor secreto por Draco, passou por mim duas ou três vezes falando coisas como "aquela oferecida nojenta". Felizmente, Harry, Rony e Hermione nem tocavam nesse assunto, e por vezes tentavam me distrair quando percebiam que eu tinha ouvido algo que iria me fazer mal.

Os primeiros dias foram os piores de todos. Me sentia como um bicho que as pessoas tentavam atiçar na expectava que eu reagisse – o que de fato aconteceu quando Malfoy passou rindo ao meu lado com Crabbe e Goyle ("O que tem tanta graça? Crabbe lhe contou que quando nasceu a mãe dele o confundiu com um bebê trasgo?"). Rony riu bastante da minha ousadia, mas Hermione me arrastou da fúria dos meninos dizendo que eu tinha sido muito imprudente.

Depois, eu achei que o melhor método de mostrar que eu não estava me afetando era ignorar. Fingia que não estava ouvindo todos xingamentos e nem as piadas, mas de noite eu ficava pensando por quanto tempo essa tortura ainda ia durar. Os alunos das outras casas certamente tinham coisas melhores para fazer e esqueceram o acontecido no dia seguinte, mas a Sonserina tinha decidido me usar como motivos de chacota durante provavelmente o resto do ano letivo.

Justamente por isso, as aulas que eu tinha com os sonserinos eram um teste de paciência. Sempre procurava chegar o mais cedo que podia, conseguindo pegar os lugares vazios mais distantes de Draco e sua turma. E por falar em Draco, quando ele não estava de deboche estava sempre se insinuando das formas mais horríveis possíveis: me chamando para seu colo enquanto batia a palma na coxa ou apertando os lábios quando me via. Para piorar, uma das aulas que eu tinha com ele era Defesa Contra as Artes das Trevas, onde não podia nem xingá-lo com medo de Snape tirar mais pontos da Grifinória.

Mas quando duas semanas se passaram e nada mudou, eu já estava perdendo a cabeça. McGonagall tinha dedicado 30 minutos da aula para falar mais uma vez da importância dos N.I.E.M.s, que faríamos na primeira semana de Junho, e aquilo por si só já tinha me deixado bastante ansiosa. Conquistei – e essa é a palavra, porque foi um grande esforço para uma aluna mediana como eu - 8 N.O.M.s no meu quinto ano. Fiquei com um "Ótimo" em Feitiços e em DCAT - que foi de longe a matéria para a qual mais me dediquei, pois sabia que Snape não iria aceitar nenhum aluno em sua turma com uma nota menor que isso. Em "Excede expectativas" estavam Trato das Criaturas Mágicas, Herbologia, Poções e Transfiguração. Já em "Aceitável", a última nota de aprovação, eu consegui passar em Runas Antigas e História da Magia. Reprovei apenas em Astronomia, com um terrível "Deplorável", que só serviu para me lembrar como eu era péssima para coisas que envolvessem planetas e estrelas.

Assim que recebi minhas notas no penúltimo verão decidi que, mesmo tendo nota para continuar História da Magia e Runas Antigas, iria desistir das duas. A primeira porque era entediante e eu já havia aprendido o suficiente, e a segunda porque, embora fosse muito interessante, eu queria me aprofundar em algo útil para meu futuro e esse não era o caso. Trato das Criaturas Mágicas também entrava na lista de abandonadas. Desde o incidente com o Malfoy no terceiro ano (meu sangue ferveu ao lembrar disso) a aula de Hagrid tinha se tornado monótona e nada interessante. Assim, ainda que tivesse apenas 5 matérias para cursar, eu estava boiando em ansiedade e nervosismo quando sai da aula a caminho do almoço, sabendo que logo logo eu teria que começar estudos pesados.

Vai ver o meu estado de espírito foi em parte o grande culpado. Eu estava sozinha no saguão de entrada a espera de Hermione, que havia subido para guardar o material já que teríamos um tempo livre depois do almoço. Foi quando Draco passou a caminho das masmorras, em um raro momento desacompanhado. Obviamente ele não pode perder a chance de me insultar quando eu estava tão quieta e indefesa, então abriu aquele sorriso malicioso assim que me viu.

- A sangue ruim, o pobretão e o cicatriz decidiram finalmente parar de falar com você foi? – ele riu de uma forma arrogante. – Acho que eles não puderam aguentar o fato do que aconteceu.

Senti como se alguém tivesse xingado minha mãe. Eu já não estava num bom humor, e não precisava das brincadeirinhas de Draco para me colocarem ainda mais para baixo. Senti a minha têmpora saltitar e prendi a respiração enquanto avancei para cima dele, empurrando-o contra a parede que descia para os corredores de pedra. Geralmente Malfoy se tornava comicamente medroso quando alguém o enfrentava ou quando ele sabia que Crabbe e Goyle não podiam defende-lo. Achei que essa fosse uma das situações onde ele iria choramingar de medo, mas quando ele se viu com as costas na parede, eu a menos de um metro a sua frente e segurando com força seus ombros, ele deu novamente seu sorriso dissimulado.

- Ora, parece que você gosta mesmo de fazer as coisas na parede não é Rogers?

Se pudesse sair fogo das minhas ventas e fumaça para os meus ouvidos esse seria um momento oportuno.

- Cala a boca! – eu gritei, sentindo meu rosto passar do branco para o vermelho - Cala. A droga. Da sua maldita. Boca. – eu apertava os ombros de Draco com mais força a cada frase, sacudindo-os enquanto via os olhos do menino se fecharem e ele lamuriar de medo.

Quando senti que ele já estava amedrontado o suficiente eu tirei a mãos dos seus ombros, ouvindo-o gemer como um ratinho encurralado.

- Você só banca o corajoso quando tem alguém pra te defender não é mesmo? Deplorável.

Já tinha até me virado quando Malfoy abriu um pouquinho os olhos e percebeu que eu já não o encurralava mais.

- Deplorável. – ele fez voz de falsete. Eu congelei onde estava, ele realmente não tinha noção da raiva que corria em minhas veias. Ele continuou – Cala a droga da sua maldita boca. Mas você gostou muito da minha boca naquele di...

Minha mão tremia quando eu vi o que tinha feito. Reuni toda a força que podia na palma da mão e acertei um tapa em Draco bem no meio de sua bochecha branca. Ele cambaleou e piscava os olhos como se tivesse acabado de acordar de um trauma. Acho que teria corrido para a Sala Comunal da Sonserina se eu não tivesse colocado o braço em seu caminho.

- Por que está fazendo tudo isso? – minha voz estava trêmula, meus olhos lacrimejavam. – Você acha que eu queria ficar mesmo com você? Foi só um engano idiota! Eu queria ficar com o Kevin Entwhistle, mas você apareceu, estava escuro e eu acabei me confun...

Parei de falar quando ouvi vários risinhos e cochichos a minha volta. Estava tão imersa no bate boca com Draco que não reparei na dúzia de pessoas que saiam do Salão Principal e pararam para olhar nossa discussão. Uma delas era Pansy Parkinson, que parecia petrificada e presa ao chão ao ver a marca de minha mão no rosto do garoto. Do lado dela, sorrindo meio sem graça, estava Kevin Entwhistle.

O verdadeiro Kevin Entwhistle certamente não esperava ouvir uma declaração daquela forma. Mas ele não parecia encabulado nem nada do tipo, talvez porque tivesse acostumado com tantas outras meninas suspirando por ele. Na verdade, ele olhava para mim como se quisesse me consolar por estar passando por aquela situação, e parecia até que estava achando engraçado o fato de existir mais alguém interessada nele.

Já Draco, que tinha o rosto ruborizado de vergonha por tanta gente o ver naquela situação, pareceu ter tido um acesso ao finalmente entender que meu alvo romântico nunca tinha sido ele. Ele encarou meu rosto vermelho, olhou rapidamente para Kevin e empurrou meu braço, saindo em disparada para as masmorras enquanto choramingava algo como "você vai ver só".

Hermione chegou a tempo de perceber o que tinha acontecido e me arrastou para os jardins, onde eu desabei no choro. O que eu sentia não era exatamente tristeza ou mágoa, mas sim uma grande indignação. Era como se eu soubesse que aquilo nunca ia terminar, e a minha falta de controle ao dar um tapa em Draco certamente iam levar à consequências muito piores. Harry e Rony chegaram logo, e o ruivo deu o sério palpite de que eu deveria ter transfigurado Draco em uma barata e pisado em cima. Hermione ficou indignada quando lhe contei a história toda, aos soluços, e ficou bom tempo afagando meu ombro e dizendo que Malfoy não valia nem os sapos de chocolate que comia.

Mal prestei atenção na aula de Herbologia que tivemos na hora seguinte. Ainda estava tão chateada que não estava atenta o suficiente para retirar as vagens de uma planta cheia de tentáculos, que acabou agarrando um de meus braços e abrindo um feio arranhão. Kevin Entwhistle, que fazia as aulas N.I.E.M.s de Herbologia também, aproveitou que tinha um corte similar ao meu na mão para puxar assunto do outro lado da mesa de vasos.

- Nervosinhos esses bichos não? – ele sorria amigavelmente.

Talvez eu estivesse mais entusiasmada para conversar com ele se não tivesse tão apática. Só inspirei profundamente para esconder a cara de choro e tentei dar um sorriso simpático.

- É, é mesmo.

Kevin olhou rapidamente para os lados, como se checasse se alguém nos observava, e então continuou.

- Uhn, escuta Paige... é Paige não é? – não fazia ideia de como ele sabia meu nome, mas confirmei com a cabeça. – Eu vi o que aconteceu hoje com o Malfoy no saguão...

- Ah – eu olhei para cima para evitar que as lágrimas se formassem. Era realmente só o que faltava. – Aquilo.

Kevin fez uma cara sem graça, mas para minha surpresa ele contornou a mesa e parou do meu lado, puxando uma nova planta para si.

- Olha, ele é um idiota. É bem estúpido da parte dele ele dizer essas coisas para você. – eu sorri discretamente. – É obvio que você, e acho que nem ninguém, ficaria com ele porque quer. E eu ouvi... quero dizer, eu vi na hora que aconteceu... você dizendo que achou que fosse eu.

A informação veio de uma forma que eu não esperava, e eu acabei deixando a pá de jardinagem cair no chão com um estrépito.

- É – eu suspirei. - Foi isso mesmo. Mas, de verdade, esse assunto está me deixando muito mal nos últimos dias. Se não se importa, eu não quero falar sobre ele. Foi muito idiota da minha parte...

- Não acho. – Kevin sorriu. – Todo mundo se engana. E ta tudo bem você... uhn... achar que tivesse sido eu.

Corei com suas palavras, mas não pude deixar de abrir um sorriso sincero ao mesmo tempo que uma sineta tocou em algum lugar do castelo, anunciando o fim da aula.

As palavras de Kevin me ajudaram a me sentir bem melhor quando fomos jantar, algum tempo depois. Ainda que Pansy me olhasse visivelmente desejando minha morte, enquanto Draco me lançava olhares maliciosos, eu internamente já tinha dado minha vingança como completa. Sabia que não podia baixar a guarda depois de meter a mão na cara de um Malfoy, mas jurei para mim mesma – mais uma vez – que não iria atrás dos problemas.